A noite
Entre o Suor e a Rendição
O silêncio que se seguiu ao clímax foi preenchido apenas pelo som das respirações pesadas e o tique-taque distante de um relógio de parede que parecia ignorar a intensidade do que acabara de acontecer. Lucas ainda sentia o corpo de Mayra pulsar contra o seu, uma conexão elétrica que se recusava a apagar. Ele se afastou devagar, o som da pele se descolando no suor ecoando como um elogio ao esforço mútuo.
Mayra rolou de lado, os cabelos morenos espalhados pelo travesseiro como uma moldura selvagem para o seu rosto corado. Ela lançou um olhar para Lucas, que estava sentado na beira da cama, os músculos das costas ainda tensos, a luz do abajur delineando cada fibra de seu corpo loiro e atlético.
— Você achou mesmo que eu ia te deixar descansar agora? — provocou ela, a voz ainda carregada de uma rouquidão pecaminosa.
Lucas soltou uma risada curta, passando a mão pelo cabelo úmido.
— Você é insaciável, Mayra. Mas não ache que eu estou reclamando. — Ele se virou para ela, os olhos azuis faiscando com um desafio renovado. — O que mais você tem em mente, além de me deixar sem fôlego?
Mayra se ajoelhou na cama, movendo-se com a graça de uma predadora. Ela se aproximou dele por trás, envolvendo o pescoço de Lucas com os braços e deixando os seios fartos pressionarem as costas dele.
— Eu quero ver até onde vai essa sua pose de quem está no controle — sussurrou ela, mordiscando o lóbulo da orelha dele. — Quero que você esqueça que horas são, esqueça o trânsito lá fora, esqueça tudo que não seja o meu corpo.
Ela desceu as mãos pelo peito dele, sentindo o coração de Lucas acelerar novamente sob sua palma. Sem aviso, ela o empurrou suavemente para que ele se deitasse de costas, dominando o espaço sobre ele.
— Dessa vez — disse ela, sentando-se sobre as coxas dele —, eu dito o ritmo.
— Faça o que quiser — respondeu Lucas, a voz grave, as mãos subindo para apertar a cintura dela com força. — Mas não espere que eu fique parado apenas assistindo.
Mayra sorriu, um sorriso que prometia tudo e mais um pouco. Ela se inclinou para frente, capturando os lábios dele em um beijo que começou lento e exploratório, mas logo se transformou em uma disputa por fôlego. Enquanto se beijavam, ela começou a se mover, deslizando o quadril contra o dele, sentindo a rigidez de Lucas voltar com força total.
— Caralho, Mayra... você me deixa louco com esse rebolado — grunhiu ele entre os beijos.
— É só o começo, loiro — respondeu ela, afastando-se apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos. — Eu quero você de novo, mas agora eu quero sentir cada centímetro de você por outro ângulo.
Ela se levantou e caminhou até o final da cama, gesticulando para que ele se aproximasse. Lucas obedeceu, movido por um desejo que parecia se renovar a cada segundo. Ela se posicionou de costas para ele, mas desta vez, em vez de ficar de quatro, ela se inclinou sobre a cômoda de madeira escura que ficava em frente ao espelho, oferecendo-se de uma forma que deixava Lucas sem palavras.
— Olha para a gente — comandou ela, apontando para o reflexo.
Lucas se posicionou atrás dela, admirando a visão no espelho. O contraste entre a pele morena e reluzente de Mayra e as mãos dele, claras e firmes em seus quadris, era uma obra de arte erótica. Ele se inclinou, colando o peito nas costas dela, e começou a beijar a nuca de Mayra, enquanto uma de suas mãos descia para provocar a entrada que ele já havia explorado com tanta volúpia minutos antes.
— Você está tão molhada... e tão apertada ainda — comentou Lucas, a voz carregada de baixo calão e desejo. — Parece que você nasceu para ser fodida assim, toda aberta para mim.
— Cala a boca e entra logo — rebateu ela, arqueando as costas, o rosto encostado no frio da madeira da cômoda. — Eu quero sentir essa porra de novo. Agora!
Ele não se fez rogado. Com um movimento fluido e decidido, Lucas a penetrou por trás, entrando de uma vez só. O impacto fez Mayra soltar um grito abafado, os olhos fixos no reflexo de ambos no espelho. A visão de Lucas a possuindo, com a expressão de pura concentração e luxúria dele, era o combustível que ela precisava.
— Isso... fode essa morena gostosa, Lucas! — gritou ela, sem qualquer pudor. — Mais fundo, caralho!
As estocadas eram rápidas e profundas. Lucas segurava o quadril de Mayra com tanta força que sabia que deixaria marcas, mas nenhum dos dois se importava. O som da carne batendo, o ritmo frenético e os palavrões trocados no calor do momento criavam uma atmosfera de pura entrega.
— Você é minha hoje, Mayra — disse ele, a voz falhando pelo esforço. — Só minha. Vou te foder até você não conseguir mais ficar de pé.
— Então prova — desafiou ela, virando o rosto para beijá-lo enquanto ele continuava o movimento. — Me destrói, loiro. Eu não quero mais nada além de você dentro de mim.
A intensidade subiu a patamares quase insuportáveis. Lucas mudou o ângulo, inclinando o corpo de Mayra ainda mais para baixo, o que permitia uma penetração ainda mais profunda. Ela sentia cada nervo do seu corpo gritar de prazer, uma mistura de dor deliciosa e êxtase puro.
— Eu vou... eu vou gozar de novo! — exclamou Mayra, as unhas arranhando a madeira da cômoda enquanto o corpo entrava em curto-circuito.
— Segura... ainda não — pediu Lucas, o suor escorrendo por sua testa, os dentes cerrados.
Ele a puxou pela cintura e a virou rapidamente, sentando-a na beira da cômoda com as pernas envoltas em seu pescoço. Nesta nova posição, o contato visual era inevitável e abrasador. Ele recomeçou o movimento, desta vez com uma urgência que beirava o desespero. Mayra segurava os ombros dele, puxando-o para si, enquanto o mundo ao redor desaparecia.
— Agora, Lucas! Agora! — implorou ela.
O ápice veio como uma explosão. Mayra sentiu o corpo travar, os músculos da vagina e do ânus contraindo-se em sincronia enquanto o orgasmo a levava para longe. Lucas soltou um grito rouco, enterrando-se nela uma última vez antes de liberar tudo, sentindo a pulsação de Mayra envolver seu membro em um abraço final e devastador.
Eles ficaram ali por alguns minutos, abraçados, o único som sendo o da exaustão compartilhada. O espelho agora estava embaçado pelo calor de seus corpos, e o quarto parecia pequeno demais para a energia que haviam liberado.
— Você é um perigo, sabia? — disse Lucas, beijando a testa dela enquanto a ajudava a descer da cômoda.
Mayra sorriu, recuperando o fôlego, os olhos brilhando com uma satisfação triunfante.
— E você adora correr esse risco.
Ela caminhou de volta para a cama, o andar ainda um pouco instável, e se jogou nos lençóis bagunçados. Lucas a seguiu, deitando-se ao seu lado e puxando o lençol para cobri-los levemente, embora o calor no quarto ainda fosse palpável.
— O que foi isso? — perguntou ele, ainda processando a intensidade da última hora.
— Isso — respondeu ela, virando-se para ele e acariciando o rosto loiro — foi apenas o que acontece quando dois corpos decidem que não existem limites.
Lucas sorriu e a puxou para mais perto, sentindo o cheiro dela misturado ao dele. O desejo ainda estava lá, latente, esperando apenas um pequeno estímulo para incendiar tudo novamente, mas por enquanto, o cansaço era um troféu que ambos carregavam com orgulho.
— Você disse que a noite estava apenas começando — lembrou Lucas, fechando os olhos por um momento.
— E eu não minto — disse ela, fechando os olhos também, mas com um sorriso que indicava que, em breve, o silêncio seria quebrado mais uma vez. — Mas até os guerreiros precisam de dez minutos de trégua.
— Dez minutos — concordou ele. — E depois eu quero você de novo. De todas as formas possíveis.
— Combinado, loiro. Mas da próxima vez, eu quero as algemas.
Lucas abriu um olho, surpreso e excitado.
— Você não brinca em serviço, não é?
— Nunca — finalizou ela, antes de mergulhar em um breve e merecido descanso, sabendo que a madrugada em São Paulo ainda guardava muitos segredos e muito mais suor.