Taekookmin
O Peso da Promessa
O sol da manhã seguinte entrou pelas persianas do apartamento de luxo de Jimin, mas ela já estava acordada há horas. O sono havia sido leve, interrompido por fragmentos de sonhos onde mãos firmes e vozes autoritárias ditavam cada um de seus movimentos. Ao se olhar no espelho do banheiro, Jimin notou que sua expressão parecia a mesma de sempre — a máscara da secretária eficiente estava intacta —, mas seus olhos castanhos brilhavam com uma expectativa que ela mal conseguia conter.
Ela escolheu o figurino com uma intenção quase ritualística: uma saia lápis de um cinza profundo, uma blusa de seda branca com gola alta e saltos agulha. Era sua armadura para o mundo corporativo e para os negócios escusos da máfia, mas agora, sob o tecido fino, sua pele parecia formigar com a lembrança do toque de Taehyung e do olhar possessivo de Jungkook.
Ao chegar à sede das Indústrias Jeon-Kim, o ambiente estava carregado. O carregamento em Busan havia sido interceptado pela guarda costeira, mas, graças à logística impecável de Jimin, os documentos falsos sustentaram a inspeção. No entanto, a tensão era palpável no andar da diretoria.
— Eles estão na sala de reuniões? — Jimin perguntou ao segurança da recepção privada, sua voz saindo clara e sem hesitação.
— Sim, Srta. Park. O clima não está dos melhores — o homem respondeu, abrindo a porta para ela.
Jimin entrou. A sala cheirava a café forte e tensão. Jungkook estava de pé junto à janela, falando ao telefone em um tom baixo e perigoso, enquanto Taehyung analisava um mapa digital sobre a mesa de carvalho.
— Os depósitos do setor 4 foram comprometidos por uma denúncia anônima — Taehyung disse, sem levantar os olhos quando Jimin se aproximou. — Alguém está tentando testar nossa paciência, Jimin.
— Eu já preparei o contra-ataque financeiro, Senhor — Jimin respondeu, enfatizando a última palavra de forma quase imperceptível para qualquer ouvido comum, mas viu os ombros de Taehyung relaxarem levemente ao ouvi-la. — Se as autoridades quiserem cavar, encontrarão apenas empresas de fachada perfeitamente legais. O prejuízo físico é mínimo.
Jungkook desligou o telefone e se virou. O rosto dele estava rígido, a mandíbula travada. Ele caminhou até Jimin, parando a centímetros dela. A energia agressiva que ele costumava usar para intimidar inimigos estava ali, mas havia algo mais — uma necessidade de reafirmar o que era dele.
— Você dormiu bem? — Jungkook perguntou, a voz rouca.
— Sim, Senhor — ela respondeu, mantendo o contato visual.
— Ótimo. Porque hoje você vai precisar de foco. Não quero erros, nem na empresa, nem quando sairmos daqui.
— Não haverá erros — ela garantiu.
O dia transcorreu como um borrão de adrenalina. Jimin coordenou transferências bancárias internacionais, silenciou informantes e organizou a agenda pública dos dois CEOs. Em vários momentos, ela sentia o olhar de um deles sobre si. Taehyung, em sua calma estratégica, observava como ela lidava com os subordinados; Jungkook, mais impulsivo, passava por sua mesa apenas para tocar brevemente seu ombro ou sussurrar uma ordem desnecessária, apenas para ver a reação dela.
Às dezoito horas em ponto, o escritório começou a esvaziar. Jimin terminou de triturar os últimos documentos confidenciais e sentiu uma mão pesada pousar em sua cintura.
— Está na hora — Taehyung disse ao seu ouvido. — Esqueça o trabalho por hoje, Jimin. A partir de agora, você não é mais a nossa secretária.
O trajeto até a residência deles foi silencioso. Jungkook dirigia o SUV preto com uma precisão agressiva, enquanto Taehyung, no banco de trás ao lado de Jimin, mantinha a mão dela presa na dele. Não era um toque romântico comum; era um aperto que comunicava posse.
A casa deles era uma fortaleza de arquitetura moderna encravada nas colinas, cercada por muros altos e segurança de elite. Ao entrarem, o ambiente mudou. O luxo frio do escritório deu lugar a um conforto opulento e sombrio.
— Vá para o quarto principal e espere por nós — ordenou Jungkook, retirando o relógio de pulso e colocando-o sobre o aparador. — Tire os sapatos e a joia que estiver usando. Queremos você sem adornos, apenas a nossa Jimin.
Jimin assentiu, o coração disparado. Ela subiu as escadas de mármore e entrou na suíte. O quarto era vasto, com uma cama king-size de lençóis de seda escura e uma vista deslumbrante da cidade. Ela seguiu as instruções: chutou os saltos agulha, retirou os brincos de pérola e o pequeno relógio de ouro. Ficou ali, de pé no centro do tapete felpudo, sentindo-se estranhamente exposta e, ao mesmo tempo, protegida pela primeira vez em anos.
A porta se abriu. Taehyung e Jungkook entraram, tendo removido as gravatas e desabotoado os primeiros botões de suas camisas. Eles pareciam mais perigosos assim, sem a polidez do mundo corporativo.
— Ajoelhe-se, pequena — Taehyung comandou, sua voz suave como veludo, mas inquestionável.
Jimin obedeceu imediatamente. O contato dos joelhos com o tapete pareceu selar o compromisso que ela aceitara na noite anterior. Ela baixou a cabeça, mas Jungkook se aproximou e, com dois dedos sob seu queixo, levantou seu rosto.
— Olhe para nós quando falarmos com você — disse ele, a intensidade do seu olhar escuro queimando a pele dela. — Aqui dentro, sua força reside na sua entrega. Você entende isso?
— Sim, Senhor Jungkook — ela murmurou.
— "Sim, Mestres" — corrigiu Taehyung, caminhando ao redor dela, parando atrás de suas costas. — Você nos pertence de formas diferentes, Jimin. Jungkook é o seu fogo, o homem que vai exigir sua paixão e sua resistência. Eu sou a sua âncora, o homem que vai garantir que você nunca se perca na própria vulnerabilidade. Juntos, somos seus donos.
Jimin sentiu uma lágrima solitária de alívio escapar. Era demais, e era exatamente o que ela precisava.
— Sim, Mestres — ela repetiu, a voz agora mais firme.
Jungkook sorriu, um sorriso de lado que exalava uma confiança predatória. Ele se sentou em uma poltrona de couro em frente a ela, abrindo as pernas e apoiando os cotovelos nos joelhos.
— Hoje foi um dia difícil lá fora — Jungkook começou. — Muita gente tentou tirar algo de nós. Mas aqui dentro, nada entra sem nossa permissão. E você, Jimin... você é o nosso tesouro mais bem guardado. Mas tesouros precisam ser lapidados.
Taehyung colocou as mãos nos ombros de Jimin, inclinando-se para sussurrar em seu ouvido.
— Você foi perfeita hoje na empresa. Mas notamos que você hesitou por um segundo quando o delegado ligou. Por que, submissa?
Jimin engoliu em seco. Eles viam tudo. Nada escapava aos olhos daqueles homens.
— Eu... eu temi que os documentos não fossem suficientes, Mestre Taehyung.
— Você duvidou da nossa estrutura? — Jungkook perguntou, sua voz baixando um tom, tornando-se mais severa.
— Não, Mestre. Eu duvidei de mim mesma.
Houve um silêncio pesado no quarto. Jungkook se levantou e caminhou até uma pequena mesa lateral, onde pegou uma fita de seda preta.
— Você nunca deve duvidar de si mesma enquanto estiver sob nosso comando — disse Jungkook, aproximando-se. — Se você falha, nós falhamos. E nós não falhamos. Para que você se lembre de que sua mente deve estar sempre limpa e focada em nós, você passará o resto da noite sem a visão.
Jimin sentiu um frio na barriga, uma mistura de medo e excitação. Antes que pudesse processar, Jungkook passou a fita pelos seus olhos, amarrando-a com firmeza na parte de trás da sua cabeça. A escuridão foi instantânea e absoluta.
— Mestre... — ela sussurrou, suas mãos tateando o ar por instinto.
— Mãos para trás, Jimin — Taehyung ordenou, sua voz agora vindo de um ponto diferente do quarto.
Ela obedeceu, cruzando os pulsos atrás das costas. A privação sensorial aguçou todos os seus outros sentidos. Ela conseguia ouvir o som da respiração deles, o farfalhar das roupas e o aroma inebriante de sândalo e tabaco caro que os cercava.
— Você confia em nós? — a voz de Jungkook estava agora muito próxima de seu rosto.
— Com a minha vida — ela respondeu sinceramente.
— Ótimo — disse Taehyung. — Porque a partir de agora, você só se moverá se nós guiarmos. Você só falará se permitirmos. E você sentirá tudo o que guardamos para você durante todos esses anos em que você foi apenas a nossa secretária impecável.
Jimin sentiu lábios quentes pressionarem seu pescoço, enquanto mãos firmes seguravam seus pulsos atrás das costas. Ela soltou um suspiro trêmulo. A dualidade da vida dela agora estava completa. Durante o dia, ela era o cérebro que ajudava a governar um império de crime e luxo. À noite, ela era a argila nas mãos de dois escultores implacáveis.
— Você é tão linda quando está rendida — Jungkook sussurrou, sua mão descendo pela curva de seu quadril. — O mundo lá fora não faz ideia da mulher que temos aqui. Eles veem a Park Jimin de gelo. Nós vemos a nossa Jimin de fogo.
— Vamos ver quanto desse fogo ela consegue aguentar — Taehyung completou, e Jimin sentiu o peso de um colar de couro sendo ajustado em seu pescoço, o fecho clicando com uma finalidade arrepiante.
O colar não era apenas um símbolo; era a marca de que ela não era mais uma agente livre. Ela era parte deles.
— Agora, pequena — disse Jungkook, puxando-a levemente pelo colar para que ela ficasse de pé, ainda vendada e com os braços atrás das costas —, a noite está apenas começando. E nós temos muitas regras novas para ensinar a você.
Jimin não via nada, mas sentia tudo. O perigo da máfia, a pressão da empresa, tudo isso parecia insignificante diante da intensidade do que estava prestes a acontecer naquele quarto. Ela se deixou levar, guiada pelas mãos de seus mestres, pronta para ser moldada, quebrada e reconstruída conforme a vontade deles.
Ela era Park Jimin, a secretária pessoal dos homens mais poderosos de Seul. E, acima de tudo, ela era a submissa deles. E naquele momento, na escuridão de sua venda, ela nunca se sentira tão poderosa.