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Teen

A Teoria e a Prática

A noite em Konoha parecia ter estagnado em um silêncio denso, quebrado apenas pelo som rítmico dos grilos e pelo bater suave das asas de um corvo solitário em algum lugar nos telhados do clã Uchiha. Dentro do quarto, porém, o ar estava carregado de uma eletricidade nova, algo que Itachi ainda tentava rotular em sua mente meticulosa. Se Shisui dizia que aquele "calor" era uma manifestação de afeto, então Itachi precisava recalibrar sua abordagem.

Itachi observava Shisui com uma intensidade que faria qualquer inimigo recuar, mas Shisui apenas sorria, embora houvesse um suor nervoso em sua têmpora. Itachi se aproximou, seus movimentos fluidos e silenciosos como os de um predador, mas seus olhos guardavam aquela pureza desconcertante.

— Shisui — começou Itachi, sua voz baixa e aveludada —, se o objetivo é a proximidade máxima para expressar esse sentimento, eu calculei que a barreira física das nossas roupas é o primeiro obstáculo lógico.

Shisui engasgou com a própria saliva. Ele olhou para Itachi, buscando qualquer sinal de malícia, mas o rosto do namorado era uma tela de seriedade absoluta. Itachi estava tratando aquilo como se estivesse planejando uma infiltração em uma vila inimiga: com lógica, eficiência e uma ausência total de malícia.

— Itachi... — Shisui tentou recuperar o fôlego — ...você não pode simplesmente dizer coisas assim com essa cara de quem está discutindo o orçamento de shurikens da vila. Meu coração não aguenta.

— Eu causei algum desconforto? — Itachi inclinou a cabeça, preocupado. — Se a progressão deve ser gradual, talvez eu deva começar retirando apenas o protetor de testa?

Shisui soltou uma risada ruca, passando a mão pelo rosto.

— O protetor de testa já saiu faz tempo, Itachi. Olhe ao redor.

Itachi piscou, percebendo que, de fato, ambos estavam desarmados e sem seus equipamentos de combate. Ele sentiu um calor subir pelo pescoço. Era fascinante como Shisui conseguia desarmar suas defesas mentais com tanta facilidade.

— Entendo. Então, o próximo passo — Itachi deu um passo à frente, reduzindo a distância a quase nada — seria o contato direto com a pele.

Antes que Shisui pudesse responder, Itachi levou as mãos aos ombros do mais velho. Seus dedos longos e ágeis começaram a desabotoar a gola da camisa escura de Shisui. O toque era leve, quase clínico, mas a proximidade fazia o sangue de Shisui ferver.

— Itachi, espere — Shisui segurou os pulsos dele, sua voz soando mais rouca do que o normal. — Você sabe o que acontece quando... quando continuamos com isso, certo?

Itachi olhou profundamente nos olhos de Shisui.

— Eu li que o contato físico íntimo libera ocitocina e endorfinas, fortalecendo o vínculo entre os parceiros. Também estou ciente de que existem reações fisiológicas específicas que... bem, que você demonstrou anteriormente.

Shisui fechou os olhos por um segundo, pedindo paciência aos ancestrais Uchiha.

— Não estou falando de livros de biologia, Itachi. Estou falando de como você se sente. Você quer isso? Ou está apenas fazendo porque acha que é o próximo passo em um manual de relacionamento?

Itachi hesitou. Ele soltou os pulsos das mãos de Shisui e, em vez de se afastar, deslizou as mãos para o rosto do namorado, acariciando as cicatrizes leves e a pele quente.

— Eu não sinto que é uma obrigação — Itachi confessou, a voz quase um sussurro. — Quando você me beija, minha mente, que geralmente nunca para de analisar tudo, finalmente fica em silêncio. É a única vez que eu não preciso ser o prodígio, o espião ou o herdeiro. Eu sou apenas... eu. E esse "eu" quer estar perto de você de uma forma que a lógica não explica.

O coração de Shisui disparou. Aquela era a declaração mais honesta e vulnerável que ele já ouvira de Itachi. Ele não resistiu e puxou Itachi para um beijo, mas desta vez não houve hesitação. Foi um beijo faminto, carregado de meses de contenção.

Itachi soltou um som baixo na garganta, algo entre um suspiro e um gemido, que fez os pelos do braço de Shisui se arrepiarem. As mãos de Itachi, antes tão hesitantes, agora se agarravam aos cabelos de Shisui, puxando-o para mais perto.

— Shisui... — Itachi murmurou contra os lábios dele. — Aquela "técnica de endurecimento"... ela está acontecendo de novo.

Shisui soltou uma risada abafada contra o pescoço de Itachi, mordiscando a pele sensível logo abaixo da orelha.

— Sim, Itachi. E a culpa é toda sua.

— Eu não usei nenhum genjutsu — Itachi defendeu-se, embora sua respiração estivesse ficando curta. — Mas sinto que meus próprios sentidos estão... alterados. Minha pele parece mais sensível ao seu toque. É um fenômeno interessante.

— Menos análise, Itachi. Mais sensação — Shisui instruiu, guiando a mão de Itachi para o peito dele, onde o coração batia como um tambor de guerra. — Sente isso? É real. Não é um pergaminho.

Itachi sentiu a batida frenética sob a palma de sua mão. Ele moveu a mão lentamente para baixo, sentindo os músculos abdominais de Shisui se contraírem sob o tecido fino da camisa. Quando sua mão chegou ao cós da calça de Shisui, ele parou, olhando para o namorado com uma dúvida genuína.

— Shisui, se eu continuar... você vai precisar ir ao banheiro novamente?

Shisui parou por um momento, olhando para o teto e rindo baixinho, uma risada cheia de desejo e diversão.

— Não, Itachi. Se você continuar, a última coisa que eu vou querer é sair deste quarto.

— Ótimo — disse Itachi com uma determinação renovada. — Porque eu gostaria de ver o final dessa "técnica".

Shisui não esperou mais. Ele envolveu a cintura de Itachi e o derrubou suavemente sobre o tatame, ficando por cima dele. Itachi olhou para cima, seus cabelos negros espalhados como um leque sobre o chão. Havia uma névoa de desejo em seus olhos que Shisui nunca tinha visto antes. O gênio estava finalmente cedendo lugar ao jovem apaixonado.

— Você tem certeza? — Shisui perguntou, uma última vez, o respeito por Itachi sempre vindo antes de seus próprios impulsos.

Itachi envolveu o pescoço de Shisui com os braços, puxando-o para baixo até que seus narizes se tocassem.

— Shisui, eu posso ser ingênuo para algumas coisas — Itachi disse, com um brilho travesso raramente visto em seus olhos —, mas eu aprendo muito rápido. Deixe-me mostrar.

E, pela primeira vez, Itachi não procurou uma resposta nos livros ou nas estratégias de batalha. Ele simplesmente fechou os olhos e deixou que Shisui o guiasse através do território desconhecido que ficava além dos beijos, descobrindo que, para algumas coisas, até mesmo o maior gênio do clã Uchiha precisava de um mestre — e ele não poderia ter escolhido um melhor.

Horas depois, quando a lua já estava baixa no horizonte, os dois estavam deitados sob o lençol fino, a respiração finalmente voltando ao normal. O quarto estava em silêncio, mas desta vez era um silêncio de plenitude.

Itachi estava com a cabeça apoiada no peito de Shisui, traçando padrões invisíveis na pele do outro.

— Shisui? — Itachi chamou suavemente.

— Hum? — Shisui respondeu, quase pegando no sono, sentindo-se o homem mais sortudo de todas as cinco grandes nações.

— Eu concluí que minha teoria inicial estava errada.

Shisui abriu um olho, sorrindo.

— Ah, é? E qual era a teoria, gênio?

— Eu achei que era uma técnica de chakra — Itachi disse, bocejando levemente. — Mas agora entendo que é algo muito mais complexo. Não há selos de mão que possam replicar o que eu senti.

Shisui beijou o topo da cabeça de Itachi.

— Eu te disse. Algumas coisas não podem ser ensinadas, Itachi. Só vividas.

— Concordo — Itachi murmurou, fechando os olhos. — Mas, para fins de registro... eu gostaria de praticar essa "não-técnica" com mais frequência. A curva de aprendizado parece promissora.

Shisui riu, apertando Itachi em seus braços.

— Pode deixar, Itachi. Vamos praticar até você se tornar um mestre nisso também.

E enquanto o sol começava a surgir no horizonte de Konoha, o gênio do clã Uchiha finalmente dormiu, tendo dominado a lição mais importante de sua vida: a de que o coração, ao contrário de um pergaminho, não precisa de tradução quando se está nos braços de quem se ama.