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Tik Tok

Currículo para um Gatinho Carente

Tudo começou com um vídeo de quinze segundos que, honestamente, Amelí não deveria ter levado a sério.

Ela estava jogada em seu sofá, os cabelos cacheados escuros espalhados pelas almofadas enquanto rolava o feed do TikTok. Entre uma dancinha e um tutorial de maquiagem, surgiu o rosto de Léo. Ele era um fenômeno. Três milhões de seguidores, um senso de humor caótico e uma beleza que parecia não fazer sentido com o fato de ele ser tão "doido da cabecinha", como os fãs carinhosamente diziam.

No vídeo, Léo aparecia com uma expressão incomumente séria.

— Galera, papo sério aqui — ele disse, olhando diretamente para a câmera. — Minha mãe está com um gatinho lá em casa para doar. Ele é dócil, já é castrado, come bem e está precisando de um lar amoroso.

Ele ficou em silêncio por exatamente um segundo, sustentando o olhar dramático, antes de abrir um sorriso travesso e apontar para si mesmo.

— O gatinho sou eu. Miau.

Amelí soltou uma risada alta, daquelas que vinham do fundo do peito. Ela conhecia o trabalho dele, mas aquele vídeo em particular tinha um brilho diferente. Sem pensar muito, impulsionada pelo engajamento e por uma pontinha de interesse real, ela digitou:

"Psiu psiu gatinho, tome meu currículo 📄✍️"

Ela não esperava que, dez minutos depois, a notificação brotasse na tela. Léo não só havia curtido, como respondido publicamente: "Cuidado, Amelí, eu sou do tipo que exige muito carinho e petiscos caros".

O que o público não viu foi a mensagem privada que chegou logo em seguida.

*Léo: "Então quer dizer que a famosa Amelí tem interesse em adotar pets abandonados?"*

*Amelí: "Depende. O pet em questão é bagunceiro ou se comporta?"*

*Léo: "Sou uma completa desgraça, mas compenso com entretenimento e um ronronado de qualidade. Passa o WhatsApp, vai."*

A partir dali, a conexão foi instantânea. Conversas que duravam até as quatro da manhã, trocas de áudios engraçados e uma química que atravessava as telas dos celulares. Alguns dias depois, o encontro aconteceu fora das câmeras, e a faísca virou um incêndio.

Corte para uma semana depois.

Amelí estava sentada no chão do quarto de Léo, encostada na cama, focada em editar um vídeo em seu próprio celular. Ela estava distraída, os cachos caindo sobre o rosto, até que sentiu um peso familiar em seu ombro.

Léo tinha acabado de iniciar uma live para interagir com os fãs, mas parecia ter esquecido completamente dos milhares de espectadores. Ele se aproximou por trás, enterrando o rosto no pescoço dela, distribuindo beijinhos curtos e úmidos na pele macia.

— Amelí... — ele resmungou, a voz manhosa e baixa. — Larga isso.

— Só um minuto, Léo. Preciso postar isso agora — ela respondeu, embora um sorriso já estivesse brincando em seus lábios.

— Você está me ignorando. Eu sou um gatinho carente, lembra? — Ele continuou o drama, roçando o nariz na mandíbula dela. — O seu público pode esperar, mas eu não.

Ele virou um pouco o celular, capturando o rosto dos dois juntinhos na tela da live. Os comentários subiam em uma velocidade impossível de ler: "MEU DEUS ELES ESTÃO JUNTOS!", "O casal do ano!", "Olha como ele olha para ela!".

E, de fato, os olhos de Léo brilhavam. Não era apenas para a câmera; era um brilho de adoração genuína, uma intensidade que fazia o estômago de Amelí dar voltas. Ele a admirava como se ela fosse a única coisa interessante em um raio de quilômetros.

— Olha como ela é má, pessoal — Léo disse para a live, fazendo um biquinho. — Eu aqui, dando todo o meu amor, e ela querendo saber de algoritmo.

Amelí finalmente cedeu, soltando um suspiro derrotado e bloqueando a tela do celular.

— Você é impossível, sabia?

Léo sorriu, vitorioso. Ele afastou o celular por um momento, apoiando-o contra a parede em cima de uma pilha de livros, garantindo que o ângulo ainda capturasse os dois, mas deixando suas mãos finalmente livres.

Ele se virou completamente para ela, encurtando a distância. As mãos de Léo, grandes e firmes, subiram para o rosto de Amelí, afastando os cachos escuros com uma delicadeza que contrastava com sua personalidade agitada. Ele começou a beijar o rosto dela — a testa, as bochechas, a ponta do nariz.

— Léo, a live... — ela sussurrou, embora sua resistência estivesse derretendo.

— Esquece a live — ele murmurou contra a pele dela.

Ele inclinou a cabeça e mordiscou o lábio inferior dela, um convite silencioso e provocante. Amelí soltou o celular no tapete, as mãos subindo para a nuca dele, puxando-o para mais perto. O beijo começou lento, uma exploração profunda e carregada de saudade, mesmo que tivessem se visto o dia todo.

O mundo ao redor desapareceu. O brilho da tela do celular, que transmitia tudo para milhares de pessoas, tornou-se apenas uma luz de fundo irrelevante. Léo estava sedento, o corpo inclinando-se sobre o dela, a respiração tornando-se pesada e errática.

A mão dele, antes em seu rosto, desceu pelo pescoço, sentindo a pulsação acelerada de Amelí. Com um movimento fluido e possessivo, ele deslizou a mão por baixo da blusa de algodão dela. A pele quente se encontrou, e o toque dele subiu até encontrar o seio dela, apertando-o com uma urgência que fez Amelí soltar um gemido baixo contra a boca dele.

O clima na live estava explodindo. Os corações e emojis de fogo inundavam a tela, mas nenhum dos dois estava prestando atenção. O beijo foi ficando mais urgente, as línguas se entrelaçando com uma fome que ameaçava sair do controle ali mesmo, no chão do quarto.

Foi então que um som vindo da porta aberta quebrou o feitiço.

Uma risada curta e bem-humorada ecoou pelo corredor, seguida por uma voz feminina muito conhecida.

— Mas que coisa, Léo! Você não consegue deixar a menina em paz nem por cinco minutos?

Amelí se afastou bruscamente, o rosto ficando instantaneamente vermelho. Ela ajeitou a blusa com as mãos trêmulas, enquanto Léo se jogava para trás, cobrindo o rosto com as mãos e rindo de puro constrangimento.

— Mãe! — Léo exclamou, a voz falhando um pouco. — Existe uma coisa chamada "bater na porta"!

Dona Márcia apareceu no batente, segurando um cesto de roupa limpa, com um sorriso de quem se divertia muito com a situação.

— A porta está escancarada, meu filho. E eu vim avisar que o lanche está pronto. Mas, pelo visto, você já está bem alimentado de carinho, não é?

Amelí escondeu o rosto no ombro de Léo, morrendo de vergonha, enquanto ele tentava recuperar a compostura.

— Ela é muito carente, dona Márcia — Amelí brincou, tentando disfarçar a respiração ainda ofegante.

— Carente é pouco — a mãe dele retrucou, saindo pelo corredor. — Ele sempre foi um grude. Juízo, vocês dois! E Léo, desliga essa câmera, ninguém precisa ver você passando vergonha em tempo real.

Léo olhou para o celular encostado na parede, percebendo que a live ainda estava rodando. Ele arregalou os olhos, deu um pulo e correu para encerrar a transmissão.

— Bom... tchau, galera! O gatinho vai ali comer um misto quente! — Ele gritou antes de encerrar a live abruptamente.

O silêncio finalmente reinou no quarto. Léo olhou para Amelí, que ainda estava sentada no chão, com o cabelo todo bagunçado e os lábios inchados.

— Onde estávamos? — ele perguntou, engatinhando de volta para perto dela com um olhar travesso.

Amelí colocou a mão no peito dele, empurrando-o levemente enquanto ria.

— Nem pensar. O currículo de gatinho acaba de ser suspenso por mau comportamento na frente da sogra.

— Ah, qual é! — Léo reclamou, deitando a cabeça no colo dela. — Só mais um beijinho?

Amelí revirou os olhos, mas seus dedos já estavam se perdendo nos cabelos dele. Ela sabia que, com aquele gatinho, não havia como ganhar. E, honestamente, ela nem queria.

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