Water
O Sussurro da Névoa e o Calor da Terra
O sol ainda não havia se posto completamente, mas a lua já reivindicava seu espaço no céu tingido de violeta e laranja. Genya caminhava em direção às fontes termais com os passos mais pesados do que o habitual. O encontro da noite anterior ainda reverberava em cada fibra de seu ser. Ele sentia o peso do próprio corpo de uma forma diferente; não era mais apenas a carga dos músculos e das cicatrizes, mas a lembrança do toque de Muichiro, daquela curiosidade desarmante que havia quebrado todas as suas defesas.
Ao chegar à borda da água, o vapor parecia mais denso, uma cortina branca que prometia privacidade. Genya despiu-se rapidamente, o rosto esquentando só de lembrar da promessa feita sob o luar. "Amanhã", Muichiro dissera. E o amanhã havia chegado.
Ele mergulhou na água quente, soltando um gemido baixo de alívio. O calor ajudava a relaxar a tensão que se acumulara em seus ombros durante o dia de treinamento com a Hashira do Amor. Mitsuri era gentil, mas seus exercícios eram brutais. Genya fechou os olhos, tentando esvaziar a mente, mas a imagem de Muichiro — com aqueles olhos grandes e a expressão de quem via através das almas — insistia em permanecer.
Não demorou muito para que o som familiar de passos leves ecoasse. Genya nem precisou abrir os olhos para saber quem era. A presença de Muichiro era como uma brisa fresca em um dia de verão, algo que ele agora reconheceria em qualquer lugar.
— Você chegou cedo — disse Muichiro, sua voz surgindo do meio da névoa.
Genya abriu os olhos e viu o Hashira da Névoa parado ali, já sem o uniforme, a pele pálida contrastando com a escuridão da floresta ao redor. Muichiro entrou na água sem hesitar, deslizando para perto de Genya com a graça de um peixe.
— Eu... eu queria aproveitar o calor por um tempo — respondeu Genya, sentindo o coração acelerar instantaneamente. — Como foi seu dia, Tokito?
Muichiro inclinou a cabeça, alguns fios de cabelo grudando em suas bochechas úmidas.
— Eu olhei para as nuvens. Elas pareciam peixes hoje. E depois treinei alguns recrutas. Eles gritam muito.
Genya soltou uma risada curta, o nervosismo começando a se dissipar sob a aura calma do mais jovem.
— Eles gritam porque você é assustador quando luta, mesmo que não perceba.
Muichiro nadou um pouco mais para perto, reduzindo a distância entre eles até que seus joelhos se tocassem sob a água. O contato, embora simples, enviou um choque elétrico pelo corpo de Genya.
— Eu não sou assustador — murmurou Muichiro, seus olhos fixos nos de Genya. — Eu sou apenas eu. E você é apenas você. E ontem... ontem foi interessante.
Genya engoliu em seco, a garganta subitamente seca apesar da umidade ao redor.
— Foi. Foi muito... diferente do que eu esperava.
— Você prometeu — disse Muichiro, sem rodeios, sua mão pequena flutuando na superfície da água. — Você disse que faria em mim hoje. Eu quero saber se a sensação é a mesma. Se a névoa também desaparece para mim.
Genya sentiu o rosto queimar, mas não desviou o olhar. Havia algo na honestidade de Muichiro que tornava impossível qualquer tipo de negação. O Hashira da Névoa não conhecia jogos ou segundas intenções; ele buscava a verdade das sensações, a conexão que sua memória fragmentada muitas vezes lhe roubava.
— Eu... eu nunca fiz isso com outra pessoa, Tokito — confessou Genya, a voz falhando levemente. — Eu não sei se serei tão bom quanto você foi.
— Você é grande e suas mãos são quentes — respondeu Muichiro com uma lógica simples. — Eu acho que será bom.
Muichiro sentou-se em uma das pedras submersas, abrindo um pouco as pernas sob a água límpida. Ele olhava para Genya com uma expectativa silenciosa, uma confiança que apertava o peito do Shinazugawa. Genya respirou fundo, tentando acalmar o tremor em suas mãos, e aproximou-se.
Ele deslizou as mãos por baixo da água, sentindo a pele de Muichiro. Era macia, quase como seda, em contraste total com a aspereza de suas próprias palmas calejadas pelo manejo da espada e da arma de fogo. Quando Genya finalmente envolveu o membro de Muichiro, o Hashira soltou um suspiro audível, seus olhos se arregalando levemente.
— É... estranho — sussurrou Muichiro, inclinando a cabeça para trás. — Suas mãos são muito maiores que as minhas. Elas cobrem quase tudo.
— Eu vou tentar ser gentil — disse Genya, começando um movimento lento e rítmico.
Ele observava o rosto de Muichiro com uma intensidade quase devocional. Ver o Hashira da Névoa, sempre tão distante e inabalável, perder-se em sensações físicas era algo que Genya considerava um privilégio sagrado. As pálpebras de Muichiro começaram a tremer, e uma cor rosada subiu por seu pescoço e bochechas.
— Genya... — chamou Muichiro, sua voz um pouco mais aguda. — A sensação... é como se o calor da água estivesse se concentrando em um só lugar.
— É assim mesmo — incentivou Genya, ganhando um pouco mais de confiança. Ele usou o polegar para acariciar o topo, notando como o corpo de Muichiro reagia a cada toque, por menor que fosse. — Apenas relaxe. Deixe a sensação tomar conta.
Muichiro agarrou os ombros de Genya para se equilibrar. Suas unhas curtas cravaram-se levemente na pele bronzeada, mas Genya não se importou. A dor leve era apenas mais um tempero para a intimidade que compartilhavam. O ritmo de Genya acelerou, seguindo a respiração cada vez mais curta de Muichiro.
— Está... está ficando muito forte — murmurou o mais jovem, fechando os olhos com força. — Eu sinto como se fosse explodir.
— Está tudo bem — sussurrou Genya perto do ouvido dele, o hálito quente fazendo Muichiro estremecer. — Pode deixar acontecer. Eu estou aqui.
A entrega de Muichiro foi silenciosa, mas intensa. Ele arqueou as costas, a cabeça jogada para trás enquanto seu corpo vibrava sob as mãos de Genya. O Shinazugawa sentiu o espasmo final e manteve o aperto firme e acolhedor até que o Hashira relaxasse completamente contra seu peito.
O silêncio voltou a reinar na fonte, quebrado apenas pelo som das respirações pesadas que se misturavam ao vapor. Muichiro estava com o rosto escondido na curva do pescoço de Genya, seus braços agora envolvendo o tronco largo do mais velho de forma possessiva.
— Você tinha razão — disse Muichiro depois de alguns minutos, sua voz abafada contra a pele de Genya. — A névoa sumiu. Por um momento, eu não estava pensando no passado, ou no futuro, ou nos demônios. Eu estava apenas... sentindo você.
Genya sentiu uma onda de ternura tão forte que seus olhos arderam. Ele abraçou Muichiro com força, sentindo a fragilidade aparente daquele jovem que, na verdade, era um dos guerreiros mais poderosos da humanidade.
— Eu me sinto da mesma forma, Tokito. Com você, tudo parece menos complicado.
Muichiro afastou-se apenas o suficiente para olhar nos olhos de Genya. Um pequeno sorriso, o mais real que Genya já vira, iluminou o rosto do Hashira.
— Genya, você disse que as pessoas fazem isso quando gostam uma da outra de um jeito especial.
— Sim, eu disse.
— Então, nós somos especiais um para o outro? — Muichiro perguntou, a inocência ainda presente, mas agora tingida com uma nova compreensão.
Genya acariciou o rosto de Muichiro, afastando uma mecha de cabelo úmida.
— Sim, Tokito. Nós somos.
Muichiro assentiu, parecendo satisfeito com a resposta. Ele se acomodou novamente contra o peito de Genya, fechando os olhos.
— Então, amanhã, vamos fazer de novo. E depois de amanhã também. Eu não quero que a névoa volte a ficar tão densa.
Genya riu, uma risada genuína e leve que pareceu espantar as sombras da floresta.
— Tudo bem, Tokito. Quantas vezes você quiser.
Eles ficaram ali por muito tempo, envoltos pelo calor da água e pela presença um do outro. Para o mundo exterior, eles eram caçadores de demônios, armas forjadas na dor e no dever. Mas ali, naquele pequeno refúgio escondido na montanha, eram apenas dois jovens descobrindo que, mesmo em um mundo cheio de trevas, o toque humano e o afeto sincero podiam ser a luz mais brilhante de todas.
Conforme a noite avançava, Genya percebeu que sua vergonha inicial havia sido substituída por algo muito mais profundo. Ele não se sentia mais apenas "bobinho" ou nervoso na frente de Muichiro; ele se sentia visto. E Muichiro, em sua busca constante por peças perdidas de si mesmo, parecia ter encontrado em Genya uma âncora, um ponto de calor constante em um mundo que muitas vezes lhe parecia frio e distante.
— Genya — chamou Muichiro, quase pegando no sono.
— Sim?
— Seus músculos ainda são muito grandes. Mas eu acho que gosto deles assim. Eles são bons para abraçar.
Genya beijou o topo da cabeça de Muichiro, sentindo o cheiro de água mineral e do sabão suave que o Hashira usava.
— E você é perfeito do jeito que é, Tokito.
A lua agora estava no topo do céu, vigiando os dois enquanto a água da fonte continuava a correr, eterna e imutável, assim como a promessa silenciosa que acabara de nascer entre o calor da terra e a leveza da névoa. Naquela noite, nenhum demônio ousaria interromper o silêncio sagrado dos dois rapazes que, entre toques e descobertas, haviam finalmente encontrado um lar nos braços um do outro.