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A família caos

O Despertar dos Novos Tempos e a Promessa de Sangue

A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas de linho da suíte principal, iluminando o rastro de roupas espalhadas pelo chão: o vestido de noiva de seda de Julia e o terno sob medida de Kate repousavam em um emaranhado que contava a história da noite anterior. Julia Bergmann acordou sentindo o peso reconfortante do braço de Ekaterina sobre sua cintura. A loira, mesmo dormindo, mantinha a mão espalmada sobre a nádega da esposa, um gesto possessivo que já se tornara instintivo.

Julia tentou se espreguiçar, mas sentiu a pele arder levemente. Sorriu sozinha ao lembrar da intensidade de Kate. A russa tinha levado a sério a ideia de comemorar o casamento e a futura expansão da família. Entre os tapas sonoros que Kate adorava desferir e as mordidas que deixavam marcas rosadas na pele alva de Julia, a noite havia sido uma maratona de afeto e desejo.

— Já acordada, *mia bella*? — a voz de Kate surgiu rouca, abafada pelo travesseiro.

— O sol já está alto, Kate. E você sabe que o Léo não vai nos dar trégua por muito tempo — respondeu Julia, virando-se para encarar os olhos azuis sonolentos da esposa.

Kate puxou Julia para mais perto, enterrando o rosto no pescoço ruivo e dando uma mordida leve, quase um aviso.

— Deixa ele com a Gabi. Eu acabei de casar com a mulher mais gostosa do mundo, tenho direito a um café da manhã na cama... ou melhor, a ser o café da manhã.

— Kate! — Julia riu, empurrando-a de leve. — A gente tem treino amanhã. Se você me deixar toda marcada, eu vou ter que jogar de armadura.

— Deixa marcarem. Assim ninguém esquece de quem você é — Kate deu um tapa firme na coxa de Julia, o som estalando no quarto silencioso. — Agora, falando sério... você acha que aconteceu? Que o "irmãozinho" do Léo começou a ser fabricado ontem?

Julia suspirou, levando a mão ao ventre, sentindo a pele firme e a musculatura trabalhada que Kate tanto idolatrava.

— Eu espero que sim. Mas se não foi ontem, temos a lua de mel inteira para tentar.

A conversa foi interrompida pelo som inconfundível de choro de bebê vindo do corredor, mas não era Léo. Era Enzo, o filho de Nicolas. Poucos minutos depois, batidas desesperadas ecoaram na porta.

— Julia! Kate! Pelo amor de Deus, me ajudem! — a voz de Nicolas estava embargada, carregada de um desespero que não combinava com a alegria da noite anterior.

As duas saltaram da cama. Julia vestiu um roupão apressadamente e abriu a porta. Nicolas estava parado ali, com o bebê no colo e uma expressão de puro pânico. Mariana estava logo atrás, com os olhos vermelhos de tanto chorar.

— O que houve? Ele está com febre de novo? — perguntou Kate, o instinto de irmã mais velha assumindo o controle enquanto ela passava a mão pelos cabelos loiros bagunçados.

— Não... a Mariana... ela recebeu uma carta. Os pais dela, Kate... eles mudaram de ideia. Querem levar ela e o Enzo de volta para a Rússia, para morar com a avó. Disseram que eu sou um moleque e que não tenho condições de dar um futuro para eles — Nicolas desabou, sentando-se no chão do corredor, abraçando o filho com uma força trêmula.

Julia trocou um olhar rápido com Kate. A paz do pós-casamento tinha durado exatamente oito horas. A "bruta" respirou fundo, sentindo a adrenalina do confronto substituir o torpor do sono.

— Entrem — ordenou Julia, com sua voz de capitã, aquela que não admitia réplicas. — Mariana, senta aqui. Nicolas, para de chorar e segura esse menino direito.

A sala de estar, ainda com alguns arranjos de flores do casamento e o cheiro doce do bolo que restara, tornou-se o tribunal improvisado da família. Gabi apareceu logo depois, trazendo Léo no colo, que olhava tudo com uma curiosidade silenciosa, percebendo que o clima não era de festa.

— Eles dizem que eu não tenho emprego, que eu vivo de favor na casa da minha irmã — Nicolas explicava entre soluços, enquanto Mariana apertava um lenço nas mãos. — Eles acham que eu vou abandonar ela como os caras da idade dela fariam. Dizem que o Enzo merece um nome e uma estabilidade que eu não posso dar.

Kate caminhou até o irmão e segurou seus ombros com força, seus olhos azuis faiscando com a determinação fria das estepes russas.

— Você não vai a lugar nenhum, e o Enzo muito menos. Nós somos uma família, Nicolas. Se eles querem guerra, eles vão ter a seleção russa e a brasileira juntas contra eles. Ninguém tira um filho de perto do pai nesta casa.

— Mas eles têm razão em uma coisa — Julia interveio, cruzando os braços sobre o roupão, sua postura emanando uma autoridade natural. — Você precisa de um rumo, Nicolas. Não pode passar o dia jogando videogame e esperando a gente voltar do treino para decidir o que comer. Você quer ser pai? Então prove.

— Eu faço qualquer coisa, Ju — prometeu o rapaz, olhando para a cunhada com esperança.

— Ótimo. Você vai começar a trabalhar na administração da academia onde eu e a Kate treinamos. O dono é meu amigo e está precisando de alguém para organizar os horários e o estoque. Você vai aprender a gerir um negócio, vai ganhar seu salário e vai pagar sua parte nas despesas do Enzo. E Mariana, você vai terminar seus estudos. Nós cuidamos do bebê em turnos. Gabi, Thiago, Kate e eu. Ninguém fica sozinho.

O plano de Julia era prático e duro, como ela. Nicolas assentiu, sentindo um peso sair de suas costas, mas sabendo que a vida de privilégios e irresponsabilidades tinha acabado.

Mais tarde, após a poeira baixar e os advogados da família já estarem cientes da situação para bloquear qualquer tentativa de saída do país sem autorização, Julia e Kate conseguiram finalmente um momento a sós no jardim. Léo estava brincando com Thiago na piscina, e o som das risadas das crianças trazia uma sensação de normalidade necessária.

Julia estava sentada na borda da piscina, as pernas mergulhadas na água fresca. Kate aproximou-se por trás, abraçando-a e, como de costume, suas mãos encontraram o caminho para apertar as nádegas de Julia sob o tecido fino do short de treino que ela já havia vestido.

— Você foi incrível lá dentro — sussurrou Kate contra o pescoço da ruiva. — A "Julia Bruta" salvando o dia novamente. Eu teria apenas gritado com os pais dela ao telefone até perder a voz.

— Alguém tem que colocar ordem nessa casa, Kate. Se dependesse de você, você só daria um grito e esperaria que o problema se resolvesse sozinho por medo da sua altura — Julia sorriu, inclinando a cabeça para trás para encontrar os lábios da esposa.

— Eu tenho outros talentos — Kate mordeu o lóbulo da orelha de Julia, um arrepio percorrendo a espinha da ruiva. — Por exemplo, eu notei que você está agachando para limpar as bordas da piscina hoje de um jeito... muito convidativo. Esse short cinza deveria ser proibido por lei, Bergmann.

Julia sentiu o rosto esquentar. Mesmo casadas e com toda a bagagem de anos, Kate ainda conseguia deixá-la tímida com seus comentários diretos e sua obsessão por suas curvas.

— Kate, as crianças estão ali! — Julia sibilou, embora seu corpo relaxasse contra o da loira, permitindo que as mãos de Kate continuassem sua exploração possessiva.

— Elas estão ocupadas com a boia de pato. E eu sou sua esposa agora, tenho direitos legais sobre essa vista privilegiada — Kate desferiu um tapa sonoro na bunda de Julia, que soltou um arquejo surpreso. — Sabe, Bergmann, cada dia que passa você fica mais gostosa. Eu acho que você faz esses agachamentos extras só para me torturar e me fazer perder o foco no saque.

— Talvez eu faça — Julia virou-se nos braços de Kate, envolvendo o pescoço da loira com seus braços fortes. — Mas você também não facilita. Essa paciência toda que você tem com o Léo, e agora com o Nicolas... isso me deixa muito mais interessada em você do que qualquer marca que você deixe na minha pele. Embora eu não reclame das marcas.

Kate sorriu, um olhar doce cruzando sua face antes da malícia voltar com força total.

— Então, se eu sou uma boa esposa e uma boa irmã, eu mereço um prêmio?

— E o que seria esse prêmio, Antropova?

— A lua de mel começa agora de verdade. Gabi vai levar os meninos para a casa da mãe dela por três dias. Nicolas e Mariana vão ter um jantar romântico para se acalmarem, e depois vão ficar na casa de hóspedes. Somos só nós, esta casa, e a minha vontade de morder cada centímetro dessa ruiva ciumenta até você esquecer o próprio nome.

Julia sentiu um frio no estômago, o tipo de antecipação que só Kate conseguia provocar. A mistura de proteção familiar e desejo voraz era o que mantinha o fogo delas aceso.

— Três dias? — perguntou Julia, a voz baixando de tom.

— Três dias — confirmou Kate, puxando-a para um beijo profundo e faminto que prometia cumprir cada palavra dita.

Os dias de lua de mel em casa foram uma mistura de entrega e descoberta. Sem a pressão dos treinos e sem o barulho constante das crianças, elas puderam ser apenas Julia e Kate. Em uma dessas tardes, enquanto estavam deitadas na rede da varanda, o sol se pondo no horizonte, Julia sentiu Kate traçar círculos imaginários em sua barriga.

— Você está quieta, Ju. No que está pensando? — perguntou a loira, a voz suave.

— No Nicolas. No Enzo. E no quanto a nossa vida mudou desde que ele apareceu com aquela notícia da gravidez. Eu era tão ciumenta com a nossa rotina, Kate. Eu tinha medo de que qualquer pessoa de fora estragasse o que a gente tinha construído.

— E estragou? — Kate perguntou, levantando o olhar para encontrar os verdes de Julia.

— Não. Ficou melhor. Mais barulhento, mais difícil, mas melhor. Eu acho que estou pronta, Kate. Para o bebê. Para tudo o que vier. Se a gente conseguiu segurar a barra do Nicolas, a gente segura qualquer coisa.

Kate sorriu, puxando Julia para cima de si na rede, os corpos se encaixando com perfeição.

— Eu também estou pronta. Mas prepare-se, porque se o nosso filho puxar a sua bunda e o meu apetite por mordidas, o mundo não vai estar preparado para essa criança.

Julia deu uma risada alta, mas Kate logo silenciou seus lábios. O clima esquentou rapidamente sob o céu alaranjado. Kate, em um movimento ágil que demonstrava toda a sua força de atleta, inverteu as posições, ficando por cima de Julia na rede que balançava perigosamente. As mãos da russa eram exploradoras, apertando com força e desejo a carne firme das nádegas de Julia, que soltava gemidos baixos contra o pescoço da loira.

— Kate... aqui não... alguém pode ver... — Julia tentou protestar, mas suas mãos já puxavam a camisa de Kate para cima.

— Aqui sim. Em todo lugar. Você é minha, Bergmann. Minha esposa, minha ruiva, meu porto seguro — Kate cravou os dentes na nádega de Julia, uma mordida profunda o suficiente para deixar marca, mas carregada de uma paixão que fez Julia arquear as costas e cravar as unhas nos ombros da loira. — E eu nunca vou cansar de te marcar.

A noite caiu e a casa permanecia em um silêncio raro e precioso. Nicolas tinha levado Mariana para jantar, um primeiro passo em sua nova fase de maturidade e responsabilidade. Julia e Kate estavam na cozinha tarde da noite, preparando algo simples para comer, ambas vestindo apenas camisas largas.

— Você viu a mensagem da Gabi? — perguntou Julia, olhando o celular sobre o balcão. — Ela disse que o Léo perguntou se o irmãozinho já está na sua barriga ou na minha. Ele quer saber se já pode comprar uma bola de vôlei menor.

Kate riu, abraçando Julia por trás e descansando o queixo em seu ombro, suas mãos descendo para o lugar de sempre.

— E o que você respondeu para o nosso pequeno recrutador?

— Respondi que ele vai ter que esperar o tempo da natureza, mas que as mamães estão trabalhando duro nisso. Literalmente.

— Trabalhando duro, é? — Kate deu um tapa brincalhão e sonoro. — Gostei da escolha de palavras. Você está ficando muito atrevida, Sra. Antropova.

— Você é impossível, Kate.

— E você é deliciosa, Julia.

O momento de leveza foi interrompido por um barulho na porta dos fundos. Era Nicolas, voltando mais cedo do que o esperado. Ele parecia radiante, os olhos brilhando com uma vitória que não vinha de uma quadra.

— Ju! Kate! — ele entrou correndo, Mariana sorrindo logo atrás. — Eu falei com o pai da Mariana por vídeo. Eu fui firme. Eu disse que se eles tentarem tirar ela daqui, eu entro na justiça e uso o nome das duas melhores jogadoras do mundo para fazer barulho. Eu mostrei o contrato de trabalho que você me conseguiu, Ju. Mostrei que tenho onde cair morto e que meu filho tem uma família de verdade aqui.

— E o que aquele teimoso disse? — perguntou Kate, ansiosa, soltando Julia para ouvir o irmão.

— Ele disse que... que respeita a minha coragem. Ele vai deixar eles ficarem, desde que eu mande fotos do Enzo toda semana e que a gente vá visitar a Rússia no Natal. Ele percebeu que a Mariana está feliz.

Kate correu para abraçar o irmão, as lágrimas de alívio finalmente caindo. Julia observava a cena com um sorriso de satisfação. O caos estava sob controle, a família estava protegida, e o segredo que antes a angustiava agora era o alicerce de uma nova fase.

Mais tarde, quando todos já haviam se recolhido e a mansão mergulhara no silêncio da madrugada, Julia e Kate voltaram para o quarto. A exaustão emocional do dia começava a bater, mas o desejo que as unia ainda pairava no ar, vibrante.

— Sabe, Sra. Antropova — começou Julia, sentando-se na beira da cama e começando a tirar a camisa larga, revelando a pele marcada pelos carinhos da loira. — Eu andei pensando naquilo que você disse no treino, sobre eu agachar para você. Sobre como você fica me vigiando.

Kate parou na porta do banheiro, a toalha no ombro, os olhos brilhando intensamente ao ver a ruiva sob a luz do abajur.

— E o que você concluiu, minha bruta favorita?

Julia levantou-se lentamente, ficando de costas para a esposa. Ela olhou por cima do ombro, um sorriso desafiador e intensamente sexy nos lábios, e executou um agachamento profundo e controlado, a musculatura das pernas e do glúteo se destacando perfeitamente sob a luz suave.

— O que você acha desse ângulo, Kate? É privilegiado o suficiente para a sua lua de mel? Ou você prefere que eu aumente as repetições?

Kate soltou um ruído que era metade rosnado, metade suspiro de adoração. Ela atravessou o quarto em dois passos largos, segurando Julia pela cintura com possessividade e puxando-a para si com uma urgência que parecia nunca se esgotar.

— Você vai ser a minha ruína, Julia Bergmann. Eu vou passar o resto da vida tentando entender como uma mulher pode ser tão perfeita.

— Não, Antropova. Eu não vou ser a sua ruína. Eu vou ser a sua glória. E você vai ser a minha.

A noite seguiu entre tapas de desejo, mordidas de posse e a promessa silenciosa de que, não importa o que acontecesse com o mundo lá fora, aquela casa seria sempre o santuário delas. Um lugar onde a força bruta de Julia encontrava a paixão obsessiva de Kate, criando um legado que ia muito além das medalhas — um legado de sangue, suor e a certeza de que a família Antropova-Bergmann estava apenas começando sua dinastia.

— Kate? — chamou Julia, já no limite do sono, com o corpo relaxado nos braços da esposa.

— Sim, meu amor?

— Se for uma menina... eu quero que ela tenha a sua altura. Para que ela possa olhar o mundo de cima, assim como você.

— E eu quero que ela tenha a sua determinação. E a sua bunda, claro, para deixar alguém tão louco quanto eu sou por você — Kate deu um último tapa suave sob o cobertor, arrancando um riso sonolento de Julia.

— Você não para, não é? Nem no dia do casamento.

— Nunca, Bergmann. Com você, o jogo nunca termina.

E assim, sob o manto da noite e a segurança de um amor que não conhecia limites, a família Antropova-Bergmann dormiu, pronta para enfrentar qualquer set que a vida resolvesse lhes lançar, sabendo que, juntas, elas eram imbatíveis.

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