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A Obsessão do alfa mafioso

O Labirinto de Seda e Sangue

A noite em Los Angeles chegou com uma promessa de tempestade, o céu tingido de um roxo profundo que parecia refletir o humor sombrio de Victor. Dentro da mansão, o luxo era sufocante. Elisa estava diante do espelho, o vestido de seda verde esmeralda moldando seu corpo de forma impecável. O tecido abraçava sua cintura fina e fluía sobre seus quadris largos, enquanto o decote valorizava o colo moreno claro, onde o colar de diamantes agora repousava, frio e pesado como uma coleira de realeza.

Seus cabelos ruivos haviam sido domados em ondas perfeitas que caíam como fogo sobre seus ombros. Ela se sentia uma estranha para si mesma. A órfã que lutava para pagar o aluguel havia desaparecido, dando lugar a uma visão exótica que parecia pertencer a um trono de sombras.

A porta do quarto se abriu sem que ela ouvisse um passo sequer. Pelo reflexo, ela viu Victor. Ele usava um terno preto sob medida, a camisa entreaberta no pescoço revelando o início de uma tatuagem que subia pela clavícula. Seus olhos azuis percorreram o corpo de Elisa com uma lentidão que a fez estremecer, uma mistura de desejo e uma satisfação quase animal.

— Você está magnífica — disse ele, a voz vibrando nas paredes do quarto. — Exatamente como eu imaginei quando a vi pela primeira vez sob a luz da lua.

Elisa virou-se, as mãos trêmulas escondidas nas dobras do vestido.

— Por que tudo isso, Victor? — perguntou ela, a voz carregada de uma melancolia que ele parecia ignorar. — O vestido, as joias... você me mantém presa e agora quer que eu desfile como um troféu?

Victor caminhou até ela, sua presença de 1,95 m reduzindo o espaço entre eles a nada. Ele parou tão perto que ela podia sentir o cheiro de sândalo, uísque e aquele aroma selvagem e metálico que ela agora associava ao lobo.

— Você não é um troféu, Elisa — disse ele, levando a mão ao rosto dela e acariciando a bochecha com o polegar. — Você é o meu centro. O mundo lá fora é um caos de traição e sangue. Aqui dentro, sob a minha proteção, você é a única coisa pura que me resta.

— Proteção não deveria ser sinônimo de cárcere — retrucou ela, os olhos verdes brilhando com um desafio que ele parecia adorar.

Victor sorriu, um gesto que não era gentil.

— Para uma criatura como você, o mundo é um matadouro. Eu apenas a tirei da fila do abate. — Ele segurou o queixo dela com firmeza, mas sem machucar. — Venha. O jantar está servido. Meus homens precisam ver quem é a mulher que comanda o coração do Alfa.

Eles desceram a escadaria de mármore até a sala de jantar, onde uma mesa imensa estava posta com cristais e prataria. Marcus e outros três homens de confiança de Victor estavam de pé, em silêncio absoluto. Quando Elisa entrou, todos inclinaram a cabeça simultaneamente. Foi um gesto de submissão que a deixou desconfortável; ela sentia o peso dos olhares deles, sentia que não era vista apenas como uma mulher, mas como algo sagrado e perigoso.

O jantar transcorreu em um silêncio tenso, quebrado apenas pelo som dos talheres e pelas ordens breves que Victor dava sobre negócios da máfia que ela mal compreendia — carregamentos, territórios, "limpezas". Ele falava com uma frieza que a assustava, mas quando seus olhos encontravam os dela, o gelo derretia em uma brasa dourada.

— Você não tocou no vinho — observou Victor, observando-a intensamente.

— Minha cabeça ainda dói — mentiu ela, embora a dor fosse agora apenas um eco. A verdade era que ela queria manter seus sentidos aguçados.

— O vinho ajudaria a relaxar — disse ele, inclinando-se para frente. — Você está tensa, Elisa. Sinto o cheiro do seu estresse daqui. É ácido, como limão. Prefiro quando você cheira a chocolate e baunilha.

Elisa sentiu o rosto esquentar. A forma como ele falava sobre o seu cheiro era íntima demais, quase invasiva.

— Você fala como se fosse um animal — sussurrou ela.

Victor soltou uma risada curta e sombria.

— Todos somos animais, Elisa. Alguns de nós apenas pararam de fingir o contrário.

Após o jantar, Victor dispensou os homens com um gesto seco. Ele se levantou e estendeu a mão para ela.

— Venha comigo. Quero lhe mostrar uma coisa.

Ele a levou até os fundos da mansão, para uma área que ela não tinha visto antes: uma varanda imensa protegida por vidros do chão ao teto, que dava vista para a floresta onde ela tentara fugir. A lua estava quase cheia, banhando as árvores com uma luz prateada e fantasmagórica.

— Eu vi o lobo novamente — disse Elisa, observando a escuridão lá fora. — No meu quarto, ontem à noite. Eu sei que não foi um sonho.

Victor permaneceu em silêncio por um longo tempo, parado atrás dela. Ela sentia o calor do corpo dele, a força bruta que ele emanava mesmo em repouso.

— O que você sentiu quando o viu? — perguntou ele, a voz quase um sussurro contra o seu ouvido.

Elisa fechou os olhos, lembrando-se da imensa fera negra.

— Medo, no início — confessou ela. — Mas depois... foi estranho. Eu senti que ele não me machucaria. Senti que ele estava... sofrendo por mim.

Victor fechou os punhos ao lado do corpo. O lobo dentro dele rugiu em reconhecimento. A conexão entre eles era tão forte que até na forma humana ele podia sentir a alma dela chamando pela dele.

— Ele nunca machucaria você — disse Victor, a voz rouca. — Aquele lobo daria a vida para garantir que você respire. Ele matou por você, Elisa. E mataria novamente.

Ela se virou para encará-lo, a luz da lua destacando os traços fortes do rosto dele, a beleza cruel e hipnotizante.

— Como ele entrou no quarto, Victor? Como ele sumiu?

Victor deu um passo à frente, encurralando-a contra o vidro frio da varanda. Seus olhos azuis começaram a mudar, o cristalino sendo invadido por fios de um dourado incandescente. A respiração de Elisa falhou.

— Existem segredos neste mundo que sua mente humana não está pronta para processar — disse ele, a mão subindo para o pescoço dela, sentindo a pulsação acelerada. — Mas seu corpo... seu corpo já sabe a verdade. Ele reage a mim de uma forma que você não consegue controlar.

Ele se inclinou, o nariz roçando o pescoço dela, inalando o perfume doce que o fazia delirar.

— Você sente isso, não sente? — murmurou ele contra a pele dela. — O calor. A eletricidade. O fato de que, embora você diga que me odeia, seu coração bate no mesmo ritmo que o meu.

— É medo — disse ela, embora suas pernas estivessem perdendo a força.

— Não é apenas medo — rosnou ele, e por um momento, o som foi puramente animal. — É o chamado do sangue. Você é minha companheira, Elisa. Criada para mim, preservada para mim.

Ele a beijou então. Não foi um beijo gentil. Foi uma reivindicação. Tinha o gosto de uísque e de uma fome antiga, uma possessividade que parecia querer fundir as almas deles. Elisa soltou um soluço baixo contra os lábios dele, suas mãos subindo para o peito de Victor, inicialmente para empurrá-lo, mas seus dedos acabaram se agarrando à camisa dele, buscando apoio.

Victor a segurou pela cintura, levantando-a ligeiramente do chão, pressionando seu corpo musculoso contra as curvas dela. Ele podia sentir o calor da virgindade dela, a pureza que ele ansiava por corromper e proteger ao mesmo tempo. O lobo dentro dele estava incontrolável, querendo rasgar as roupas humanas e reivindicá-la ali mesmo, sob a luz da lua.

Mas ele se forçou a parar. Ele a afastou gentilmente, embora seus olhos dourados ainda queimassem com uma luxúria selvagem. Elisa estava ofegante, os lábios inchados, os olhos verdes nublados de desejo e confusão.

— Eu não vou tomar você hoje — disse ele, a voz falhando pela primeira vez. — Eu quero que você venha até mim por vontade própria. Quero que você aceite o monstro antes de aceitar o homem.

— Eu nunca vou aceitar isso — disse ela, embora sua voz não tivesse convicção.

— Veremos — respondeu ele, recuperando a compostura, embora o brilho dourado ainda não tivesse desaparecido totalmente de seus olhos. — Vá para o seu quarto, Elisa. Tente dormir.

Ela não esperou que ele repetisse. Correu para o quarto, o coração batendo como o de um pássaro capturado. Ela trancou a porta, embora soubesse que as trancas de nada serviam contra ele. Deitou-se na cama, ainda sentindo o gosto dele em sua boca, o calor de suas mãos em sua pele.

Horas se passaram. Elisa estava em um sono leve quando um som a despertou. Um arranhar suave na madeira da porta.

Ela se sentou na cama, o lençol puxado contra os seios.

— Victor? — chamou ela.

Não houve resposta humana. Apenas o som de algo pesado se acomodando do outro lado da porta. Um suspiro profundo e animal.

Ela caminhou até a porta e encostou o ouvido na madeira. Ela podia ouvir a respiração do outro lado — lenta, poderosa, rítmica. O lobo negro estava lá. Ele não estava tentando entrar; ele estava montando guarda.

Elisa deslizou até o chão, encostando as costas na porta, sentindo a vibração da respiração da fera através da madeira. Pela primeira vez em sua vida, a órfã que nunca teve ninguém sentiu que não estava sozinha. Havia um monstro protegendo seu sono, um alfa que destruiria o mundo para mantê-la segura.

— Por que eu? — sussurrou ela para a porta.

Do outro lado, o lobo soltou um ganido baixo, quase um murmúrio de adoração.

Elisa fechou os olhos e, pela primeira vez desde que fora sequestrada, adormeceu profundamente, embalada pela presença sombria do homem que era seu dono e da fera que era sua alma gêmea.

Ela ainda não sabia que, na manhã seguinte, o mundo de Victor seria atacado por inimigos que queriam usar sua fraqueza ruiva contra ele. E ela não sabia que, para salvá-la, Victor teria que mostrar a ela sua verdadeira face diante de todos, em um banquete de sangue que mudaria sua vida para sempre.

Mas naquela noite, no silêncio da mansão máfia, havia apenas o cheiro de chocolate e baunilha misturado ao aroma do predador. A caçada havia terminado, mas a verdadeira dança entre a bela e a fera estava apenas começando.