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A irmã do meu melhor amigo

O Eco das Promessas sob o Luar

A manhã de sábado surgiu com uma luz pálida filtrando-se pelas cortinas de seda do quarto de Lorena, mas o calor que ela sentia não vinha do sol. Miu estava ali, dormindo com a serenidade de quem finalmente havia encontrado um porto seguro, embora o caminho até aquele lençol tivesse sido pavimentado por ciúmes e uma tensão quase insuportável. Lorena observava o rosto da pediatra, traçando mentalmente as linhas de seu perfil, lembrando-se de cada detalhe da noite anterior. O banheiro do bar havia sido apenas o começo; a urgência as levara até o apartamento de Lorena, onde as paredes testemunharam confissões sussurradas entre beijos vorazes.

O celular de Lorena vibrou sobre o criado-mudo, quebrando o silêncio. Era uma mensagem de Willie no grupo da "família estendida".

— "Alguém viu a Miu? Ela não voltou para casa e a mamãe já está preparando o interrogatório de domingo. Lorena, você que saiu logo depois dela, viu se ela pegou um Uber?"

Lorena sentiu um frio na espinha. A proximidade com Willie era, ao mesmo tempo, sua maior alegria e seu maior obstáculo. Ela olhou para Miu, que começava a despertar com o som da vibração.

— É o seu irmão — sussurrou Lorena, a voz ainda rouca de sono. — Ele está perguntando por você.

Miu abriu os olhos lentamente, um sorriso travesso surgindo em seus lábios enquanto ela se espreguiçava, revelando as marcas avermelhadas no ombro que Lorena havia deixado.

— Deixe que ele pergunte — murmurou Miu, puxando Lorena de volta para o calor das cobertas. — Willie é um idiota quando se trata de perceber o que está debaixo do nariz dele. Mas ele tem razão sobre uma coisa... hoje tem o almoço na casa dos meus pais.

Lorena suspirou, sentindo o peso da realidade.

— Sua mãe, Dona Leena, tem olhos de lince, Miu. E a minha mãe, Dona Jee, vai estar lá também. Se elas virem o jeito que você me olha... ou o jeito que eu não consigo parar de te olhar... o segredo acaba antes do café.

— Talvez devesse acabar — disse Miu, subitamente séria, sentando-se na cama. — Eu cansei de fingir, Lorena. Cansei de sentir esse aperto no peito toda vez que vejo o Non tocando seu braço ou quando vejo as pessoas comentando como você é a advogada mais cobiçada da cidade.

— E eu? — rebateu Lorena, sentando-se também, a pele queimando com a proximidade. — Você acha que é fácil ver você sendo a "médica perfeita" para cada enfermeira e residente daquele hospital? Aquela foto ontem... eu quase quebrei meu celular de raiva.

Miu riu, um som cristalino que desarmou Lorena.

— Era apenas a Maya, uma colega. Ela estava me agradecendo por um plantão. Mas eu gosto de saber que você sente ciúmes. Isso prova que você é humana, Dra. Lorena, e não apenas essa máquina de leis inabalável.

O clima de brincadeira, porém, durou pouco. O almoço na residência dos Natsha era um evento sagrado. O Senhor Wirat, um homem de poucas palavras mas de presença imponente, não tolerava atrasos. E Willie, com seu jeito protetor e brincalhão, era o elo que unia todas elas.

Horas mais tarde, o jardim da mansão Natsha estava decorado com elegância. Engfa e Charlotte já estavam lá, ajudando com as bebidas. Freen e Becky discutiam animadamente com Dew sobre algum novo projeto de design, enquanto as mães, Leena e Jee, fofocavam animadamente perto da churrasqueira.

— Onde vocês duas se enfiaram? — perguntou Willie assim que Lorena e Miu cruzaram o portão juntas, tentando manter uma distância segura e casual. — Chegaram no mesmo carro?

— Nos encontramos no caminho — mentiu Lorena com uma facilidade que a assustou. — Miu estava com problemas no carro e eu a peguei na avenida principal.

Miu assentiu, evitando olhar diretamente para o irmão.

— É, o motor estava fazendo um barulho estranho. Coisa de carro velho.

— Velho? Miu, seu carro é do ano passado! — Willie franziu o cenho, mas antes que pudesse investigar mais, Non apareceu, vindo de dentro da casa com uma bandeja de aperitivos.

— Lorena! — Non exclamou, aproximando-se com um sorriso largo. — Achei que você fosse dar o cano na gente. Estava contando para o Senhor Wirat sobre aquele caso que vencemos na quarta-feira. Ele ficou impressionado com a sua tática de defesa.

Non passou o braço pelos ombros de Lorena de forma fraternal, mas para Miu, aquilo foi como um fósforo aceso em um barril de pólvora. Lorena sentiu a tensão irradiar da médica.

— É, o Non me ajudou muito na pesquisa — disse Lorena, tentando se esquivar sutilmente, mas Non a apertou mais um pouco.

— Nós formamos uma dupla imbatível, não é, loirinha?

Miu fechou as mãos em punho.

— Com licença — disse ela, a voz gélida. — Vou ajudar minha mãe na cozinha.

Lorena viu Miu se afastar e sentiu uma urgência de segui-la, mas foi interceptada por Dona Jee, sua mãe, que a puxou para uma conversa com Dona Leena.

— Lorena, querida, Leena e eu estávamos comentando... você trabalha demais. Precisa de um tempo para si, talvez encontrar alguém especial. O Non parece tão interessado...

— Mãe, por favor — cortou Lorena, sentindo o rosto esquentar. — O Non é apenas meu sócio.

— Hum, sei — disse Dona Leena, estreitando os olhos. — Mas minha Miu também está muito solitária. Ela vive para aquele hospital. Às vezes acho que vocês duas deveriam sair mais juntas, como nos velhos tempos da faculdade.

Lorena forçou um sorriso, o coração martelando. Se elas soubessem o que "sair juntas" significava agora.

O almoço seguiu com a tensão latente sob a superfície da normalidade. Miu estava estranhamente silenciosa, trocando apenas o necessário com os convidados. Toda vez que Lorena tentava fazer contato visual, Miu desviava o olhar ou focava em Charlotte e Engfa, que pareciam ser as únicas a notar que algo estava fora do lugar.

— Elas vão explodir a qualquer momento — sussurrou Engfa para Charlotte, observando Lorena e Miu do outro lado da mesa.

— O ciúme é uma droga potente — respondeu Charlotte em voz baixa. — Especialmente quando se tem que esconder o objeto do desejo.

Após a refeição, enquanto o Senhor Wirat e Willie levavam os homens para a sala de jogos, Lorena viu Miu escapar em direção à adega no subsolo. Sem pensar duas vezes, ela se desculpou e a seguiu.

A adega era fresca e silenciosa, com o cheiro de carvalho e vinho envelhecido permeando o ar. Miu estava de costas, organizando algumas garrafas com movimentos bruscos.

— Miu — chamou Lorena, fechando a porta pesada atrás de si.

— O que você quer, Lorena? Vá lá para cima ficar com o seu "parceiro imbatível".

— Você sabe que não é nada disso. O Non é apenas um idiota que não sabe respeitar o espaço pessoal. Eu só tenho olhos para você, e você sabe disso.

Miu virou-se, os olhos brilhando com uma mistura de mágoa e desejo.

— Então por que não diz a eles? Por que não paramos com esse teatro? Dói ver você com ele, dói ver minha família empurrando você para outro homem enquanto eu estou bem aqui, morrendo por um toque seu.

Lorena caminhou até ela, encurralando-a entre a prateleira de vinhos e seu próprio corpo.

— Porque eu tenho medo, Miu. Medo de perder o Willie, medo de como nossas mães vão reagir. Mas o medo de te perder é maior.

Lorena selou seus lábios nos de Miu com uma intensidade que calou qualquer protesto. O beijo era desesperado, uma súplica por perdão e uma afirmação de posse. As mãos de Miu subiram para o pescoço de Lorena, puxando-a para mais perto, enquanto Lorena explorava as curvas da médica por cima do tecido fino do vestido de verão.

— Aqui não... — arquejou Miu entre os beijos. — Alguém pode descer a qualquer momento.

— Então vamos ser rápidas — sussurrou Lorena, a audácia sendo alimentada pelo perigo.

Lorena levantou Miu, sentando-a em uma das mesas de degustação de madeira maciça. O contraste da pele quente de Miu com a superfície rústica da mesa a fez soltar um gemido que ecoou pelas paredes de pedra da adega. Lorena não perdeu tempo. Seus dedos encontraram o caminho por baixo da calcinha de renda de Miu, descobrindo que ela já estava pronta, úmida e pulsante por ela.

— Lorena... meu Deus... — Miu jogou a cabeça para trás, as mãos agarrando as bordas da mesa enquanto os dedos de Lorena trabalhavam com uma maestria rítmica, conhecendo cada ponto, cada reação.

O prazer era amplificado pelo risco. Cada passo que ouviam no andar de cima, cada risada abafada de Willie ou do Senhor Wirat, fazia o sangue de ambas correr mais rápido. Lorena usou a língua para trilhar um caminho de beijos pelo pescoço de Miu, sugando a pele sensível logo abaixo da orelha, enquanto sua mão aumentava a intensidade lá embaixo.

Miu estava no limite. Ela puxou Lorena para um beijo profundo, tentando abafar seus próprios sons conforme o orgasmo a atingia em ondas avassaladoras. Ela tremeu nos braços de Lorena, o corpo amolecendo enquanto a advogada a segurava firmemente, garantindo que ela não caísse.

— Você é minha — sussurrou Lorena contra os lábios de Miu. — Só minha. Entendeu?

Miu recuperou o fôlego, um sorriso vitorioso e exausto surgindo em seu rosto.

— Eu sempre fui sua, sua advogada arrogante.

Elas se arrumaram rapidamente, limpando qualquer evidência do encontro clandestino. Quando voltaram para o jardim, a luz do entardecer começava a tingir o céu de laranja e violeta. Willie as viu saindo da casa quase ao mesmo tempo, mas desta vez, algo em sua expressão estava diferente. Ele as observou por um longo momento, os olhos alternando entre a irmã e a melhor amiga.

— Tudo bem por aqui? — perguntou Willie, cruzando os braços. — Vocês sumiram por um bom tempo.

— Estávamos apenas... conversando sobre um caso médico-legal — disse Miu, recuperando sua postura profissional. — Lorena precisava de uma opinião técnica.

Willie soltou um suspiro longo e, para a surpresa de ambas, deu um pequeno sorriso.

— Sabe, eu posso ser meio lento para algumas coisas, mas eu conheço vocês duas melhor do que qualquer pessoa neste mundo.

O coração de Lorena parou.

— Willie... — começou ela, mas ele a interrompeu com um gesto de mão.

— Não aqui. Não na frente dos nossos pais. Mas amanhã, nós três vamos sentar e conversar. E é bom que vocês tenham uma ótima explicação para o porquê de terem me deixado no escuro por tanto tempo.

Ele deu um tapinha no ombro de Lorena e um beijo na testa de Miu antes de se afastar para se juntar a Engfa e Becky.

Lorena e Miu se entreolharam. O medo que Lorena sentia antes ainda estava lá, mas agora vinha acompanhado de um alívio imenso. O segredo estava começando a ruir, mas a base que elas haviam construído — de desejo, ciúme transformado em cuidado e um amor que desafiava as convenções — era forte o suficiente para suportar o impacto.

— Ele sabe — sussurrou Miu, pegando a mão de Lorena por baixo da mesa, longe da vista dos outros.

— Ele sabe — concordou Lorena, apertando os dedos da médica. — E, pela primeira vez, eu não estou com vontade de fugir.

A noite caiu sobre a mansão Natsha, e enquanto as famílias se despediam com abraços e promessas de novos encontros, Lorena e Miu sabiam que aquele era apenas o fim de um capítulo de sombras. O futuro seria complexo, cheio de explicações e, sem dúvida, de mais cenas de ciúmes bobos e paixões intensas, mas elas o enfrentariam juntas. O final feliz que ambas secretamente desejavam desde os tempos de faculdade não era mais um sonho distante; estava ali, no entrelaçar de suas mãos e na promessa silenciosa de que, não importava o lugar ou o risco, elas sempre encontrariam o caminho de volta uma para a outra.