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A noite

Algemas e Promessas de Fogo

Os dez minutos de trégua pareceram durar apenas um suspiro. O ar no quarto ainda estava denso, carregado com o aroma inconfundível de sexo e o calor que emanava de seus corpos entrelaçados. Lucas sentia o coração desacelerar, mas a mente continuava a mil por hora, revivendo cada curva morena de Mayra e a forma como ela se entregava e dominava ao mesmo tempo. Ele abriu os olhos e a viu observando-o, um olhar predatório que indicava que o descanso havia sido apenas uma estratégia para recuperar o fôlego.

— O tempo acabou, loiro — sussurrou ela, a voz vibrando baixo contra o peito dele.

— Você realmente não dá descanso — Lucas riu, sentindo a adrenalina voltar a correr nas veias. Ele se sentou na cama, os cabelos loiros bagunçados e o corpo atlético ainda reluzindo sob a luz âmbar. — Onde estão?

Mayra não respondeu com palavras. Ela se levantou com uma lentidão calculada, deixando que ele admirasse a linha perfeita de sua coluna e o balanço de seus quadris largos. Ela foi até a gaveta da mesa de cabeceira e retirou um par de algemas de metal, revestidas com um couro preto macio por dentro. O som do metal batendo um contra o outro ecoou no quarto como um sino de guerra.

— Deita — ordenou ela, apontando para a cabeceira de ferro da cama.

Lucas obedeceu, sentindo uma excitação nova e perigosa. Ele esticou os braços acima da cabeça, e Mayra prendeu seus pulsos com firmeza na estrutura metálica. O clique das algemas fechando foi o gatilho final. Ele estava à mercê dela agora, e a visão de Mayra parada aos pés da cama, nua e com um sorriso de triunfo, era quase demais para suportar.

— Agora — disse ela, subindo na cama e engatinhando sobre ele como uma pantera —, vamos ver se você é tão valente quando não pode usar essas mãos grandes para me segurar.

Ela começou a distribuir beijos lentos e úmidos pelo peito dele, descendo pelo abdômen definido até chegar à base de seu membro, que já estava rígido e pulsante novamente. Lucas gemeu, forçando os pulsos contra o metal, os músculos dos braços saltando pela restrição.

— Porra, Mayra... você sabe exatamente o que está fazendo — grunhiu ele, a cabeça jogada para trás.

— Eu sei — respondeu ela, olhando para cima com malícia. — E eu quero que você sinta cada segundo dessa tortura.

Ela não foi direto ao ponto. Usou a língua para traçar o caminho entre o umbigo e a virilha dele, provocando-o com sopros de ar quente e mordidas leves nas coxas. Quando finalmente o envolveu com a boca, Lucas soltou um palavrão pesado, o corpo retesando contra o colchão. A sucção era rítmica e profunda, e o fato de estar preso intensificava cada sensação física. Ele não podia se mover para ditar o ritmo; era ela quem comandava a dança.

— Caralho... assim eu não vou aguentar muito tempo — avisou Lucas, a voz falhando enquanto sentia a língua dela contornar a cabeça de seu pau com uma perícia absurda.

Mayra parou por um segundo, apenas para olhá-lo com um brilho desafiador nos olhos.

— Você vai aguentar o que eu decidir, Lucas. Hoje, você é meu brinquedo.

Ela se levantou e, sem aviso, sentou-se sobre o rosto dele, retomando a posição de 69, mas com uma diferença: ele estava preso e ela tinha total controle do peso e do movimento. Lucas usou a língua com desespero, buscando o clitóris dela enquanto Mayra se deliciava com o prazer duplo. O som de fluidos se misturando e os gemidos abafados preenchiam o espaço, criando uma sinfonia de luxúria pura.

Depois de alguns minutos de uma troca intensa de carícias orais, Mayra se afastou, ofegante. Ela desceu pelo corpo dele e pegou novamente o lubrificante.

— Eu quero sentir você de novo — disse ela, a voz rouca de desejo. — Mas dessa vez, eu vou por cima. Eu quero ver você sofrer enquanto eu tiro tudo o que eu quero de você.

Ela espalhou o gel com os dedos, massageando a entrada de seu próprio ânus com uma mão enquanto a outra guiava Lucas para a posição correta. Ela se posicionou sobre ele, as pernas abertas, e começou a descer devagar. A entrada foi uma tortura lenta e deliciosa para ambos. Lucas via as feições de Mayra se contraírem em um misto de dor e prazer supremo enquanto ela o recebia por inteiro naquela via estreita e quente.

— Puta que pariu... — Lucas exclamou, as veias do pescoço saltadas. — Você é muito apertada, Mayra. Parece que vai me esmagar.

— É para... sentir... tudo — ela conseguiu dizer, começando a se movimentar para cima e para baixo.

O ritmo inicial era lento, quase uma provocação. Mayra rebolava, fazendo movimentos circulares que levavam Lucas ao limite da sanidade. Ele tentava puxar as mãos, o metal da cabeceira rangendo contra o esforço dele, querendo agarrar a cintura dela e socar com força, mas a restrição o forçava a apenas sentir.

— Gosta disso, loiro? — perguntou ela, inclinando-se para frente para que seus seios balançassem diante dos olhos dele. — Gosta de ver como eu te uso? Como eu tomo o que eu quero?

— Eu adoro, sua vadia gostosa — respondeu Lucas, os olhos fixos nos dela. — Mas quando eu sair dessas algemas, eu vou te dar o troco. Eu vou acabar com você.

Mayra riu, um som sujo e excitante, e acelerou o ritmo. As estocadas agora eram rápidas, o som da carne se chocando ecoando pelo quarto. Ela gemia alto, sem se importar com nada, entregue ao prazer daquela conexão proibida e intensa. O suor escorria de seu corpo moreno e pingava no peito de Lucas, criando uma película escorregadia entre os dois.

— Eu vou... eu vou gozar! — gritou ela, sentindo as paredes internas pulsarem ao redor dele.

— Vai, Mayra! Goza para mim! — Lucas incentivou, o próprio ápice chegando como uma avalanche.

Ela desabou sobre o peito dele enquanto o orgasmo a atingia em ondas avassaladoras. Lucas, sentindo o aperto final de Mayra, soltou um rosnado animal e descarregou-se dentro dela, o corpo tremendo violentamente sob o comando das algemas.

O silêncio voltou a reinar, quebrado apenas pela respiração ruidosa de ambos. Mayra ficou ali, deitada sobre ele por um longo tempo, sentindo o coração de Lucas bater contra o seu.

— Agora — sussurrou Lucas, a voz carregada de uma promessa sombria —, me solta.

Mayra se levantou, ainda trêmula, e pegou a chave. Com um clique, os pulsos de Lucas estavam livres. Ele não perdeu tempo. No segundo em que as mãos estavam soltas, ele a agarrou pela cintura e a virou na cama, ficando por cima dela em um movimento rápido e fluido.

— Minha vez — disse ele, os olhos brilhando com uma intensidade que fez o corpo de Mayra vibrar de antecipação.

Ele a virou de costas, de quatro, e sem qualquer preâmbulo, a penetrou novamente por trás, desta vez com uma força bruta que a fez cravar as unhas no colchão. Lucas não tinha mais paciência para sutilezas. Ele queria marcar sua posse, queria que ela sentisse cada grama de seu desejo transformado em ação.

— Você queria o troco, não queria? — perguntou ele, puxando o cabelo dela para trás e falando em seu ouvido. — Pois aqui está.

As estocadas eram profundas e rítmicas, um ataque constante aos sentidos de Mayra. Ela gemia palavrões, pedindo por mais, pedindo para ser usada, para ser preenchida. O quarto parecia pequeno demais para a energia que eles emanavam. A cada impacto, Lucas sentia que estavam transcendendo qualquer noção de sexo comum; era uma batalha, uma rendição, uma fusão de dois seres que se encontravam no extremo do desejo.

— Mais forte, Lucas! Me fode com força! — ela implorava, o corpo moreno suado e vibrante sob o toque dele.

Ele não parou até que ambos estivessem exaustos, até que o último resquício de energia tivesse sido gasto em uma explosão final de prazer que os deixou jogados no chão, ao lado da cama, rindo de puro êxtase e cansaço.

— Você é louca — disse Lucas, puxando-a para um beijo calmo, o primeiro beijo terno daquela noite de fúria.

— E você é exatamente o que eu precisava — respondeu Mayra, encostando a cabeça no ombro dele. — Mas agora, de verdade... eu preciso de água.

— Eu busco — disse ele, levantando-se com dificuldade, mas com um sorriso satisfeito no rosto.

Enquanto ele caminhava até a cozinha, Mayra o observava, sabendo que aquela noite ficaria gravada em sua memória como o padrão de tudo o que o prazer poderia ser. O loiro e a morena, o fogo e a gasolina, em uma São Paulo que, lá fora, nem imaginava o incêndio que acabara de acontecer naquele vigésimo andar.