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A família caos

O Peso da Aliança e a Dança das Sombras

A manhã na mansão Antroju não conhecia o conceito de silêncio. O sol mal havia começado a aquecer as paredes brancas da casa quando o som de uma bola de vôlei batendo ritmicamente contra a parede da garagem ecoou pelo jardim. Era Nicolas, que agora, sob a vigilância rigorosa de Julia, tentava canalizar sua ansiedade juvenil em algo produtivo.

No quarto principal, Julia Bergmann despertou com o peso familiar de um corpo longo e quente sobre o seu. Ekaterina Antropova não era apenas uma gigante em quadra; ela era uma força da natureza também no sono. A loira estava atravessada na cama, uma perna jogada sobre o quadril de Julia e a mão, como se guiada por um radar magnético, firmemente ancorada na curva acentuada da nádega da esposa.

Julia tentou se mover, mas um gemido baixo escapou de seus lábios quando sentiu a pele arder. As marcas da noite anterior ainda estavam frescas. Kate tinha um jeito muito particular de celebrar a oficialização do casamento: entre tapas que ecoavam no quarto e mordidas que deixavam o mapa de sua posse desenhado na pele ruiva de Julia.

— Bom dia, minha "bruta" favorita — sussurrou Kate, a voz rouca de sono vibrando contra o pescoço de Julia antes de dar uma mordida leve no lóbulo da orelha dela.

— Bom dia, Antropova — Julia respondeu, tentando, sem muito sucesso, manter a voz firme. — Se você continuar com essa mão aí, não vamos chegar ao treino a tempo. E você sabe que a Gabi não perdoa atrasos, mesmo para as recém-casadas.

Kate riu, um som vibrante e profundo, e apertou a carne firme sob sua palma com vontade, arrancando um arquejo de Julia.

— A Gabi que se exploda. Eu sou uma mulher casada agora, tenho prioridades. E a minha prioridade número um é garantir que você não esqueça quem é a dona dessa região privilegiada.

— Kate, pelo amor de Deus — Julia virou-se nos braços da esposa, encarando os olhos azuis intensos. — O Léo já deve estar acordado. O Nicolas e a Mariana estão na casa de hóspedes. Temos uma família para gerir.

— Eu sei, eu sei — Kate suspirou, sentando-se na cama e revelando a musculatura definida das costas. — Mas admite, Bergmann... você adora quando eu perco o controle. Especialmente quando você faz aquele agachamento que aprendeu na academia nova.

Julia sentiu o rosto esquentar. Ela se levantou, caminhando até o espelho e ajustando o roupão de seda. No reflexo, viu Kate observando-a com uma fome que parecia insaciável.

— Vamos descer. Temos que ver como o Nicolas está se saindo com o Enzo e preparar o Léo para a escola.

A cozinha era o coração pulsante da casa. Gabi já estava lá, preparando uma vitamina de frutas enquanto Thiago ajudava Léo a amarrar os tênis. A atmosfera era de uma paz vigilante. A crise com os pais de Mariana havia sido contornada, mas a tensão de manter um adolescente de dezenove anos nos trilhos era constante.

— Olha só quem resolveu aparecer — provocou Gabi, lançando um olhar sugestivo para o pescoço de Julia, onde uma marca arroxeada teimava em aparecer por baixo da gola. — O casamento fez bem para o apetite da russa, pelo visto.

— Cala a boca, Gabi — Julia resmungou, embora um sorriso brincasse em seus lábios. — Onde está o Nicolas?

— No jardim, tentando ensinar o Enzo a segurar uma bola — Gabi riu. — Ele está levando a sério o que você disse, Ju. Acho que o medo de perder a Mariana fez ele crescer cinco anos em uma semana.

Julia serviu-se de café e caminhou até a janela. Lá fora, viu o cunhado segurando o bebê com um cuidado quase sagrado. Mariana estava sentada por perto, estudando para as provas finais do colégio. Era uma cena de estabilidade que Julia lutaria com unhas e dentes para preservar.

— Mamãe Ju! — Léo correu até ela, abraçando suas pernas. — A mamãe Kate disse que a cegonha já recebeu o pedido do meu irmão. É verdade?

Julia olhou para Kate, que entrava na cozinha com um ar de inocência fingida.

— A mamãe Kate fala demais, Léo. Mas sim, estamos trabalhando nisso.

— Trabalhando muito! — Kate completou, ganhando um olhar mortal de Julia e uma risada de Gabi.

O dia seguiu com a rotina intensa de atletas de elite. No ginásio, a dinâmica entre as duas era eletrizante. Julia estava em uma fase técnica impecável; seus ataques eram precisos e sua defesa, impenetrável. Mas era nos momentos de intervalo que a tensão subia. Kate não conseguia manter as mãos longe. Um tapa rápido durante o aquecimento, um aperto possessivo na cintura durante as instruções técnicas.

— Kate, foco! — Julia sibilou durante um exercício de recepção. — Todo mundo está vendo.

— Deixa verem, Julia — Kate respondeu, aproximando-se para sussurrar no ouvido da ruiva. — Esse short novo de compressão... ele não deixa nada para a imaginação. Eu passei o treino inteiro imaginando como vai ser tirar ele de você mais tarde.

Julia sentiu um calafrio. A extroversão de Kate era sua maior arma e sua maior provocação.

— Se você continuar me provocando, Antropova, eu vou fazer você dormir no sofá com o Nicolas.

— Você não teria coragem. Você sente falta das minhas mordidas antes mesmo de eu parar.

Ao final do treino, a exaustão física era evidente, mas a adrenalina ainda corria nas veias. De volta à mansão, a noite trouxe um novo desafio. Nicolas entrou na sala principal com uma expressão séria, segurando um envelope.

— Ju, Kate... chegou isso aqui. É dos advogados dos pais da Mariana na Rússia.

Kate pegou o envelope, seus olhos percorrendo as linhas em cirílico com rapidez. O rosto da loira empalideceu levemente, e depois ficou vermelho de raiva.

— O que foi, Kate? — perguntou Julia, aproximando-se.

— Eles estão contestando a guarda do Enzo na justiça russa. Dizem que, como o Nicolas não tem residência fixa no nome dele e nem renda estável comprovada por mais de um ano, eles têm o direito de levar o neto para "garantir o bem-estar" — Kate jogou o papel na mesa. — Eles querem levar meu sobrinho, Ju.

Nicolas parecia prestes a desabar. Mariana, que tinha acabado de colocar o bebê para dormir, parou na porta, o rosto perdendo a cor.

— Eles não podem fazer isso — disse Julia, sua voz assumindo aquele tom baixo e perigoso que usava antes de um bloqueio decisivo. — Nicolas, você tem um contrato assinado. Você mora aqui, e esta casa é tão sua quanto nossa.

— Mas o contrato é novo, Ju... — Nicolas murmurou. — Eles têm dinheiro, têm influência lá.

Julia caminhou até o cunhado e segurou seu rosto com as duas mãos, forçando-o a olhar para ela.

— Escuta aqui. Ninguém entra nesta casa e tira nada que nos pertence. Eu e a Kate vamos assinar um documento de co-responsabilidade. Vamos colocar você como gestor de uma das nossas propriedades. Se eles querem números, nós vamos dar números. Mas você vai ter que ser impecável. Nada de festas, nada de álcool, nada de moleza. Entendido?

Nicolas assentiu, as lágrimas de alívio escorrendo.

— Obrigado, Ju. De verdade.

— Não me agradeça ainda. Você vai trabalhar dobrado para merecer isso.

Após o turbilhão emocional, a casa finalmente se acalmou. Gabi e Thiago levaram Léo para ver um filme, e Mariana subiu para ficar com Enzo. Julia e Kate retiraram-se para o quarto, mas o clima não era de descanso.

Kate estava parada na varanda, olhando para o horizonte, os punhos cerrados. Julia aproximou-se, abraçando-a por trás, sentindo a tensão nos ombros largos da russa.

— Nós vamos resolver isso, Kate. Eu prometo.

— Eu odeio que eles tentem usar o poder contra a gente, Ju. O Nicolas errou, mas ele é um bom pai. Ele ama aquele menino.

— Eu sei. E é por isso que vamos lutar. Mas agora... — Julia puxou Kate para dentro e fechou as cortinas. — Você precisa relaxar. Você está uma pilha de nervos.

Kate virou-se, o olhar suavizando ao encontrar o de Julia.

— Você sempre sabe o que eu preciso, não sabe?

— Eu te conheço, Antropova.

Julia sentou-se na beira da cama, observando Kate tirar a camisa. A loira era uma visão de força e graça.

— Sabe, Kate... — começou Julia, um brilho travesso nos olhos ruivos. — Você passou o dia inteiro reclamando do meu short de treino. Reclamando de como eu agacho.

Kate parou, o interesse renovado faiscando em seus olhos.

— E...?

— E eu acho que, depois de um dia tão estressante, você merece uma demonstração privada.

Julia levantou-se, ficando de costas para Kate. Com um movimento lento e deliberado, ela executou um agachamento profundo. A musculatura de suas coxas e glúteos, esculpida por anos de vôlei e treinos intensos, destacou-se sob a luz suave do quarto. O tecido da calça de pijama esticou-se ao limite, revelando cada curva que levava Kate à loucura.

— Meu Deus, Julia... — Kate murmurou, a voz falhando.

— Você gosta do que vê, Sra. Antropova? — Julia perguntou por cima do ombro, um sorriso provocante nos lábios.

Kate não respondeu com palavras. Ela atravessou o quarto em um instante, suas mãos grandes e fortes agarrando os quadris de Julia com uma urgência possessiva. Ela puxou a ruiva para trás, colando os corpos, e desferiu um tapa firme e sonoro em cada nádega, fazendo Julia soltar um grito abafado de prazer e surpresa.

— Eu não gosto, Julia. Eu sou obcecada — Kate sussurrou, cravando os dentes na curva do pescoço de Julia, iniciando uma trilha de mordidas que descia até os ombros. — Você é minha. Cada músculo, cada curva. E eu vou passar a noite inteira lembrando você disso.

A noite seguiu com uma intensidade que parecia querer afastar todas as preocupações do mundo exterior. Kate era voraz, alternando entre tapas de desejo e mordidas de pura posse, enquanto Julia respondia com a força e a entrega que só alguém tão "bruta" quanto ela poderia oferecer. Naquele espaço sagrado, não havia advogados, não havia pais russos furiosos, não havia nada além do som das respirações aceleradas e da batida ritmada de dois corações que pulsavam como um só.

Horas depois, quando a exaustão finalmente as venceu, Julia estava aninhada no peito de Kate. A loira passava os dedos suavemente pelos cabelos ruivos da esposa, enquanto a outra mão repousava, como sempre, em seu lugar favorito.

— Ju? — Kate chamou baixinho.

— Hum?

— Obrigada por cuidar do meu irmão. Por cuidar da gente.

Julia levantou a cabeça, beijando o queixo de Kate.

— Nós somos uma família, Kate. E na nossa família, ninguém fica para trás. Nem o Nicolas, nem o Enzo, nem esse bebê que logo vai estar aqui com a gente.

Kate sorriu, fechando os olhos.

— Eu te amo, Bergmann.

— Eu também te amo, Antropova. Mas se você me morder de novo amanhã antes do treino, eu juro que te bloqueio na rede por uma semana.

Kate soltou uma risada baixa, dando um último tapa afetuoso antes de mergulharem no sono.

— É um risco que eu estou disposta a correr.

A mansão Antroju mergulhou no silêncio, protegida pela força de duas mulheres que, entre tapas, mordidas e uma lealdade inabalável, construíam um império onde o amor era a única regra absoluta. O amanhã traria novas batalhas judiciais e desafios familiares, mas ali, naquele quarto, a vitória já era delas. E Julia, com seu corpo marcado e seu coração pleno, sabia que não trocaria aquele caos por nenhuma paz no mundo.

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