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A transmissão

O Pacto do Ferro e da Seda

A caminhada de Vikir pelos corredores da Academia Colosso naquele dia foi diferente de qualquer outra. O silêncio que o seguia não era apenas o respeito temeroso dedicado a um guerreiro de elite, mas um choque paralisante. A transmissão de Osiris tinha sido como jogar um balde de sangue em um tanque de tubarões. O "plebeu" era um Baskerville. O lobo solitário tinha duas das mulheres mais poderosas do império como noivas. E, talvez o mais chocante para alguns, ele era um pai dedicado — à sua maneira — para a pequena Peri, que agora repousava orgulhosamente em seu ombro.

Peri não era apenas um familiar comum; ela era, em essência e alma, a filha de Vikir, ligada a ele por um pacto de sangue e lealdade que transcendia a biologia. Enquanto Vikir avançava, ele ignorava os sussurros que explodiam atrás dele como pólvora.

— É ele... o Cão de Caça de Ferro...

— Você viu as marcas nas costas dele? Aquilo não foi feito por monstros...

— A Santa e a herdeira Morg... ao mesmo tempo? Como isso é possível?

Vikir não parou. Ele não tinha prestado atenção aos detalhes técnicos da transmissão de Osiris, focado apenas em cumprir sua rotina. Mas a realidade o atingiu quando ele chegou ao pátio central.

Um grupo de alunos, incluindo alguns de seus "amigos" de classe, o cercou. As perguntas vinham como flechas.

— Vikir! É verdade? Você é mesmo um Baskerville?

— Por que não nos contou? E sobre a Santa Dolores?

Antes que Vikir pudesse responder com sua frieza habitual, um vulto branco e dourado atravessou a multidão. Dolores, a Santa, correu em sua direção. Seu rosto estava tão vermelho que parecia que ela poderia entrar em combustão a qualquer momento. Sem dizer uma palavra, ela se chocou contra o peito de Vikir, envolvendo os braços em seu pescoço e escondendo o rosto em seu ombro, tentando desesperadamente desaparecer da vista do público.

— Vikir... — a voz dela saiu abafada, trêmula de vergonha. — Todos viram... a transmissão... tudo...

Vikir sentiu o peso suave de Dolores e, instintivamente, colocou um braço em volta da cintura dela, protegendo-a.

— Osiris vai pagar por isso — murmurou Vikir, seus olhos vermelhos brilhando com uma promessa de violência.

— Ah, não seja tão ranzinza, Vikir! — Uma voz confiante e melodiosa cortou o ar. Camus de Morg aproximou-se, caminhando com a elegância de uma rainha que acabara de conquistar um reino. Ela não parecia nem um pouco envergonhada; pelo contrário, exibia um sorriso vitorioso.

Camus parou ao lado de Vikir e também se abraçou a ele, segurando seu outro braço e encostando a cabeça em seu ombro, ao lado de onde Dolores estava escondida.

— Foi uma publicidade excelente — disse Camus, acariciando o braço de Vikir enquanto lançava um olhar desafiador para os alunos ao redor. — Agora todos sabem a quem você pertence. E a quem nós pertencemos. Não é, Dolores querida?

Dolores soltou um gemido de agonia mental, apertando-se mais contra Vikir. Camus riu, começando a acariciar as costas de Dolores para consolá-la, embora houvesse um brilho travesso em seus olhos.

— Vamos sair daqui — disse Vikir, sua paciência com a multidão se esgotando. — Temos coisas a resolver.

Ele arrastou as duas para longe dos olhares curiosos, levando-as de volta para a ala privada. Peri, no ombro de Vikir, soltou um pequeno ganido de aprovação, como se estivesse gostando da atenção que sua "família" estava recebendo.

Horas depois, o caos da academia ficou para trás, substituído pelo silêncio denso e carregado do quarto de Vikir. A tensão política e social deu lugar a uma tensão de natureza muito mais primitiva e urgente.

Vikir estava sentado na beira da cama, observando o movimento no quarto. Dolores, ainda tentando recuperar a compostura, estava em um canto trocando de roupa para colocar seu pijama de seda. Ela já havia retirado o manto sagrado e o vestido formal, restando apenas em sua calcinha de renda azul pastel. Suas mãos tremiam levemente enquanto ela desdobrava o pijama.

Camus, por outro lado, já havia se livrado de quase tudo. Ela usava apenas um conjunto de lingerie preta que contrastava violentamente com sua pele pálida e seus cabelos ruivos como fogo. Ela se sentou no colo de Vikir, de frente para ele, movendo-se com uma lentidão deliberada.

— Você estava muito tenso hoje, meu lobo — sussurrou Camus, passando as unhas levemente pelo peito de Vikir, sentindo a musculatura rígida sob sua pele. — Precisa relaxar.

Ela começou a se esfregar contra ele, um movimento rítmico e provocante que fez a respiração de Vikir falhar por um segundo. Ele tentou manter o controle, sua mente de estrategista lutando contra os instintos que Camus sabia exatamente como despertar.

— Camus... — advertiu ele, a voz rouca.

— Shh... — Ela se levantou devagar, seus olhos fixos nos dele. Com um sorriso predatório, ela caminhou em direção a Dolores, rebolando os quadris de uma forma que prendia o olhar de Vikir como uma corrente.

Dolores, que estava prestes a vestir a parte de cima do pijama, foi pega de surpresa quando Camus a abraçou por trás, puxando-a em direção à cama.

— Venha, Dolores. Você também está precisando disso. Pare de se esconder.

— Ca-Camus! Espere! — protestou Dolores, mas ela era facilmente conduzida pela outra.

Camus empurrou Dolores para o colo de Vikir. A Santa, agora apenas de calcinha, sentou-se sobre as coxas dele, a pele macia encontrando a rigidez do corpo do Baskerville. O contraste era absoluto: a pureza de Dolores, a audácia de Camus e a força bruta de Vikir.

Vikir tentou manter as mãos apoiadas no colchão, mas Camus tinha outros planos. Ela se posicionou atrás de Vikir, empurrando o rosto dele para frente, afundando-o diretamente contra os seios fartos e macios de Dolores.

— Ah! — Dolores soltou um gemido alto, o som ecoando pelo quarto enquanto suas costas se arqueavam. O contato da boca de Vikir com sua pele sensível enviou um choque elétrico por seu corpo.

O controle de Vikir finalmente se quebrou. O Cão de Caça não era apenas um título; era sua natureza. Ele envolveu a cintura de Dolores com um braço, puxando-a contra si com uma força possessiva, enquanto sua outra mão subia para agarrar o cabelo de Camus, trazendo-a para perto.

— Vocês duas... — rosnou Vikir — não sabem o que estão pedindo.

— Sabemos exatamente — respondeu Camus, a respiração ofegante em seu ouvido.

Vikir virou o corpo de Dolores, fazendo-a sentar de frente para ele, cavalgando-o. Ele a penetrou com um movimento brusco e profundo, fazendo a Santa gritar, um som que misturava choque e um prazer avassalador que ela nunca imaginara ser possível. Ao mesmo tempo, ele puxou Camus para o seu lado, usando os dedos livres para invadir a intimidade da herdeira Morg, que arqueou o corpo, entregando-se ao toque agressivo.

O quarto tornou-se um campo de batalha de sentidos. Vikir não era gentil; ele era um Baskerville, e sua forma de amar era tão intensa quanto sua forma de lutar. Ele mordia o ombro de Dolores enquanto a estocava com força, suas mãos apertando a bunda dela com tanta firmeza que deixaria marcas. Dolores, a mulher que o mundo via como um símbolo de divindade, agora estava desfeita, seus dedos cravados nos ombros de Vikir, seus gemidos tornando-se súplicas por mais.

Camus não ficava atrás. Ela se deliciava com a dor e o prazer, provocando Vikir a ser ainda mais bruto. Ele alternava sua atenção, maltratando os seios de uma com mordidas e sucções enquanto entrava na outra com uma urgência febril.

— Vikir... mais... por favor... — clamava Dolores, o rosto banhado em suor e luxúria, seus quadris movendo-se freneticamente contra os dele.

Vikir a segurou pela nuca, forçando-a a olhar em seus olhos vermelhos, que agora queimavam com um desejo puro e desenfreado.

— Vocês são minhas — declarou ele, a voz vibrando contra o peito delas. — Cada parte de vocês.

— Sempre fomos — respondeu Camus, antes de ser silenciada por um beijo violento de Vikir, enquanto ele continuava a possuir Dolores com uma cadência que prometia não dar descanso a nenhuma delas até o amanhecer.

Na penumbra do quarto, entre os lençóis revirados e o som da respiração pesada, a hierarquia da Academia Colosso não significava nada. Ali, só existia o ferro do Cão de Caça, a seda da Santa e o fogo da Morg, fundidos em um único e indestrutível pacto de prazer e sangue. Peri, em seu canto, fechou os olhos, protegida pela força avassaladora de seu pai e pela união daquelas que agora eram sua família. O mundo lá fora podia falar o que quisesse; dentro daquelas paredes, o Baskerville era o rei.