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A protegida

Fuga de Prisão e Visitantes Indesejados

O brilho do monitor era a única coisa que iluminava meu rosto enquanto eu me concentrava intensamente na tela. Eu estava no meio de uma partida de "Fuja da Prisão" no Roblox, e as coisas não estavam indo nada bem. Meu avatar, uma bonequinha com roupas que eu tentei deixar o mais parecidas possível com o meu estilo real, estava presa em um corredor cheio de lasers vermelhos que pareciam impossíveis de desviar.

— Não, não, não! — resmunguei, apertando as teclas 'W', 'A' e 'D' com uma força desnecessária. — Pula, sua tonta! Ai, meu Deus, eu vou morrer de novo para esse guarda robótico!

Eu já estava perdendo a paciência. Sabe aquele nível de irritação que só um jogo travado ou uma fase difícil consegue proporcionar? Eu estava exatamente assim. Minha cauda — se eu estivesse na forma de loba — estaria balançando freneticamente de um lado para o outro. Dei um soco leve no mousepad quando meu personagem foi atingido por um tiro de choque e voltou para a cela.

— Que ódio dessa fase! — exclamei para o quarto vazio, sentindo o calor da frustração subir pelo meu pescoço.

Respirei fundo, contei até três e tentei mais uma vez. Meus dedos voaram pelo teclado, e dessa vez, por um milagre da tecnologia ou pura sorte de loba, consegui deslizar por baixo do último laser e atravessar o portão principal.

— Graças aos espíritos! — soltei um grito de vitória abafado, rindo sozinha logo em seguida da minha própria reação exagerada. — Finalmente! Chupa essa, sistema carcerário virtual!

Eu ainda estava rindo, sentindo a adrenalina do jogo diminuir, quando a porta do quarto se abriu sem cerimônia. Jacob entrou, com aquela sua energia de "irmão mais velho folgado", e se jogou na minha cama, fazendo o colchão ranger.

— Você está rindo de quê, Hanna? — ele perguntou, cruzando os braços atrás da cabeça e olhando para o teto. — Achei que estivesse estudando ou algo útil, mas está aí nesse jogo de novo.

— É pesquisa antropológica, Jacob — respondi, sem tirar os olhos da tela enquanto começava a próxima fase. — Estou estudando o comportamento humano em situações de confinamento. E você? Não deveria estar lá embaixo com o Sam e os outros?

Jacob bufou, e o som foi carregado de um desprezo que eu conhecia bem. O humor dele tinha mudado instantaneamente.

— O clima lá embaixo está uma droga. Edward está por aí de novo, rondando como se fosse o dono da floresta.

Eu parei de digitar por um segundo e olhei para a janela lateral do meu quarto, que dava para a orla da floresta. Por um reflexo, apontei com o queixo para o vidro.

— Aquele ali não é o "seu amigo" Edward? — perguntei, com um tom sarcástico.

Lá embaixo, atravessando a clareira perto da estrada de terra, a figura pálida e esguia de Edward Cullen caminhava ao lado de Bella Swan. Eles pareciam estar em uma bolha própria, envoltos naquela aura de drama adolescente sobrenatural que sempre parecia seguir os dois.

Jacob levantou-se num salto e parou ao meu lado, olhando pela janela com os olhos cerrados. Ele parecia um vulcão prestes a entrar em erupção.

— Eles não se cansam — rosnou Jacob. — Bella está vindo para cá. Ela disse que queria falar com a gente, mas a última coisa que eu ouvi foi ela reclamando de novo. Ela quer distância de todos nós, Hanna. Quer que o bando pare de "interferir" na vida dela.

Eu revirei os olhos tão forte que achei que ia ver meu próprio cérebro. Voltei para o meu jogo, mas a concentração tinha ido embora. Jacob começou a andar de um lado para o outro no meu quarto, gesticulando freneticamente.

— "Ah, o Edward isso, o Edward aquilo"... — ele começou a imitar, com uma voz fina e irritante que não se parecia em nada com a de Bella, mas que expressava bem o seu descontentamento. — Ela não percebe que estamos tentando proteger essa cidade? Que ele é um perigo? E agora ela vem com esse papo de que quer distância, como se nós fôssemos o problema!

— Jacob — eu tentei intervir, mas ele não parava.

— E o pior é que ele fica lá, com aquela cara de quem sabe tudo, olhando para a gente como se fôssemos cachorrinhos de estimação! Eu juro, Hanna, se ele der mais um passo em direção à reserva hoje, eu não respondo por mim. E a Bella... ela simplesmente não entende! Ela quer se tornar um deles, ela quer jogar a vida fora por causa de um...

— Cala a boca, Jacob! — gritei, finalmente perdendo a paciência e girando a cadeira para encará-lo.

Ele parou no meio do passo, surpreso com o meu tom de voz. Eu apontei para a porta com o dedo indicador, sentindo minhas sardas queimarem de raiva.

— Eu não aguento mais ouvir o nome dessa garota! — exclamei, sentindo meu sangue ferver. — Sério, Jacob, eu não suporto mais a Bella. Essa desgraça me irrita profundamente! É o dia inteiro "Bella, Bella, Bella". Ela quer distância? Ótimo! Que vá morar na Alasca com os pálidos e nos deixe em paz. Eu quero jogar meu Roblox tranquila sem ter que ouvir um podcast sobre os dramas amorosos de uma humana que não sabe o que quer da vida!

Jacob piscou algumas vezes, processando o meu surto. O silêncio durou alguns segundos antes de um sorriso lento começar a aparecer no rosto dele. Ele soltou uma risada curta, que logo se transformou em uma gargalhada alta e genuína.

— "Essa desgraça me irrita"? — ele repetiu, rindo tanto que precisou se apoiar na escrivaninha. — Nossa, Hanna, você é pequena, mas é brava.

— Eu estou falando sério! — eu disse, mas a minha própria vontade de rir começou a surgir, quebrando a tensão. — É exaustivo. Vocês dão muita atenção para quem não merece.

— Você tem razão — Jacob admitiu, limpando uma lágrima de riso do canto do olho. — Você tem toda a razão. Vou deixar você com seu jogo de prisioneiros. É bem menos complicado do que a minha vida amorosa, com certeza.

Ele caminhou até a porta, ainda rindo baixinho e balançando a cabeça.

— Vou descer e ver se o Sam precisa de ajuda para despachar os "visitantes". Divirta-se aí, pequena loba.

Ele saiu e fechou a porta. Eu suspirei, sentindo o quarto ficar silencioso novamente. Tentei voltar para o jogo, mas meu coração ainda estava um pouco acelerado. Não pela raiva da Bella — embora ela realmente me irritasse —, mas pelo que Emily tinha me contado antes. Onde estaria o Seth?

Eu estava no meio de uma nova fuga, tentando abrir um cofre eletrônico no jogo, quando ouvi passos leves no corredor. Diferentes dos passos pesados e barulhentos de Jacob. Alguém bateu suavemente na porta.

— Hanna? Pode entrar? — Era a voz dele. Aquela voz que fazia meu estômago dar piruetas.

— Entra, Seth! — respondi, tentando manter a voz o mais normal possível, embora eu sentisse que ia explodir a qualquer momento.

A porta se abriu e Seth Clearwater entrou. Ele deu um sorriso tímido, aquele sorriso que iluminava o quarto inteiro e fazia com que todo o resto — Edward, Bella, vampiros, problemas de matilha — desaparecesse. Ele fechou a porta atrás de si com cuidado. O quarto já estava com a porta fechada, mas ele fez questão de garantir que estivéssemos em nossa própria bolha.

— Oi — ele disse, coçando a nuca. — O Jacob passou por mim rindo e disse que você deu um esporro nele.

— Ele mereceu — eu respondi, dando um tapinha na cadeira de escritório extra que eu mantinha ao lado da minha. — Ele não para de falar da Bella. Minha cota de drama humano por hoje já estourou.

Seth riu, aquele som cristalino que eu tanto amava, e sentou-se na cadeira ao meu lado. Ele se aproximou um pouco, o calor do corpo dele — típico de um lobo — irradiando para perto de mim.

— É, o Jake às vezes não sabe quando parar. Mas e aí? O que você está jogando?

— Roblox. Fugindo da prisão — expliquei, apontando para a tela. — Quer entrar? Eu te ajudo a passar da fase dos lasers.

— Com certeza — ele disse, os olhos brilhando de empolgação. — Deixa eu ligar o meu notebook aqui do lado.

Enquanto ele se acomodava e iniciava o jogo, eu o observava pelo canto do olho. Lembrava-me de cada palavra da gravação que Emily me mostrara. *“Toda vez que a Hanna sorri para mim, eu sinto que vou ter um treco”*.

Será que ele estava sentindo isso agora? Porque eu certamente sentia que meu coração ia sair pela boca.

— Pronto, entrei no seu servidor — anunciou Seth, concentrado na tela. — Onde você está?

— Estou no pátio, perto da torre de vigia — respondi, voltando minha atenção para o jogo. — Vem logo, antes que o guarda me veja.

Passamos os minutos seguintes coordenando movimentos, rindo das nossas falhas e comemorando cada pequeno progresso. Seth era um jogador terrível, para ser sincera. Ele caía em todas as armadilhas de espinhos e era pego pelos guardas quase o tempo todo, mas a alegria dele era contagiante.

— Hanna! Me ajuda! — ele gritou, rindo, enquanto seu personagem corria em círculos sendo perseguido por três policiais virtuais.

— Meu Deus, Seth! Corre para o duto de ventilação! — eu gritava de volta, batendo no teclado com entusiasmo.

Em um momento de distração, quando finalmente conseguimos escapar para a área externa do mapa, nossas mãos se tocaram sobre a mesa por um breve segundo enquanto ambos buscávamos o mouse de forma atrapalhada. Foi como se uma corrente elétrica passasse por mim.

Eu congelei. Ele também parou de mexer no computador.

O silêncio no quarto mudou de forma. Não era mais o silêncio de dois amigos jogando, mas algo mais denso, mais doce. Olhei para ele, e Seth já estava me olhando. Os olhos dele eram tão profundos, tão cheios de uma sinceridade que me deixava sem fôlego.

— Hanna... — ele começou, a voz um pouco mais baixa e rouca.

— Sim? — respondi, quase sem voz.

Ele abriu a boca para falar algo, talvez para repetir o que dissera na gravação, talvez para confessar tudo ali mesmo. Eu podia ver o nervosismo em seus ombros, a forma como ele mordia o lábio inferior. Minhas sardas formigaram. Eu queria que ele falasse. Eu queria dizer que também sentia o mesmo.

Mas, lá embaixo, o som de um uivo distante ecoou pela floresta, seguido por gritos de alegria dos meninos. Aparentemente, a "visita" tinha ido embora e o bando estava comemorando alguma coisa.

Seth piscou, quebrando o transe, e deu um sorriso meio sem jeito, mas ainda assim encantador.

— A gente... a gente devia terminar essa fase antes que o Sam venha nos chamar para jantar — ele disse, embora seus olhos ainda brilhassem com algo não dito.

— É — eu concordei, sentindo meu coração se acalmar um pouco, mas ainda repleto de uma felicidade vibrante. — Vamos terminar isso. Eu não vou deixar você ser preso de novo, Clearwater.

— Promete? — ele perguntou, inclinando a cabeça para o lado.

— Prometo — respondi com firmeza.

Voltamos para o jogo, mas a atmosfera entre nós tinha mudado para sempre. Eu sabia o que ele sentia, e ele, de alguma forma, devia estar começando a perceber que eu também sabia. Enquanto nossos avatares corriam pela liberdade virtual, eu percebi que não precisava de sorte para encontrar alguém como o Sam. Eu já tinha o Seth. E isso era muito melhor do que qualquer jogo, qualquer lenda ou qualquer drama de La Push.

— Ei, Hanna? — ele chamou, sem tirar os olhos da tela.

— Oi?

— Você fica muito fofa quando está concentrada jogando.

Senti meu rosto queimar instantaneamente e dei um soco leve no braço dele.

— Joga logo, Seth! — exclamei, escondendo o sorriso largo que insistia em aparecer.

A vida em La Push podia ser complicada, cheia de vampiros e dramas, mas ali, naquele quarto, com o som do teclado e a risada de Seth, tudo parecia perfeito.