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Teen

O Despertar do Grande General e a Fúria de um Líder

A manhã em Konoha costumava ser o momento em que Itachi sentia sua mente mais afiada. O frescor do orvalho, o silêncio que antecedia o despertar do clã e a luz pálida do sol eram o cenário perfeito para suas meditações. No entanto, naquela manhã específica, a lógica de Itachi estava submersa sob um lençol de algodão e o braço pesado de Shisui que o envolvia pela cintura.

Eles haviam adormecido tarde, exaustos pela descoberta mútua e pelas barreiras que finalmente haviam caído. Itachi, sempre tão rígido com seus horários de treino, permitira-se o luxo de ignorar o despertador biológico. Ele estava aninhado contra Shisui, sentindo o calor do outro, quando um som seco ecoou pelo corredor.

— Shisui... — Itachi murmurou, a voz rouca pelo sono. — Alguém está acordado.

Shisui soltou um resmungo ininteligível, apertando Itachi ainda mais contra si.

— É apenas o vento, 'Tachi... — Shisui respondeu com a voz abafada pelo travesseiro. — Durma mais um pouco. Você merece.

Itachi fechou os olhos, querendo acreditar, mas seus instintos de shinobi nunca dormiam completamente. Ele sentiu a vibração de passos pesados. Passos que ele conhecia bem. Passos que carregavam o peso da autoridade e da severidade que apenas o líder da Polícia Militar de Konoha possuía.

— Shisui, levante-se agora — Itachi disse, desta vez com mais urgência, sentando-se abruptamente.

O movimento repentino fez com que o lençol escorregasse, revelando os ombros nus de Itachi e as marcas leves que Shisui deixara em seu pescoço na noite anterior. Shisui finalmente abriu os olhos, piscando contra a luz que entrava pela fresta da cortina.

— O que foi? Alguma missão de emergência? — perguntou Shisui, ainda meio grogue, sentando-se também.

Antes que Itachi pudesse responder, a porta de correr do quarto foi aberta sem qualquer aviso. O tempo pareceu congelar.

Fugaku Uchiha estava parado no batente, sua expressão habitual de pedra endurecendo ainda mais ao ver a cena diante de si. Atrás dele, Mikoto trazia uma bandeja com chá, provavelmente vindo acordar o filho para o desjejum em família. O som da porcelana tilintando contra a bandeja foi o único ruído no quarto por vários segundos, soando como tiros de kunai no silêncio mortal.

— Itachi? — A voz de Mikoto foi um sussurro de surpresa absoluta, seus olhos saltando do filho para Shisui e depois para as roupas espalhadas pelo chão com uma desordem que Itachi jamais permitiria em situações normais.

Fugaku, por outro lado, não disse nada de imediato. Seus olhos se transformaram em fendas perigosas, fixos em Shisui. O líder do clã nunca escondera que, embora respeitasse as habilidades de Shisui no campo de batalha, considerava-o uma influência "imprevisível" e "rebelde" demais para o seu herdeiro perfeito.

— Pai... Mãe — Itachi começou, sua voz recuperando a neutralidade fria, embora um rubor subisse por suas bochechas. Ele não se encolheu, mantendo a postura reta mesmo estando seminua. — Não esperávamos visitas tão cedo.

— Visitas? — A voz de Fugaku saiu como um trovão contido, fazendo as paredes do quarto parecerem vibrar. — Esta é a minha casa, Itachi. E este é o seu quarto, onde você deveria estar descansando para o treino da manhã, não... participando de tamanha desordem.

Shisui, percebendo que o clima estava prestes a atingir o ponto de ebulição, tentou intervir com seu charme habitual, embora soubesse que estava em uma posição extremamente desfavorável, sem camisa e com o cabelo mais bagunçado do que o de um espantalho após um furacão.

— Tio Fugaku, Tia Mikoto... eu posso explicar — disse Shisui, tentando tatear discretamente em busca de sua camisa entre as cobertas. — Nós acabamos perdendo a noção do tempo conversando sobre... táticas.

Fugaku deu um passo para dentro do quarto, a aura de comando emanando dele de forma opressora.

— Táticas, Shisui? — Fugaku perguntou, sua voz carregada de um sarcasmo cortante. — Desde quando táticas exigem que o herdeiro dos Uchiha seja encontrado em tal estado de desleixo? Eu sempre soube que sua falta de disciplina seria contagiosa, mas não achei que Itachi seria tão fraco a ponto de permitir isso.

Itachi sentiu uma pontada de irritação, algo raro para ele. Ele não gostava que Shisui fosse culpado por algo que fora mútuo, e muito menos gostava de ser chamado de fraco por seu pai.

— Pai, a decisão de Shisui ficar foi minha — Itachi afirmou firmemente, olhando nos olhos de Fugaku com uma intensidade que faria qualquer outro shinobi recuar. — Não houve falta de disciplina. Houve uma escolha pessoal.

— Uma escolha pessoal que mancha a imagem que você deve projetar! — Fugaku rugiu, perdendo a paciência. — Você é o capitão da ANBU, o futuro do clã! E você, Shisui... você deveria ser o exemplo de lealdade e seriedade, não aquele que corrompe o meu filho com essas distrações!

— Distrações? — Shisui finalmente se levantou, sem se importar mais com o fato de estar apenas de calças. Ele se colocou entre Itachi e Fugaku, protegendo o namorado. — O que eu sinto pelo Itachi não é uma distração, senhor. É a única coisa que me mantém lúcido neste clã que só respira dever e obrigações.

Mikoto, que permanecera em silêncio até então, colocou a bandeja sobre uma mesa lateral e aproximou-se do marido, tocando-lhe o braço de forma suave, mas firme.

— Fugaku, acalme-se. Eles são jovens — Mikoto disse, embora seus próprios olhos mostrassem uma mistura de choque e preocupação materna. — Não é necessário transformar isso em um incidente de estado.

— Jovens? Eles são soldados! — Fugaku rebateu, sem desviar o olhar de Shisui. — Shisui, saia desta casa agora. E não volte a procurar Itachi fora do horário de serviço até que eu decida como lidar com essa insubordinação.

Itachi sentiu o coração apertar. A lógica lhe dizia para obedecer, para manter a paz no clã e evitar um confronto direto com o pai. Mas a sensação do toque de Shisui ainda estava fresca em sua pele, e a ideia de ser separado dele por um capricho autoritário parecia, pela primeira vez em sua vida, algo inaceitável.

— Ele não vai a lugar nenhum — Itachi disse, sua voz soando com uma autoridade que rivalizava com a do pai.

Fugaku virou-se para o filho, genuinamente surpreso.

— O que você disse?

— Eu disse que Shisui não vai embora — repetiu Itachi, levantando-se e vestindo seu roupão com movimentos lentos e deliberados. — O que aconteceu aqui não é da conta do conselho do clã, nem afeta minha competência como shinobi. Se o senhor deseja discutir minha vida pessoal, faremos isso como pai e filho, não como líder e subordinado.

Fugaku pareceu prestes a explodir. Seus dedos se fecharam em punhos, e por um momento, Itachi pensou que ele pudesse ativar o Sharingan.

— Você está desafiando a minha autoridade, Itachi? Por causa dele?

— Não estou desafiando sua autoridade — Itachi respondeu calmamente, embora seu coração batesse forte. — Estou estabelecendo um limite. Shisui é meu companheiro. E eu não permitirei que ele seja tratado como um criminoso por me amar.

Shisui olhou para Itachi, seus olhos brilhando com uma mistura de orgulho e adoração. Ver o "Gênio Inocente" se posicionar daquela forma contra o homem mais temido do clã era algo que ele nunca imaginou presenciar.

— Itachi... — Shisui murmurou, tocando o ombro do namorado.

Fugaku olhou para os dois, o silêncio no quarto tornando-se insuportável. Mikoto suspirou, percebendo que a situação havia mudado de figura. Itachi não era mais o menino que aceitava ordens sem questionar; ele havia encontrado algo pelo qual valia a pena lutar fora do campo de batalha.

— Fugaku — Mikoto disse baixinho —, deixe-os. Vamos conversar na sala. Itachi e Shisui precisam se vestir e... se recompor.

O líder do clã bufou, sua expressão ainda carregada de desprezo. Ele lançou um último olhar gélido para Shisui, um olhar que prometia consequências.

— Isso não acabou, Shisui — Fugaku disse com a voz baixa e ameaçadora. — Se eu perceber que o rendimento de Itachi caiu um centímetro por causa dessa... união, eu pessoalmente garantirei que você seja transferido para as patrulhas de fronteira mais distantes da vila.

— Meu rendimento nunca esteve tão alto, senhor — Shisui respondeu, recuperando um pouco de sua audácia habitual. — A felicidade costuma ser um excelente catalisador para a eficiência.

Fugaku não respondeu. Ele deu as costas e saiu do quarto, seus passos ecoando com fúria pelo corredor de madeira. Mikoto olhou para os dois uma última vez, um pequeno sorriso triste e compreensivo brincando em seus lábios antes de seguir o marido.

O silêncio voltou a reinar no quarto, mas era um silêncio diferente. Shisui soltou um longo suspiro, deixando os ombros caírem e sentando-se no chão.

— Bem... isso foi pior do que enfrentar um batalhão da Vila da Névoa sozinho e sem chakra.

Itachi sentou-se na beira da cama, cobrindo o rosto com as mãos por um momento antes de olhar para Shisui.

— Eu sabia que eles não entenderiam de imediato. Mas meu pai... ele é mais teimoso do que eu previ em meus cálculos de probabilidade.

Shisui aproximou-se e ajoelhou-se entre as pernas de Itachi, puxando as mãos do namorado para longe do rosto.

— Ei. Você foi incrível lá dentro. Eu nunca vi ninguém enfrentar o Tio Fugaku daquele jeito. Especialmente por minha causa.

Itachi olhou para Shisui, um pequeno e raro sorriso surgindo em seus lábios.

— Eu apenas apliquei a lógica. Ele valoriza a força e a determinação. Se eu recuasse, ele teria vencido o argumento e nos separado. Eu não podia permitir essa variável.

— Não foi só lógica, Itachi — Shisui disse suavemente, beijando a ponta dos dedos dele. — Foi coragem. E amor. Você realmente me defendeu.

Itachi sentiu aquele calor familiar no peito, o mesmo que Shisui explicara na noite anterior. A inocência que antes o cegava para as intenções do namorado agora fora substituída por uma compreensão profunda e um pouco assustadora. Ele ainda era um gênio, ainda era analítico, mas agora entendia que o amor era a tática mais imprevisível de todas.

— Shisui? — chamou Itachi, enquanto começava a se vestir apropriadamente.

— Sim, meu querido gênio?

— Você acha que, após esse confronto, meu pai irá dobrar a vigilância sobre nós?

Shisui riu, uma risada nervosa mas genuína, enquanto vestia sua própria camisa.

— Oh, com certeza. Ele provavelmente vai colocar metade da força policial para nos seguir. Mas sabe de uma coisa?

— O quê? — Itachi perguntou, ajustando o protetor de testa.

— Nós somos os dois melhores usuários de Shunshin e Genjutsu deste clã — Shisui piscou para ele, recuperando seu brilho travesso. — Se quisermos um pouco de privacidade, nem mesmo seu pai vai conseguir nos encontrar.

Itachi assentiu solenemente, embora seus olhos brilhassem com diversão.

— Entendido. Vou começar a traçar rotas de fuga e pontos cegos na vigilância do clã imediatamente.

— É assim que se fala! — Shisui exclamou, abraçando Itachi por trás e depositando um beijo rápido em sua bochecha. — Mas agora, acho melhor a gente descer para aquele café da manhã. Sua mãe fez chá, e eu sinto que vamos precisar de muita cafeína para sobreviver ao sermão que virá.

— Shisui... — Itachi parou na porta, olhando para o namorado.

— Sim?

— Obrigado por não ter fugido pelo banheiro desta vez — Itachi disse com uma seriedade cômica.

Shisui gargalhou, empurrando Itachi levemente para fora do quarto.

— De nada, Itachi. Mas da próxima vez, prometo que vamos trancar a porta. Ou melhor, vamos para a floresta. Seu pai não gosta de mato logo cedo.

E assim, lado a lado, os dois prodígios do clã Uchiha desceram as escadas para enfrentar o líder do clã, sabendo que, embora a inocência de Itachi tivesse ficado para trás naquela noite, algo muito mais forte e indestrutível nascera em seu lugar. O gênio havia aprendido a lição: o amor não era uma fraqueza a ser eliminada, mas a maior força que um shinobi poderia possuir.