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A escola pode ser boa

O Calor do Asfalto e os Olhos na Janela

A quarta-feira na faculdade de Direito e Administração parecia se arrastar como um processo judicial interminável. O ar condicionado do bloco C havia pifado, e o calor úmido da tarde transformava as salas de aula em verdadeiras estufas de tédio. Para Miguel Santos, aquela era a desculpa perfeita. Ele não precisava de muito para abandonar uma aula de Contabilidade, mas o suor escorrendo pela nuca e a visão de Mariah sentada duas fileiras à frente, prendendo o cabelo castanho em um coque improvisado que deixava sua nuca à mostra, foram o golpe final em sua pouca força de vontade.

Ele rasgou um pedaço de papel do caderno — que continha apenas três linhas escritas desde o início do semestre — e rabiscou: "O carro está na sombra. Vamos?". Com a habilidade de quem já fez isso mil vezes, ele jogou a bolinha de papel, que caiu exatamente sobre o estojo de Mariah. Ela leu, olhou para trás e sorriu, aquele sorriso que dizia que ela estava tão farta de balancetes quanto ele.

Cinco minutos depois, aproveitando o momento em que o professor se virou para o quadro negro, os dois deslizaram para fora da sala como sombras.

— A gente é um desastre acadêmico, Miguel — sussurrou Mariah, rindo baixo enquanto desciam as escadas de emergência para evitar o fluxo principal de alunos.

— A gente é livre, gatinha — Miguel rebateu, passando a mão pelo cabelo descolorido, que brilhava sob o sol quando cruzaram a porta de saída. — A vida é curta demais para entender crédito e débito quando eu posso estar com você.

O estacionamento dos fundos, perto do muro de hera que separava a faculdade de um terreno baldio, estava deserto. Era o "ponto" deles. O carro de Miguel, um sedã com vidros bem escuros, estava estacionado sob a copa de uma mangueira frondosa. Assim que entraram, o calor abafado do interior do veículo parecia carregar uma eletricidade diferente.

Miguel não esperou. No momento em que a porta se fechou, ele puxou Mariah para o banco de trás, um espaço que eles já conheciam como se fosse uma extensão do próprio quarto.

— Miguel, aqui? Agora? — ela perguntou, embora suas mãos já estivessem puxando a gola da camiseta dele.

— Você sabe que o perigo deixa tudo melhor — ele murmurou contra o pescoço dela, a voz rouca e carregada de desejo. — E eu não aguento mais cinco minutos sem te tocar.

O clima esquentou instantaneamente. Não era apenas o calor de um meio de semana sem responsabilidades, era a fome que sentiam um pelo outro. Miguel, com seus 1,75m, movia-se com uma agilidade possessiva, livrando-se da própria camiseta enquanto Mariah se desfazia da jaqueta jeans. Em poucos minutos, as roupas eram apenas obstáculos descartados no chão do carro.

Mariah, sentada sobre ele, sentia a pulsação de Miguel sob sua pele. Ele a beijava com uma urgência quase selvagem, as mãos percorrendo suas curvas de 1,60m com uma devoção absoluta. O suor começou a brilhar em seus corpos, tornando o contato ainda mais escorregadio e intenso.

— Eu quero você, Miguel... agora — ela arfou, os olhos castanhos fixos nos dele.

Miguel a posicionou com cuidado, a mente nublada pelo prazer. Ele se livrou da calça com pressa, ficando completamente exposto para ela. Mariah, também sem nada que a cobrisse da cintura para baixo, sentiu o choque térmico do corpo dele contra o seu. O ato em si foi explosivo. O carro balançava levemente sob o peso e o ritmo de seus movimentos, um santuário de carne e suspiros em meio ao asfalto quente.

Em um momento de entrega total, Mariah inclinou-se para frente, permitindo que Miguel explorasse cada centímetro de sua pele. O prazer era cru, sem as amarras da timidez que o ambiente escolar costumava impor. Miguel, em um êxtase profundo, sentia que o mundo lá fora — as provas, os prazos, as expectativas — havia simplesmente deixado de existir. Ali, entre beijos profundos e o som da respiração pesada, eles eram os donos do próprio universo.

Enquanto isso, de volta ao corredor principal da faculdade, Lívia e Alice caminhavam apressadas.

— Eu estou te falando, Alice! — Lívia exclamou, ajeitando a alça da mochila sobre o ombro. — Eu vi os dois saindo da aula do Dr. Arnaldo. Eles não foram para a lanchonete, eu chequei.

— Você é uma stalker profissional, Lívia — Alice riu, balançando seus cachos super definidos. — Mas eu admito, o sumiço deles foi muito suspeito. Se o Miguel descoloriu o cabelo, foi para brilhar no escuro de algum lugar escondido.

— Eles estão no estacionamento — afirmou Lívia com convicção. — Eu conheço aquele olhar do Miguel. É o olhar de "vou levar a Mariah para o carro e esquecer que tenho CPF".

As duas amigas, movidas por uma curiosidade que misturava obsessão e um carinho genuíno pelo casal, decidiram que uma "inspeção de rotina" era necessária. Elas caminharam em direção à área menos frequentada, o coração de ambas batendo forte com a possibilidade de flagrar o ship em ação.

— A gente vai ser presa ou expulsa, você sabe, né? — sussurrou Alice enquanto se aproximavam da fileira de árvores.

— Shhh! — Lívia fez sinal de silêncio. — É pela ciência do romance, Alice. Olha lá, o carro do Miguel.

Elas se aproximaram cautelosamente, escondendo-se atrás de uma picape alta estacionada a duas vagas de distância. O carro de Miguel estava parado, os vidros completamente embaçados pelo calor e pela umidade interna.

— Ai meu Deus — sussurrou Alice, cobrindo a boca com as mãos. — O carro está... balançando?

— Está! — Lívia estava em êxtase, os olhos brilhando. — Eles estão fazendo! Alice, o ship é mais real do que a minha dívida no FIES!

— Lívia, a gente devia ir embora, isso é muito íntimo — disse Alice, embora não fizesse menção de se mover.

— Só mais cinco minutos. Olha a intensidade daquilo. O Miguel é um guerreiro, hein? — Lívia brincou, abafando o riso.

Dentro do carro, a atmosfera era de puro êxtase. Miguel estava recostado no banco, a cabeça jogada para trás, enquanto Mariah, com uma entrega que o deixava sem fôlego, demonstrava todo o seu amor de forma física e intensa. O calor era quase insuportável, mas nenhum deles se importava. O suor pingava do rosto de Miguel, misturando-se ao dela.

— Você é... incrível — Miguel conseguiu dizer, a voz falhando enquanto sentia o ápice se aproximar.

— Cala a boca e me beija — Mariah respondeu, puxando-o para si.

O tempo parecia ter se dilatado. Duas horas se passaram desde que saíram da sala de aula, mas para eles, foram apenas segundos de uma conexão profunda. Quando finalmente o ritmo diminuiu e a exaustão prazerosa tomou conta, os dois ficaram ali, entrelaçados, ouvindo apenas o estalo do motor esfriando e o som distante de algum pássaro na mangueira.

Lá fora, Lívia e Alice já tinham se sentado no chão, encostadas na picape, vigiando o perímetro como se fossem guarda-costas de um segredo de Estado.

— Já faz duas horas, Alice — comentou Lívia, olhando para o relógio de pulso. — O Miguel merece uma medalha de honra ao mérito.

— Ou um isotônico — completou Alice, rindo. — Mas sério, olha como o silêncio agora é diferente. Eles devem estar naquele momento pós-coito super fofo que a gente vê nos filmes.

— Eu queria tanto ser uma mosca para ver a cara da Mariah agora — suspirou Lívia. — Ela deve estar radiante.

De repente, o som de portas se abrindo e fechando ecoou pelo estacionamento silencioso. Lívia e Alice se encolheram ainda mais atrás da picape. Através do vão entre os pneus, viram Miguel e Mariah saindo do carro.

Miguel estava com a camiseta amassada e o cabelo descolorido totalmente bagunçado, mas exibia um sorriso de orelha a orelha. Mariah seguia logo atrás, ajeitando a saia e passando os dedos pelo cabelo castanho, com as bochechas coradas e um brilho nos olhos que era impossível de disfarçar.

— Eu acho que a gente devia ter ficado para a chamada — Mariah disse, embora sua voz estivesse carregada de diversão.

— A chamada que se dane — Miguel respondeu, puxando-a pela cintura e dando-lhe um beijo estalado. — Aquela foi a melhor "aula" que eu já tive nesta instituição de ensino.

Eles começaram a caminhar em direção ao prédio principal, ainda trocando carícias e risadas baixas. Quando eles estavam a uma distância segura, Lívia e Alice finalmente se levantaram, limpando a poeira das calças.

— Missão cumprida — declarou Lívia, vitoriosa. — O ship não só navega, como é um transatlântico de luxo.

— Eles são muito loucos — Alice sorriu, balançando a cabeça. — Imagina se alguém pega? O Miguel nem se deu ao trabalho de olhar ao redor.

— É isso que torna tudo tão perfeito — disse Lívia enquanto caminhavam de volta. — Eles não ligam. É a Mariah e o Miguel contra o mundo acadêmico. E, sinceramente? O mundo acadêmico está perdendo feio.

Naquela noite, o grupo de WhatsApp das amigas pegou fogo. Lívia e Alice não contaram os detalhes sórdidos — afinal, havia um código de ética entre amigas —, mas as indiretas e os emojis de "fogo" e "carro" deixaram claro para quem quisesse entender que algo épico havia acontecido.

No dia seguinte, quando Miguel e Mariah chegaram para a primeira aula de quinta-feira, Lívia os interceptou no corredor.

— Bom dia, pombinhos! — disse ela, com um tom de voz propositalmente sugestivo. — Dormiram bem? Ou será que o cansaço físico foi muito grande ontem à tarde?

Miguel arqueou uma sobrancelha, o sorriso "besta" de sempre surgindo.

— Dormi como um anjo, Lívia. E a Mariah também, não é, amor?

— Como uma pedra — Mariah confirmou, piscando para Alice, que não conseguia segurar o riso.

— Engraçado — Alice comentou, aproximando-se —, eu e a Lívia passamos pelo estacionamento ontem para buscar um livro que esqueci no carro e vimos um sedã balançando tanto que achei que fosse um terremoto localizado.

O rosto de Mariah ficou instantaneamente da cor de um tomate, mas Miguel apenas soltou uma gargalhada alta, passando o braço pelos ombros da namorada.

— Pois é, essas estruturas da faculdade estão ficando velhas, né? Qualquer ventinho e as coisas começam a balançar.

— Sei... um vento de 1,75m com cabelo descolorido — provocou Lívia.

— Vocês são impossíveis — Mariah disse, escondendo o rosto no ombro de Miguel.

— Somos suas maiores fãs — corrigiu Alice. — E só para constar, a gente shipa até as infrações de trânsito de vocês.

Enquanto caminhavam para a sala, o clima era de total cumplicidade. Miguel e Mariah sabiam que suas aventuras no estacionamento não eram mais um segredo absoluto, mas no fundo, eles não se importavam. Ter amigas como Lívia e Alice, que celebravam o amor deles com tanta intensidade, era apenas mais uma parte daquela experiência universitária caótica e maravilhosa.

Miguel olhou para Mariah e sussurrou no ouvido dela:

— Semana que vem tem aula de Direito Civil no último bloco... o que você acha?

Mariah sorriu, apertando a mão dele com força.

— Acho que o carro precisa de uma nova inspeção técnica.

E assim, entre risadas, shipadas e uma total falta de responsabilidade com os estudos, o casal mais icônico da faculdade continuava a escrever sua história, um "vagalhão" de paixão por vez, sob os olhares atentos e aprovadores de suas duas maiores espectadoras.