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Stray kids

Confissões Sob o Vapor

O vestiário da JYP estava mergulhado em uma névoa densa de vapor de água quente. O som dos chuveiros batendo no azulejo criava uma melodia constante, abafando as risadas e as cantorias desafinadas que vinham dos outros boxes. Cauã deixou a água escorrer por seus ombros largos, sentindo a tensão dos músculos relaxar. Seus olhos verdes estavam fechados, e ele aproveitava aquele raro momento de quietude após a descarga de adrenalina e a brincadeira caótica na sala de ensaio.

Ele desligou o registro e passou as mãos pelos cabelos pretos e ondulados, retirando o excesso de água. Enquanto se secava, sentia a pele ainda quente pelo esforço físico. A intimidade do Stray Kids era algo que ele valorizava acima de tudo; ser o nono membro não era apenas sobre cantar e dançar, era sobre pertencer a esse ecossistema de afeto físico sem barreiras. No entanto, algo na forma como Han Jisung o olhara durante o abraço coletivo — um brilho que ia além da simples camaradagem — tinha ficado gravado em sua mente.

Cauã enrolou a toalha na cintura e saiu para a área dos armários. A maioria dos membros já tinha saído para buscar as mochilas ou estavam enrolando no corredor. Apenas Han estava lá, sentado em um dos bancos de madeira, com o cabelo loiro úmido e uma expressão incomumente séria, longe do "Happy Virus" que todos conheciam.

— Achei que você já estivesse lá fora planejando como me fazer pagar aquele jantar — disse Cauã, exibindo um sorriso de canto enquanto abria seu armário.

Han não riu de imediato. Ele levantou o olhar, observando as costas definidas de Cauã e as gotas de água que ainda teimavam em escorrer por sua coluna.

— Cauã... — a voz de Han saiu um pouco mais baixa que o normal, quase abafada pelo barulho distante do secador de cabelo de Felix. — Você tem um minuto? Queria falar com você. Sério.

Cauã parou o que estava fazendo. Ele conhecia o tom de Han para brincadeiras, para dramas exagerados e para momentos de ansiedade. Aquele tom, no entanto, era novo. Era vulnerável. Ele vestiu apenas a calça de moletom preta, deixando o peitoral exposto, e se sentou no banco ao lado de Jisung, virando-se para ele.

— O que foi, esquilo? — Cauã perguntou, suavizando a voz. — Aconteceu alguma coisa no ensaio? Você se machucou?

Han balançou a cabeça negativamente, brincando com os próprios dedos. O silêncio se prolongou por alguns segundos, tornando o ar entre eles eletrizante, carregado de uma tensão que não tinha nada a ver com cansaço.

— É sobre aquela coisa de "intimidade" que a gente tem — começou Han, finalmente encontrando os olhos verdes de Cauã. — A gente brinca, a gente se toca, a gente bate na bunda um do outro... e eu sempre fui o primeiro a incentivar isso. Mas, ultimamente, toda vez que eu encosto em você, ou que você retribui... meu coração não entende mais que é só uma piada.

Cauã sentiu o peso das palavras. Ele não desviou o olhar. Pelo contrário, inclinou-se um pouco mais para perto, sentindo o calor que emanava do corpo de Han.

— Jisung, o que você está tentando dizer? — perguntou Cauã, embora lá no fundo, ele já soubesse.

— Eu estou dizendo que estou apaixonado por você, Cauã — disparou Han, as palavras saindo em um fôlego só, como se ele estivesse com medo de que, se parasse, não conseguiria terminar. — E não é do jeito "melhores amigos". É do jeito que me faz perder o passo da coreografia quando você sorri daquele jeito sério. É do jeito que me faz querer que esse vestiário estivesse vazio só para eu não ter que fingir que aquele tapa na bunda foi só uma brincadeira de garotos.

O silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Han parecia prender a respiração, os olhos arregalados, esperando por uma rejeição, por uma risada ou, pior, por um silêncio desconfortável.

Cauã, no entanto, não riu. Ele era o membro "sério" por uma razão: ele sentia as coisas com profundidade. Ele olhou para Han, notando como o outro parecia pequeno e corajoso ao mesmo tempo. Sem dizer uma palavra, Cauã estendeu a mão e tocou o rosto de Han, o polegar acariciando a bochecha macia que ele tanto gostava de apertar.

— Você fala demais, Jisung — murmurou Cauã, sua voz vibrando em um tom grave que fez Han estremecer.

Antes que Han pudesse processar a resposta, Cauã reduziu a distância entre eles. O beijo não foi hesitante; foi uma colisão de vontades acumuladas. Os lábios de Cauã eram firmes e quentes, contrastando com a doçura ansiosa de Han. Era um beijo que carregava o suor do ensaio, a adrenalina da dança e a verdade de meses de desejo reprimido.

Han soltou um suspiro contra a boca de Cauã, suas mãos subindo instintivamente para os ombros largos do mais alto, agarrando-se à pele nua como se buscasse equilíbrio. Cauã, sentindo a entrega total do outro, aprofundou o beijo, sua língua explorando a de Han com uma possessividade que raramente mostrava em público.

No meio do beijo, a mão de Cauã desceu com rapidez e precisão pelas costas de Han, parando exatamente onde as brincadeiras costumavam terminar. Mas desta vez, não houve um tapa estalado. Em vez disso, Cauã enterrou os dedos com força na carne macia da nádega de Han, apertando-a com uma intensidade que fez o loiro soltar um gemido abafado diretamente em sua boca.

O aperto era possessivo, carregado de uma safadeza que eles sempre fingiram ser apenas "coisa de grupo". Mas ali, naquele canto do vestiário, o toque de Cauã reivindicava cada centímetro de Han.

— Eu também não estava brincando — sussurrou Cauã contra os lábios de Han, afastando-se apenas alguns milímetros, o suficiente para que seus hálitos se misturassem. — Você acha mesmo que eu deixaria qualquer um me tocar daquele jeito se eu não quisesse que fosse você?

Han estava ofegante, o rosto corado e os olhos brilhando de uma forma que faria qualquer STAY desmaiar. Ele sentiu o aperto da mão de Cauã aumentar novamente, um lembrete físico de que o membro "sério" tinha um lado muito mais audacioso do que aparentava.

— Então... — Han tentou recuperar a voz, embora suas pernas parecessem feitas de gelatina. — Isso significa que o jantar é por sua conta?

Cauã soltou uma risada curta, mas carregada de segundas intenções. Ele deu mais um aperto firme, arrancando outro arfar de Han, antes de soltá-lo lentamente.

— O jantar eu pago — disse Cauã, levantando-se e oferecendo a mão para ajudar Han a levantar. — Mas depois do jantar, eu quero terminar o que esse beijo começou. E não vai ter ninguém por perto para nos interromper.

Han pegou a mão de Cauã, sentindo a força e a segurança que o nono membro sempre passava. O sorriso travesso voltou ao rosto do esquilo, mas agora acompanhado de uma promessa real.

— Eu acho que posso lidar com isso — respondeu Han, puxando Cauã para um último selinho rápido antes de caminharem em direção à porta.

Enquanto saíam do vestiário para encontrar o resto do grupo, que já gritava por eles no corredor, Cauã deu um último tapa sonoro na bunda de Han, mas desta vez, a piscadela que ele deu não era para as câmeras ou para os outros membros. Era apenas para Han, um segredo compartilhado sob as luzes da JYP, transformando um ensaio normal em algo que nenhum deles jamais esqueceria.