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teresa a boa

Brasas sob a Rocha

O ar dentro da caverna parecia ter ficado mais denso, saturado pelo cheiro de pele, suor e o aroma terroso que emanava das profundezas da pedra. Embora o ápice anterior tivesse trazido um momento de repouso, o desejo entre as duas não havia se dissipado; ele apenas havia mudado de forma, transformando-se de uma urgência frenética em uma fome lenta e devoradora. Gaby, com seus cabelos ondulados agora colados à testa pelo esforço, observava Teresa. A mulher mais velha estava recostada contra a parede de calcário, a respiração ainda um pouco curta, mas seus olhos — aqueles olhos que já tinham visto décadas de invernos e verões — brilhavam com uma luxúria renovada.

— Você achou que eu estava satisfeita, não foi? — perguntou Teresa, a voz mais grave, carregada de uma malícia que o tempo não conseguiu apagar.

Gaby deu um sorriso de lado, sentindo o poder fluir por suas veias. Ela se ajoelhou novamente entre as pernas de Teresa, que ainda estavam abertas, convidativas.

— Eu sei que você é insaciável, Teresa. Panela velha, como você mesma diz, mantém o calor por muito mais tempo.

— Então prove — desafiou a mais velha, puxando Gaby pela nuca, enterrando os dedos nos fios ondulados. — Não me trate como um cristal quebrado. Eu ainda aguento o peso do mundo, se ele for feito de carne e desejo.

Gaby não precisou de outro convite. Ela avançou, seus lábios encontrando o pescoço de Teresa, onde a pele era fina como pergaminho, mas pulsava com uma vida vigorosa. Ela sugou e mordeu levemente, ouvindo o arquejo agudo que escapou da garganta de Teresa. A mão de Gaby desceu, firme e possessiva, encontrando novamente o centro da feminilidade de Teresa, que já estava úmido e pronto.

— Você está tão pronta para mim — sussurrou Gaby contra o ouvido da outra.

— Minha mente pode esquecer o caminho de casa — murmurou Teresa, as mãos apertando os ombros de Gaby —, mas meu corpo nunca esquece como é ser possuído.

Gaby começou um movimento lento com os dedos, explorando as dobras sensíveis com uma deliberação que fazia Teresa tremer. Ela não tinha pressa. Queria sentir cada reação, cada espasmo dos músculos cansados, mas resilientes, da mulher sob ela. Com a outra mão, Gaby segurou o quadril de Teresa, ancorando-a enquanto aumentava a pressão.

— Olhe para mim, Teresa — ordenou Gaby, sua voz emanando a autoridade natural de quem domina a cena.

Teresa abriu os olhos, as pupilas dilatadas na penumbra da caverna. Havia uma conexão crua ali, uma ponte entre a juventude impetuosa e a experiência desgastada. Gaby inseriu dois dedos profundamente, sentindo o calor interno de Teresa abraçá-la. O gemido que se seguiu foi longo e gutural, ecoando pelas estalactites acima delas como um cântico profano.

— Isso... isso mesmo — ofegou Teresa, jogando a cabeça para trás, o perfil das rugas de seu pescoço destacado pela luz moribunda da lanterna. — Mais forte, Gaby. Não tenha medo de me machucar.

Gaby intensificou o ritmo, o som da fricção entre a pele e a umidade natural preenchendo o espaço entre as paredes de pedra. Ela usava o polegar para pressionar o clitóris de Teresa em movimentos circulares e constantes, enquanto seus dedos trabalhavam internamente em um ritmo de estocada que imitava o ato mais ancestral. Teresa começou a se debater levemente, as pernas envolvendo a cintura de Gaby com uma força surpreendente, prendendo-a ali, exigindo mais.

— Você é minha agora — disse Gaby, os olhos fixos nos de Teresa. — Esqueça o mundo lá fora. Esqueça quem você é. Sinta apenas o que eu estou fazendo com você.

— Eu sou sua... — Teresa gemeu, as palavras tropeçando umas nas outras enquanto o prazer começava a nublar sua razão. — Sim... ah, Deus, Gaby!

A tensão no corpo de Teresa chegou a um ponto crítico. Ela começou a soluçar, não de tristeza, mas de uma sobrecarga sensorial que sua mente caduca lutava para processar, enquanto seu corpo a aceitava com gratidão. Gaby não diminuiu a velocidade; pelo contrário, ela se inclinou para frente, esmagando seus seios contra os de Teresa, sentindo os mamilos endurecidos da outra contra sua pele.

— Agora, Teresa. Sinta tudo! — exclamou Gaby.

O corpo de Teresa se retorceu em um espasmo violento. Ela gritou, um som que foi abafado pelo beijo voraz de Gaby, que selou seus lábios para beber de sua satisfação. As paredes da caverna pareceram vibrar com a intensidade da liberação de Teresa. Ela se contraiu repetidamente em torno dos dedos de Gaby, o prazer lavando-a como uma maré alta que apaga as marcas na areia.

Minutos se passaram enquanto o silêncio retornava, interrompido apenas pelo som de respirações pesadas e o gotejar rítmico da água em algum lugar profundo da gruta. Gaby retirou a mão lentamente, sentindo o calor remanescente, e deitou-se ao lado de Teresa sobre a jaqueta improvisada.

Teresa estava com os olhos fechados, um sorriso de pura paz emoldurando seu rosto marcado pelo tempo. Sua mão tateou o chão até encontrar a de Gaby, entrelaçando seus dedos.

— Sabe — disse Teresa, a voz agora apenas um fio de som —, por um momento, eu não era velha. Eu não era esquecida. Eu era apenas... fogo.

Gaby virou o rosto para ela, observando a beleza trágica e magnífica daquela mulher.

— Você sempre será fogo para mim, Teresa. Não importa quantos anos passem, ou quanto sua memória falhe. O que temos aqui... a pedra lembra. E eu lembro.

— Você tem um jeito de falar que me faz querer ficar nesta caverna para sempre — comentou Teresa, rindo baixinho, aquela risada que lembrava o som de folhas secas ao vento. — Mas minhas juntas vão reclamar se eu não me levantar logo.

Gaby ajudou Teresa a se sentar, tratando-a com uma mistura de reverência e cuidado. A dinâmica de poder havia voltado ao equilíbrio, mas a marca do que haviam compartilhado permanecia. Enquanto Teresa se vestia com movimentos trêmulos, Gaby observava cada detalhe, como se quisesse gravar aquela imagem para a eternidade.

— Você está bem? — perguntou Gaby, passando a mão pelos cabelos de Teresa para afastar uma mecha rebelde.

— Estou maravilhosa, minha querida — respondeu Teresa, fixando o olhar em Gaby com uma clareza momentânea e cortante. — Às vezes, a névoa na minha cabeça se dissipa e eu vejo as coisas como elas realmente são. E o que vejo agora é que você é a melhor coisa que me aconteceu nesta última década de sombras.

Gaby sentiu um nó na garganta, algo raro para sua personalidade dominante e pragmática. Ela apenas inclinou a cabeça e beijou a testa de Teresa.

— Vamos. A escuridão lá fora está começando a ganhar da nossa lanterna.

Elas se levantaram, os corpos ainda sentindo o eco do esforço e do prazer. Gaby pegou a lanterna e, desta vez, não apenas apontou o caminho, mas manteve seu braço firmemente passado pela cintura de Teresa, sustentando-a enquanto caminhavam pelo terreno irregular.

— Gaby? — chamou Teresa, enquanto se aproximavam da entrada estreita.

— Sim?

— Se amanhã eu perguntar por que minhas costas doem... — Teresa fez uma pausa, um brilho travesso nos olhos — ...apenas sorria e me diga que foi uma história que a caverna contou.

Gaby riu, um som claro que pareceu iluminar o ambiente mais do que a própria lanterna.

— Eu direi exatamente isso, Teresa. Direi que foi a história mais bonita que já ouvi.

Ao saírem da caverna, o ar frio da noite as atingiu, um contraste refrescante com o calor abafado do interior. O céu estava pintado de tons de violeta e laranja profundo, o sol já se escondendo atrás das montanhas. Elas caminharam em direção ao carro estacionado à distância, duas figuras contrastantes unidas por um segredo que pertencia apenas às profundezas da terra.

Teresa olhou uma última vez para trás, para a boca escura da caverna que agora parecia apenas uma sombra na encosta.

— Panela velha... — murmurou ela para si mesma, com um sorriso satisfeito.

— ...faz comida boa — completou Gaby, abrindo a porta do carro para ela. — E hoje, o banquete foi inesquecível.

O motor rugiu, quebrando o silêncio do crepúsculo, e elas partiram, deixando para trás o eco de seus gemidos e a promessa de que, enquanto houvesse brasa, o fogo sempre encontraria uma maneira de queimar novamente.