Uma noite muito quente
Adoração e Caprichos de Marfim
O sol da Toscana, embora incapaz de tocar a pele dos soberanos de Volterra sem revelar sua natureza divina e cristalina, banhava o quarto através das cortinas de veludo pesado, criando uma penumbra dourada e luxuosa. No centro daquela opulência, S/N era o coração pulsante de um império de gelo e mármore. Ela se espreguiçou, sentindo cada músculo de seu corpo clamar pelo toque contínuo de seus maridos. O poder de bruxa que habitava suas veias parecia ronronar em resposta à satisfação física e emocional da noite anterior.
— Mais para a esquerda, Marcus... — murmurou ela, a voz arrastada e carregada de uma preguiça deliciosa. — Isso, bem aí.
As mãos de Marcus, grandes e frias, mas incrivelmente precisas, trabalhavam a tensão nos ombros dela. Ele era o mais calmo dos três, o que possuía a sensibilidade necessária para ler as cordas da alma de S/N, e naquele momento, ele sentia apenas uma vibração de puro contentamento emanando dela.
— Você está tão relaxada que parece que seus ossos se transformaram em seda — comentou Marcus, inclinando-se para depositar um beijo casto na nuca dela, onde os fios curtos do cabelo deixavam a pele exposta.
Aro, sentado ao lado dela com um livro antigo de couro desgastado, não conseguia manter os olhos nas páginas. Sua mão livre acariciava a coxa de S/N, subindo periodicamente para sentir a curva de seu quadril. Ele observava a esposa com uma fascinação que três milênios não foram capazes de desgastar. Para Aro, S/N não era apenas sua esposa; ela era o ápice da existência, a fusão perfeita entre a magia ancestral e a imortalidade vampírica, embrulhada em um corpo que o levava à loucura.
— Minha querida, se continuarmos assim, a guarda começará a pensar que fomos destronados por uma pequena bruxa manhosa — brincou Aro, fechando o livro com um estalo suave.
— E eles não estariam errados, estariam? — S/N virou o rosto para ele, os olhos brilhando com uma malícia doce. — Você entregaria sua coroa por mim, Aro. Eu sei que sim.
Aro riu, um som melodioso e levemente sinistro, enquanto se inclinava para morder suavemente o lóbulo da orelha dela.
— Eu entregaria o mundo em uma bandeja de prata se isso garantisse que você continuaria olhando para mim com esse desejo, mia cara.
Nesse momento, a porta do quarto se abriu sem que ninguém batesse. Apenas um dos reis teria tal audácia. Caius entrou carregando uma bandeja de prata ornamentada. O conteúdo era um banquete para os sentidos: uma taça de cristal lapidado transbordando um sangue tão denso e vibrante que parecia rubi líquido, e um cacho de uvas moscatel perfeitamente geladas.
Caius parecia levemente irritado com sua tarefa de "servo", mas o brilho em seus olhos ao pousar o olhar em S/N traía sua verdadeira disposição. Ele se sentou na borda da cama, colocando a bandeja sobre o colo dela.
— Aqui está. Sangue de uma jovem doadora, saudável e cheia de vida. E as uvas que você exigiu — disse Caius, cruzando os braços e tentando manter uma expressão severa que derreteu no instante em que S/N pegou uma uva e a levou aos lábios dele.
— Primeiro você, meu guerreiro — disse ela, a voz suave como mel. — Você parece tenso. Precisa relaxar tanto quanto eu.
Caius hesitou por apenas um segundo antes de aceitar a fruta, seus dentes roçando os dedos dela. O contato elétrico fez S/N soltar um suspiro satisfeito. Ela se ajeitou nos travesseiros, sentindo-se como uma rainha absoluta.
— Agora, a história, Aro — ela exigiu, pegando a taça de sangue e tomando um pequeno gole, deixando uma gota escarlate escapar pelo canto da boca.
Marcus prontamente limpou a gota com o polegar, levando o dedo aos próprios lábios, enquanto Aro suspirava, aceitando seu papel de contador de histórias.
— Muito bem. Qual delas você deseja ouvir hoje? A queda dos romenos? A fundação da biblioteca de Alexandria? Ou talvez a vez em que Caius quase dizimou um vilarejo inteiro porque alguém ousou elogiar o cabelo dele de forma... inadequada?
— A última! — S/N riu, batendo palmas levemente. — Eu amo quando o Caius fica possessivo.
— Eu não estava sendo possessivo — resmungou Caius, embora um meio sorriso surgisse em seu rosto pálido. — Eu estava mantendo os padrões de respeito devidos à nossa posição.
— Ele estava furioso porque o humano em questão era um artista que queria pintá-lo como um "querubim" — Marcus acrescentou, com um brilho raro de humor nos olhos. — Caius não aceitou bem a comparação com um anjo gordinho de bochechas rosadas.
O quarto foi preenchido por risadas, um som que raramente ecoava pelas paredes de pedra de Volterra. Por algumas horas, o tempo parou. S/N se alimentava, recebia carícias constantes e ouvia os relatos de séculos de história, tudo intercalado com beijos que começavam ternos e terminavam em chamas de desejo renovado.
S/N era uma bruxa, e sua magia sempre fora ligada às emoções. Ela conseguia sentir a teia de conexões que os unia. Marcus era a âncora, o laço inquebrável que os mantinha unidos em propósito e afeto. Aro era a mente, a curiosidade insaciável que encontrava em S/N um mistério que ele nunca queria resolver completamente. E Caius... Caius era a chama, a proteção feroz e a paixão bruta que a fazia se sentir a criatura mais segura e desejada do universo.
— Vocês estão me olhando de novo — disse ela, percebendo que os três haviam parado de falar e apenas a observavam enquanto ela brincava com os lençóis de cetim.
— É difícil não olhar — admitiu Marcus, sua mão deslizando pelo cabelo curto dela. — Você brilha mais do que qualquer joia que guardamos em nossos cofres.
— Eu quero que vocês me levem para o jardim — disse ela de repente, mudando de tom para um tom ainda mais manhoso. — O jardim privativo, onde ninguém pode nos ver. Quero sentir o cheiro das rosas e que vocês me carreguem até lá.
— S/N, o sol ainda está alto — observou Aro, embora já estivesse se levantando. — Teremos que usar as passagens internas e as sombras.
— Eu sei — ela fez um biquinho, estendendo os braços para que a pegassem. — Mas eu sou pequena e manhosa, e meus maridos são grandes e fortes. Vocês podem me proteger do sol, não podem?
Caius soltou um som que era metade rosnado, metade risada, e a pegou no colo antes que Aro pudesse reagir. O vestido de seda da noite anterior estava esquecido no chão, então ele simplesmente a envolveu em um robe de veludo negro forrado de cetim que pertencia a ele mesmo. S/N ficou submersa no tecido, parecendo ainda menor e mais delicada nos braços do vampiro loiro.
— Eu a levo — declarou Caius com possessividade. — Marcus, pegue as almofadas. Aro, certifique-se de que nenhum guarda infeliz cruze nosso caminho. Se eu vir um único membro da guarda hoje, eu o decapito pessoalmente.
— Tão dramático — S/N sussurrou, aninhando-se no pescoço de Caius e aspirando o cheiro de mármore e tempestade que emanava dele.
O trajeto até o jardim secreto foi feito em silêncio absoluto e velocidade sobrenatural. As sombras do castelo pareciam se curvar à vontade de Aro, garantindo que o caminho estivesse livre. Quando chegaram ao enclave murado, o ar estava perfumado com flores raras que só floresciam sob os cuidados de magos e imortais.
Caius a depositou sobre um divã de pedra coberto por almofadas macias que Marcus havia trazido. O jardim era protegido por altas paredes e árvores frondosas que criavam um santuário de sombra fresca.
— Aqui está, seu reino ao ar livre — disse Aro, gesticulando para a vegetação luxuosa.
S/N sentou-se, deixando o robe de veludo escorregar pelos ombros, revelando a pele que ainda carregava as marcas leves dos beijos da noite anterior. Ela olhou para os três homens que governavam o mundo sobrenatural com punhos de ferro, mas que ali, naquele jardim, eram apenas seus.
— Venham aqui — ela chamou, batendo no espaço vazio ao seu lado. — Eu ainda não recebi atenção suficiente hoje.
— Você é insaciável — murmurou Marcus, sentando-se aos pés dela e começando a massagear seus tornozelos.
— Sou — ela concordou, sorrindo abertamente. — E vocês amam isso em mim.
A tarde passou entre sussurros e promessas. S/N, em sua natureza manhosa, exigia pequenos gestos o tempo todo: um beijo na palma da mão, uma mecha de cabelo colocada atrás da orelha, um elogio sussurrado ao pé do ouvido sobre como seus seios ficavam divinos sob a luz filtrada pelas árvores.
— Às vezes eu me pergunto — começou Caius, enquanto descansava a cabeça no colo de S/N, permitindo que ela brincasse com seus fios loiros — como o castelo funcionava antes de você chegar. Deve ter sido um lugar terrivelmente entediante.
— Era — confirmou Aro, sentado do outro lado, observando os dois. — Era apenas política e sede. Você trouxe a cor, S/N. Você trouxe a vida para o que era apenas um mausoléu de luxo.
S/N sentiu uma onda de emoção aquecer seu peito. Como bruxa, ela sabia que o amor de vampiros era absoluto, mas o fato de ter três deles, e logo os reis Volturi, dedicados a ela, era algo que ainda a maravilhava.
— Eu não sou apenas a vida de vocês — disse ela, inclinando-se para beijar a testa de Caius e depois a de Aro. — Eu sou a ruína de vocês. Olhem só, os grandes reis de Volterra, escondidos em um jardim porque uma bruxa quis mimos.
— Uma ruína que abraçamos de bom grado — Marcus disse suavemente, seus olhos encontrando os dela com uma intensidade que a fez estremecer.
À medida que o crepúsculo começava a tingir o céu de roxo e laranja, a energia no jardim mudou. A preguiça matinal e vespertina começou a dar lugar a uma tensão mais familiar. O desejo, nunca totalmente saciado, começou a crescer novamente.
S/N se levantou devagar, deixando o robe cair completamente. Ela estava nua sob a luz do entardecer, uma visão de curvas e pele pálida que fez o ar sumir dos pulmões (metafóricos) de seus maridos. Ela caminhou até a pequena fonte de mármore no centro do jardim, a água refletindo o brilho de seus olhos.
— Eu acho — ela disse, virando-se para eles com um sorriso provocante — que estou cansada de ficar sentada.
Aro foi o primeiro a se levantar, seus movimentos fluidos como os de uma pantera.
— E o que nossa rainha sugere?
S/N passou as mãos pelos próprios seios, sentindo o peso que eles tanto adoravam, e viu os olhos de Caius escurecerem instantaneamente.
— Quero que vocês me mostrem que o dia de descanso acabou — ela desafiou, a voz agora baixa e rouca. — Quero sentir o poder de vocês. Quero que me lembrem por que o mundo treme diante dos Volturi, mas que, aqui dentro, vocês tremem apenas por mim.
Caius não esperou por uma segunda permissão. Em um piscar de olhos, ele estava diante dela, suas mãos prendendo a cintura de S/N e puxando-a contra seu corpo rígido.
— Você pede por fogo, pequena bruxa — rosnou ele contra seus lábios. — E você vai queimar.
Marcus e Aro se aproximaram logo em seguida, fechando o círculo ao redor dela. O jardim, antes um refúgio de paz, tornou-se o cenário de uma adoração renovada e ainda mais intensa.
Naquela noite, quando retornaram para os aposentos reais, S/N não estava mais apenas manhosa. Ela estava radiante, carregada pela energia de seus maridos, pronta para enfrentar mais um século de imortalidade. Pois ela sabia que, não importa quão perigoso o mundo lá fora se tornasse, ou quão frios os corações dos outros vampiros fossem, nos braços de Aro, Caius e Marcus, ela sempre seria a prioridade absoluta, a deusa de mármore e seda que comandava os reis.
E enquanto adormecia novamente, sentindo o toque triplo que era sua vida e seu destino, S/N sorriu. Ser manhosa tinha suas vantagens, mas ser amada por monstros era a maior magia que ela já havia conjurado.