Sugar honey ice tea
O Eclipse da Alma e a Ascensão das Estrelas Eternas
A luz que atravessava os vitrais da antiga catedral de Myeong-dong não era como a luz artificial dos palcos ou o brilho gélido das batalhas dimensionais. Era uma luz filtrada por séculos de orações, carregada de um silêncio que parecia abraçar Ahyeon assim que ela cruzou o portal de carvalho. O cheiro de incenso e cera de vela substituiu o odor metálico da magia de Kyubey, trazendo uma paz que ela não sentia desde que toda aquela loucura começara.
— Você parece em paz — disse uma voz suave ao seu lado.
Ahyeon não precisou olhar para saber quem era. Kyu, o Kyubey do Bem, estava sentado no banco de madeira polida, invisível aos olhos dos poucos fiéis que rezavam ali. Sua forma perolada parecia quase etérea sob a luz sacra.
— Eu finalmente entendi, Kyu — sussurrou Ahyeon, ajoelhando-se e cruzando as mãos. — Durante todo esse tempo, eu achei que o meu destino era ser apenas uma voz ou uma guerreira. Mas o universo é muito maior do que um contrato de garota mágica ou um contrato de trainee.
— Ele é infinito — concordou Kyu. — E cada estrela nele conta uma história diferente.
Ahyeon fechou os olhos. Ela não estava ali para pedir que seus pais voltassem — eles já estavam tentando se entender como amigos, e isso era o suficiente. Ela não estava ali para pedir fama — o BABYMONSTER já era um sucesso estrondoso. Ela estava ali para buscar uma nova direção. Desde que derrotara o Kyubey manipulador, ela sentia que podia ler o céu de uma forma diferente. Quando olhava para as estrelas à noite, elas não eram apenas pontos de luz; eram mapas, guias de personalidades e destinos.
— Sabe — disse ela, abrindo os olhos e encarando a imagem da Madona à sua frente —, o Kyubey original via as emoções como energia bruta, como combustível. Mas eu vejo as emoções como constelações. O Johny é como Câncer, protetor e sensível. Minha mãe tem a força de um Capricórnio. E eu...
— Você é a Leoa que ruge para as sombras — completou uma voz poderosa.
Ahyeon se virou e viu Adora. A princesa estava usando roupas humanas comuns — uma jaqueta jeans e calças pretas —, mas a espada em seu broche brilhava discretamente.
— Adora! O que faz aqui? Achei que tivesse voltado para Etheria.
— Eu voltei — disse Adora, sentando-se no banco atrás de Ahyeon. — Mas as fronteiras entre os nossos mundos ficaram mais finas depois que você quebrou o ciclo da entropia. Eu senti que você estava prestes a tomar uma decisão importante. E, bem... eu queria me despedir de verdade.
Ahyeon sorriu, sentindo o calor da amizade que transcendia galáxias.
— Eu tomei uma decisão — afirmou Ahyeon com firmeza. — Eu vou continuar no BABYMONSTER, vou continuar cantando, mas minha alma precisa de algo mais profundo. Eu quero entender o céu. Quero ser astróloga. Quero ajudar as pessoas a encontrarem seus caminhos através dos astros, para que nunca mais se sintam perdidas o suficiente para aceitar contratos com seres como o Kyubey.
— Astrologia — meditou Kyu, balançando a cauda. — Estudar a influência dos corpos celestes no destino humano. É uma ciência baseada em padrões que meus irmãos nunca respeitaram. Eles tentavam forçar o destino; você quer apenas interpretá-lo.
— Exatamente — disse Ahyeon. — Se eu puder mostrar a uma garota que o desespero dela é apenas um trânsito de Saturno, e que a luz de Júpiter está chegando, ela terá esperança. E a esperança é o veneno de qualquer Kyubey malvado.
Adora colocou a mão no ombro de Ahyeon.
— É uma missão nobre. Em Etheria, nós temos as constelações que guiam os navegantes. Aqui, você será a guia das almas.
De repente, o ar na catedral ficou pesado por um segundo. Um vulto escuro passou pelos vitrais, mas não era uma bruxa. Era Homura Akemi. Ela apareceu nas sombras de uma coluna, observando-as com seu olhar melancólico.
— O tempo está seguindo seu curso natural agora — disse Homura, sua voz ecoando nas abóbadas de pedra. — Sem o ciclo das bruxas, o futuro é uma página em branco. Eu não preciso mais voltar no tempo, Ahyeon.
— Então você está livre, Homura — disse Ahyeon, levantando-se. — O que você vai fazer?
— Vou observar as estrelas que você tanto ama — respondeu a viajante do tempo. — Talvez, em algum lugar entre as galáxias, eu encontre a paz que Madoka queria para todas nós.
Homura desapareceu tão silenciosamente quanto surgira, deixando para trás apenas uma pequena pena negra que se dissolveu em luz.
Ahyeon saiu da catedral acompanhada por Adora e Kyu. O sol da tarde em Seul estava radiante. Ela pegou seu celular e viu uma mensagem no grupo do BABYMONSTER. As meninas estavam esperando por ela para uma sessão de fotos temática sobre o zodíaco. Ahyeon riu; o universo realmente tinha um senso de humor peculiar.
— Eu tenho que ir — disse Ahyeon para Adora. — Mas antes... você acha que eu vou ser boa nisso?
Adora desembainhou sua espada por um segundo, e o reflexo do sol na lâmina brilhou intensamente.
— Ahyeon, você enfrentou o fim do universo com um *high note*. Ler o futuro nas estrelas vai ser fácil para você.
Com um abraço rápido e um brilho de luz dourada, Adora partiu, atravessando um portal que se fechou como uma estrela cadente.
Ahyeon ficou sozinha com Kyu no meio da calçada movimentada. As pessoas passavam por ela, sem saber que aquela garota de cabelos pretos e sorriso espontâneo era a razão pela qual o mundo ainda girava.
— E você, Kyu? — perguntou ela. — O que vai fazer agora que não há mais contratos para impedir?
O pequeno alienígena saltou para o ombro dela.
— Eu vou ficar com você. Alguém precisa garantir que seus cálculos astrológicos levem em conta as flutuações de energia cósmica. Além disso, eu gosto da sua voz. Ela tem uma frequência que acalma até a entropia.
Ahyeon caminhou em direção à sede da empresa, sentindo-se mais leve do que nunca. Ela olhou para o céu, mesmo que o sol ainda estivesse alto, e pôde sentir a posição de cada planeta, cada alinhamento que moldava o agora.
Naquela noite, após as gravações, Ahyeon subiu ao terraço do dormitório com um telescópio e um caderno de anotações. Ela olhou para Marte, brilhando vermelho e resiliente, e pensou em sua própria jornada. Ela pegou sua caneta e escreveu na primeira página do caderno: "O destino não é um sacrifício; é uma sinfonia escrita nas estrelas".
— Noona? — a voz de Johny chamou da porta do terraço. Ele segurava um mapa do céu que ela lhe dera. — Você pode me mostrar onde está a estrela que nos protege?
Ahyeon sorriu, puxando o irmão para perto do telescópio.
— Ela não é apenas uma estrela, Johny. Ela está dentro de nós. Mas veja ali... aquela é Vênus. Ela fala sobre o amor que une a nossa família.
Enquanto explicava os mistérios do cosmos para o irmão, Ahyeon sentiu que o ciclo estava finalmente completo. O Kyubey manipulador fora derrotado, as bruxas haviam se tornado luz, e ela encontrara sua verdadeira vocação. Ela seria a Estrela de Platina do K-pop, mas também seria a Astróloga das Almas, garantindo que nenhuma garota jamais se sentisse sozinha no escuro novamente.
O universo era vasto, perigoso e cheio de mistérios, mas enquanto houvesse uma canção no ar e um mapa estelar nas mãos, Ahyeon sabia que o amanhã sempre traria um novo brilho. E no silêncio da noite, acompanhada pelo ronronar etéreo de Kyu, ela cantou uma última nota baixa, uma melodia de encerramento para o passado e de abertura para o infinito.
A era das garotas mágicas e seus contratos sombrios havia acabado. A era da luz própria e do destino escolhido estava apenas começando. E Ahyeon, com seus olhos fixos no firmamento, estava pronta para ler cada capítulo dessa história eterna.