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a humana desejavel

O Sussurro do Sangue e o Eco do Rock

A brisa da noite nas ruínas do castelo de Hohenstein soprava com uma força que faria qualquer humano comum tremer de frio, mas nos braços de Murdo, [S/N] sentia apenas o calor de seu próprio sangue pulsando acelerado. Ele a mantinha pressionada contra a parede de pedra secular, os dedos longos e pálidos traçando o contorno de sua mandíbula com uma delicadeza que contrastava com a intensidade selvagem em seu olhar.

— Você não tem ideia do quanto eu esperei por esse momento — sussurrou Murdo, sua voz vibrando contra a pele dela como uma corda de baixo grave. — Cada noite que passei no galho daquela árvore, vendo você respirar, foi uma tortura e um êxtase ao mesmo tempo.

[S/N] arquejou, sentindo o peso daquela confissão. A obsessão dele, que antes a assombrava como um pesadelo sombrio, agora parecia a droga mais viciante que ela já provara.

— Por que eu, Murdo? — perguntou ela, as mãos perdidas nos cabelos escuros e bagunçados do cantor. — Existem tantas outras... Dakaria é sua fã número um, ela é como você. Eu sou apenas... frágil.

Murdo soltou um riso baixo, um som melódico e sombrio que ecoou pelas ruínas. Ele se inclinou, encostando a testa na dela, e por um momento as luzes vermelhas em seus olhos pareceram suavizar para um tom de rubi profundo.

— Dakaria é uma amiga, uma alma livre. Mas você... — Ele deslizou o nariz pelo pescoço dela, inspirando profundamente. — Você tem esse cheiro de vida, de sol e de algo que eu não consigo nomear. Quando te vi naquela plateia, o mundo parou. Eu não estava mais cantando para uma multidão de vampiros sedentos. Eu estava cantando para a alma que faltava na minha música.

Ele se afastou apenas o suficiente para olhá-la nos olhos, sua expressão tornando-se possessiva novamente.

— Eu te segui porque não suportava a ideia de que algo pudesse te tocar. Cada sombra que você viu no parque, cada vulto na escola... era eu garantindo que nenhum outro predador chegasse perto. Você é minha joia humana, [S/N]. E eu sou um colecionador muito egoísta.

[S/N] sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas não era de medo. Era o desejo proibido de pertencer a alguém tão perigoso. Ela o puxou para um beijo, e desta vez não houve hesitação. Murdo a tomou com uma fome que parecia acumulada por séculos. Suas mãos desceram pela cintura dela, apertando-a contra seu corpo frio e firme, enquanto suas línguas se entrelaçavam em uma dança frenética.

O sabor de Murdo era de menta e algo metálico, único e inebriante. Ele a levantou do chão, fazendo-a envolver as pernas em sua cintura. O contato da pele quente dela com o couro frio da jaqueta dele criava um contraste eletrizante.

— Murdo... aqui não — ela murmurou entre beijos, embora seu corpo implorasse pelo contrário.

— Ninguém vem aqui — ele garantiu, a voz rouca de desejo. — Este lugar pertence às sombras. E esta noite, as sombras pertencem a nós.

Ele a carregou para uma parte mais preservada das ruínas, onde um antigo estrado de madeira coberto por mantas de veludo negro servia como seu refúgio secreto. Ele a deitou com uma reverência quase religiosa, despojando-se de sua jaqueta com movimentos ágeis. Sob a luz da lua que filtrava pelo teto desmoronado, o físico de Murdo era impecável, pálido como mármore e definido pela eternidade.

— Eu quero sentir cada batida do seu coração — disse ele, as mãos descendo para os botões da blusa dela. — Eu quero saber como é o gosto da sua pele quando você clama pelo meu nome.

— Então não me faça esperar — desafiou [S/N], sua respiração vindo em curtos espasmos.

À medida que as roupas eram descartadas, a temperatura entre eles parecia subir, desafiando a natureza gélida do vampiro. Murdo era um amante atencioso, mas havia uma urgência em seus toques que revelava sua natureza possessiva. Ele beijava cada centímetro de sua pele como se estivesse marcando território, deixando trilhas de fogo por onde passava.

Quando ele finalmente se posicionou entre as pernas dela, seus olhos brilharam com uma intensidade carmesim quase cega.

— Olhe para mim — ele ordenou suavemente. — Quero que a última coisa que você veja antes de se perder seja o homem que nunca vai te deixar ir.

[S/N] sustentou o olhar dele enquanto ele se unia a ela em um movimento lento e profundo. Ela soltou um grito abafado, as unhas cravando-se nos ombros de mármore dele. A sensação era avassaladora; era como se ele estivesse tocando sua própria essência. Murdo parou por um segundo, fechando os olhos e inclinando a cabeça para trás, saboreando a conexão.

— Você é tão quente... — ele arquejou, começando a se mover com um ritmo que imitava as batidas de uma bateria de rock, constante e poderoso. — Tão cheia de vida.

O prazer subiu como uma maré alta, arrastando ambos para um abismo de sensações. [S/N] se via perdida no ritmo dele, no som de sua respiração pesada e nos rosnados baixos de satisfação que ele soltava. Era uma sinfonia de carne e espírito, um segredo compartilhado entre a luz e a escuridão.

Quando o ápice chegou, foi como uma explosão de cores atrás de suas pálpebras. Murdo a abraçou com força, enterrando o rosto em seu pescoço, suas presas roçando levemente a pele sensível, mas sem nunca perfurá-la. Ele se controlava, o "good boy" lutando contra o instinto, apenas para garantir que ela estivesse segura.

Minutos depois, ainda ofegantes, eles ficaram deitados sob o veludo, observando as estrelas através das frestas do castelo.

— O que vamos fazer amanhã? — perguntou [S/N], a voz sonolenta. — Dakaria vai começar a desconfiar se eu continuar sumindo todas as noites.

Murdo acariciou o cabelo dela, depositando um beijo em sua testa.

— Deixe que ela desconfie. Eu falarei com ela se for preciso, mas por enquanto, prefiro que você seja meu pequeno segredo. Eu vou te buscar na escola amanhã, na forma de morcego. Vou te seguir até em casa para garantir que você chegue bem.

— Você não consegue mesmo parar com isso, não é? — ela riu baixinho.

— Nunca — ele respondeu com uma seriedade que a fez estremecer. — Você é o meu vício, [S/N]. E eu não pretendo ir para a reabilitação.

Ele a envolveu em seus braços, protegendo-a do vento que começava a uivar lá fora. Para o mundo, ele era o astro do rock misterioso e inalcançável. Para as primas dela, ele era o ídolo sensível. Mas ali, naquele castelo esquecido pelo tempo, ele era apenas o monstro que a amava com uma intensidade assustadora, e ela era a humana que encontrou seu lar nas sombras dele.

— Vamos — disse ele, levantando-se e oferecendo a mão a ela. — O sol vai nascer em algumas horas, e eu preciso te colocar em segurança na sua cama antes que a luz toque sua pele.

— Você vem comigo? — ela perguntou, aceitando a mão dele.

— Sempre — prometeu Murdo. — Eu estarei na sombra da sua janela, vigiando seus sonhos. Até que a noite caia novamente e você seja minha outra vez.

Eles voaram de volta para Bindburg, cruzando os céus como um segredo sussurrado pelo vento. [S/N] fechou os olhos, sentindo o coração de Murdo — ou a ausência de batidas dele — contra suas costas, sabendo que, a partir daquele verão, sua vida nunca mais seria comum. Ela estava ligada a um predador, a um poeta, a um mestre das sombras. E, no fundo, ela não queria estar em nenhum outro lugar.