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The Concert

Frequências Inevitáveis

O zumbido residual nos ouvidos de Nina era o som da adrenalina. Do fundo da arena, escondida sob o capuz de um moletom largo e atrás da mesa de som, ela assistira a Bad Omens incendiar o palco. Noah estava hipnotizante. Havia algo na forma como ele se movia — uma mistura de controle absoluto e entrega caótica — que fazia o estômago dela revirar, mas não de nervosismo. Era desejo puro, destilado por semanas de chamadas de vídeo tarde da noite e mensagens de texto que beiravam o proibido.

Desde o ensaio fotográfico em Richmond, o ar entre eles havia mudado permanentemente. Mas a vida, com seu timing cruel, os separou horas depois do último clique da câmera. A turnê começou, as obrigações chamaram, e o que deveria ter sido uma noite de descobertas físicas transformou-se em um jejum digital de um mês.

Até hoje.

Nina caminhou pelos corredores dos bastidores, o coração batendo contra as costelas num ritmo mais rápido que o bumbo de Nick Folio. Quando ela empurrou a porta do camarim principal, a explosão de alegria foi imediata.

— Não acredito! — gritou Jolly, largando uma toalha e correndo para abraçá-la. — O que você está fazendo aqui, sua maluca?

— Eu não podia deixar vocês terminarem essa perna da turnê sem uma visita técnica — Nina riu, retribuindo o abraço apertado.

Em questão de segundos, ela estava cercada. Nick Rufillo a cumprimentou com um sorriso largo, acompanhado de sua noiva, que a abraçou calorosamente. Nick Folio, sempre o mais energético, quase a tirou do chão.

— A gente achou que você só ia aparecer no festival mês que vem! — disse Folio, limpando o suor da testa.

— Eu sou imprevisível, Nick. Vocês deveriam saber disso — ela piscou.

E então, seus olhos encontraram os dele.

Noah estava encostado em um dos sofás, uma garrafa de água na mão, o cabelo castanho úmido e bagunçado, caindo em "curtain bangs" que emolduravam perfeitamente aquele rosto de traços fortes e descendência asiática. Ele não correu. Ele não gritou. Mas o olhar que ele lançou a ela — intenso, profundo e carregado de uma possessividade silenciosa — foi o suficiente para fazer os joelhos de Nina fraquejarem.

— Oi, Nina — disse ele, a voz rouca pelo esforço do show.

— Oi, Noah. Bom show.

— Só bom? — Ele arqueou uma sobrancelha, um meio sorriso brincando em seus lábios grossos.

A tensão no camarim tornou-se instantaneamente palpável. Para qualquer estranho, pareciam apenas dois velhos amigos se cumprimentando. Mas para quem conhecia a eletricidade, era possível ouvir o estalo do ar entre eles. Eles haviam concordado, por mensagens, que manteriam as coisas discretas até terem certeza de como navegar naquela nova fase. Mas manter as aparências estava se provando uma tortura.

Nina estava vestida para matar, embora tivesse escondido o traje sob o moletom até entrar no prédio. Agora, ela exibia um corset de renda preta que realçava suas curvas, uma minissaia de couro e botas que subiam até as coxas, com saltos grossos que a deixavam quase na altura dos ombros largos de Noah.

— Você está... diferente — comentou Jolly, olhando de soslaio para a roupa dela e depois para o rosto de pedra de Noah.

— É o figurino da nova era, pessoal — Nina brincou, embora sentisse o olhar de Noah queimando sua pele tatuada.

Noah deu um passo à frente, a presença de 1,92m dominando o espaço ao redor dela.

— Nina, você pode me ajudar com aquela coisa da mixagem que a gente conversou? — Noah perguntou, o tom de voz perfeitamente casual, se não fosse pelo brilho nos olhos castanhos. — Está na sala de produção ao lado.

— Claro — respondeu ela, tentando manter a voz firme. — Licença, gente. Já volto para a gente tomar aquela cerveja.

Assim que a porta da sala ao lado se fechou e a tranca estalou, o disfarce caiu.

Noah não perdeu um segundo. Ele a prensou contra a porta, suas mãos grandes encontrando a cintura dela com uma urgência que a fez soltar um arquejo.

— Você quer me matar? — ele sussurrou contra o lábio dela. — Aparecer assim, depois de um mês sem eu poder te tocar?

— Eu senti sua falta — Nina murmurou, passando os braços pelo pescoço dele, sentindo a textura da pele macia e recém-barbeada que ela tanto adorava. — E eu queria ter certeza de que você não esqueceria o que te espera.

— Impossível esquecer — ele respondeu, antes de selar seus lábios em um beijo faminto.

Não era um beijo de amigos. Era o acúmulo de três anos de silêncio e trinta dias de distância. Noah a levantou com facilidade, e Nina entrelaçou suas pernas cobertas pelo couro das botas em volta da cintura dele. Ele a carregou até o balcão de mármore em frente ao grande espelho da sala.

Noah a sentou ali, posicionando-se entre suas pernas. Ele desceu os beijos para o pescoço dela, a respiração quente causando arrepios que faziam Nina arquear as costas. As mãos tatuadas dele subiram pelas coxas dela, sentindo a textura das botas antes de encontrar a pele quente acima delas.

— Noah... — ela suspirou, enterrando os dedos nos cabelos dele.

— Você está perfeita — ele murmurou entre beijos na clavícula dela. — Eu sonhei com esse corset todas as noites.

Ele voltou a beijá-la com uma intensidade avassaladora, a mão subindo para a nuca dela, puxando levemente seus cabelos para inclinar sua cabeça. O reflexo no espelho mostrava o contraste: ela, toda em renda e couro preto, e ele, o gigante gentil que agora agia como um homem faminto, com os ombros largos bloqueando quase toda a visão dela.

A temperatura da sala subiu drasticamente. O som da respiração pesada de ambos era a única trilha sonora, até que a maçaneta da porta girou violentamente.

— Ei, Noah! O manager está perguntando se... — A porta se abriu antes que eles pudessem se separar completamente.

Nick Folio estancou no lugar.

Nina ainda estava em cima do balcão, com as pernas envoltas em Noah, e ele tinha o rosto enterrado no pescoço dela. O silêncio que se seguiu foi constrangedoramente longo.

— Ah... — Nick Folio piscou, os olhos arregalados. — O manager... ele... ele pode esperar. Uau. Ok. Eu vou... eu vou fechar a porta.

Folio recuou e bateu a porta com força.

Nina escondeu o rosto no ombro de Noah, soltando uma risada nervosa.

— Bom, acho que o segredo durou dez minutos.

Noah soltou um suspiro pesado, encostando a testa na dela, um sorriso genuíno finalmente surgindo em seu rosto.

— Dez minutos a mais do que eu esperava, sendo sincero.

— Vamos sair daqui? — ela perguntou, a voz carregada de promessas.

— Para o hotel. Agora.

***

A suíte do hotel era o único refúgio possível. O caos dos bastidores e a surpresa de Folio ficaram para trás, substituídos pelo som suave do ar-condicionado e a luz âmbar dos abajures.

Ali, não havia Bad Omens, não havia fãs, não havia expectativas profissionais. Havia apenas Noah e Nina.

Noah a despiu com uma reverência quase religiosa, seus dedos traçando cada tatuagem dela como se estivesse lendo um mapa que esperou anos para explorar. Quando ele finalmente se livrou da própria camiseta, revelando o torso coberto por arte e os músculos definidos pelo jiu-jitsu, Nina perdeu o fôlego.

A noite foi uma exploração lenta e profunda. Não foi apenas luxúria; foi uma conversa física sobre tudo o que não disseram desde que se conheceram. Noah era, ao mesmo tempo, o homem cuidadoso e reservado que ela conhecia e o amante intenso que ela sempre imaginou. A pele dele era inacreditavelmente macia contra a dela, e o contraste de seus tamanhos tornava cada toque mais dramático.

Entre beijos e sussurros, eles se perderam um no outro. Nina descobriu que o tom de voz de Noah quando ele estava vulnerável era sua nova melodia favorita. E Noah descobriu que a audácia de Nina era apenas a capa para uma entrega que ele pretendia proteger a todo custo.

Eles dormiram entrelaçados, as pernas longas de Noah pesando sobre as dela, como se ele quisesse garantir que ela não desapareceria durante a noite.

***

A manhã seguinte chegou com a luz do sol filtrando pelas cortinas pesadas. Nina acordou com o nariz roçando o ombro de Noah. Ele ainda dormia, a expressão tranquila, longe da intensidade do palco.

O momento de paz, no entanto, foi interrompido por batidas rítmicas e insistentes na porta da suíte.

— Abram essa porta! Eu sei que vocês estão aí! — A voz de Jolly ecoou pelo corredor, alta o suficiente para acordar metade do andar.

Noah resmungou, abrindo um dos olhos e puxando o lençol para cobrir Nina, que se sentou na cama, esfregando os olhos.

— Noah! Nina! — Jolly continuou gritando. — O Folio já contou tudo! Não adianta mais fingir! O café da manhã está na mesa e a gente quer os detalhes desse contrato de "amizade" que expirou!

Noah enterrou o rosto no travesseiro, soltando um gemido abafado.

— Eu vou matar o Nick.

Nina soltou uma gargalhada alta, a primeira de sua nova vida com ele.

— Ele é o seu baterista, Noah. Você precisa dele.

— Eu posso aprender a tocar bateria — ele retrucou, virando-se para ela, um brilho divertido nos olhos. — Ou podemos apenas ficar aqui e fingir que não tem ninguém do outro lado da porta.

— Noah! — A voz de Jolly voltou a atacar. — Eu já postei no grupo da banda que vocês são oficialmente o casal do ano! Rufillo já ganhou a aposta, eu devo dez dólares para ele!

Nina olhou para Noah, surpresa.

— Eles tinham uma aposta?

Noah suspirou, sentando-se e passando a mão pelo cabelo bagunçado.

— Aparentemente, todos sabiam, Nina. Acho que nós éramos os únicos tentando enganar alguém.

Ele se inclinou e a beijou suavemente, um beijo que carregava a promessa de que, embora a privacidade tivesse acabado, o que eles tinham estava apenas começando.

— É melhor a gente abrir — disse ela, sorrindo. — Antes que o Jolly derrube a porta.

— Só se você me prometer que a gente vai se trancar de novo assim que eles forem embora — Noah pediu, a voz voltando a ficar baixa e séria.

— Prometido.

Noah levantou-se, vestindo uma calça de moletom, e caminhou até a porta. Ao abri-la, deu de cara com Jolly, Rufillo e Folio, todos com sorrisos de orelha a orelha e bandejas de café.

— Bom dia, pombinhos! — Jolly exclamou, entrando sem ser convidado. — Então, Nina, sobre aquele ensaio de lingerie... o Noah já te contou que ele quase teve um colapso no estúdio ou ele ainda está fingindo que é o cara calmo?

Nina riu, puxando o edredom até o queixo enquanto Noah cobria o rosto com as mãos, finalmente aceitando que sua vida reservada acabara de ganhar um novo, barulhento e maravilhoso capítulo.

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