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A protegida

Laços de Sangue e Promessas de Lua

Cinco anos haviam se passado desde que aquele áudio secreto na cozinha de Emily mudou o curso das nossas vidas. Cinco anos desde que deixamos de ser apenas dois lobos adolescentes jogando Roblox para nos tornarmos o que sempre fomos destinados a ser. Agora, aos vinte anos, o mundo parecia diferente. O bando havia crescido, as ameaças haviam mudado, mas o que eu sentia por Seth Clearwater só se intensificou, como uma chama que nunca encontrava o seu fim. Estávamos casados agora. Uma cerimônia simples em La Push, com o cheiro do mar e a benção dos anciãos, selando um destino que o imprinting já havia traçado muito antes de termos coragem de admitir.

A casa estava silenciosa naquela noite. Sam, Emily e os outros haviam saído para uma reunião de conselho estendida em outra reserva, e pela primeira vez em semanas, éramos apenas nós dois. O ar frio da noite de Washington batia contra as janelas, mas dentro do nosso quarto, o calor era quase palpável.

Assim que entramos no quarto, eu girei a chave na fechadura. O som do trinco ecoou suavemente, um sinal claro de que o mundo lá fora não era mais convidado para entrar. Seth, que caminhava logo atrás de mim, não perdeu tempo. Antes que eu pudesse me virar, senti suas mãos grandes e quentes envolverem minha cintura, me prensando contra a madeira dura da porta.

— Finalmente sozinhos — sussurrou ele, a voz agora muito mais profunda do que aquela que eu conhecera aos quinze anos.

Ele encostou a testa na minha, os olhos cor de chocolate brilhando com uma intensidade que ainda me fazia estremecer. Seth não era mais apenas o garoto brincalhão; ele era um homem, um protetor, mas mantinha aquela doçura que era só dele.

— Hanna, eu passei o dia inteiro querendo fazer isso — continuou ele, sua respiração batendo no meu rosto. — Eu olho para você e ainda não acredito que você é minha esposa. Que cada detalhe seu, cada sarda, cada sorriso... tudo isso pertence a mim tanto quanto eu pertenço a você.

Eu não tive tempo de responder. Seth selou nossos lábios em um beijo urgente, faminto, que carregava toda a saudade de um dia inteiro de tarefas e patrulhas. Eu retribui com a mesma intensidade, minhas mãos subindo para os seus ombros largos, sentindo os músculos tensos sob sua pele quente. O beijo desceu para o meu pescoço, e eu soltei um suspiro baixo quando senti seus lábios pressionarem a pele sensível ali. Ele deixou uma marca, um chupão que eu sabia que demoraria a sair, mas eu não me importava. Era a marca dele.

Seth apertou meu peito por cima do pijama que eu estava usando — um macacão azul do Stitch, com capuz e orelhas, que ele sempre dizia ser a coisa mais adorável do mundo.

— Diga meu nome, Hanna — comandou ele, a voz rouca perto do meu ouvido.

— Seth... — murmurei, sentindo meu corpo amolecer contra a porta.

Ele apertou um pouco mais, um sorriso convencido brincando em seus lábios.

— Repete. Eu quero ouvir você dizer que eu sou o único.

— Seth, meu Seth — repeti, obedecendo ao seu comando, mas mantendo a voz baixa, um segredo compartilhado entre quatro paredes.

Ele riu baixinho, um som vitorioso, e me pegou no colo sem esforço, me levando até a cama. Deitamos sob os lençóis macios, e por um momento, o ritmo diminuiu. Eu estiquei o braço para fechar a cortina, bloqueando a luz da lua, e liguei a televisão em um volume baixo apenas para criar um ruído de fundo. Ficamos ali abraçados, o pijama do Stitch agora meio aberto na frente pelo calor que emanava de nós dois. Seth deslizou a mão por dentro do tecido, sentindo minha pele, mas logo a retirou, fechando o zíper com um cuidado quase paternal.

— Vamos só descansar um pouco — disse ele, me puxando para o seu peito.

Eu concordei, mas a minha natureza inquieta não permitia que eu ficasse parada por muito tempo. Lembrei-me de que queria mostrar a ele um desenho que eu estava fazendo no meu tablet. Levantei-me da cama, o pijama meio bagunçado, e comecei a procurar o aparelho pela escrivaninha.

— Onde eu deixei...? — resmunguei, revirando alguns papéis.

Senti a presença dele atrás de mim antes mesmo de ouvir seus passos. Seth me segurou pela cintura, colando seu corpo ao meu. Em um movimento rápido e brincalhão, ele deu uma sarrada leve contra mim, soltando uma risada travessa logo em seguida. Eu me virei, olhando para ele com uma expressão de falsa indignação.

— Seth Clearwater! — exclamei, embora meus olhos estivessem sorrindo. — Eu estou tentando ser produtiva aqui.

— Nada de tablet agora, pequena loba — disse ele, pegando o aparelho da minha mão antes que eu pudesse protestar e colocando-o longe. — Nós já estamos assistindo TV, lembra?

— Mas eu queria te mostrar... — tentei argumentar, mas ele interrompeu minhas palavras com outro beijo, desta vez mais lento e exploratório.

Suas mãos desceram para o zíper do meu pijama novamente, mas desta vez ele não o fechou. Com movimentos ágeis, ele me ajudou a tirar o macacão pesado, me deixando apenas de sutiã e calcinha. A luz da TV refletia em sua pele bronzeada enquanto ele também se livrava de suas roupas. Voltamos para a cama em um emaranhado de pernas e respirações curtas.

Seth deitou-se de costas, e eu, tomando a iniciativa, sentei-me sobre ele. Comecei a me movimentar devagar, sentindo a conexão profunda que o imprinting nos proporcionava. Era como se nossas almas estivessem dançando o mesmo ritmo. Ele relaxou os braços atrás da cabeça por um momento, mas logo suas mãos subiram para apertar minha bunda, o que me fez soltar um gemido involuntário que preencheu o quarto.

— Gosta assim? — perguntei, provocando-o ao aumentar a velocidade, rebolando com uma confiança que eu só tinha com ele.

— Eu amo tudo o que você faz — respondeu ele, os olhos fixos nos meus.

Ele colocou as mãos na minha cintura, guiando meus movimentos, ditando o ritmo que ele mais gostava. Mas eu queria mais. Eu queria vê-lo perder o controle. Fui mais rápido, desafiando sua resistência, até que ele soltou um rosnado baixo e me girou na cama, me colocando por baixo dele.

— Minha vez — sussurrou.

Seth assumiu o comando, e o quarto foi preenchido por sons de prazer e o estalar suave da pele se encontrando. Eu chamava o nome dele repetidamente, como um mantra, sabendo que isso o levava à loucura. Ele adorava ouvir como a voz dele afetava cada fibra do meu ser. Depois de um tempo que pareceu uma eternidade de êxtase, desabamos um ao lado do outro, ofegantes.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas ouvindo nossas respirações voltarem ao normal. Mas a minha veia brincalhona nunca descansava. Mesmo sem estarmos fazendo nada, eu soltei um gemido alto e dramático, apenas para fazer pirraça.

Seth se virou para mim, arqueando uma sobrancelha.

— O que foi isso, Hanna?

Eu comecei a rir, escondendo o rosto no travesseiro.

— Nada, só quis ver sua reação.

Ele soltou uma gargalhada e tentou me fazer cócegas, resultando em uma pequena luta de travesseiros que terminou comigo rolando para fora da cama, rindo sem parar.

— Eu vou lá embaixo trancar as portas — avisei, recuperando o fôlego. — Esqueci da porta dos fundos.

Desci as escadas rapidamente, sentindo o chão frio sob meus pés descalços. Tranquei tudo, verificando cada janela com meus sentidos de loba aguçados. Quando voltei para o quarto, Seth estava sentado na cama, me observando. Eu me encostei no ferro da cama, observando-o de volta.

— Hanna — chamou ele, com um brilho diferente no olhar. — Fica de quatro em cima da cama.

Eu arqueei as sobrancelhas, mas obedeci, sentindo a adrenalina subir novamente. Seth veio por trás de mim, e por um segundo, a lembrança dos nossos quinze anos passou pela minha mente — a mesma brincadeira, a mesma energia, mas agora com a intensidade de adultos que se conheciam profundamente. Ele se aproximou, sarrando contra mim com força, mas desta vez ele fez algo diferente.

Ele pegou meu longo cabelo preto, deu uma volta firme em seu braço e me puxou levemente para trás, expondo meu pescoço.

— Você é minha — ele rosnou, repetindo o movimento rítmico contra mim.

Ele fez isso repetidas vezes, e eu não conseguia parar de rir entre os gemidos. Era uma mistura perfeita de luxúria e aquela diversão que sempre definira nossa amizade. Ele soltou meu cabelo, mas suas mãos permaneceram firmes na minha cintura, nos movendo em uma velocidade que me deixava sem forças.

— Seth, eu... eu estou ficando fraca — confessei, sentindo minhas pernas tremerem.

— Eu sei — disse ele, beijando meu ombro. — E eu adoro isso. Adoro saber que eu tenho esse efeito em você.

Eu me virei, recuperando o controle da situação, e montei nele novamente para a cavalgada final. Já estávamos completamente entregues um ao outro, protegidos e seguros. Cada toque dele me fazia estremecer, cada beijo parecia o primeiro. Ele agarrou meu peito com uma mão enquanto a outra se perdia nos meus cabelos, nos levando ao ápice juntos, em uma explosão de sensações que só os lobos poderiam compreender.

Quando finalmente paramos, exaustos e suados, nos aninhamos sob o cobertor. O pijama do Stitch estava jogado em algum canto do quarto, o tablet esquecido, e a TV passava algum filme de romance antigo que nenhum de nós estava assistindo.

— Sabe, Hanna — disse Seth, enquanto eu apoiava a cabeça em seu ombro —, às vezes eu ainda sinto que sou aquele garoto nervoso gravando um áudio para a Emily.

Eu ri baixinho, traçando círculos em seu peito.

— E eu ainda sinto que sou aquela garota de saia longa que quase morreu de susto na floresta.

Ele me beijou no topo da cabeça.

— A gente teve sorte, não teve?

— Não foi sorte, Seth — respondi, fechando os olhos enquanto o sono começava a chegar. — Foi o destino. E eu não mudaria nada.

Dormimos abraçados, cercados pelo silêncio protetor de La Push, sabendo que, não importa quantos anos passassem, seríamos sempre aqueles dois lobos, loucamente apaixonados, fugindo das prisões do mundo para encontrar a liberdade um nos braços do outro.