A Rosa e o Dragão
O Eco das Correntes e o Sussurro do Aço
O ar nas masmorras da Fortaleza Vermelha era pesado, saturado com o cheiro de mofo, urina e o desespero silencioso de homens que outrora governaram os Sete Reinos. Valarr Targaryen estava sentado em um canto de sua cela, as pernas magras e elegantes recolhidas contra o peito. Sua armadura negra fora levada, deixando-o apenas com uma túnica de linho fino, agora manchada de fuligem e suor. A mecha prateada em seu cabelo castanho parecia brilhar com uma luz própria na penumbra, um lembrete cruel de uma linhagem que Aldric Darkmoor tentava extinguir.
Ele fechou os olhos, mas a imagem de Lysaha — não, de Alyssane Darkmoor — permanecia gravada em suas pálpebras. Ele a via no pátio, a espada curta movendo-se como um relâmpago, o sorriso que ele pensara ser de cumplicidade. Cada lembrança era uma adaga.
— Valarr.
A voz de seu pai veio da cela ao lado, separada por uma parede de pedra maciça com apenas uma pequena fresta para ventilação. Baelor Quebra-Lança soava cansado, mas sua dignidade permanecia intacta.
— Estou aqui, pai — respondeu Valarr, sua voz rouca.
— Você não pode se deixar consumir por isso. O que Aldric quer é que você se quebre por dentro antes mesmo de ele desembainhar o aço contra o seu pescoço.
— Ela me usou, pai. Cada palavra, cada toque... foi tudo planejado.
Houve um longo silêncio antes de Baelor responder.
— Eu vi a lança dela atravessar o pescoço daquele assassino, Valarr. Se o plano era nos destruir completamente, ela teria deixado que ele me matasse enquanto eu dormia. Há algo que não encaixa no papel que ela está interpretando.
— Talvez ela só quisesse o prazer de nos ver cair publicamente — retrucou Valarr, a amargura transbordando. — A humilhação é um veneno mais lento que o aço.
Do lado de fora da cela, o som de botas pesadas ressoou contra as lajes de pedra. Não eram os passos desleixados dos guardas comuns. Era um passo leve, quase musical, interrompido pelo tilintar de chaves.
A porta da cela de Valarr rangeu ao abrir. Ele não se levantou. Continuou encarando a parede oposta até que a figura entrou e a porta foi fechada e trancada por fora.
— Saia daqui — disse Valarr, sem precisar olhar para saber quem era.
— Os guardas foram subornados. Temos dez minutos — disse Lysaha. Sua voz não era a da sobrinha fria do usurpador que ele vira no pátio. Era a voz da mulher que ele amara, carregada de uma urgência desesperada.
Valarr finalmente se virou. Ela usava uma capa escura com capuz, mas por baixo ele podia ver o brilho do couro de sua armadura de treino. Ela parecia exausta, com olheiras profundas sob os olhos castanhos.
— Dez minutos para quê? Para me contar mais mentiras? Para me dizer como foi divertido ver o "Príncipe Jovem" cair em sua armadilha?
Lysaha deu um passo à frente, mas parou quando Valarr se encolheu, como se o toque dela fosse brasa.
— Valarr, escute. Aldric não é meu tio. Ele é um monstro que mantém minha mãe e minha irmã presas em um porão em algum lugar das Terras da Tempestade. Ele me treinou para ser uma arma. Ele me enviou para cá com um propósito: seduzir você, descobrir as fraquezas da Fortaleza e facilitar o golpe.
— E você fez exatamente isso — disse ele, levantando-se lentamente. Sua estatura esguia e elegante, mesmo em trapos, ainda impunha respeito.
— Eu tentei lutar contra isso! — As lágrimas brilhavam nos olhos dela. — Eu atrasei as informações o quanto pude. Eu matei o homem que ia assassinar seu pai! Valarr, eu estou tentando salvar o que sobrou, mas ele vigia cada passo meu. Se eu não estivesse ao lado dele no trono hoje, ele teria mandado a cabeça da minha irmã em uma caixa antes do amanhecer.
Valarr aproximou-se dela, seus olhos bicolores fixos nos dela. O azul era frio como o gelo do Norte, o marrom quente como a terra de Dorne.
— Você diz que me ama, mas entregou as chaves do reino a um tirano. Meu avô, o Rei Daeron, está morrendo em uma cela superior. Meu tio Maekar está acorrentado como um animal. E você... você veste as sedas dele.
— Eu visto o que preciso para sobreviver e para manter vocês vivos! — Lysaha agarrou os pulsos dele. As mãos dela eram pequenas, mas a força de uma guerreira estava lá. — Aldric quer executar Baelor amanhã ao meio-dia. Ele quer fazer de você um exemplo de "misericórdia", mantendo-o como um refém quebrado para garantir que o resto da Casa Targaryen não se levante.
O coração de Valarr falhou uma batida.
— Ele vai matar meu pai?
— Não se eu puder evitar. Mas eu não posso fazer isso sozinha.
Ela soltou os pulsos dele e retirou um objeto de dentro da capa. Era um pequeno punhal, o cabo esculpido em osso de dragão — uma relíquia que Valarr reconheceu imediatamente. Era a adaga pessoal de seu pai.
— Como você conseguiu isso? — perguntou ele, pegando a arma com reverência.
— Eu a recuperei quando os guardas estavam saqueando os aposentos de Baelor. Valarr, há um navio esperando no porto. "O Vento de Verão". O capitão é leal ao seu pai. Se conseguirmos tirar você e Baelor daqui esta noite...
— E o Rei? E Maekar?
— Aldric mudou a guarda deles. Eu não consigo chegar lá. Mas Baelor é a chave. O reino se levantará por ele. Se o Quebra-Lança estiver livre, o governo de Aldric durará menos que uma lua.
Valarr olhou para a adaga e depois para a mulher à sua frente. A dúvida era um abismo. Ela poderia estar armando uma fuga falsa apenas para que pudessem ser mortos "tentando escapar", limpando as mãos de Aldric de qualquer execução formal. Mas o desespero nos olhos de Lysaha era real demais para ser apenas encenação.
— Por que você está me contando isso agora? — perguntou ele. — Se formos pegos, você morre. Sua família morre.
— Eu já estou morta por dentro, Valarr. Desde o momento em que vi você ser levado por aqueles guardas. — Ela deu um passo hesitante e tocou o rosto dele. Desta vez, ele não se afastou. — Eu não sou Alyssane Darkmoor. Eu sou Lysaha Rowen, uma garota de uma casa menor que perdeu tudo. A única coisa que eu ainda possuo é o que sinto por você. E eu prefiro morrer tentando te salvar do que viver como a rainha de cinzas de Aldric.
Valarr fechou os olhos, sentindo o calor da mão dela. Por um momento, o peso da coroa de cinzas pareceu diminuir.
— O que você quer que eu faça?
— Quando os guardas voltarem para a troca de turno, eu farei um sinal. Você deve estar pronto. Não haverá segunda chance.
Ela se inclinou e o beijou. Não foi um beijo de paixão, mas um selo de guerra e despedida. Tinha gosto de sal e promessas quebradas.
— Eu te amo, meu príncipe — sussurrou ela.
Antes que ele pudesse responder, ela se afastou, saindo da cela e trancando a porta. O silêncio voltou a reinar, quebrado apenas pela voz baixa de Baelor.
— Valarr? O que ela disse?
— Ela vai nos tirar daqui, pai — disse Valarr, apertando o cabo da adaga até que os nós de seus dedos ficassem brancos. — Ou ela vai nos entregar aos deuses.
***
Enquanto isso, nas ruas sinuosas de Porto Real, o caos começava a se organizar em uma ordem sombria. As capas douradas da Patrulha da Cidade haviam sido substituídas, em grande parte, por mercenários vestindo o cinza e preto dos Darkmoor. O povo estava trancado em suas casas, temendo o que a manhã traria.
Perto do Portão do Rei, dois viajantes cobertos de poeira passavam despercebidos. O cavaleiro era um gigante de homem, com um rosto bondoso mas marcado pelas dificuldades da estrada. Ao seu lado, um garoto de olhos astutos tentava esconder a cabeça raspada sob um capuz surrado.
— A cidade cheira a medo, Dunk — sussurrou Egg, puxando a capa do companheiro. — E a sangue fresco.
— Shh, garoto. Mantenha a cabeça baixa. Se o que ouvimos na estalagem for verdade, os Targaryen não são mais os mestres daqui.
— Meu tio Baelor nunca deixaria isso acontecer — insistiu o menino, a voz tremendo levemente. — Ele é o Quebra-Lança. Ele é o homem mais forte do reino.
Dunk olhou para as muralhas da Fortaleza Vermelha, onde o estandarte do dragão de três cabeças havia sido retirado, substituído por um corvo negro sobre um fundo cinza.
— Às vezes, Egg, a força não é suficiente contra a traição. Vamos encontrar um lugar para passar a noite. Se o Príncipe Valarr e o Lorde Baelor estiverem vivos, haverá uma luta. E nós precisaremos estar prontos.
***
Dentro da Fortaleza, Lysaha caminhava pelos corredores com a cabeça erguida. Cada guarda que passava por ela inclinava a cabeça, respeitando a mulher que o usurpador chamava de sua mão direita. Ela sentia o peso do olhar de Aldric em cada sombra. Ele era um homem paranoico, e com razão. Ele sabia que o poder construído sobre traição era como um castelo de areia na maré alta.
Ela entrou nos aposentos que lhe haviam sido designados — uma sala luxuosa que antes pertencera a uma das princesas Targaryen. Aldric a esperava, sentado em uma poltrona, girando um anel de sinete no dedo.
— Você demorou nas masmorras, querida — disse ele, sem olhar para ela.
— O príncipe é teimoso — respondeu Lysaha, mantendo a voz firme enquanto tirava a capa. — Ele precisava ser lembrado de sua nova posição. A esperança é uma erva daninha que precisa ser arrancada pela raiz.
Aldric levantou-se e caminhou até ela. Ele era um homem de meia-idade, com traços finos e olhos que pareciam nunca piscar. Ele tocou a ponta do cabelo preto de Lysaha.
— Você é uma mentirosa magnífica, Lysie. É por isso que eu gosto de você. Mas lembre-se: eu conheço todos os seus truques. Eu os ensinei a você.
Ele apertou o queixo dela com força, forçando-a a olhar para ele.
— Se você estiver planejando algo heróico, lembre-se da pequena Cassye. Ela gosta tanto de desenhar... seria uma pena se ela perdesse as mãos, não acha?
Lysaha sentiu o estômago revirar, mas não desviou o olhar. Ela sorriu — o sorriso frio e vazio que Aldric a ensinara a usar como arma.
— Cassye é um sacrifício que eu estou disposta a fazer pelo futuro da nossa casa, "tio". Você não me ensinou que o poder exige perdas?
Aldric soltou o queixo dela, parecendo satisfeito com a resposta cruel.
— Exatamente. Amanhã, após a execução de Baelor, o reino saberá que a era dos dragões acabou. E você, minha querida, será a noiva do novo regime.
Ele saiu do quarto, rindo suavemente. Lysaha esperou até que o som de seus passos desaparecesse completamente. Ela correu até o lavatório de prata e vomitou. Limpando a boca com as costas da mão, ela se olhou no espelho.
— Só mais uma noite — sussurrou ela para o seu reflexo. — Só mais uma noite de mentiras.
Ela pegou um pequeno frasco de veneno oculto sob o fundo falso de sua caixa de joias. Não era para Aldric. Era para ela, caso o plano falhasse. Ela não permitiria que ele a usasse novamente.
***
A meia-noite chegou com uma névoa densa subindo do rio Água Negra. Valarr estava alerta, cada sentido aguçado. Ele ouvira o barulho de uma briga abafada no final do corredor, seguida pelo silêncio.
A porta de sua cela se abriu novamente. Mas desta vez, não era Lysaha. Era um homem alto, vestido com as cores da Patrulha da Cidade, mas com um lenço vermelho amarrado no braço.
— Príncipe Valarr? — sussurrou o homem. — Lady Lysaha nos enviou. Sou o Capitão Gendry, da guarda pessoal do seu pai.
— Onde ela está? — perguntou Valarr, saindo da cela e ajudando seu pai a se levantar da cela vizinha.
— Ela está criando uma distração nos estábulos. Temos que ir agora. O túnel sob a Torre da Mão está livre.
Baelor Quebra-Lança, apesar de fraco, colocou a mão no ombro do filho.
— Valarr, leve a adaga. Se encontrarmos resistência, você é o nosso braço.
Eles avançaram pelas sombras, movendo-se como fantasmas pelas entranhas da fortaleza que conheciam tão bem. O túnel era estreito e cheirava a terra úmida. Valarr sentia o coração martelar contra as costelas. Ele pensava em Lysaha, enfrentando Aldric sozinha enquanto eles fugiam.
— Eu não posso deixá-la — disse Valarr, parando subitamente no meio do túnel.
— Valarr, não seja tolo — sibilou o Capitão Gendry. — Ela deu a ordem. O objetivo é tirar o Lorde Baelor daqui.
— Ela é a razão de estarmos vivos! — Valarr olhou para o pai. — Pai, você consegue seguir com Gendry até o navio?
Baelor olhou para o filho. Ele viu nos olhos bicolores de Valarr não apenas a paixão de um jovem apaixonado, mas a determinação de um príncipe que não abandonaria seus aliados.
— Vá — disse Baelor, com um orgulho triste. — Mas volte para mim, Valarr. O reino precisa de você. E eu também.
Valarr assentiu, entregou a adaga ao pai e desembainhou a espada curta que roubara de um guarda caído no caminho. Ele deu meia-volta e correu de volta para o castelo, em direção ao perigo, em direção à mulher que o traíra e, ao mesmo tempo, o libertara.
Ele emergiu dos túneis perto dos estábulos. O cheiro de fumaça era forte. Lysaha havia cumprido sua promessa; um incêndio começara nos depósitos de feno, e os guardas estavam em desordem, tentando conter as chamas e acalmar os cavalos.
No meio do caos, ele a viu.
Lysaha estava cercada por quatro homens de Aldric. Ela lutava com uma ferocidade desesperada, sua espada curta brilhando à luz do fogo. Ela já estava ferida; o sangue escorria de um corte em seu ombro, manchando sua túnica escura.
— Lysie! — gritou Valarr, lançando-se na luta.
Sua entrada foi elegante e letal. Ele não era um guerreiro bruto como Maekar, mas sua precisão era absoluta. Ele atravessou a garganta do primeiro homem antes que ele pudesse se virar. O segundo caiu com um golpe certeiro no peito.
Lysaha aproveitou a distração para finalizar os outros dois. Ela cambaleou, e Valarr a segurou antes que ela caísse.
— Você deveria ter ido embora! — exclamou ela, entre dentes, a dor evidente em seu rosto.
— Eu sou um dragão, Lysaha. Nós não fugimos deixando os nossos para trás.
Eles se olharam por um segundo, cercados pelo fogo e pelo som de gritos. Naquele momento, todas as mentiras e traições foram reduzidas a nada. Havia apenas a sobrevivência.
— Aldric sabe — disse ela, ofegante. — Ele percebeu a tempo. Ele está vindo para cá.
— Então vamos dar a ele a recepção que ele merece — respondeu Valarr, ajudando-a a se levantar.
Das sombras do corredor principal, a figura esguia de Aldric Darkmoor emergiu, segurando uma besta carregada. Ele não parecia zangado; ele parecia divertido, como um mestre observando o fracasso de seus alunos.
— Que cena tocante — disse Aldric, apontando a besta para o coração de Valarr. — O príncipe e a traidora. Eu deveria ter matado você no berço, Valarr. Você tem muito do idealismo irritante do seu pai.
— E você tem muito da covardia dos usurpadores, Aldric — cuspiu Valarr, colocando-se à frente de Lysaha.
— Talvez. Mas a covardia me deu um trono. E agora, ela me dará a sua vida.
Aldric apertou o gatilho.
O tempo pareceu desacelerar. Valarr sentiu o empurrão violento de Lysaha. Ela se jogou à frente dele no exato momento em que o virote de metal cruzava o ar. O som do impacto foi seco e horrível.
Lysaha caiu de joelhos, o virote cravado em seu abdômen.
— Não! — O grito de Valarr ecoou pelas vigas do estábulo.
A raiva que ele sentiu não era humana. Era algo ancestral, vindo do sangue de Valíria. Ele avançou contra Aldric antes que o homem pudesse recarregar. Aldric tentou sacar sua espada, mas Valarr era mais rápido. Ele não usou técnica; ele usou ódio.
Ele derrubou Aldric no chão, golpeando-o repetidamente com o punho e o cabo da espada até que o rosto do usurpador fosse uma massa irreconhecível de sangue e osso. Valarr só parou quando sentiu uma mão fraca puxando sua túnica.
Ele se arrastou de volta para o lado de Lysaha. Ela estava pálida, a respiração vindo em soluços curtos e superficiais.
— Valarr... — sussurrou ela. — Minha família... prometa...
— Eu vou encontrá-las, Lysie. Eu juro pelo fogo e pelo sangue. Nós vamos tirá-las de lá.
Ela sorriu, um sorriso genuíno, livre de qualquer máscara.
— Você será... um grande rei.
Os olhos castanhos, que Valarr tanto amara, perderam o brilho. Lysaha Rowen morreu nos braços do príncipe que ela traíra para salvar.
Valarr Targaryen permaneceu ali, ajoelhado no meio do incêndio, segurando o corpo da mulher que fora sua ruína e sua redenção. Ele olhou para cima, para as chamas que consumiam o estábulo, e seus olhos bicolores refletiram o inferno.
Ele não era mais o príncipe reservado e educado que a corte conhecia. Naquela noite, nas cinzas da traição, algo novo nascera. Baelor Quebra-Lança era a esperança do reino, mas Valarr seria sua justiça.
Ele pegou o corpo de Lysaha nos braços e caminhou em direção à saída. Os guardas que restavam abriram caminho, aterrorizados pela expressão no rosto do príncipe. Ele caminhou até o porto, onde seu pai o esperava no "Vento de Verão".
Ao subir a rampa, Baelor viu o corpo nos braços do filho e a escuridão em seus olhos.
— Valarr... — começou Baelor, com pesar.
— Ela nos deu a nossa vida, pai — disse Valarr, sua voz fria como o aço. — Agora, nós vamos retomar o que é nosso. E cada homem que seguiu Aldric Darkmoor aprenderá o que acontece quando se acorda o dragão.
O navio zarpou, deixando para trás uma Porto Real em chamas. No horizonte, o sol começava a nascer, mas para a Casa Targaryen, a noite estava apenas começando. E Valarr, com a mecha prateada brilhando ao vento, olhava para trás, não com saudade, mas com a promessa de um retorno que os Sete Reinos jamais esqueceriam.