Voltar ao resumo

A irmã do meu melhor amigo

O Labirinto de Confissões e o Brilho da Verdade

A manhã de domingo nasceu com uma névoa densa sobre a cidade, refletindo o estado de espírito de Lorena. Ela mal conseguira pregar os olhos após o almoço na casa dos Natsha. A frase de Willie — "eu conheço vocês duas melhor do que qualquer pessoa" — ecoava em sua mente como um veredito judicial. Ela sabia que o confronto era inevitável, mas a incerteza sobre a reação do seu melhor amigo a deixava em um estado de alerta constante.

Lorena terminou de se arrumar, vestindo uma calça de alfaiataria e uma camisa de seda preta. No espelho, viu as olheiras leves, mas também o brilho diferente em seu olhar. Era o brilho de quem não precisava mais se esconder completamente. O interfone tocou exatamente às dez da manhã. Era Miu.

— Ela já subiu — avisou o porteiro.

Segundos depois, Miu entrou no apartamento. Ela parecia ter dormido tão pouco quanto Lorena. Vestia um jeans justo e uma blusa branca casual, o cabelo preso em um coque despojado que deixava seu pescoço exposto — o mesmo pescoço que Lorena havia marcado com beijos fervorosos na adega no dia anterior.

— Willie mandou mensagem — disse Miu, sem nem dizer "bom dia". — Ele quer nos encontrar no nosso café favorito da faculdade. Aquele perto do campus.

— O "Old Times"? — Lorena suspirou, pegando as chaves. — Ele escolheu o terreno onde tudo começou. Típico do Willie.

O trajeto até o café foi silencioso. A tensão entre as duas não era mais de ciúmes, mas de cumplicidade diante do abismo. Ao entrarem no local, o cheiro de grãos torrados e torta de maçã as atingiu, trazendo lembranças de noites de estudo e risadas. Willie já estava sentado em uma mesa de canto, com três xícaras de café intocadas à sua frente.

— Sentem-se — disse Willie, a voz calma, mas firme.

Lorena e Miu obedeceram. O silêncio se estendeu por alguns segundos, que pareceram horas.

— Há quanto tempo? — Willie disparou, olhando diretamente para Lorena.

— Willie, não é como você pensa... — começou Lorena, mas ele a interrompeu.

— Lorena, você é minha melhor amiga. Miu, você é minha irmã caçula. Eu vi como vocês se olhavam na formatura. Eu vi como a Lorena ficava estranha toda vez que a Miu namorava alguém na residência. E ontem... no banheiro do bar e depois na adega... vocês acham que eu sou cego? O batom da Miu estava borrado e você, Lorena, tinha aquele olhar de quem tinha acabado de ganhar a causa do século.

Miu respirou fundo e segurou a mão de Lorena sobre a mesa, à vista do irmão.

— Começou de verdade há pouco tempo, Willie. Mas o sentimento... ele está aqui faz anos. Eu sempre a amei. E eu morria de ciúmes de cada pessoa que chegava perto dela, inclusive do Non.

Willie soltou um suspiro longo, passando as mãos pelo rosto.

— Eu não estou bravo porque vocês estão juntas. Na verdade, eu sempre achei que vocês formariam o casal mais poderoso que eu já vi. O que me machuca é que vocês não confiaram em mim. Eu sou o irmão de uma e o melhor amigo da outra. Eu deveria ter sido o primeiro a saber.

— Nós ficamos com medo, Willie — confessou Lorena, a voz embargada. — Medo de estragar a nossa amizade. Medo de como o Senhor Wirat e a Dona Leena reagiriam. Você sabe como seu pai pode ser conservador com a imagem da família.

— Meu pai ama vocês duas — disse Willie. — Ele pode ser turrão, mas ele valoriza a felicidade. E a Dona Jee? Lorena, sua mãe já me perguntou três vezes se eu achava que você e a Miu tinham tido uma briga, porque vocês estavam "estranhas" uma com a outra. Elas desconfiam, só estão esperando vocês falarem.

O alívio que percorreu o corpo de Lorena foi quase físico. Ela olhou para Miu, que sorria com lágrimas nos olhos.

— Então... você não vai nos proibir de nos vermos? — brincou Miu, tentando aliviar o clima.

— Se eu tentasse, a Lorena me processaria e você me daria uma injeção de ar — riu Willie, estendendo as mãos para as duas. — Só me prometam uma coisa: nada de cenas de ciúmes exageradas na minha frente. Eu já aguento a Engfa e a Charlotte sendo melosas demais, não preciso de mais um casal dramático no meu círculo.

Eles conversaram por mais uma hora, lavando a alma e contando detalhes (os menos picantes, claro) de como o romance floresceu. Willie, porém, tinha um aviso final.

— O Non ainda acha que tem chance, Lorena. E a enfermeira Maya mandou flores para a Miu hoje cedo no hospital, eu vi o entregador quando saí de casa. Vocês precisam resolver essas "pontas soltas" se quiserem paz.

O ciúme, que parecia ter dado uma trégua, brilhou instantaneamente nos olhos de ambas.

— Flores? — Lorena sibilou, os olhos semicerrados para Miu.

— Non mandando flores? — rebateu Miu, a voz subindo um tom.

Willie revirou os olhos.

— Lá vamos nós de novo. Eu vou embora antes que vocês comecem um duelo aqui dentro.

Depois que Willie saiu, a atmosfera entre as duas mudou. O alívio da aceitação foi substituído por uma eletricidade nova. Lorena pagou a conta e puxou Miu pelo braço em direção ao estacionamento.

— Onde vamos? — perguntou Miu, embora já soubesse a resposta pelo jeito que Lorena apertava o volante.

— Para o meu escritório. É domingo, o prédio está vazio. E eu preciso tirar essa história de "flores da enfermeira" a limpo, Dra. Natsha.

O escritório de advocacia, no trigésimo andar, estava mergulhado em um silêncio sepulcral. As luzes de emergência banhavam os corredores com um tom azulado. Assim que a porta da sala de Lorena se fechou, ela prensou Miu contra a madeira maciça.

— Flores, Miu? Sério? — Lorena sussurrou, a boca a milímetros da de Miu.

— Eu não pedi por elas, Lorena — respondeu Miu, as mãos descendo para a cintura da advogada, puxando-a para mais perto até que não houvesse espaço entre elas. — Mas adoro ver como você fica possessiva. Isso me faz querer te mostrar exatamente a quem eu pertenço.

Miu não esperou por uma resposta. Ela atacou os lábios de Lorena com uma urgência que derrubou todas as defesas da outra. O beijo era uma disputa por domínio, as línguas se entrelaçando em uma dança frenética. Lorena empurrou Miu em direção à grande mesa de mogno, espalhando processos e pastas de couro para o chão com um movimento brusco.

— Lorena... os documentos... — Miu tentou protestar, mas um gemido escapou quando Lorena começou a desabotoar sua blusa branca com dentes e mãos ágeis.

— Deixe que caiam. Amanhã eu peço para a secretária organizar. Agora, eu só quero você.

Lorena a ergueu e a sentou na mesa, abrindo suas pernas e encaixando-se entre elas. A visão de Miu, com a blusa aberta revelando a lingerie de renda preta, sob a luz da lua que entrava pelas enormes janelas de vidro, era o quadro mais bonito que Lorena já vira.

— Você é tão linda — murmurou Lorena, descendo os beijos para o colo de Miu, mordiscando a pele macia logo acima da renda. — E é toda minha.

Miu arqueou as costas, as unhas cravando-se nos ombros de Lorena.

— Sim... sou sua. Prove.

Lorena não precisou de outro convite. Suas mãos subiram pelas coxas de Miu, sentindo o calor que emanava da pele da médica. Ela retirou a calça jeans de Miu com uma eficiência impaciente, deixando-a apenas de calcinha sobre a mesa fria. O contraste térmico fez Miu estremecer, mas o calor que Lorena trazia com sua boca logo compensou o frio do mogno.

Lorena ajoelhou-se entre as pernas de Miu. Com um movimento lento e deliberado, ela afastou o tecido da calcinha, expondo a intimidade de Miu à luz prateada da noite. Miu estava linda, úmida e pronta.

— Lorena, por favor... — suplicou Miu, a voz falhando.

Lorena mergulhou, sua língua encontrando o centro do prazer de Miu com uma precisão cirúrgica. Ela conhecia os ritmos de Miu, sabia exatamente onde pressionar e quando suavizar o toque. Miu segurava a borda da mesa com tanta força que seus nós dos dedos estavam brancos, seus gemidos ecoando pela sala ampla, preenchendo cada canto do escritório de advocacia com um som que nada tinha a ver com leis ou processos.

— Mais... — pedia Miu, o corpo tremendo sob o domínio de Lorena.

A advogada aumentou a intensidade, usando os dedos para preparar Miu enquanto sua boca continuava o trabalho incessante. O clímax veio como uma tempestade. Miu gritou o nome de Lorena, o som sendo abafado pelo carpete grosso, enquanto seu corpo se contorcia em ondas de puro êxtase.

Lorena levantou-se, os olhos escuros de desejo, e viu Miu tentando recuperar o fôlego, os cabelos bagunçados e o rosto corado. Sem dizer uma palavra, Miu puxou Lorena para cima da mesa, invertendo as posições com uma agilidade surpreendente.

— Agora é a minha vez de garantir que você não pense em nenhum "sócio imbatível" por um bom tempo — sibilou Miu.

O sexo que se seguiu foi uma celebração da liberdade que Willie lhes dera. Não havia mais o peso do segredo absoluto, apenas a entrega total. Elas se exploraram sobre a mesa, depois no sofá de couro, e por fim, contra a janela de vidro, com a cidade de Bangkok aos seus pés, como se o mundo inteiro fosse testemunha daquela união.

Horas depois, exaustas e saciadas, elas se vestiram lentamente. O escritório estava uma bagunça, mas nenhuma delas se importava.

— Temos que encontrar a Becky e a Freen mais tarde — lembrou Miu, ajeitando o coque. — Elas querem comemorar o fato de o Willie não ter nos matado.

— E a Engfa e a Charlotte? — perguntou Lorena, abraçando Miu por trás e descansando o queixo em seu ombro.

— Elas já estão planejando uma viagem para nós quatro. Dizem que precisamos de um tempo longe de hospitais, tribunais e, principalmente, de enfermeiras e sócios intrometidos.

Lorena riu, beijando a nuca de Miu.

— Parece um plano perfeito.

Enquanto saíam do prédio, de mãos dadas, Lorena sentiu que o ar estava mais leve. O ciúme ainda existiria, afinal, era parte da natureza intensa de ambas, mas agora ele não era mais uma barreira venenosa. Era apenas o tempero de uma relação que sobrevivera às sombras e agora florescia sob a luz da verdade.

O caminho para o "final feliz" de 50 capítulos ainda teria muitos obstáculos. Haveria o jantar oficial com o Senhor Wirat e a Dona Leena, onde a revelação seria feita para todos. Haveria as brigas bobas por quem ficaria com o controle remoto e as discussões sérias sobre o futuro. Mas, enquanto caminhavam em direção ao carro, sob o céu que agora se abria em um azul límpido, Lorena e Miu sabiam que a parte mais difícil havia passado.

Elas não eram mais apenas a irmã do melhor amigo e a amiga do irmão. Elas eram Lorena e Miu. E isso era tudo o que importava.

— Eu te amo, Dra. Natsha — disse Lorena, antes de abrir a porta do carro para ela.

— Eu te amo, Dra. Natsha-Lorena — respondeu Miu com um sorriso atrevido. — Porque, tecnicamente, você vai ter que adotar meu sobrenome em breve.

— Veremos quem adota o de quem no tribunal, meu amor — rebateu Lorena, rindo, enquanto davam início ao resto de suas vidas.