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voce e meu

O Porto Seguro no Peito do Bilionário

A mansão em Mônaco parecia vasta demais naquela noite de terça-feira. Para Lily, cada corredor de mármore e cada obra de arte iluminada por luzes suaves pareciam ecoar a ausência que pesava em seu peito. Oscar estava em Nova York. Uma crise tecnológica sem precedentes em uma de suas subsidiárias exigira sua presença física, e, embora ele tivesse prometido voltar em quarenta e oito horas, para a pequena Anna, o tempo não era medido em horas, mas em sensações.

E, naquele momento, as sensações de Anna estavam em frangalhos.

No quarto da menina, as luzes estavam apagadas, restando apenas o brilho azulado do aquário que ajudava a acalmá-la. Mas hoje, nem mesmo os movimentos fluidos dos peixes tropicais eram suficientes. Anna estava sentada no meio da cama, com as mãos sobre as orelhas, balançando o corpo ritmicamente para frente e para trás.

— O barulho, mamãe... o barulho não para — soluçou a pequena, as lágrimas escorrendo pelo rosto que era uma cópia fiel, porém mais delicada, do de Oscar.

Lily sentou-se na beirada da cama, sentindo o coração apertar. Ela sabia que o "barulho" que Anna ouvia não era externo; era a sobrecarga sensorial de um dia sem a sua âncora principal. Para Anna, o pai não era apenas o homem que brincava com ela; o peito de Oscar, com seu batimento cardíaco lento e constante, era o metrônomo que organizava o mundo caótico da menina autista.

— Eu sei, meu amor. Eu sei que está difícil — sussurrou Lily, aproximando-se com cautela. — O papai ligou. Ele quer falar com você.

Anna parou de balançar por um segundo, os olhos grandes e úmidos buscando o celular na mão de Lily.

— Papai? O *tic-tic* do papai?

Lily assentiu e deslizou o dedo pela tela, iniciando a chamada de vídeo. Oscar atendeu no primeiro toque. Ele estava em um escritório de vidro, com as luzes de Manhattan brilhando ao fundo, mas sua expressão, antes endurecida pelas negociações, suavizou-se instantaneamente ao ver a filha.

— Oi, minha estrelinha — disse Oscar, a voz saindo em um tom aveludado e profundo, aquele tom que ele reservava apenas para as suas "duas meninas". — Por que esse rostinho triste?

Ao ouvir a voz do pai, Anna soltou um soluço alto e dolorido, um som que fez Oscar fechar os olhos por um breve momento, transparecendo sua própria angústia por estar longe.

— Papai... dói. O barulho dói — Anna choramingou, esticando a mão para tocar a tela do celular.

— Eu sei, meu amor. O papai queria estar aí para te apertar bem forte e espantar todo esse barulho — Oscar disse, inclinando-se para a câmera como se pudesse atravessar a distância. — Lily, querida, você pode colocá-la no meu lado da cama? Pegue a camisa que eu usei ontem, aquela de linho azul que ficou no closet.

Lily seguiu as instruções rapidamente. Levou Anna para a suíte principal e a acomodou entre os travesseiros de Oscar. Agatha, a governanta, apareceu silenciosamente com a camisa pedida. O tecido ainda carregava o aroma cítrico e amadeirado de Oscar.

Anna agarrou a camisa, enterrando o rosto no linho, mas os soluços continuavam, curtos e convulsivos. Ela estava entrando em um estado de exaustão emocional.

— Anna, olhe para o papai — pediu Oscar. — Eu vou ficar aqui com você. Vou contar a história das nuvens de Mônaco, está bem? Mas você precisa tentar respirar com o papai.

Lily posicionou o celular no suporte da mesa de cabeceira para que Anna pudesse ver o pai enquanto se deitava. Oscar começou a falar, mantendo um ritmo constante, quase hipnótico. Ele descrevia o movimento das ondas, a cor do céu e o som do vento, intercalando a narrativa com palavras de afirmação.

— Você é a menina mais corajosa do mundo, minha estrelinha. O papai está orgulhoso de como você está tentando se acalmar. Isso... respira fundo. O *tic-tic* do papai está batendo aqui, só para você.

Aos poucos, a rigidez no corpo de Anna começou a ceder. Ela se aninhou na camisa, os olhos fixos na imagem de Oscar. Lily, sentada no chão ao lado da cama, observava a cena com lágrimas nos olhos. Ela via o marido, um homem que decidia o futuro de milhares de funcionários, ignorar completamente os bipes incessantes de mensagens em seu computador de trabalho para ninar a filha à distância.

— Lily — sussurrou Oscar, percebendo que Anna estava finalmente fechando os olhos. — Você está bem, meu amor?

— Estou, Oscar — ela respondeu, a voz trêmula. — Só queria que você estivesse aqui. Ela sente tanto a sua falta.

— Eu volto amanhã. Cancelei as reuniões de quinta-feira. Não consigo ficar aqui sabendo que vocês precisam de mim. Eu amo vocês mais do que tudo.

— Nós também te amamos — Lily disse, vendo Anna finalmente mergulhar em um sono profundo e reparador.

A noite passou lenta. Lily não saiu do lado da filha, e Oscar manteve a conexão de vídeo aberta durante toda a madrugada, mesmo enquanto trabalhava em silêncio do outro lado do oceano. Ele queria estar lá caso Anna acordasse assustada.

No fim da tarde do dia seguinte, o som do helicóptero particular de Oscar aproximando-se da propriedade sinalizou seu retorno antecipado. Lily e Anna estavam no jardim. Anna usava seus protetores de ouvido coloridos, sentada na grama enquanto observava as formigas com uma lupa.

Quando Oscar apareceu na varanda, ainda vestindo o terno mas já sem a gravata, Anna não correu. Ela raramente corria. Ela simplesmente se levantou, deixou a lupa de lado e caminhou até ele com os braços estendidos.

Oscar desceu os degraus em dois passos largos e se ajoelhou na grama, recebendo a filha em um abraço que parecia querer fundir os dois.

— Eu voltei, minha estrelinha — murmurou ele, escondendo o rosto no pescoço de Anna. — O papai está aqui.

Anna soltou um longo suspiro, relaxando completamente contra o peito dele. Ela retirou os protetores de ouvido, encostou a orelha exatamente sobre o coração de Oscar e fechou os olhos.

— *Tic-tic* — disse ela, com um pequeno sorriso de satisfação.

— Sim, meu amor. O *tic-tic* voltou para casa — Oscar respondeu, a voz carregada de uma ternura infinita.

Ele olhou para cima e viu Lily aproximando-se. Oscar estendeu um braço, puxando a esposa para o abraço também. Ali, no meio do jardim luxuoso de Mônaco, o bilionário não era o CEO influente; ele era o porto seguro.

— Você parece exausto — disse Lily, acariciando o rosto dele, notando as olheiras que a viagem apressada deixara.

— Valeu a pena cada segundo de voo só para sentir esse peso no meu peito de novo — Oscar confessou, beijando a testa de Lily e depois a de Anna. — Como ela passou o dia?

— Ficou calma, mas não largou a sua camisa por nada — Lily sorriu. — Ela sabia que você estava chegando.

Oscar pegou Anna no colo, levantando-se com facilidade. A menina parecia ter se tornado parte dele, recusando-se a soltar a lapela de seu paletó.

— Vamos entrar. Eu prometi a uma certa estrelinha que íamos organizar os blocos de madeira por cores hoje, não foi?

— E por tamanho — corrigiu Anna, agora perfeitamente regulada pela presença do pai.

— E por tamanho — Oscar concordou solenemente.

Eles entraram na mansão, e o ambiente que antes parecia frio e vasto para Lily, agora estava preenchido por uma energia vibrante. Oscar sentou-se no tapete da sala de brinquedos, ignorando o fato de que seu terno de três mil dólares estava em contato direto com o chão. Ele passou a hora seguinte totalmente dedicado a Anna, seguindo as regras rígidas da brincadeira dela, celebrando cada pequena conquista com um elogio carinhoso.

Lily observava da porta, segurando uma bandeja com suco e lanches. Ela se lembrou de quantas vezes sua própria família dissera que ela nunca encontraria alguém que a entendesse, ou que sua vida seria um fardo. E ali estava Oscar Piastri, um dos homens mais ricos do mundo, tratando as particularidades da filha e as inseguranças da esposa como os tesouros mais preciosos de sua existência.

Quando a noite caiu, Anna estava pronta para dormir, mas desta vez, ela não precisou de camisas ou de chamadas de vídeo. Ela se aninhou entre o pai e a mãe na cama grande.

— Papai? — Anna chamou baixinho, já quase dormindo.

— Oi, estrelinha.

— O barulho sumiu.

Oscar apertou a mão da filha, sentindo uma onda de emoção.

— Que bom, meu amor. O papai vai estar sempre aqui para espantar o barulho. Sempre.

Depois que Anna adormeceu profundamente, Oscar a levou com cuidado para o próprio quarto dela, depositando-a na cama com a leveza de quem manuseia um diamante. Quando voltou para a suíte, encontrou Lily na varanda, olhando para as luzes do principado.

Ele se aproximou por trás, envolvendo a cintura dela com seus braços fortes e descansando o queixo em seu ombro.

— Obrigado por segurar as pontas enquanto eu estava fora, Lily — sussurrou ele. — Eu sei o quanto é difícil para você quando ela entra em crise e eu não estou.

Lily virou-se nos braços dele, circulando o pescoço de Oscar com as mãos. Ela notou que, apesar do cansaço, os olhos dele brilhavam com uma lealdade inabalável.

— Nós somos uma equipe, Oscar. Mas não vou mentir... a casa fica silenciosa demais sem você. E não é o silêncio bom que a Anna gosta. É um silêncio vazio.

Oscar a puxou para mais perto, selando seus lábios em um beijo lento e apaixonado, um beijo que carregava todas as desculpas pela ausência e todas as promessas de um futuro juntos.

— Eu nunca vou deixar esse vazio se instalar por muito tempo — prometeu ele. — Vocês são o meu verdadeiro império, Lily. As empresas, o dinheiro, os carros... nada disso faz sentido se eu não tiver o meu porto seguro para voltar.

Lily soltou um pequeno soluço, mas desta vez era de alívio e felicidade. Ela escondeu o rosto no peito dele, ouvindo o batimento cardíaco que tanto acalmava a filha e que, para ela, era a música mais bonita do mundo.

— Você é o melhor marido que eu poderia ter sonhado, Oscar Piastri.

— E você é a mulher que deu sentido à minha vida, Lily Zneimer Piastri.

Eles ficaram ali, abraçados sob o céu de Mônaco, sabendo que, independentemente dos desafios que o autismo de Anna trouxesse ou das pressões do mundo dos negócios, eles tinham um ao outro. Oscar continuaria sendo o CEO bilionário para o mundo, mas dentro daquelas paredes, ele continuaria sendo o homem que chamava a filha de estrelinha e que fazia o mundo parar apenas para que sua esposa e sua filha pudessem respirar em paz.

O "tic-tic" do coração de Oscar continuou batendo, firme e constante, ecoando pela mansão como a garantia de que, naquela família, o amor era a única riqueza que realmente importava. E Lily, finalmente, sentia-se em casa, amada e protegida, longe das sombras do passado e cercada pelo brilho de um futuro que eles construíam, um batimento cardíaco por vez.

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