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Sla

O Atrito das Polaridades

O silêncio do escritório de Na Baek-jin nunca pareceu tão denso. Após o confronto verbal da noite anterior, a atmosfera entre o líder da União e seu subordinado mais instável havia mudado. A briga em Mapo tinha sido um massacre, exatamente como Geum Seong-je previra. Ele havia lutado com uma ferocidade que beirava a insanidade, os punhos manchados de sangue alheio, sempre buscando com o olhar a figura elegante de Baek-jin, que observava tudo de longe, como um monarca assistindo a uma execução necessária.

Agora, horas depois, Seong-je estava novamente no santuário de vidro e aço de Baek-jin. O cheiro de ferro e suor emanava dele, contrastando com o aroma de café caro e papel novo que definia o ambiente. Baek-jin estava de pé, de costas para a porta, observando a chuva começar a açoitar as janelas panorâmicas.

— Você se excedeu hoje — disse Baek-jin, sem se virar. Sua voz era uma lâmina afiada, cortando o silêncio com precisão cirúrgica. — Três homens foram hospitalizados com fraturas permanentes. Isso atrai atenção desnecessária da polícia.

Seong-je soltou uma risada rouca, sentando-se na beirada da mesa de carvalho, desafiando a ordem sagrada daquele espaço. Ele limpou um rastro de sangue seco no canto da boca com o polegar.

— Eles estavam no caminho, Baek-jin. E você estava olhando. Eu vi. Você não desviou o olhar nem por um segundo.

Baek-jin finalmente se virou. Seu rosto era uma máscara de indiferença, mas seus olhos escuros traíam uma intensidade que ele raramente permitia que escapasse. Ele caminhou lentamente em direção a Seong-je, cada passo calculado, a postura impecável mesmo após um dia longo.

— Eu estava monitorando meu investimento — rebateu Baek-jin, parando a poucos centímetros de Seong-je. — Mas você é um investimento que está se tornando caro demais para manter sob controle.

— Então me controle — desafiou Seong-je, a voz caindo para um sussurro perigoso. Ele se levantou, ficando cara a cara com o líder. — Pare de dar ordens de longe e faça algo a respeito. Ou você tem medo de sujar essas mãos perfeitas com o meu caos?

A tensão entre eles não era mais apenas sobre poder ou hierarquia. Era algo físico, uma eletricidade estática que fazia os pelos dos braços de Seong-je se arrepiarem. Baek-jin estendeu a mão, mas desta vez não para segurar o pulso do outro em um gesto de advertência. Seus dedos frios tocaram o maxilar de Seong-je, subindo pela bochecha até onde um pequeno corte ainda sangrava.

— Você é um idiota, Seong-je — murmurou Baek-jin. Seu polegar pressionou o ferimento, e ele observou com um fascínio clínico enquanto uma gota de sangue manchava sua pele pálida. — Um idiota autodestrutivo.

— E você é um mentiroso — Seong-je sorriu, o olhar brilhando com uma mistura de triunfo e desejo. — Você deseja isso tanto quanto eu. Essa ordem toda... é só uma gaiola.

O controle de Baek-jin, a característica que ele mais prezava, rompeu-se. Não com um grito, mas com um movimento brusco. Ele agarrou a gola do uniforme de Seong-je e o empurrou contra a mesa de vidro. O som do impacto ecoou pela sala, mas Seong-je apenas riu, uma risada que foi abafada quando os lábios de Baek-jin colidiram com os seus.

O beijo não tinha nada de terno. Era uma colisão de vontades, um combate corpo a corpo disfarçado de desejo. Baek-jin beijava como lutava: com uma eficiência brutal e uma necessidade absoluta de domínio. Seong-je respondeu com a mesma agressividade, suas mãos puxando o cabelo curto e bem alinhado de Baek-jin, desfazendo a imagem de perfeição que o líder tanto se esforçava para manter.

— Finalmente — arquejou Seong-je contra a boca de Baek-jin, enquanto mãos impacientes buscavam abrir botões e afastar tecidos. — Onde estava esse monstro, Baek-jin?

Baek-jin não respondeu com palavras. Ele empurrou Seong-je totalmente sobre a mesa, espalhando documentos e canetas caras pelo chão sem um segundo pensamento. Para o homem que vivia de cálculos, aquele momento era o único resultado irracional que ele se permitia experimentar. Ele precisava calar a provocação constante de Seong-je, precisava subjugar aquela energia selvagem que ameaçava desestabilizar seu império.

As roupas foram descartadas com uma pressa violenta. O contraste entre eles era gritante sob a luz fria do escritório: Baek-jin, com sua pele clara e músculos definidos de forma funcional, e Seong-je, cujo corpo exibia as marcas de inúmeras brigas, uma cartografia de cicatrizes e hematomas recentes.

Quando Baek-jin se posicionou entre as pernas de Seong-je, ele hesitou por uma fração de segundo, seus olhos encontrando os de Seong-je. O que viu ali não foi submissão, mas uma aceitação desafiadora. Seong-je queria ser dominado, mas queria que Baek-jin se perdesse no processo.

— Não pare agora — provocou Seong-je, a respiração errática, as costas arqueando-se contra o vidro frio da mesa. — Mostre-me o que acontece quando o cálculo falha.

Baek-jin avançou, preenchendo o espaço entre eles com uma força que arrancou um gemido agudo de Seong-je. A dor e o prazer se misturaram na expressão do rapaz mais jovem, que cravou as unhas nos ombros de Baek-jin, deixando marcas vermelhas na pele impecável.

O ritmo que se seguiu era frenético. Baek-jin mantinha os olhos abertos, fixos em Seong-je, observando cada reação, cada contração de dor e êxtase. Ele queria possuir não apenas o corpo, mas a própria essência caótica de Seong-je. A cada movimento, a fachada de "aluno modelo" e "líder calculista" desmoronava um pouco mais. Ali, no escuro do escritório, ele não era o rei de Yeongdeungpo; ele era apenas um homem faminto por algo que a lógica não podia explicar.

Seong-je, por outro lado, estava em seu elemento. Ele prosperava no limite do controle, e ver Baek-jin perder a compostura, ouvir sua respiração tornar-se pesada e descompassada no seu ouvido, era a maior vitória que ele já havia alcançado.

— Isso... — Seong-je ofegou, as pernas envolvendo a cintura de Baek-jin para puxá-lo ainda mais para perto. — Isso é real, Baek-jin. Nada de... planos... nada de ordens...

— Cale a boca — rosnou Baek-jin, sua voz perdendo a cadência fria, tornando-se algo visceral.

Ele intensificou o ritmo, as mãos prendendo os pulsos de Seong-je contra a mesa, imobilizando-o. O impacto da carne, o som da chuva lá fora e o calor que emanava de seus corpos criavam uma bolha de isolamento absoluta. Naquele momento, a União não existia. Park Hu-min não existia. Apenas o atrito entre a ordem e o caos, queimando até que restassem apenas cinzas.

O ápice veio como uma explosão silenciosa. Baek-jin enterrou o rosto no pescoço de Seong-je, sentindo o pulso acelerado do outro contra sua bochecha, enquanto Seong-je soltava um grito abafado, o corpo tremendo sob o comando final de Baek-jin. Por alguns segundos, eles permaneceram assim, unidos pelo esforço e pela exaustão, o silêncio retornando gradualmente à sala, agora carregado com o cheiro de sexo e a realidade do que haviam feito.

Baek-jin foi o primeiro a se afastar. Ele se levantou, a expressão voltando a se fechar em uma máscara de frieza, embora seu peito ainda subisse e descesse com força. Ele pegou sua camisa do chão e começou a se vestir com uma calma perturbadora, como se estivesse apenas terminando uma reunião de negócios.

Seong-je permaneceu deitado sobre a mesa por mais um momento, observando-o com um sorriso preguiçoso e satisfeito. Ele se sentia leve, a adrenalina da luta em Mapo finalmente sendo substituída por uma lassidão profunda.

— De volta para a estátua de gelo? — perguntou Seong-je, sentando-se e começando a procurar suas próprias roupas espalhadas.

Baek-jin parou de abotoar os punhos da camisa e olhou para ele. Não havia arrependimento em seus olhos, mas havia algo novo — um reconhecimento silencioso de que a dinâmica entre eles havia mudado de forma irreversível.

— O que aconteceu aqui não muda nada, Seong-je — disse Baek-jin, embora sua voz não tivesse a mesma autoridade absoluta de antes. — Você ainda responde a mim. Você ainda segue minhas regras.

Seong-je levantou-se, caminhando até Baek-jin com a petulância de quem sabia que tinha ganhado terreno. Ele parou na frente do líder e ajeitou a gravata de Baek-jin, que estava ligeiramente torta.

— Claro, Baek-jin. Você é o chefe. Mas nós dois sabemos que, a partir de agora, quando você me der uma ordem... você vai estar lembrando do som que eu faço quando você me toca.

Baek-jin segurou a mão de Seong-je, apertando-a com força, mas não o afastou.

— Saia — ordenou Baek-jin. — Tenho trabalho a fazer.

Seong-je riu, uma risada leve e genuína. Ele pegou sua jaqueta e caminhou em direção à porta. Antes de sair, ele parou e olhou para a mesa de carvalho, agora desarrumada e com papéis espalhados pelo chão.

— A ordem é chata, Baek-jin — disse ele, abrindo a porta. — Mas o caos... o caos é inesquecível.

Quando a porta se fechou, Na Baek-jin permaneceu parado no centro da sala. Ele olhou para as próprias mãos, que ainda tremiam levemente. Ele odiava a desordem. Odiava a imprevisibilidade. Mas, enquanto começava a recolher os papéis do chão, ele percebeu que não estava pensando nos lucros da União ou na estratégia para a próxima semana.

Ele estava pensando na marca de mordida que Seong-je deixara em seu ombro, escondida sob o tecido caro de sua camisa. E, pela primeira vez em sua vida, Na Baek-jin sentiu que, talvez, o caos não fosse algo a ser apenas controlado, mas algo que ele precisava para se sentir vivo.

Lá fora, a chuva continuava a cair sobre Yeongdeungpo, lavando o sangue das ruas, mas incapaz de apagar o incêndio que havia começado no topo do edifício da União. O equilíbrio entre a ordem e o caos tinha sido quebrado, e nenhum dos dois sabia como consertá-lo — ou se realmente queriam que fosse consertado.