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Tom ridle

O Labirinto de Vidro e a Sombra do Herdeiro

A Sala Precisa havia se transformado, por vontade silenciosa de Tom, em um refúgio que lembrava uma biblioteca particular, mas com sofás de veludo verde-esmeralda e uma lareira que nunca se apagava. O calor do fogo contrastava com a frieza que Karen ainda tentava manter no peito. Embora o beijo na sala de aula tivesse quebrado a barreira do silêncio, a ferida do ciúme ainda latejava. Ela não era uma garota que se contentava com migalhas de atenção, e Tom Riddle, com toda a sua grandiosidade calculada, precisava entender que o coração dela não era um território conquistado que ele pudesse negligenciar.

— Você ainda está tensa — observou Tom, sua voz deslizando pelo ar como seda sobre pedra. Ele estava sentado no sofá, com um livro de magia antiga aberto no colo, mas seus olhos escuros não haviam lido uma única linha nos últimos dez minutos. Eles estavam fixos nela.

Karen, que fingia examinar as prateleiras de livros raros, não se virou.

— Talvez eu esteja apenas cansada de segredos, Tom. Ou talvez eu esteja pensando que Harry prometeu me mostrar o Campo de Quadribol sob o luar hoje à noite.

O som do livro sendo fechado com força ecoou pela sala. Karen sentiu um pequeno triunfo interno. O nome de Potter agia sobre Tom como um ácido.

— Potter é um tolo que mal consegue segurar uma varinha sem a ajuda da Granger — disse Tom, levantando-se com uma elegância predatória. — O que ele poderia te mostrar que eu já não tenha mostrado?

— Ele me mostra atenção — rebateu Karen, virando-se finalmente para encará-lo. — Ele me olha como se eu fosse a única pessoa no salão, Tom. Ele não precisa sorrir para um fã-clube para se sentir importante. Ele é genuíno.

Tom soltou uma risada curta e sem humor, aproximando-se dela até que o espaço entre os dois fosse inexistente.

— Genuíno? Ele é transparente, o que é bem diferente. Ele é previsível e comum. Você não foi feita para o comum, Karen Black. Você carrega o sangue de uma linhagem que exige mais do que um garoto que se impressiona com feitiços de iluminação.

— Então por que me esconder? — A voz dela tremeu levemente, a vulnerabilidade escapando por entre as frestas de sua armadura. — Por que deixar aquelas garotas da Corvinal e da Sonserina acharem que têm uma chance? Por que me fazer sentir como se eu fosse apenas uma nota de rodapé na sua biografia gloriosa?

Tom suspirou, um som que parecia estranhamente humano vindo dele. Ele estendeu a mão e tocou o queixo de Karen, forçando-a a olhar nos seus olhos, onde uma tempestade de ambição e algo mais sombrio fervilhava.

— O mundo é um palco, Karen. Se eu mostrar minhas fraquezas, eles as usarão contra mim. E você... — ele hesitou por um milésimo de segundo, a confissão pesando em sua língua — você é a única parte de mim que eu não posso permitir que ninguém toque ou destrua. Se eles souberem o quanto você significa, você se torna o alvo.

— Eu sei me defender — disse ela, embora o calor do toque dele estivesse derretendo sua resolução. — Eu sou uma Black. Severo me ensinou mais do que apenas poções. Eu não preciso que você me esconda para me proteger. Eu preciso que você me valorize.

— Eu valorizo você da única forma que sei — murmurou ele, inclinando a cabeça para que suas testas se encostassem. — Mas não teste minha paciência com o Malfoy ou o Potter novamente. O que eu sinto quando vejo você sorrindo para eles... não é algo que eu goste de sentir. É um caos que eu não consigo controlar.

Karen sorriu, um sorriso pequeno e perigoso.

— O grande Tom Riddle, perdendo o controle? Que conceito fascinante.

— Não brinque com o fogo, Karen. Você pode se queimar junto comigo.

A conversa foi interrompida por um barulho abafado vindo da porta da Sala Precisa. Alguém estava tentando entrar, ou talvez apenas passando perto demais. O instinto de Tom foi imediato: ele sacou a varinha, a expressão suavizada pela afeição transformando-se instantaneamente na máscara fria do monitor perfeito e letal.

— Fique aqui — ordenou ele.

— Eu não recebo ordens suas, Tom — sussurrou ela, também sacando sua varinha.

Eles caminharam em direção à saída. Quando a porta se abriu, não era um inimigo, mas sim Draco Malfoy, que parecia estar de guarda, com uma expressão de tédio misturada com ansiedade.

— Riddle. Black — disse Draco, acenando com a cabeça. — Seu irmão está rondando o corredor do sétimo andar, Karen. Severo está desconfiado. Ele sabe que você não está na biblioteca e que Potter está procurando por você como um cachorrinho perdido.

Tom lançou um olhar gélido para Karen, uma promessa silenciosa de que a conversa sobre Harry Potter ainda não havia terminado.

— Obrigado pelo aviso, Draco — disse Karen, passando por Tom com a cabeça erguida. — Eu vou encontrar o Harry. Afinal, eu prometi a ele.

— Karen — a voz de Tom soou como um trovão baixo.

Ela parou, mas não olhou para trás.

— Se você for, saiba que as consequências não serão apenas para você. Potter vai aprender que mexer com o que me pertence tem um preço alto.

— Eu não pertenço a você, Tom — disse ela, virando ligeiramente o rosto. — Eu estou com você. Há uma diferença. E enquanto você não aprender a me tratar como sua igual, e não como um segredo guardado a sete chaves, talvez você deva se acostumar com a ideia de me ver com outros.

Ela saiu pelo corredor, o som de seus passos ecoando no silêncio das masmorras que se aproximavam. Draco olhou para Tom, vendo a fúria contida no rosto do outro rapaz. Draco nunca tinha visto Riddle tão... humano em sua raiva.

— Você vai deixar ela ir? — perguntou Draco, curioso apesar do medo que Tom lhe infundia.

— Ela precisa entender uma coisa, Draco — disse Tom, guardando a varinha com uma calma que era muito mais aterrorizante do que qualquer grito. — O silêncio dela me machuca, mas o meu silêncio pode destruir o mundo dela. Ela quer um espetáculo? Eu darei um a ela.

...

No Grande Salão, na manhã seguinte, a tensão era palpável. Karen estava sentada com Hermione e Harry, rindo de algo que o garoto de óculos dizia, embora seus olhos estivessem constantemente vigiando a mesa da Sonserina. Tom não estava lá.

— Você parece distraída, Karen — comentou Hermione, observando a amiga com seu olhar analítico habitual. — Aconteceu alguma coisa com o Riddle?

— Por que algo teria acontecido com ele? — Karen respondeu rápido demais.

— Bem, vocês dois têm agido de forma estranha. E Severo está de mau humor desde ontem à noite. Mais do que o normal — Harry acrescentou, servindo-se de suco de abóbora.

De repente, as portas do Grande Salão se abriram. Tom Riddle entrou, mas ele não estava sozinho. Ele caminhava ao lado de Pansy Parkinson, que parecia ter ganhado na loteria bruxa. Ele falava algo no ouvido dela, e a garota ria ostensivamente, encostando o ombro no dele.

O coração de Karen despencou. O castigo do silêncio e as provocações com Harry tinham sido um jogo, mas Tom... Tom estava jogando pesado. Ele não estava apenas sendo educado; ele estava retribuindo o golpe com a mesma moeda, e de forma muito mais pública.

Tom sentou-se à mesa da Sonserina, e Pansy sentou-se ao seu lado, quase no seu colo. Ele lançou um olhar rápido para a mesa da Grifinória, encontrando os olhos de Karen. Não havia raiva no olhar dele agora, apenas um desafio frio e calculado. "Você quer brincar de ciúmes, Karen? Veja como eu sou melhor nisso", os olhos dele pareciam dizer.

Karen sentiu as mãos tremerem. Ela se levantou abruptamente.

— Perdi o apetite — disse ela para Harry e Hermione, que a olharam confusos.

— Mas você mal tocou na sua torrada! — Harry exclamou.

Karen não ouviu. Ela saiu do salão, sentindo as lágrimas queimarem. Ela queria vingança, queria que ele sentisse o que ela sentia, mas ver Tom com outra pessoa, mesmo sabendo que era um teatro, era como ter uma faca cravada no peito.

Ela correu para o Corujal, o único lugar onde poderia ficar sozinha. O vento frio da manhã batia em seu rosto, ajudando-a a recuperar a compostura.

— É um sentimento amargo, não é? — A voz de Tom veio das sombras das vigas de madeira.

Karen saltou de susto. Ele estava lá, encostado em uma pilastra, parecendo perfeitamente calmo, apesar de ter acabado de atravessar o castelo para segui-la.

— O que você quer, Tom? Vá voltar para a sua nova melhor amiga.

— Pansy é uma ferramenta, assim como Potter é para você — disse ele, aproximando-se. — Mas você não gostou da demonstração, gostou?

— Você é um monstro — sussurrou ela.

— Eu sou o que você me obriga a ser — rebateu ele, agora a poucos centímetros dela. — Você queria que eu parasse de te esconder? Você queria que eu mostrasse ao mundo quem eu sou? Pois bem. Se eu não posso ter você ao meu lado publicamente sem que seu irmão ou seus amigos interfiram, eu farei com que cada momento que você passe com o Potter seja um inferno de dúvida.

— Você não faria nada com o Harry — desafiou ela.

— Com ele? Talvez não hoje. Mas com a sua sanidade? Eu já estou fazendo.

Tom a segurou pelos ombros, sua expressão suavizando-se de repente para aquela intensidade magnética que só ele possuía.

— Pare com isso, Karen. Pare com o silêncio. Pare com o Potter. Eu não sou um homem que pede por nada, mas eu estou dizendo a você: eu não suporto a distância que você criou entre nós nas últimas quarenta e oito horas.

— Então admita — exigiu ela, as lágrimas finalmente caindo. — Admita que você me ama mais do que a sua imagem de perfeição. Admita que você tem medo de me perder.

Tom ficou em silêncio por um longo tempo. O som das corujas era a única coisa que preenchia o espaço entre eles. Ele nunca tinha dito aquelas palavras. O amor era um conceito que ele estudava como se fosse uma magia antiga e perigosa, algo que ele não tinha certeza se possuía.

— Eu não conheço o amor da forma como os poetas escrevem — disse ele, sua voz rouca e baixa. — Mas eu sei que, quando você não fala comigo, o castelo parece vazio. Eu sei que, quando vejo outro homem tocar em você, eu sinto uma vontade de reduzir este lugar a cinzas. Se isso não é o que você quer ouvir, então eu não tenho mais nada a dizer.

Karen olhou para ele, vendo a fresta na armadura. Era o máximo que ela conseguiria de Tom Riddle, e, naquele momento, era o suficiente. Ela se jogou nos braços dele, escondendo o rosto em seu pescoço.

— Nunca mais faça aquilo com a Parkinson — murmurou ela.

— E você nunca mais peça ajuda para o Potter — respondeu ele, apertando-a contra si com uma força que beirava a possessividade dolorosa. — Ele é um herói de papel, Karen. Eu sou o que resta quando as luzes se apagam.

— Eu sei — disse ela, aceitando sua escuridão. — É por isso que eu estou aqui.

Eles ficaram ali, no alto do Corujal, dois seres quebrados e ambiciosos, unidos por um sentimento que era metade paixão e metade veneno. O tratamento do silêncio havia acabado, mas a guerra de poder entre eles estava apenas começando. Porque, para Karen Black e Tom Riddle, o amor não era uma paz; era uma conquista contínua.

— Vamos descer — disse Tom, afastando-se apenas o suficiente para olhar em seus olhos. — Temos aula de Poções com o seu irmão. E eu faço questão de que ele veja você saindo comigo.

— Severo vai te matar — ela riu, limpando as lágrimas.

— Ele pode tentar — disse Tom, com aquele sorriso ladino que fazia o coração de Karen disparar. — Mas ele sabe, no fundo, que ninguém neste mundo pode tirar você de mim. Nem ele, nem Potter, nem ninguém.

E enquanto caminhavam de volta para o castelo, de mãos dadas nas sombras onde ninguém podia ver, mas com a promessa de que o jogo havia mudado, Karen soube que o ciúme era apenas o tempero daquela relação perigosa. Ela tinha o seu Rei, e ele tinha a sua Rainha. E Hogwarts, embora ainda não soubesse, estava prestes a se tornar o tabuleiro deles.