Uma ficada
Capítulo 1 — O Retorno e o Novo Começo Point off view Maya Manoela Garcia O ar do Rio bateu no rosto assim que saí do avião: quente, úmido, cheio de vida — e infinitamente mais meu do que o frio silencioso da Suécia que deixei para trás. Dois meses de férias, caminhando por florestas cobertas de neve e vivendo no ritmo do sol que se punha cedo, foram o suficiente para descansar o corpo. Mas a mente? Ela nunca desligou. Segurei mais firme a alça da mala de mão, onde guardo os projetos rabiscados em cadernos e as anotações que não saem da minha cabeça. Manoela Garcia não sabe ficar parada por muito tempo. E agora, o que vem pela frente é maior do que tudo o que já fiz: a Garcia Intimates, minha nova marca, nascida aqui, na cidade que me viu crescer. Ao atravessar a porta de desembarque, a vi. Ana Clara me esperava encostada numa coluna, com aquele ar de quem já sabe tudo o que vai acontecer antes mesmo de eu abrir a boca. Sorri, e ela veio ao meu encontro, me abraçando forte. — Que saudade, sua louca — disse ela, apertando meu braço depois do abraço, olhando para mim como se já lesse meus pensamentos. — Mas eu te conheço bem demais para não perceber esse brilho nos olhos. Você veio para trabalhar, Manoela? Acabou de chegar e já veio? Ri, passando a mão nos fios do cabelo que o vento bagunçou. — Claro que vim para trabalhar, Ana. A Suécia foi ótima, mas não existe lugar melhor para construir algo novo do que o Rio. E a Garcia Intimates não vai esperar eu me acomodar de novo. Ela balançou a cabeça, mas sorriu, sabendo que não ia me convencer do contrário. — Eu já tinha certeza. O escritório está todo pronto, os projetos aprovados… só falta você assumir o comando como sempre faz. Saímos em direção ao carro, e enquanto as luzes da cidade iam passando pelas janelas, senti aquele fogo que me move acender de novo. Voltei para casa, sim. Mas voltei para fazer história. E dessa vez, ninguém vai me parar. (....) Assim que os portões automáticos se abriram, parei por um instante só para admirar. Tudo estava exatamente como eu tinha imaginado — e até melhor. Paredes claras, luz natural que invadia cada canto, móveis de linhas retas e elegantes. Nenhuma poeira, nenhum detalhe fora do lugar. Estava impecável. Percorri cada sala devagar, passando os olhos pelos escritórios dos colaboradores, a sala de reuniões com a grande mesa de vidro, o espaço reservado para os protótipos e o ateliê de costura. Cada canto da Garcia Intimates respirava o propósito que eu carregava comigo há anos. Era mais do que uma empresa: era a minha cara, o meu esforço, o meu nome gravado em cada detalhe. E por fim, cheguei à minha sala. Abri a porta devagar e respirei fundo. As grandes janelas abriam vista para o mar, o sol entrava e brilhava sobre a escrivaninha de madeira escura, e a estante vazia já esperava pelos meus livros e projetos. O ar ali parecia mais leve, mais forte, mais meu.  — Está maravilhosa — sussurrei, sem conseguir esconder o orgulho na voz. Virei para Ana Clara, que sorriu ao me ver assim. — Perfeita. Abri uma garrafa de vinho branco chileno, sentindo o aroma fresco invadir o ar da sala, e servi duas taças. Estendi uma para Ana Clara, apoiando a outra mão na borda da escrivaninha, com aquele sorriso de quem já está pronta para o trabalho. — Então, tá começando o que você tem aí para mim? — perguntei, levei a taça aos lábios e provando o vinho. Ana Clara sorriu, revirando os olhos e pegou a taça que eu ofereci e pegou uma pasta grossa que estava sobre a mesa. — Tenho aqui algumas modelos selecionadas especialmente para a cara da nossa marca — começou, folheando as primeiras páginas — e também uma lista com as melhores fotógrafos do mercado para empresas e para as nossas campanhas também. Acenei com a cabeça, apontando com o dedo para as fotos na parte de cima da pasta. — Ótimo. Deixa eu ver as modelos primeiro, por favor. Depois eu analiso os fotógrafos com calma. Passei os olhos por cada perfil, uma por uma. Tinham exatamente o perfil que eu buscava: beleza diversa, presença forte, personalidade que combinava com a essência da Garcia Intimates. — Elas são perfeitas — confirmei, fechando a parte das modelos por um instante e levando a taça de vinho aos lábios. — Você acertou em cheio, Ana. Então virei as folhas, chegando à lista que ela tinha preparado com os profissionais de imagem. Li alguns nomes conhecidos, outros novos, e lembrei do que ela tinha dito antes. — Agora vejo que escolheu bem também esses fotógrafos — falei, olhando para ela. — Você mesma selecionou todos esses, não é? E disse que eram os melhores do mercado. Ela concordou com a cabeça, apoiando-se na mesa. — Selecionei um por um, sim. Só coloquei aqui quem realmente entrega qualidade e entende o que é uma marca de peso. Continuei folhando, até parar em um nome que me chamou a atenção de primeira: Giovanna Torres. Franzi a testa, revirando a página de um lado e de outro. — Gostei dessa aqui. Giovanna Torres... ué, cadê a foto dela? Não tem nenhuma? — perguntei, olhando para Ana Clara. Ela bateu a palma da mão levemente na testa, meio sem graça. — Droga, eu esqueci de pedir! Mas posso solicitar o portfólio completo e as fotos dela depois, sem problema. Balancei a cabeça, já marcando o nome com um traço forte de caneta. — Hum, ok. Então já seleciona ela. Deve ser muito boa para estar na sua lista. E esse nome... tem personalidade, é forte. Combina com a gente. Ana sorriu, guardando a pasta e anotando o nome em seu celular. — Marcado então. Vou entrar em contato com a Giovanna Torres ainda hoje e agendamos uma conversa. — Ela deu uma olhada no relógio e virou para mim com um brilho nos olhos. — Aliás, já que você voltou e está tudo organizado... vamos? Tem uma festa de lançamento de uma revista hoje à noite, cheia de gente do ramo. É a oportunidade perfeita para apresentar a Garcia Intimates. Terminei o vinho, pensando por um segundo e sorri de volta. — Por que não? Vamos lá mostrar com quem estamos lidando. Point off view Giovana torres Ajustei o foco da câmera mais uma vez, respirando fundo. O estúdio estava em silêncio, só o som do obturador ecoando pelas paredes. Para mim, cada clique tinha que ser perfeito — sem pressa, sem pressão, sem plateia. Era assim que eu trabalhava. Guardei o equipamento devagar, sentindo o cansaço bom no corpo depois de um dia inteiro de ensaio. Peguei o celular e vi uma notificação nova: uma solicitação de proposta para a campanha de estreia de uma marca nova, a Garcia Intimates. Achei o nome familiar, mas não dei muita bola. Sempre apareciam propostas de grandes marcas, mas raramente elas entendiam que eu não trabalhava sob ordens — eu trabalhava com visão. Levantei o olhar do celular, vendo minha mãe parada na porta do estúdio, com aquele olhar insistente de quem não vai desistir tão cedo. — Você devia aceitar, é uma empresa boa, Giovanna — disse ela, cruzando os braços. — Mãe, eu já disse: eu não trabalho sob ninguém mandando em mim — respondi, passando a mão pelos cabelos loiros, impaciente. — Se eles querem impor cada detalhe, não vai dar certo. — Filha, você é uma fotógrafa excelente. Essa oportunidade pode ser muito boa para a sua carreira… — Com licença, desculpa interromper a conversa de vocês — a voz cortou de repente, suave mas cheia de veneno. — Mas se a minha querida namorada não quer, ela não precisa ir. Desculpa discordar da senhora, minha querida sogrinha. Fechei os olhos por um segundo. Vitória. Eu conheci ela há uns três anos, quando ela ainda era modelo — fez alguns ensaios comigo, até que parou de desfilar e sumiu um tempo. A verdade é que minha mãe nunca gostou muito dela, nunca teve muita simpatia por essa mulher, mas nunca dizia nada para não me chatear. E eu? Eu sabia muito bem que Vitória não era minha namorada. Era só uma ficante que insistia em fazer cena e se passar por compromisso sério para todo mundo. — Mãe, deixa disso — falei baixo, sem energia para brigar na hora. — Se for para eu ir, vou pensar. — Que bom, que a minha filha pelo menos vá — suspirou minha mãe, aliviada. E então senti o toque leve de Vitória no meu braço, se aproximando — Amor, vim te chamar para irmos em um evento hoje — disse ela, sorrindo para mim. — Um amigo meu conseguiu uns ingressos ótimos. Vamos? Depois ainda vai ter uma baladinha bem legal. Afastei o braço devagar do toque dela. — Não vou — respondi seca, sem olhar diretamente para ela. — Estou cansada, quero descansar. — Ah, amor, não faz isso… — insistiu Vitória, baixando a voz para soar mais doce, mas sem esconder a impaciência. — É um evento importante, gente do meio todo vai estar lá. Seria ótimo para você aparecer também. Soltei um riso curto, sem humor, e finalmente a encarei. — Eu apareço onde e quando quiser. E hoje eu quero é ficar em casa. Além disso, já te disse mil vezes: não me chame de amor, não somos nada disso. Você é livre para ir se quiser, eu não vou. Vi o sorriso dela morrer no rosto, os olhos brilharem de raiva por um instante antes de se disfarçar de novo. Minha mãe só observava tudo em silêncio, mexendo nos dedos — eu sabia que ela queria falar mil coisas, mas segurava a língua como sempre fazia. — Tudo bem então — disse Vitória, encolhendo os ombros com falsa indiferença. — Fica aí com o seu trabalho, que é o que você mais ama mesmo. — Bom, já que é do ramo de fotos… acho que seria legal você ir. Vá sozinha, filha — insistiu ela, suavemente. — Mãeee — resmunguei, já sentindo que não ia escapar. — É só uma ideia, achei que valia a pena — deu de ombros, sorrindo da minha cara de impaciência. — Tá, tá bom! Vou pensar... ... Point off view Maya Manoela Garcia A noite chegou rápido, e quando cheguei ao local do evento, já vi que estava absolutamente lotado. Luzes coloridas cortavam o ar, vozes se misturavam por todo lado e o brilho do mundo da moda estava ali, em cada rosto que eu conhecia e em cada câmera que apontava para a entrada. Mal tinha dado alguns passos e Ana Clara veio ao meu encontro, parou na minha frente e me olhou de cima a baixo, com os olhos arregalados e um sorriso enorme. — Claro… uau — ela balançou a cabeça, admirada. — Você está deslumbrante, Manoela. Ninguém passa por você sem parar para olhar. Sorri, ajeitando levemente o tecido do vestido e sentindo aquela confiança familiar tomar conta de mim. — Espero que estejam olhando também para a marca que vou representar — brinquei, mas com firmeza na voz. — Vamos? Chegou a hora de aparecer. .... Depois de um tempo, terminei minha apresentação: falei da Garcia Intimates, mostrei a essência do que queria construir e vi os olhares atentos e interessados de todos ali. Mas mal respirei e Ana Clara já me puxou pelo braço, me arrastando para outra parte do local — onde a música batia mais forte, as luzes piscavam e já era pura balada. Eu queria mesmo era ir para casa, descansar. Cheguei bem perto do ouvido dela, falando alto para superar o barulho: — Ana, eu pretendo ir embora, sabia? Ela virou para mim, fazendo uma cara de desespero fingido, e apertou meu braço de leve: — Ai pelo amor de Deus, né Maya! Você chegou hoje de viagem e já vai ir embora sem curtir nada? Vamos aproveitar um pouco, vai! fomos para pista Elas dança Maya vai pegar uma bebida aí ver Giovanna sentada bem no balcão Chat quero uma conversa um flerte Maya se apresenta como Manoela Giovanna como torres Elas n sabe quem e quem NN viu chat Iai Maya vai ficar super interessado na loira Vai d ajeito d querer ficar com ela e vai rolar elas se pegam em uma motel elas vão