A Obsessão do alfa mafioso
O Banquete de Sangue e Cinzas
A manhã nasceu envolta em uma névoa densa que subia da floresta, ocultando as colinas de Los Angeles como um véu fúnebre. Dentro da mansão, o ar estava carregado, mas não era apenas pela presença opressora de Victor. Havia uma eletricidade estática, um presságio de violência que fazia os sentidos de Elisa formigarem. Ela acordou ainda encostada na porta do quarto, o corpo levemente dolorido pela posição, mas o corredor do outro lado agora estava vazio. O lobo se fora com as primeiras luzes do dia, deixando apenas o cheiro de terra molhada e pinheiro impregnado na madeira.
Elisa se levantou e caminhou até a janela. As grades de ferro forjado, trabalhadas com desenhos de rosas e espinhos, eram um lembrete constante de sua nova realidade. Ela era a protegida, a companheira, a prisioneira. Enquanto observava o jardim, viu o movimento frenético dos homens de Victor. Eles não estavam apenas patrulhando; eles estavam armados até os dentes, coletes à prova de balas sob os ternos escuros, expressões de pedra que não deixavam margem para dúvidas: a guerra estava batendo à porta.
A porta do quarto se abriu e Victor entrou. Ele não usava terno hoje. Estava com uma calça tática preta e uma camisa de malha justa que delineava cada músculo de seu torso massivo. Suas tatuagens no pescoço pareciam mais escuras, e seus olhos azuis estavam frios como o gelo ártico.
— Coma rápido — disse ele, apontando para uma bandeja de prata sobre a mesa. — Hoje você não sairá deste quarto por nada. Meus homens estão em alerta máximo.
Elisa caminhou até ele, a curiosidade e o medo lutando em seu peito.
— O que está acontecendo, Victor? Por que todo esse movimento?
Victor se aproximou, segurando-a pelos ombros. A força de suas mãos era um lembrete constante de que ele poderia esmagá-la, mas o toque era possessivo, quase desesperado.
— Inimigos antigos — rosnou ele. — O clã dos Volkov acha que pode testar minha autoridade porque descobriu que eu tenho uma vulnerabilidade. Você, Elisa. Eles acham que você é meu ponto fraco.
— Eu não sou nada para você — ela sussurrou, desviando o olhar. — Você me tirou da rua. Eles nem deveriam saber que eu existo.
Victor segurou o queixo dela, forçando-a a olhar para as profundezas douradas que começavam a surgir em suas pupilas.
— No momento em que eu a marquei com meu cheiro, você se tornou o centro do meu universo. E no nosso mundo, o que o Alfa ama, os outros tentam destruir para tomar o trono. Mas eles vão aprender que mexer com a companheira de um lobo é assinar a própria sentença de morte.
Ele a beijou com uma ferocidade que a deixou sem fôlego, um beijo que sabia a promessa e perigo, e saiu, trancando a porta com um estrondo que ecoou como um tiro.
As horas passaram como séculos. Elisa andava de um lado para o outro, seus cachos ruivos balançando freneticamente. O silêncio da mansão foi subitamente quebrado pelo som de uma explosão distante, seguida pelo estalido rítmico de tiros de fuzil. O coração dela disparou. Ela correu para a janela e viu vultos se movendo entre as árvores. Gritos ecoavam, misturados a rosnados que não soavam humanos.
De repente, a porta de seu quarto não foi apenas aberta, foi arrancada das dobradiças. Elisa gritou, recuando até a parede. Três homens desconhecidos, com rostos cobertos e armas em punho, invadiram o recinto.
— Então esta é a cadela do Alfa? — disse um deles, a voz carregada de um sotaque carregado. — Victor vai chorar lágrimas de sangue quando enviarmos sua cabeça para ele.
Antes que o homem pudesse dar um passo, o teto do corredor pareceu desabar. Um vulto negro, imenso e veloz como um raio, arremessou-se para dentro do quarto.
Não era um homem. Era a fera.
Victor, em sua forma de lobo negro de dois metros de altura, rugiu — um som tão poderoso que os vidros das janelas vibraram e racharam. Elisa caiu de joelhos, cobrindo os ouvidos. O lobo não hesitou. Com um movimento fluido, ele cravou as presas no pescoço do primeiro invasor, arrancando-o do chão como se fosse um boneco de pano. O sangue espirrou nas paredes, manchando o papel de parede luxuoso de carmesim.
Os outros dois homens tentaram atirar, mas o lobo era rápido demais. Ele era uma sombra de morte. Com as garras afiadas como navalhas, ele rasgou o peito do segundo homem, enquanto o terceiro foi lançado contra a parede com tal força que o som dos ossos quebrando foi audível acima do caos.
Elisa estava paralisada, os olhos verdes arregalados de terror e fascinação. O lobo negro parou sobre os corpos sem vida, a respiração pesada saindo em nuvens de vapor. Ele se virou para ela. O sangue dos inimigos escorria de seu focinho negro, e seus olhos amarelos-dourados brilhavam com uma fúria divina.
— Victor? — ela chamou, a voz falhando.
O lobo deu um passo em direção a ela, mas parou ao ver o medo em seu rosto. Ele soltou um ganido baixo, um som de agonia humana vindo de uma garganta animal. Então, diante dos olhos dela, o impossível aconteceu.
Os ossos do lobo começaram a estalar e se reajustar com um som úmido e violento. O pelo negro recuou para dentro da pele, e a massa muscular se redistribuiu. Em segundos, onde antes estava a fera, agora estava Victor, nu, coberto de sangue e suor, sua pele branca contrastando com o vermelho viscoso de seus inimigos.
Elisa sufocou um grito, levando as mãos à boca.
— Você... você é... — Ela não conseguia terminar a frase.
Victor caminhou até ela, ignorando sua nudez, focado apenas na mulher trêmula à sua frente. Ele se ajoelhou diante dela, pegando suas mãos pequenas com as dele, que ainda estavam manchadas de morte.
— Eu sou o que você viu — disse ele, a voz rouca, os olhos azuis ainda tingidos de dourado nas bordas. — Metade homem, metade fera. Eu sou o Alfa, Elisa. E este é o meu mundo. Um mundo de sangue, onde eu mato para proteger o que é meu.
— Você os matou... com as mãos... com os dentes... — Ela soluçou, olhando para os corpos no chão.
— Eu faria de novo mil vezes — afirmou ele, apertando as mãos dela. — Eles vieram tirar você de mim. Eles queriam machucar minha companheira. O lobo não permite isso. O homem não permite isso.
Elisa olhou para o homem à sua frente. Ele era um monstro, um assassino, um ser que desafiava as leis da natureza. Mas, ao olhar em seus olhos, ela não viu apenas a fera. Viu uma solidão ancestral, uma necessidade desesperada de ser compreendido, de pertencer a alguém que não o temesse.
— Por que me mostrou agora? — perguntou ela, as lágrimas escorrendo por suas bochechas morenas.
— Porque não há mais segredos entre nós — disse Victor, levantando-se e puxando-a para cima, envolvendo-a em um abraço protetor, apesar do sangue que agora manchava o vestido dela. — Você viu o pior de mim. Viu a fera em sua forma mais crua. Se você vai me odiar, que odeie quem eu realmente sou. Mas você nunca sairá do meu lado.
Os tiros lá fora haviam cessado. Marcus apareceu na porta, parando bruscamente ao ver a cena. Ele desviou o olhar da nudez de seu líder e da carnificina no quarto.
— Senhor, o perímetro está limpo. Os Volkov sobreviventes recuaram.
— Mate todos — ordenou Victor, sem desviar os olhos de Elisa. — Não deixe nenhum deles chegar à fronteira do estado. Quero que saibam que o território do Lobo Negro é solo sagrado.
— Sim, Alfa — respondeu Marcus, retirando-se imediatamente.
Victor voltou sua atenção para Elisa. Ele a levou até o banheiro, ligando o chuveiro. A água quente começou a encher o ambiente de vapor. Ele entrou sob a água, puxando-a com ele, vestido e tudo.
— Deixe-me lavar isso de você — sussurrou ele, começando a limpar as manchas de sangue do rosto dela com uma delicadeza que parecia impossível para alguém que acabara de estraçalhar três homens.
— Eu deveria estar apavorada — disse Elisa, deixando que ele tirasse o vestido encharcado dela, revelando sua própria nudez sob a luz suave do banheiro. — Eu deveria fugir de você para sempre.
— Mas você não vai — disse Victor, passando as mãos pelas curvas do quadril dela, puxando-a para mais perto sob a água caindo. — Porque seu lobo reconhece o meu. Porque você sente, no fundo da sua alma, que este é o único lugar onde você realmente está segura.
Elisa olhou para as tatuagens dele, agora limpas do sangue alheio. Ela tocou a cicatriz em seu peito, bem acima do coração que batia com uma força selvagem.
— O que acontece agora? — perguntou ela.
— Agora, o mundo sabe que você é minha — respondeu Victor, inclinando-se para beijar o topo de sua cabeça ruiva. — E agora, você terá que decidir se vai lutar contra esse destino ou se vai aceitar o trono ao meu lado. Mas saiba de uma coisa, Elisa: virgem ou não, humana ou fera, eu vou possuir cada parte de você. Vou devorar sua resistência até que não sobre nada além de nós dois.
Elisa fechou os olhos, sentindo o calor da água e o poder do homem que a segurava. O medo ainda estava lá, mas ele estava sendo lentamente substituído por algo mais profundo, algo sombrio e inebriante. Ela era a pequena Chapeuzinho Vermelho, e ela finalmente entendera que a floresta nunca foi o seu lugar.
Seu lugar era na garganta do lobo.
— Eu não tenho para onde ir, não é? — perguntou ela, abrindo os olhos verdes para encontrar os azuis dele.
— Não — disse Victor, um sorriso predatório e possessivo cruzando seus lábios. — Você está em casa, Elisa. E eu nunca vou deixar você partir.
Naquela noite, sob o teto de uma mansão manchada de sangue e protegida por feras, Elisa não dormiu sozinha. Ela dormiu nos braços do homem que era seu sequestrador e seu salvador, enquanto o lobo negro dentro dele descansava, satisfeito por ter protegido seu tesouro. A guerra lá fora estava apenas começando, mas dentro daquelas paredes, a rendição era a única paz possível.
Victor a observou dormir, seus dedos traçando as linhas de seu corpo com uma reverência quase religiosa. Ele sabia que o caminho à frente seria pavimentado com mais violência, mas não importava. Ele tinha sua ruiva. Ele tinha sua companheira. E ele queimaria o mundo inteiro antes de deixar que qualquer luz tocasse a escuridão que agora os unia.
— Minha — sussurrou ele na escuridão do quarto.
E, em seu sono, Elisa não fugiu. Ela apenas se aninhou mais profundamente no peito do monstro, aceitando finalmente que seu coração agora batia no ritmo de uma fera.