Um novo amor chegando
A Chegada dos Gêmeos Tokito: O Caos e o Amor
Nove meses. Nove meses de antecipação, de mudanças, de um amor que crescia a cada dia. Harumi estava agora no nono mês de gravidez, e sua barriga, antes apenas uma leve protuberância, havia se transformado em uma esfera imponente, um testamento visível dos dois pequenos seres que se preparavam para vir ao mundo. A data do parto se aproximava rapidamente, e a mansão dos Tokito, geralmente um refúgio de calma e silêncio, estava impregnada de uma excitação nervosa.
Shinobu Kocho, a Hashira do Inseto e a mais competente médica entre os pilares, havia se tornado uma presença constante na vida de Harumi. Seus avisos eram claros e concisos.
– Harumi-san, Muichiro-kun, precisamos ser ainda mais cuidadosos agora. O parto pode acontecer a qualquer momento – disse Shinobu, seus olhos roxos fixos em ambos durante uma de suas visitas matinais. – Evitem esforços desnecessários. Harumi-san, por favor, sem levantar pesos ou fazer movimentos bruscos.
Muichiro, que havia assumido o papel de guardião zeloso, assentiu com seriedade, seus olhos verde-água jamais se afastando da esposa. Ele a seguia como uma sombra, pronto para intervir ao menor sinal de desconforto.
O Mestre Ubuyashiki, ciente da importância dos futuros herdeiros da família Tokito e da recente vitória de Harumi contra a Lua Superior Um, havia suspendido todas as missões para ela. Harumi estava oficialmente em licença-maternidade, para grande alívio de Muichiro e para a frustração de alguns Hashiras que ainda esperavam por uma oportunidade de lutar ao lado dela.
Uma semana antes da data prevista para o parto, uma reunião extraordinária dos Hashiras foi convocada. Harumi, apesar da barriga enorme, insistiu em comparecer, apoiada por Muichiro. Ao entrarem na sala de reunião, um murmúrio de espanto percorreu o ambiente. A barriga de Harumi era realmente impressionante.
– Céus, Harumi-san! Essa barriga está enorme! – exclamou Mitsuri Kanroji, os olhos arregalados de admiração e um pouco de choque.
Sanemi Shinazugawa, sempre rude, mas agora com um brilho de preocupação nos olhos, apenas grunhiu.
– Parece que ela engoliu uma melancia.
Giyu Tomioka, em seu silêncio habitual, lançou um olhar para a barriga de Harumi, e até mesmo um leve aceno de cabeça foi percebido.
Harumi, sentindo-se um pouco constrangida com a atenção, mas também divertida, escondeu-se um pouco atrás de Muichiro, seus dedos se entrelaçando nos dele. Era um gesto tão fofo e inocente que derreteu o coração de todos ali, até mesmo o do Mestre Ubuyashiki e da Senhora Amane, que observavam a cena com carinho.
– Ela é um pouco tímida com toda essa atenção – Muichiro disse, sua voz um sussurro possessivo, apertando a mão dela em resposta.
A reunião transcorreu com as discussões habituais, mas a presença de Harumi e sua barriga gigante pairava sobre todos. Após a reunião, os Hashiras se reuniram no pátio, desfrutando do sol suave da tarde. Harumi estava sentada em um banco de pedra, conversando animadamente com Mitsuri e Shinobu, enquanto Muichiro permanecia perto, seus olhos varrendo o ambiente como um falcão.
– E então, Harumi-san, já decidiram os nomes? – perguntou Mitsuri, os olhos brilhando.
– Ainda não temos certeza – respondeu Harumi, um sorriso doce em seus lábios. – Há tantas opções.
De repente, uma pontada aguda percorreu o ventre de Harumi. Ela parou de falar, sua mão instintivamente indo para a barriga.
– Oh… – ela murmurou, a voz um pouco tensa.
Shinobu, com sua perspicácia médica, notou a mudança na expressão de Harumi.
– Está tudo bem, Harumi-san?
Antes que Harumi pudesse responder, outra contração, muito mais forte, a atingiu. Seus olhos se arregalaram, e ela soltou um gemido abafado.
– Ai! – ela exclamou, apertando a mão de Muichiro com força.
O pátio, antes preenchido com conversas amenas, mergulhou em um silêncio tenso. Todos os Hashiras se viraram para Harumi, suas expressões variando de preocupação a pânico.
Muichiro, sentindo a força em sua mão, imediatamente se ajoelhou ao lado dela.
– Harumi! O que está acontecendo? – perguntou ele, o pânico começando a se instalar em sua voz.
Uma terceira contração atingiu Harumi, e desta vez, ela não conseguiu conter um grito de dor.
– Aaaah! – O som do seu grito ecoou pelo pátio, quebrando o coração de muitos ali, especialmente o de Muichiro, que sentia a dor dela como se fosse sua.
Os Hashiras, acostumados a enfrentar demônios e situações de vida ou morte, agora se viam diante de algo que os deixava completamente desorientados. Sanemi estava pálido, Giyu parecia mais inexpressivo do que nunca, mas seus olhos mostravam uma preocupação genuína. Obanai, com Kaburamaru enrolado em seu pescoço, estava rígido.
Muichiro, vendo Harumi se contorcer de dor, sentiu uma fúria crescente. Ele não sabia o que fazer, não podia lutar contra aquilo. Ele estava perdendo o controle, a aura negra começando a emanar dele novamente.
Nesse momento, Shinobu, que havia corrido para perto de Harumi, examinou-a rapidamente. Seus olhos roxos, geralmente calmos, revelaram uma urgência.
– Harumi-san! Você está em trabalho de parto! – ela exclamou, sua voz alta e clara, cortando o pânico que se instalava. – Precisamos levá-la para a Mansão Borboleta. É uma emergência!
A declaração de Shinobu agiu como um catalisador. O pânico de Muichiro se transformou em ação. Ele rapidamente pegou Harumi em seus braços, ignorando o peso e as dores dela.
– Vamos! – ele rosnou, correndo em direção à Mansão Borboleta, com Shinobu e os outros Hashiras logo atrás.
A corrida para a Mansão Borboleta foi um borrão de velocidade e desespero. Harumi gemia e gritava em seus braços, cada contração mais forte que a anterior. Muichiro sentia cada tremor dela, cada grito, como uma facada em seu próprio coração. Ele nunca se sentiu tão impotente.
Ao chegarem à Mansão Borboleta, as garotas da propriedade, Aoi e as três pequenas enfermeiras, já estavam preparadas, tendo sido alertadas por Shinobu. Harumi foi levada para uma sala de parto improvisada, e Muichiro foi forçado a esperar do lado de fora, a agonia de não poder estar com ela consumindo-o.
Os minutos se arrastaram como horas. Os gritos de Harumi ecoavam pelos corredores, misturados com as instruções calmas de Shinobu. Os Hashiras, o Mestre Ubuyashiki e a Senhora Amane esperavam, tensos, no corredor. Muichiro andava de um lado para o outro, como um animal enjaulado, cada grito de Harumi o torturando.
De repente, os gritos de Harumi cessaram. Um silêncio assustador se instalou, e todos prenderam a respiração. Muichiro sentiu seu coração parar.
Então, um som. Um choro. Um choro de bebê. E logo depois, outro. Dois choros de bebê, pequenos e delicados, mas cheios de vida, espalharam-se pelo ambiente da Mansão Borboleta.
Um suspiro de alívio coletivo escapou dos Hashiras. O Mestre Ubuyashiki e a Senhora Amane trocaram olhares de ternura e gratidão. Muichiro, no entanto, não esperou. Ele voou em direção à porta do quarto, a preocupação e o desejo de ver sua esposa e filhos superando qualquer protocolo.
Ele abriu a porta e entrou. Lá dentro, Harumi estava deitada na cama, exausta, mas com um sorriso radiante no rosto. Shinobu estava segurando dois pequenos pacotes embrulhados, e seus olhos estavam cheios de lágrimas.
– Muichiro… – Harumi sussurrou, estendendo a mão para ele.
Ele correu para o lado da cama, pegando a mão dela e beijando-a.
– Harumi, você está bem? Nossos filhos?
Shinobu sorriu, os olhos marejados.
– Parabéns, Harumi-san, Muichiro-kun. São dois meninos lindos. Gêmeos idênticos.
Ela entregou um dos bebês a Muichiro. Ele olhou para o pequeno ser em seus braços, uma miniatura dele mesmo. Cabelos pretos espetados, olhos verde-água, uma cópia exata. O outro bebê, que Shinobu entregou a Harumi, era igualmente idêntico.
Harumi, emocionada, olhou para os filhos.
– Eles são… eles são perfeitos – ela disse, as lágrimas escorrendo por seu rosto.
Muichiro, com os olhos fixos em seu filho, sentiu uma onda de amor que o sobrecarregou. Ele nunca pensou que poderia amar algo tanto.
Os outros Hashiras, o Mestre Ubuyashiki e a Senhora Amane entraram no quarto, seus rostos cheios de admiração.
– Deixe-me ver, Muichiro-kun – disse o Mestre Ubuyashiki, com um sorriso gentil.
Muichiro levou os gêmeos para os outros conhecerem. O Mestre Ubuyashiki e a Senhora Amane foram os primeiros a segurar os bebês, seus rostos iluminados pela alegria.
– Que bênção – disse Amane, acariciando suavemente a cabeça de um dos bebês.
– Eles são a esperança para o futuro – acrescentou o Mestre Ubuyashiki.
Mitsuri e Obanai foram os próximos a segurar os pequenos, seus olhos brilhando com carinho. Até mesmo Sanemi e Giyu se aproximaram, lançando olhares curiosos para os recém-nascidos.
– Então, Harumi-san, já decidiram os nomes agora? – perguntou Mitsuri.
Harumi olhou para Muichiro, um sorriso nos lábios.
– Sim. Este é Yuki Tokito – ela disse, apontando para o bebê que Muichiro segurava. – E este é Yuichiro Tokito.
Muichiro sorriu, o nome "Yuichiro" trazendo uma pontada de nostalgia e carinho. Seu irmão estaria orgulhoso.
Enquanto os Hashiras se revezavam para admirar os bebês, Shinobu se aproximou.
– Com licença, pessoal. Sei que eles são adoráveis, mas a mamãe precisa amamentar. Os coitadinhos parecem estar morrendo de fome.
Mitsuri e Obanai, que estavam segurando os gêmeos, os entregaram relutantemente a Shinobu, que os levou de volta para Harumi. Os Hashiras se retiraram, deixando a nova família ter um momento de intimidade.
Muichiro se sentou na beirada da cama, observando Harumi amamentar os gêmeos, um em cada seio. Era uma cena de pura beleza e ternura. Ele sentiu seu coração transbordar.
Quando os bebês terminaram de mamar e adormeceram tranquilamente em seus berços improvisados, Muichiro se inclinou e beijou Harumi, um beijo suave e cheio de gratidão.
– Harumi – ele sussurrou, seus olhos fixos nos dela. – Você me deu as coisas mais lindas do mundo. Obrigado.
As lágrimas escorreram novamente pelo rosto de Harumi.
– Eu te amo, Muichiro.
Ele a beijou novamente, com mais paixão desta vez.
– Eu também te amo, Harumi. E… – ele sorriu maliciosamente, seus olhos brilhando. – Eu quero mais filhos com você. Nem que seja só mais um.
Harumi riu, corando.
– Muichiro! Recém-nascidos!
– Eu sei, eu sei – ele disse, beijando o pescoço dela. – Mas quando chegarmos em casa, você não vai escapar de mim. Hoje à noite, eu vou te botar gostosinho, minha Hashira da Névoa.
Harumi riu novamente, o coração cheio de alegria. Ela sabia que, com Muichiro e seus dois pequenos milagres, sua vida estava completa. A vitória contra os demônios era importante, mas a vitória do amor e da família era a mais doce de todas. E ela mal podia esperar para ver o futuro que os aguardava.