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Trisal (melhora)

Fogo e Fumaça em Small Heath

Quando cheguei a Birmingham, o ar era tão denso de fuligem e enxofre que parecia mastigável. Eu era novo na cidade, trazendo apenas uma mala gasta e a certeza inconveniente de que meu rosto e meu corpo chamavam mais atenção do que convinha a um homem trabalhador. Bastava eu andar pelas calçadas cinzentas para notar os olhares que desciam dos meus ombros largos até o contorno firme e empinado da minha bunda, bem marcada pelas calças simples de operário.

Consegui trabalho no The Garrison quase de imediato. Harry Fenton, o dono, olhou para as minhas mãos fortes, depois para o meu rosto, e soltou uma baforada pesada de ar antes de me estender um avental.

— O trabalho é duro, rapaz — avisou ele, limpando um copo manchado com um pano encardido. — Mas a gorjeta compensa se mantiver a cabeça baixa. Só tem uma regra sagrada aqui dentro: não se meta com a família Shelby. Não olhe demais, não faça perguntas e, pelo amor de Deus, nunca atravesse o caminho deles.

O conselho de Harry morreu no exato instante em que as portas do pub se abriram e os passos pesados de botas de couro ecoaram pelo assoalho.

Thomas Shelby entrou primeiro. Olhos de um azul glacial, cabelo raspado nas têmporas, a boina pontiaguda abaixada até as sobrancelhas e um cigarro queimando entre os lábios finos. Atrás dele, Arthur Shelby parecia um animal enjaulado, emanando uma força bruta, o bigode cerrado e o olhar faminto varrendo o salão.

Foi só eu levantar a cabeça e pegar duas garrafas de uísque irlandês que o mundo deles pareceu desacelerar.

Thomas parou no meio do caminho. Seu olhar não vacilou; desceu devagar, escaneando meu queixo, o peito que estufava contra a camisa branca arregaçada nos antebraços e, quando me virei para alcançar os copos na prateleira de cima, senti o peso quase físico dos olhos de ambos cravados na minha bunda.

Arthur soltou um riso baixo, rouco e gutural.

— Que merda é essa, Harry? — trovejou Arthur, aproximando-se do balcão e batendo com a palma aberta na madeira. — Desde quando você esconde pedaços de ouro atrás do balcão?

Thomas não disse nada de início. Apenas puxou um banco alto, sentou-se com aquela frieza calculada que fazia homens crescidos tremerem e tirou a boina com navalhas costuradas. O olhar azul brilhava com uma curiosidade lasciva, despindo-me sem pressa.

A partir daquele dia, o The Garrison virou o escritório particular dos dois por motivos que iam muito além das apostas e das reuniões clandestinas. Eles vinham para me ver. Arthur fazia questão de passar por trás do balcão fingindo pegar garrafas só para deixar a mão áspera e calejada roçar de propósito nas minhas costas, descendo até apertar com força descomunal a minha nádega, puxando meu ar com um estalo lascivo. Thomas era mais sutil, mas mil vezes mais perigoso: observava cada movimento meu pelo espelho, tragando o cigarro, os olhos semicerrados enquanto eu me inclinava para limpar as mesas.

A tensão explodiu na sala privada dos fundos numa noite de sexta-feira chuvosa. Começou com um beijo violento de Arthur contra a parede e terminou comigo no colo de Thomas enquanto o irmão mais velho me tomava com fúria.

Mas havia um problema: eles eram os Shelby. E os Shelby achavam que tudo tinha um preço.

Depois daquela primeira noite e das seguintes, Arthur tentou enfiar maços de notas amassadas no meu bolso, e Thomas deslizava libras esterlinas novinhas sobre a cômoda como se eu fosse um passatempo caro.

Eu joguei o dinheiro na cara de Thomas.

— Eu não sou a porra de uma das suas prostitutas de bordel — sibilei para os dois, abotoando minha camisa com as mãos trêmulas de raiva. — Se eu abro as pernas para vocês, se eu deixo vocês me foderem até eu perder a voz, é porque eu quero. Porque eu sinto tesão nessa loucura de vocês. Se tentarem me pagar de novo, eu sumo de Birmingham e vocês nunca mais encostam um dedo em mim.

Arthur piscou, atordoado, quase ofendido pelo atrevimento. Mas Thomas apenas soltou a fumaça pelo nariz, e um sorriso quase imperceptível, genuinamente fascinado, curvou seus lábios. Ninguém dizia não a Tommy Shelby. Ninguém recusava o dinheiro dele. A partir daquela recusa, a obsessão deles se tornou irrevogável.

O tempo passou e a dinâmica mudou. Eu não era um segredo; em Small Heath nada ficava oculto por muito tempo. As pessoas no bairro logo começaram a baixar a cabeça quando eu passava na rua. Homens rudes me davam espaço nas calçadas; os lojistas se recusavam a cobrar pelo meu pão ou pela minha carne. Sem que nenhum de nós tivesse sentado para discutir rótulos, a cidade inteira me considerava o namorado dos irmãos Shelby. Eu pertencia a eles, e desafiar a mim era pedir para ter a garganta cortada por uma lâmina oculta em feltro.

Mas Arthur tinha um temperamento dos infernos.

Uma discussão idiota sobre ciúmes num sábado à noite — um estivador que ousou piscar para mim no bar — fez Arthur quebrar duas garrafas e gritar comigo como se fosse meu dono absoluto. Thomas não interveio, apenas assistiu, calculando. Aquilo foi a gota d'água.

Minha resposta não foi gritar. Foi declarar greve.

Cortei todo e qualquer contato físico. Dormi no meu quarto alugado, tranquei a porta por dentro e recusei até os toques furtivos debaixo do balcão. E a família inteira pagou o preço por isso.

Sem a válvula de escape que eu proporcionava, Small Heath se transformou num barril de pólvora. Arthur andava espancando cobradores de dívidas até deixá-los em coma por qualquer palavra dita em tom errado. Thomas estava num nível de frieza tão letal que até os aliados mais próximos temiam respirar na mesma sala que ele; as ordens dele vinham secas, cruéis, impiedosas. A cidade vivia sob terror absoluto porque dois irmãos estavam sexualmente frustrados e enfurecidos.

Na tarde de terça-feira, a porta dos fundos do pub se abriu e Polly Gray entrou. Elegante, o casaco de pele impecável, os olhos escuros carregados de uma sabedoria cansada. Ela se encostou no balcão e me encarou diretamente.

— O Arthur quase matou um rapaz hoje porque o coitado tropeçou perto das apostas — disse ela, a voz baixa e afiada como navalha. — E o Thomas está prestes a declarar guerra aos italianos sem necessidade nenhuma, só porque a paciência dele virou cinza.

— Não tenho nada a ver com os negócios da família, Polly — respondi, secando um copo com indiferença fingida.

— Não seja cínico, garoto — cortou ela, dando um passo à frente. — Você sabe exatamente o que está fazendo com aqueles dois. Você tem os dois homens mais perigosos desta cidade na coleira, mas a coleira está apertando o pescoço de todo mundo ao redor. Acabe com essa porra dessa greve antes que meus sobrinhos queimem Small Heath inteira até o chão só para queimar a própria raiva.

Ela deu meia-volta e saiu sem esperar resposta.

Respirei fundo. A verdade era que meu corpo já doía de saudade. Aquele fogo primitivo não era unilateral; a falta do peso deles sobre mim, do cheiro de tabaco e colônia misturado ao suor, estava me enlouquecendo tanto quanto a eles.

Assim que meu turno terminou, subi para o pequeno quarto que ficava acima do depósito do The Garrison, onde eu costumava descansar. Não tranquei a porta. Apenas tirei o avental, soltei os primeiros botões da camisa e me sentei na beira da cama de ferro, esperando.

Não demorou nem dez minutos.

A porta foi escancarada com violência. Arthur entrou primeiro, o peito arfando como o de um touro bravo, o casaco pesado já jogado de lado no corredor. Logo atrás, com passos decididos e silenciosos, veio Thomas. Ele fechou a porta com um chute para trás, girou a chave na fechadura e a colocou no bolso do colete.

— Chega dessa merda — rosnou Arthur, vindo direto na minha direção.

Eu abri a boca para falar:

— Arthur, nós precisamos...

Não houve tempo. Ele me agarrou pela gola da camisa com tanta força que o tecido fino se rasgou pelo peito, expondo minha pele quente. A boca de Arthur colidiu contra a minha com um desespero brutal. Era um beijo violento, molhado, com gosto de uísque barato e nicotina. Ele enfiou a língua na minha boca, gemendo rouco contra os meus lábios enquanto suas mãos grandes desciam sem cerimônia para apertar minha cintura e desabotoar as minhas calças.

Antes que eu pudesse assimilar o impacto do mais velho, Thomas já estava atrás de mim. As mãos de Tommy eram mais frias, mas incrivelmente precisas. Ele segurou minha nuca com autoridade, puxando meu cabelo para trás e forçando meu pescoço a se expor. Senti os lábios de Thomas queimando na curva sensível da minha garganta, mordiscando a carne macia enquanto suas mãos desciam pelas minhas costas, enfiando-se por dentro do cós das minhas roupas, puxando minhas calças e ceroulas para baixo de uma vez só.

— Você nos puniu por tempo demais — murmurou Thomas contra o meu ouvido, a voz rouca enviando arrepios elétricos direto para a base da minha espinha. — Olhe para você... duro feito pedra só de sentir a gente.

— Porra, Tommy, olha essa bunda — arfou Arthur, puxando meu corpo e me virando de bruços sobre o colchão fino.

Fiquei de joelhos, o peito colado nos lençóis, com os quadris empinados no ar. Era exatamente a visão que os desconsertava. Thomas deu um tapa estalado e firme na minha nádega esquerda; a pele ardeu em brasa, e eu soltei um gemido alto e sôfrego, empurrando meu quadril para trás involuntariamente.

— Gosta disso, não gosta? — disse Thomas, a frieza habitual dando lugar a um desejo faminto enquanto ele tirava o cinto de couro e abaixava as calças. — Gosta de saber que você nos deixa de joelhos, mas é você quem acaba de quatro para nós.

Arthur não teve paciência para preliminares delicadas. Cuspiu farto na própria palma calejada e espalhou saliva na minha entrada já palpitante, massageando com os polegares brutos até me abrir. Eu arfei, enterrando o rosto no travesseiro, sentindo meu próprio pau pingando de tesão contra o lençol.

— Relaxa para mim, meu bem — sussurrou Arthur, subitamente carinhoso na sua agressividade costumeira, encostando a cabeça grossa do seu membro na minha carne aquecida. — Relaxa, que eu vou te preencher todinho.

Com um impulso decidido e um rosnado áspero, Arthur empurrou. Minha respiração travou num grito abafado quando ele me rasgou por dentro com seu tamanho formidável, enterrando-se até a raiz de uma só vez. A sensação de plenitude era esmagadora, quente e crua. Ele parou por um segundo, os quadris tremendo sobre os meus, apenas saboreando o aperto do meu corpo contra o dele.

— Deus do céu... — praguejou Arthur, os olhos fechados em êxtase puro. — É o paraíso... você é apertado demais, porra...

Mas eu não tive tempo de descansar. Thomas subiu na cama pela minha frente. Ele pegou meu queixo, forçando-me a levantar o tronco, e colocou seu membro rígido e pulsante diante da minha boca.

— Engula — ordenou Thomas, o olhar azul queimando fixo nos meus olhos. — Tome nós dois ao mesmo tempo.

Eu abri a boca de bom grado, envolvendo a glande de Thomas com a língua, sugando-o com avidez enquanto Arthur, atrás de mim, começava a ditar um ritmo implacável. O rangido da cama de ferro se misturou aos sons úmidos dos nossos corpos se chocando. Arthur segurava com força extrema as minhas nádegas, abrindo-as para enfiar-se cada vez mais fundo, batendo sua pélvis com força contra as minhas coxas, arrancando estalos altos que ecoavam no quarto escuro.

Na minha boca, Thomas gemia baixo, afundando os dedos nos meus cabelos e empurrando o quadril para frente, ditando um ritmo sincronizado com o do irmão. Eu estava preso entre os dois, sendo fodido com paixão e selvageria de ambos os lados, afogado em prazer puro.

O primeiro clímax veio avassalador. Meus músculos internos se contraíram com violência ao redor de Arthur, fazendo-o berrar de tesão e despejar sua semente fervente no fundo do meu canal. Ao mesmo tempo, Thomas puxou meu rosto com força, tirando o membro da minha boca apenas para gozar em jatos grossos e quentes sobre o meu peito e meu queixo, enquanto eu próprio me derramava inteiro entre nós, sem que ninguém precisasse encostar no meu pau.

E aquilo foi apenas a primeira rodada.

A greve tinha durado dias, e a fome dos dois era insaciável. Mal recuperamos o fôlego, e Thomas me virou de costas no colchão, puxando minhas pernas para o alto e apoiando-as sobre seus ombros largos.

— Agora sou eu — disse Thomas, sério, aplicando o próprio sêmen espalhado no meu abdômen para se lubrificar antes de afundar seu pau rígido dentro de mim com uma lentidão calculada que me fez arquear as costas e cravar as unhas nos ombros dele.

Thomas fodia diferente de Arthur. O ritmo de Tommy era metódico, profundo, atingindo aquele ponto interno que me fazia chorar de prazer e implorar por mais. Arthur, enquanto isso, montou no meu peito, beijando minha boca com fúria, engolindo meus gemidos enquanto masturbava meu pau já semiereto de novo.

A noite se desfez num borrão febril de suor, fumaça e volúpia.

Fizemos sexo na cama, no chão de madeira fria sobre o casaco de Thomas, e encostados na parede perto da janela embaçada. Arthur me levantava no ar, segurando-me pelas coxas com sua força estúpida enquanto me possuía por trás; Thomas me fazia cavalgar sobre ele até minhas pernas tremerem e cederem. Trocavam de lugar, revezavam quem me tomava a boca e quem me tomava o corpo. Às vezes, os dois me tocavam juntos, quatro mãos grandes e possessivas marcando minha pele com hematomas arroxeados e arranhões que provavam que eu era deles.

Quatro rodadas. Cinco. Seis.

Perdi a conta exata quando o relógio da igreja bateu quatro da manhã. Meus quadris estavam dormentes, minha garganta rouca de tanto gritar o nome de ambos, e o cheiro almiscarado e denso de sexo gay impregnava cada canto daquele pequeno quarto. Mesmo exaustos, a fúria deles parecia inesgotável. Cada vez que um de nós gozava, bastava um carinho mais bruto, uma olhada lasciva para a minha bunda avermelhada e sensível, para que um novo fogo se acendesse.

Foi somente na oitava rodada, quando os primeiros raios pálidos e cinzentos do amanhecer começaram a furar a névoa de Birmingham e desenhar sombras pela janela, que a tempestade finalmente amainou.

Eu estava jogado de lado, completamente sem forças, com a respiração fraca e o corpo dolorido na melhor das sensações. Arthur estava desabado atrás de mim, uma de suas pernas pesadas jogada sobre as minhas, um braço musculoso envolvendo minha cintura de modo protetor, com o rosto afundado na curva da minha nuca, ressonando baixo.

Thomas estava sentado na beira da cama, nu da cintura para cima, acendendo o primeiro cigarro do dia. Pela fumaça que subia lentamente, ele olhou para trás, encarando meu corpo coberto pelas marcas deles.

Ele levou a mão livre ao meu rosto, acariciando meu queixo com o polegar com uma ternura que ele jamais demonstrava diante do resto do mundo.

— Você está bem? — perguntou ele em voz baixa.

— Se eu disser que não sinto minhas pernas — murmurei, com um meio sorriso cansado —, você se importa?

Thomas soltou uma risada silenciosa e inclinou-se para beijar meus lábios com delicadeza, um beijo suave e casto que contrastava inteiramente com a devassidão das últimas horas.

— Não faça mais greves — murmurou Thomas contra a minha boca, seus olhos azuis brilhando sob a luz da aurora. — Você viu o que acontece. A cidade precisa de paz, e Arthur e eu só encontramos a nossa paz aqui dentro. Com você.

Arthur se mexeu atrás de mim, apertando ainda mais o abraço ao redor das minhas costelas e resmungando sonolento:

— Cala a boca, Tommy... deixa ele dormir. Ele é nosso.

Eu fechei os olhos, sentindo o calor esmagador dos dois homens ao meu redor. Fora daquele quarto, Small Heath acordava para mais um dia de fuligem, violência e sangue sob o comando dos Peaky Blinders. Mas ali dentro, no meio do suor e dos lençóis manchados, eu sabia que os dois reis daquela cidade pertenciam, de corpo e alma, a mim.

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