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Trisal (melhoria)

Território Marcado

Se alguém em Small Heath acreditava que aquela noite interminável nos fundos do The Garrison saciaria a fome de Arthur e Thomas, estava redondamente enganado. Aquela madrugada febril, em que rompemos qualquer barreira de pudor entre os lençóis empoeirados, não serviu para apagar o fogo. Serviu apenas para jogar querosene puro em uma fornalha que já ardia descontrolada.

Nos dias que se seguiram, os dois irmãos Shelby pareciam verdadeiros animais no cio. Não havia outra palavra para descrever o estado em que se encontravam. Era uma urgência quase selvagem, um vício bruto que se apossara de ambos de tal maneira que a cama macia e os quartos fechados deixaram de ser suficientes. Eles não queriam apenas me ter; queriam me ter a qualquer hora, em qualquer canto escuro, em qualquer intervalo entre uma aposta clandestina e um carregamento de contrabando.

O sexo se tornou frequente, rápido e carregado de perigo. O risco de sermos flagrados parecia excitar Thomas tanto quanto a sua fria ambição por poder, enquanto Arthur simplesmente não se importava se o mundo estivesse olhando ou não.

Minha rotina virou um misto de vertigem e dor prazerosa. Eu acordava todas as manhãs sentindo o peso das investidas deles em cada junta do meu corpo. Meus quadris doíam, a parte interna das minhas coxas estava constantemente marcada por hematomas arroxeadas causadas pelos dedos de ferro de Arthur, e minhas costas ardiam com as unhadas e os arranhões trocados no calor do momento. Minha bunda parecia latejar de forma constante, um lembrete físico e implacável de que eu pertencia a dois homens insaciáveis.

No começo daquela semana, a urgência de Thomas se manifestou no próprio coração dos negócios da família: o escritório da Shelby Company Limited, em Watery Lane.

Eu tinha ido até lá para levar uma pasta com os recibos do Garrison que Harry me pedira para entregar em mãos. As secretárias e os homens de guarda me deixaram passar sem sequer pedir autorização; ninguém mais ousava me barrar naquelas portas. Quando entrei na sala de reuniões, Thomas estava sozinho, em pé diante da imensa mesa de carvalho escuro, analisando mapas e livros-caixa sob a luz cinzenta que entrava pela janela alta.

Assim que a porta se fechou e o trinco soou, Tommy ergueu os olhos azuis. Ele não disse uma palavra. Apenas soltou o ar devagar, deixou a caneta tinteiro tombar sobre os papéis e caminhou na minha direção com passos firmes e calculistas.

— Os recibos do Harry... — comecei a dizer, estendendo a pasta de couro.

Thomas ignorou o documento por completo. Ele bateu as duas mãos com força na mesa ao meu lado, encurralando-me contra a madeira maciça. O cheiro de tabaco caro, loção de barbear e perigo me envolveu instantaneamente.

— Esqueça o Harry — murmurou Tommy, a voz rouca e baixa vibrando rente à minha orelha. — Passei a manhã inteira nesta sala ouvindo idiotas falarem sobre rotas marítimas, enquanto a única coisa que passava pela minha cabeça era a forma como você gemeu para mim ontem à noite.

Antes que eu pudesse responder, Thomas me virou de costas com um movimento ágil e me prensou de bruços contra a mesa. Papéis voaram para o chão, tinteiros balançaram e a pasta de recibos foi esquecida sob o meu peito. Senti a frieza do carvalho contrastar violentamente com o calor das mãos de Thomas, que já subiam pelas minhas coxas, erguendo o tecido das minhas calças e puxando meus suspensórios para baixo com pressa metódica.

— Tommy, a porta não está trancada... — avisei, a respiração falhando quando os dedos longos e ágeis dele desabotoaram minha braguilha e puxaram minhas roupas para baixo, expondo minha pele quente ao ar frio da sala.

— Deixe que entrem — respondeu ele, cuspindo na palma da mão para me preparar sem delongas, enquanto a outra mão puxava meu cabelo para trás, forçando meu pescoço a arquear. — Nenhum homem vivo nesta cidade tem coragem de olhar para o que é meu.

Ele não esperou. Thomas abriu espaço com os dedos rapidamente e empurrou seu quadril para a frente, enterrando-se fundo em mim de uma só vez. O impacto arrancou um gemido alto da minha garganta que ecoou pelas paredes altas da sala de reuniões. Thomas cravou os dentes na curvatura do meu ombro para abafar seus próprios grunhidos enquanto começava a estocar com uma cadência implacável, rápida e ritmada.

A mesa rangeu sob o nosso peso. A cada investida dura de Tommy, meu corpo deslizava sobre os relatórios de negócios, amassando mapas e contratos que valiam milhares de libras. Eu apertava a borda de madeira com os dedos até os nós ficarem brancos, recebendo a força daquele homem calculista que, naquele momento, era apenas puro impulso carnal. Thomas gemia baixo, seu peito colado nas minhas costas suadas, acelerando o ritmo até atingir seu ápice com um puxão firme nos meus quadris, derramando-se dentro de mim enquanto eu me desfazia completamente sobre a mesa, manchando o mogno com o meu próprio gozo.

Ele mal esperou recuperar o fôlego. Ajustou as roupas com a calma de sempre, deu um beijo possessivo na minha têmpora e voltou a pegar a caneta, enquanto eu me recompunha como podia, sentindo o líquido quente escorrer pelas minhas pernas trêmulas.

Contudo, se Thomas era calculista em suas investidas repentinas, Arthur era puro caos.

Dois dias depois, no The Garrison, o pub estava fervendo de homens após o turno das fundições. O ar estava pesado com o cheiro de cerveja azeda e tabaco barato. Eu estava recolhendo canecas vazias perto do corredor estreito que levava aos fundos, onde ficavam os banheiros masculinos e o depósito de carvão.

Arthur apareceu do nada, saindo da penumbra do corredor. Ele parecia ter bebido metade de uma garrafa de uísque irlandês; os olhos estavam acesos, a gravata torta e os cabelos desgrenhados caindo sobre a testa suada. Ele agarrou meu pulso com uma força desmedida e me puxou para dentro do banheiro privativo dos fundos, batendo a porta de madeira atrás de si.

— Arthur, agora não! O pub está lotado! — sussurrei com urgência, tentando empurrar o peito largo dele.

— Foda-se o pub — rosnou Arthur, a voz rouca vibrando com uma agressividade que me fez tremer por inteiro. — Faz três horas que estou sentado naquele balcão vendo você andar de um lado para o outro com essa calça justa, rebolando essa bunda para esses operários miseráveis. Eu não aguento mais esperar.

Ele me prensou de frente contra a parede úmida e fria de azulejos encardidos. As mãos calejadas de Arthur desceram direto para a minha bunda, apertando a carne com tanta força que deixaria marcas por dias. Ele levantou uma das minhas pernas, enganchando meu joelho em seu quadril musculoso.

— Você gosta disso, não gosta? — Arthur sussurrou contra meus lábios, mordendo meu lábio inferior antes de descer a boca para o meu pescoço, sugando minha pele com voracidade. — Gosta de saber que eu e o Tommy estamos enlouquecendo por sua causa?

— Gosto... seu desgraçado... — murmurei de volta, rendendo-me instantaneamente ao calor brutal que emanava dele. Minha ereção pulsava dolorosamente contra o tecido das calças.

Arthur não perdeu tempo. Com um puxão brusco, abriu minha calça e a dele. Ele usou a saliva com pressa e empurrou seu membro grosso para dentro de mim de forma crua, sem qualquer cerimônia. Soltei um grito abafado contra o ombro do terno dele; a dor inicial da penetração rápida logo se transformou em uma onda avassaladora de prazer ardente.

Arthur começou a me foder com uma violência desesperada, estocando fundo e com força, fazendo minhas costas baterem contra a parede a cada impulso. O som molhado e ritmado dos nossos corpos colidindo ecoava pelo espaço minúsculo.

Foi exatamente nesse instante que a maçaneta girou. A trinca de ferro estava frouxa e a porta se abriu com um estrondo leve.

Um rapaz jovem, claramente um novo carregador de carvão que não conhecia os costumes do lugar, tropeçou para dentro com a intenção de usar o mictório. Ele parou no meio do passo, arregalando os olhos em choque absoluto ao dar de cara com a cena: eu prensado contra os azulejos, com a perna levantada e a cabeça jogada para trás, e Arthur Shelby me segurando pelos quadris, enterrado até o talo dentro de mim.

Arthur nem sequer parou os movimentos. Ele continuou desferindo estocadas pesadas dentro do meu corpo, virando apenas o rosto de lado para encarar o intruso. Os olhos de Arthur faiscaram com uma fúria tão homicida, tão assustadoramente assassina, que a temperatura do ar pareceu despencar.

— Se você não fechar essa porra dessa porta em um segundo — rosnou Arthur, com a voz carregada de uma promessa de morte imediata —, eu vou arrancar seus olhos com uma faca cega e fazer você engolir.

O rapaz empalideceu, o queixo tremendo de pavor. Ele deu um grito mudo, tropeçou nos próprios sapatos e saiu correndo como se o próprio diabo estivesse em seu encalço, batendo a porta atrás de si com um estrondo desesperado.

Eu comecei a rir entre os gemidos ofegantes, mas Arthur não achou graça. A interrupção apenas atiçou ainda mais sua ferocidade. Ele agarrou meus quadris com mais força, batendo contra mim em um ritmo alucinante até descarregar tudo o que tinha, rugindo contra o meu peito antes de desabar sobre mim, respirando como um touro exausto.

Mais tarde, quando o expediente finalmente terminou e Harry trancou as portas da frente do The Garrison, eu achava que finalmente teria um descanso. Estava enganado.

Thomas apareceu pela porta dos fundos, tirando o casaco e a boina com a lâmina costurada. Arthur estava sentado em uma das mesas centrais do pub, terminando um copo de uísque. Quando passei por eles carregando uma bacia de água suja, mancando discretamente pelo cansaço acumulado nas pernas e na lombar, Thomas segurou meu braço.

— Onde você pensa que vai? — perguntou Thomas, examinando as marcas visíveis no meu pescoço deixadas por Arthur mais cedo.

— Para a minha cama — respondi, soltando uma risada fraca e cansada. — Vocês dois estão me desmontando. Quase não consigo andar direito hoje.

Arthur levantou-se da mesa com um sorriso enviesado, aproximando-se por trás e envolvendo seus braços em volta da minha cintura, colando seu corpo ao meu.

— Você aguenta, rapaz — disse Arthur em tom brincalhão, beijando o topo da minha orelha. — Um homem como você foi feito para aguentar muito mais.

— O dia ainda não acabou — completou Thomas, puxando-me suavemente para o centro do salão vazio. Ele me ergueu e me sentou sobre uma das mesas de carvalho onde os clientes costumavam beber cerveja durante a tarde.

— Aqui? No meio do salão? — perguntei, sentindo meu estômago dar um nó delicioso de expectativa, mesmo que meus músculos estivessem gritando por alívio.

— As portas estão trancadas — disse Tommy, abrindo os botões da minha camisa devagar, expondo meu peito aos olhos famintos de ambos. — E mesmo se não estivessem... todos nesta cidade sabem muito bem o que acontece com quem se mete nos assuntos dos Shelby.

Não havia como resistir. Aquele controle que Thomas exercia, misturado à devoção bruta e leal de Arthur, me desarmava por completo. Ali, sobre as tábuas de madeira do bar onde eu costumava apenas servir bebidas, nós nos perdemos novamente. Arthur ajoelhou-se entre minhas pernas para me tomar pela boca com fervor, enquanto Thomas subiu na mesa atrás de mim, segurando meus braços e me possuindo com uma calma profunda e devastadora, fazendo a madeira ranger sob a cadência do nosso ritmo compartilhado.

Na manhã seguinte, caminhei pelas ruas de terra batida de Small Heath para comprar pão fresco e tabaco. O frio cortante de Birmingham batia no meu rosto, mas o calor por baixo das minhas roupas era inegável. Cada passo que eu dava trazia uma pontada gostosa nos quadris e na bunda, lembrando-me detalhadamente de cada lugar onde havíamos nos entregado naqueles últimos dias.

Mas o que mais me chamava a atenção era o silêncio que se formava ao meu redor.

Antigamente, homens zombavam dos recém-chegados, empurravam operários para a lama ou faziam comentários vulgares nos becos. Hoje, quando atravessei a esquina da Garrison Lane, um grupo de apostadores e bandidos locais calou-se instantaneamente. Um deles, que antes costumava me olhar de cima a baixo com segundas intenções, rapidamente tirou a boina da cabeça e me deu passagem na calçada estreita.

— Bom dia, senhor — disse ele, com um tom de voz onde o medo e o respeito se misturavam de forma indisfarçável.

Apenas assenti com a cabeça e continuei andando.

O recado de Polly, a fúria que quase destruíra a cidade e a presença constante de Thomas e Arthur ao meu redor haviam selado o meu destino perante aquela gente. Eu não era apenas um rapaz bonito trabalhando atrás de um balcão empoeirado; eu não era um brinquedo passageiro ou um segredo vergonhoso mantido no escuro.

Eu pertencia aos líderes dos Peaky Blinders, e eles pertenciam a mim. Em uma terra construída sobre violência, cinzas e sangue, eu havia conquistado os dois homens mais temidos da Inglaterra — e ninguém em Small Heath seria insano o bastante para desafiar essa verdade.

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