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O Jogo Virou e o Plano de Morango é Real
A tarde de quinta-feira não era mais apenas um caos escolar; era o início de uma nova era no Colégio High Seoul. Enquanto o sol começava a baixar, tingindo o céu de laranja, o interior do SUV de luxo de Kim Namjoon estava impregnado com o cheiro de couro e o perfume caro de Seokjin. O silêncio era interrompido apenas pelo som rítmico dos dedos de Jin batucando no painel, tentando processar que sua vida privada agora era patrimônio público.
— Você está muito quieto, Jin — comentou Namjoon, mantendo os olhos na estrada, mas com aquele sorriso de covinhas que sempre desarmava o ômega. — Geralmente, você estaria reclamando que a resolução do print não favorecia o seu ângulo esquerdo.
Jin soltou um suspiro dramático, jogando a cabeça para trás no banco de couro.
— Namjoon, meu querido, a resolução estava péssima, mas o meu desespero é maior. Eu sou uma lenda, um ícone da sofisticação! E agora toda a escola sabe que eu quero que você me prenda contra uma estrutura de metal enferrujada. Onde fica a minha dignidade?
— A dignidade pode esperar — Namjoon estacionou o carro em frente ao restaurante de sushi mais reservado da cidade. — Mas a parte da poesia... eu realmente fiquei interessado. Qual era o livro que você mencionou no grupo?
Jin sentiu o rosto esquentar.
— Não era um livro específico! Era o conceito! O conceito de você ser inteligente e... grande.
Namjoon soltou uma risada grave, inclinando-se na direção de Jin até que seus rostos estivessem a poucos centímetros de distância.
— Eu sou inteligente o suficiente para saber que, se você quer a arquibancada, eu posso providenciar a chave do estádio. Mas primeiro, vamos comer. Você fica adorável quando está com vergonha, mas fica insuportável quando está com fome.
Enquanto isso, em outro ponto da cidade, o clima era consideravelmente mais... agitado. No carro de Yoongi, Taehyung ainda alternava entre fungadas de choro e risadinhas histéricas. Sentado no banco de trás, ele era flanqueado por Hoseok, que passava o braço por seus ombros, e Yoongi, que dirigia com uma calma quase irritante.
— Eu vou me mudar para o Alasca — declarou Taehyung, limpando uma lágrima com a manga da blusa de grife. — Vou viver com os ursos polares. Eles não têm Instagram. Eles não leem sobre fazendas de morangos e trisais.
— Ei, olha para mim — Hoseok disse, forçando Taehyung a encará-lo com aquele sorriso que parecia emitir luz própria. — Primeiro: morangos são ótimos. Segundo: você tem um gosto excelente para alfas. Por que está tão triste?
— Porque eu pareço um desesperado! — Taehyung protestou, fazendo um biquinho. — O Yoongi nem fala comigo direito e eu já estava planejando a nossa aposentadoria!
Yoongi, que até então estava em silêncio, olhou pelo retrovisor e deu um sorriso de canto, aquele que fazia as pernas de Taehyung virarem gelatina.
— Quem disse que eu não falo com você direito? — Yoongi perguntou, a voz rouca e tranquila. — Eu só prefiro observar. E, para sua informação, Taehyung, eu odeio o campo. Mas se for para colher morangos com você e o Hoseok, eu posso abrir uma exceção.
Taehyung arregalou os olhos, a boca aberta em um "O" perfeito.
— Você... você está falando sério? Ou é bullying? Se for bullying, eu vou pular desse carro em movimento.
— Não é bullying, TaeTae — Hoseok riu, apertando a bochecha do ômega. — É um convite oficial. O hacker prestou um serviço à comunidade. A gente estava demorando demais para te encurralar.
— Encurralar? — Taehyung engoliu em seco, o coração batendo na garganta. — No bom sentido ou no sentido "vou precisar de fisioterapia"?
— No sentido que você preferir — Yoongi respondeu, entrando no drive-thru de uma lanchonete. — Mas primeiro, vamos te alimentar. Você gasta muita energia sendo dramático.
Longe dali, o silêncio era absoluto dentro do Mustang preto de Jeon Jungkook. O carro estava estacionado em um mirante afastado, onde a vista da cidade era deslumbrante, mas Jimin não conseguia tirar os olhos do alfa ao seu lado. Jungkook não tinha ligado o rádio. Ele apenas olhava para Jimin com uma intensidade que fazia o ar parecer escasso.
— O gato comeu sua língua, Jimin? — Jungkook perguntou finalmente, quebrando o silêncio. — No grupo você parecia ter muito a dizer sobre mim. Especialmente sobre o que eu deveria fazer com você e um armário.
Jimin cruzou os braços, tentando manter a fachada de ômega fatal, embora suas mãos estivessem tremendo levemente.
— Eu tenho uma imaginação fértil, Jeon. É um talento artístico. Você deveria se sentir lisonjeado por ser o protagonista das minhas... fantasias.
— Lisonjeado? — Jungkook soltou um riso seco e se aproximou, invadindo o espaço pessoal de Jimin. — Eu fiquei possesso porque alguém expôs você. Mas também fiquei pensando em como eu fui idiota por perder tanto tempo jogando charme de longe quando você estava literalmente pedindo por algo mais.
Jimin sentiu as costas colarem na porta do carro. O cheiro de Jungkook — madeira, chuva e algo puramente alfa — estava em todo lugar.
— Eu não estava pedindo — Jimin sussurrou, a voz falhando. — Eu estava apenas comentando com meus amigos que você... tem uma presença marcante.
— "Presença marcante"? — Jungkook arqueou uma sobrancelha, um brilho de diversão nos olhos escuros. — Você escreveu que queria que eu mostrasse quem manda na escola. Bem, Jimin... eu não mando na escola. Mas, se você quiser, eu posso mostrar exatamente quem manda aqui dentro deste carro.
Jimin sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Ele sempre soube que Jungkook era intenso, mas a realidade era muito mais avassaladora do que qualquer mensagem de texto.
— Você fala muito, Jeon — Jimin desafiou, recuperando um pouco de sua audácia habitual. — Mas até agora, só ouvi promessas. O capitão do time é sempre assim, só teoria e nada de prática?
O olhar de Jungkook escureceu instantaneamente. Sem aviso, ele avançou, segurando a nuca de Jimin com uma mão firme e puxando-o para um beijo que não tinha nada de delicado. Era um beijo de posse, de desejo acumulado, exatamente como Jimin havia imaginado em suas noites de insônia. Quando se separaram, ambos estavam ofegantes.
— Prática o suficiente para você? — Jungkook murmurou contra os lábios de Jimin.
— Pode melhorar — Jimin provocou, embora seu sorriso fosse puramente vitorioso.
Enquanto os casais se resolviam em seus próprios termos, o grupo "Só os Mais Mais" não parava de receber notificações, mas agora o tom era completamente diferente.
**[Grupo: Só os Mais Mais]**
**TaeTae:** [Foto de um milkshake de morango e duas mãos de alfas segurando a dele] **TaeTae:** GENTE. O PLANO MORANGO ESTÁ EM ANDAMENTO. Repito: O PLANO MORANGO É REAL. **TaeTae:** O Yoongi disse que eu sou dramático e o Hoseok me deu um beijo que me fez ver o futuro. Eu não vou pro Alasca. Vou ficar e ser o ômega mais mimado dessa Coreia.
**Jin Relíquia:** [Foto de um prato de sashimi caríssimo e Namjoon ao fundo, sorrindo] **Jin Relíquia:** O meu alfa é um intelectual com mãos de Deus. Ele disse que vai me levar na biblioteca amanhã para "estudar" as prateleiras do fundo. Acho que vou levar um hidratante extra, porque o clima vai ficar seco. **Jin Relíquia:** Jimin? Você ainda está vivo ou o Jungkook te transformou em poeira estelar?
**Jiminie:** [Áudio: 0:05s] *(Som de respiração ofegante e a voz de Jungkook ao fundo dizendo: "Larga esse celular, Jimin, ou eu vou jogar ele pela janela")* **Jiminie:** [19:42] Ele é muito mandão, gente. Socorro. (Não me salvem, eu estou adorando).
A noite caiu sobre Seul, e o que começou como o maior pesadelo da vida dos três ômegas acabou se tornando o catalisador que eles não sabiam que precisavam. O hacker, em algum lugar, talvez estivesse rindo do caos que causou, mas ele acabou fazendo o favor de derrubar os muros que o orgulho e a timidez dos alfas e ômegas haviam construído.
Naquela noite, as mensagens não eram mais sobre "crushes" platônicos. Eram sobre encontros reais, toques reais e a promessa de que, na sexta-feira, o jogo de futebol americano seria apenas o segundo evento mais interessante da escola.
No grupo dos alfas, a conversa era mais curta, porém direta.
**[Grupo: Varsity Squad]**
**Hoseok:** O Taehyung é uma figura. Ele realmente achou que a gente não sabia que ele era louco pela gente. **Yoongi:** Ele é barulhento. Eu gosto. **Namjoon:** O Jin é mais perigoso do que parece. Protejam seus corações e suas contas bancárias. O homem tem um gosto caro. **Jungkook:** [Foto: A mão de Jimin entrelaçada na sua] **Jungkook:** Amanhã no treino, ninguém toca no nome do Jimin. Ele é problema meu agora. **Yoongi:** Ih, o capitão ficou possessivo. **Jungkook:** Fiquei. E se alguém reclamar, vai correr dez voltas extras.
O capítulo da exposição digital havia sido encerrado com sucesso, mas a história real estava apenas começando a ser escrita — e desta vez, não seria em uma tela de celular, mas entre as paredes do colégio, nos bancos dos carros e, quem sabe, até nas arquibancadas que Jin tanto cobiçava. O Colégio High Seoul nunca mais seria o mesmo. E os "Só os Mais Mais" tinham acabado de provar que, às vezes, o maior escândalo pode ser o melhor começo.