Taekookmin
O Eco do Arrependimento e o Calor do Perdão
O silêncio que se seguiu no quarto não era mais tenso ou carregado de ressentimento. Era um silêncio denso, preenchido pelo som das respirações que voltavam ao normal e pelo calor que emanava dos três corpos entrelaçados na cama vasta. Jimin estava aninhada entre os dois, sentindo o peito de Jungkook subir e descer contra suas costas, enquanto a mão de Taehyung repousava protetoramente sobre sua cintura, os dedos longos traçando padrões invisíveis em sua pele ainda quente da punição.
A ardência em seu bumbum era um lembrete físico de que ela havia cruzado uma linha, mas o modo como eles a seguravam agora — como se ela fosse o tesouro mais precioso e frágil do mundo — apagava qualquer resquício de mágoa.
— Você ainda está brava? — A voz de Taehyung surgiu no escuro, baixa e aveludada, vibrando perto do ouvido de Jimin.
Jimin se mexeu levemente, sentindo o desconforto da pele sensibilizada e o peso reconfortante de Jungkook atrás dela. Ela virou o rosto o suficiente para encarar os olhos expressivos de Taehyung, que brilhavam sob a luz fraca que vinha da janela.
— Um pouco — ela admitiu, a voz ainda um tanto rouca pelos soluços de minutos atrás. — Minha bunda dói, Tae. E vocês realmente me ignoraram por horas.
Jungkook apertou o abraço, enterrando o rosto na curva do pescoço dela. O hálito quente dele causou arrepios que nada tinham a ver com o frio da noite.
— Nós sabemos, pequena — Jungkook murmurou, a seriedade dando lugar a uma vulnerabilidade rara. — Perdemos a noção do tempo. O jogo... às vezes ele nos suga para uma bolha, mas isso não é desculpa para fazer você se sentir invisível.
— Nunca mais faça aquilo — Taehyung interveio, sua expressão tornando-se séria novamente, embora seus dedos continuassem o carinho suave em seu quadril. — Quando entramos aqui e o quarto estava vazio, e você não atendia... eu senti como se meu coração tivesse parado. O mundo lá fora não é seguro para você andar sozinha de madrugada, Jimin, especialmente vestida para matar como você estava.
Jimin suspirou, fechando os olhos. Ela sabia que ele tinha razão. Sua rebeldia tinha sido uma arma de dois gumes; ela queria feri-los com a ausência, mas acabou criando um abismo de ansiedade para todos.
— Eu só queria que vocês me vissem — ela sussurrou, a doçura de sua voz misturada com uma ponta de melancolia. — Às vezes parece que sou apenas o "ponto de equilíbrio" de vocês, e não alguém que também precisa ser prioridade.
Jungkook a virou em seus braços com uma facilidade impressionante, forçando-a a olhar diretamente para ele. O olhar profundo e concentrado dele estava fixo nos olhos dela, analisando cada traço de sua expressão delicada.
— Você nunca é "apenas" nada para nós, Jimin — Jungkook afirmou com uma intensidade que a fez perder o fôlego. — Você é o centro. O motivo de voltarmos para casa felizes. Se jogamos, é para relaxar para estarmos inteiros para você. Mas falhamos hoje. Falhamos feio.
Taehyung se aproximou, beijando a bochecha dela antes de descer para o canto de seus lábios.
— Vamos compensar você — prometeu ele. — A folga ainda não acabou. E amanhã, os computadores nem sequer serão ligados.
Jimin sentiu o coração aquecer. Ela passou os braços pelo pescoço de Jungkook e esticou uma mão para acariciar o cabelo bagunçado de Taehyung. A beleza suave de seu rosto foi iluminada por um sorriso genuíno, o primeiro de muitas horas.
— Prometem? — perguntou ela, os olhos brilhando com expectativa.
— Prometemos — disseram os dois em uníssono.
A noite avançou, mas o sono não veio imediatamente. Havia uma necessidade mútua de reafirmar a conexão que fora brevemente abalada. Jungkook começou a beijar os ombros de Jimin, descendo pela linha de sua coluna, seus lábios proporcionando um contraste frio contra a pele que ainda irradiava o calor das palmadas. Era um toque de cura, um pedido de desculpas silencioso que ela aceitava com cada suspiro.
Taehyung, por sua vez, concentrava-se em seu rosto. Ele traçava o contorno de suas sobrancelhas, o desenho de seu nariz e, finalmente, seus lábios.
— Você estava linda naquele vestido — ele comentou, um sorriso provocador surgindo em seu rosto marcante. — Mas eu prefiro você assim. Sem nada entre nós.
Jimin corou, escondendo o rosto no peito de Jungkook.
— Vocês são impossíveis. Primeiro me batem, depois me elogiam.
— É o equilíbrio, Minie — Jungkook riu baixinho, a vibração de seu peito ecoando contra ela. — Disciplina para a menina teimosa, amor para a nossa mulher.
— E muita atenção para a nossa rainha — completou Taehyung, puxando o cobertor para cobri-los, selando-os em seu próprio mundo particular.
Nas horas que se seguiram, o quarto foi preenchido por confissões sussurradas e promessas de que a comunicação nunca mais falharia daquela forma. Eles falaram sobre seus medos, sobre a rotina exaustiva e sobre como Jimin era a âncora que os mantinha sãos em meio ao caos de suas vidas públicas.
Quando o sol começou a dar os primeiros sinais de vida no horizonte, tingindo o céu de tons alaranjados e púrpuras, Jimin finalmente adormeceu, exausta pelas emoções do dia. Ela estava segura, espremida entre a força protetora de Jungkook e o carinho magnético de Taehyung.
Pela manhã, conforme prometido, os monitores permaneceram escuros. O café da manhã foi preparado a seis mãos, entre risadas e roubos de beijos na cozinha. Jimin, ainda andando com um leve cuidado devido à sensibilidade, era o alvo de todos os mimos. Jungkook insistiu em carregá-la até a mesa, enquanto Taehyung preparava as panquecas exatamente como ela gostava, com doses extras de mel e frutas.
— O que vamos fazer hoje? — Jimin perguntou, sentada no colo de Jungkook enquanto ele a alimentava com pequenos pedaços de fruta.
— O que você quiser — respondeu Taehyung, limpando uma gota de mel do canto da boca dela com o polegar. — Cinema, parque, ou apenas ficar aqui no sofá assistindo a filmes bobos enquanto eu faço massagem nos seus pés.
Jimin inclinou a cabeça, os olhos expressivos brilhando com uma ideia.
— Eu quero ir ao lago. Quero um piquenique. E quero que vocês deixem os celulares em casa.
Jungkook hesitou por apenas um microssegundo antes de sorrir, seu olhar suavizando completamente.
— Feito. Sem celulares. Sem distrações. Apenas nós.
A tarde no lago foi o bálsamo que todos precisavam. Sob a sombra de uma grande árvore, eles estenderam uma manta e observaram a água calma. Jimin descansava a cabeça nas coxas de Taehyung enquanto Jungkook lia um livro em voz alta para eles. Não havia cliques de mouse, não havia gritos de comandos de jogo, apenas o som do vento nas folhas e a voz profunda de Jungkook preenchendo o espaço.
Em certo momento, Jimin se sentou e olhou para os dois, sentindo uma onda de gratidão.
— Obrigada — ela disse simplesmente.
Taehyung fechou os olhos, aproveitando o sol em seu rosto.
— Pelo quê, pequena?
— Por me ouvirem. Mesmo quando eu precisei agir como uma louca para chamar a atenção.
Jungkook fechou o livro e se aproximou, pegando a mão dela.
— Nós que agradecemos por não desistir de dois idiotas que às vezes esquecem o que realmente importa. Mas lembre-se do que conversamos...
Jimin sorriu, inclinando-se para beijá-lo.
— Eu sei, Kookie. Da próxima vez, eu só escondo os cabos de energia dos computadores. É menos arriscado do que sair sozinha.
Taehyung soltou uma gargalhada alta, puxando os dois para um abraço coletivo na grama.
— Viu, Jungkook? Eu disse que ela era perigosa.
— Uma ameaça constante — concordou Jungkook, beijando o topo da cabeça de Jimin. — Mas é a nossa ameaça. E eu não a trocaria por nada no mundo.
O resto do dia passou em uma lentidão deliciosa. Eles brincaram na beira da água, tiraram fotos mentais de momentos que nenhuma câmera poderia capturar com fidelidade e reafirmaram o laço que os unia. Jimin sentia-se plena. A punição da noite anterior fora um ponto de virada, um momento de choque que limpou o ar e permitiu que a doçura voltasse a reinar.
Ao voltarem para casa no início da noite, o ambiente era de total harmonia. Enquanto Taehyung e Jungkook arrumavam as coisas do piquenique, Jimin subiu para tomar um banho. Ela se olhou no espelho, notando que as marcas leves em sua pele já haviam desaparecido, mas a sensação de pertencer àqueles dois homens estava mais forte do que nunca.
Ela vestiu um de seus moletons largos de Jungkook, que chegava até a metade de suas coxas, e desceu as escadas. Os dois estavam no sofá, deixando um espaço vazio entre eles de propósito.
— Venha aqui, Minie — chamou Taehyung, batendo no assento.
Ela se acomodou entre eles, sentindo o calor instantâneo. Jungkook passou o braço por cima de seus ombros, puxando-a para perto, enquanto Taehyung começou a brincar com seus dedos.
— Sabe — Jimin começou, a voz sonolenta —, eu gosto quando vocês me dão atenção assim. Sem eu precisar pedir.
— Nós vamos melhorar nisso, prometemos — disse Jungkook, beijando sua têmpora. — Mas se você sentir que estamos nos perdendo de novo, fale conosco. Não fuja.
— E se eu falar e vocês não ouvirem? — provocou ela, um brilho travesso voltando aos olhos.
Taehyung sorriu, aquele sorriso quadrado que ela tanto amava.
— Então você tem nossa permissão para ser criativa. Só mantenha a porta trancada e o celular ligado. Combinado?
— Combinado — ela cedeu, bocejando.
Naquela noite, quando as luzes se apagaram, não havia mais silêncio desconfortável. Havia apenas o som de três corações batendo no mesmo ritmo, a promessa de um novo dia e a certeza de que, entre palmadas e beijos, entre jogos e piqueniques, eles eram, acima de tudo, um do outro. Jimin fechou os olhos, sentindo-se a mulher mais sortuda do mundo, sabendo que, mesmo com suas falhas, Taehyung e Jungkook sempre encontrariam o caminho de volta para ela. E ela, por sua vez, sempre estaria lá para ser o porto seguro — e a doce provocação — de suas vidas.