A transmissão
O Sangue, o Ferro e a Promessa de uma Nova Era
A penumbra do quarto na ala residencial da Academia Colosso parecia pulsar no mesmo ritmo frenético que o coração de Vikir. O ar estava saturado com o cheiro de suor, luxúria e o leve aroma de incenso sagrado que sempre emanava da pele de Dolores, agora misturado ao perfume cítrico e perigoso de Camus. O silêncio da noite era quebrado apenas pelos sons úmidos e carnais de um encontro que desafiava todas as leis da moralidade imperial.
Vikir não era um homem de meias medidas. Como um Baskerville, cada movimento seu era calculado para a máxima eficiência, e na cama, essa eficiência se traduzia em uma intensidade que beirava a brutalidade. Ele segurava Camus pelos quadris, seus dedos cravando-se na pele alva da herdeira Morg enquanto a possuía com estocadas rítmicas e profundas. Camus, com a cabeça jogada para trás e os cabelos ruivos espalhados como chamas pelo travesseiro, soltava gemidos curtos e agudos, suas unhas arranhando os braços musculosos de Vikir em um pedido mudo por mais dor e mais prazer.
— Você é... incrível... meu lobo... — ofegou Camus, os olhos revirando quando sentiu o ápice se aproximar.
Vikir rosnou, um som gutural que vibrou no peito de Camus, e com um último impulso poderoso, ele se derramou dentro dela, preenchendo-a completamente. O corpo de Camus teve um espasmo final, e ela relaxou contra os lençóis, os olhos vidrados em puro êxtase.
Mas o Cão de Caça de Ferro ainda não estava satisfeito. Suas pupilas vermelhas, brilhando na escuridão como brasas, voltaram-se para Dolores. A Santa estava ajoelhada ao lado deles, observando tudo com uma mistura de choque e desejo devorador. Sua respiração era errática, e seus seios subiam e desciam rapidamente, cobertos por uma fina camada de suor que brilhava sob a luz da lua que filtrava pela janela.
Sem dizer uma palavra, Vikir a puxou para o seu colo. Dolores soltou um grito de surpresa que rapidamente se transformou em um suspiro quando sentiu a rigidez dele contra sua intimidade. Vikir a mordeu no ombro, não com força suficiente para tirar sangue, mas o bastante para deixar uma marca de posse clara. Suas mãos, grandes e ásperas pelas batalhas, subiram para os seios de Dolores, apertando-os e puxando os mamilos com os dentes, enquanto a outra mão descia para desferir tapas firmes em suas nádegas, o som da palma contra a carne ecoando no quarto.
— Vikir! Ah... por favor... — Dolores gritava, as lágrimas de prazer começando a rolar por seu rosto.
A timidez que a definia durante o dia havia sido completamente incinerada. Ela não era mais a Santa intocável; era uma mulher em busca de seu mestre. Vikir a penetrou com uma força avassaladora, fazendo-a arquear as costas e cravar os dedos em seu peito. Ele continuava a mordê-la e a chupar sua pele, deixando marcas avermelhadas por todo o seu pescoço e colo, enquanto suas estocadas tornavam-se cada vez mais rápidas e brutais.
— Olhe para mim, Dolores — ordenou Vikir, a voz rouca e carregada de autoridade.
Ela obedeceu, os olhos nublados pela luxúria encontrando o rubi frio dos dele.
— Eu sou sua... faça o que quiser... — ela implorou, esfregando o rosto no peito dele, sentindo o calor de sua pele. — Prove de mim... me marque... Vikir!
Ela começou a rebolar freneticamente, perdendo o resto de suas forças e de sua sanidade, entregando-se ao ritmo que ele impunha. Vikir sentiu a contração final de Dolores e, com um rugido, gozou profundamente dentro dela, selando aquele momento com a essência de um Baskerville.
***
Semanas se passaram desde aquela noite fatídica na academia. As férias haviam chegado, e o trio havia se retirado para a residência privada de Vikir, longe dos olhos curiosos dos alunos e da vigilância de Osiris. A casa, cercada por florestas densas e protegida por selos mágicos, era o refúgio perfeito.
No entanto, o clima entre os três havia mudado de forma sutil, mas inegável.
Vikir estava no pátio, treinando com sua espada, os movimentos precisos cortando o ar com uma velocidade que criava pequenos vácuos. Peri estava sentada em um galho próximo, observando-o com curiosidade. No entanto, sua atenção foi desviada quando Dolores e Camus saíram para a varanda. Ambas estavam incomumente quietas.
Dolores segurava uma xícara de chá com as mãos trêmulas, enquanto Camus, geralmente a personificação da confiança, parecia perdida em pensamentos, batendo levemente com os dedos na mesa de madeira.
Vikir embainhou a espada e caminhou em direção a elas, limpando o suor da testa com o antebraço.
— O que aconteceu? — perguntou ele, sua voz gélida cortando o silêncio. — Vocês estão agindo de forma estranha desde o café da manhã.
Camus olhou para Dolores, que desviou o olhar, as bochechas corando levemente. A herdeira Morg soltou um suspiro longo e cruzou os braços.
— Vikir, você sabe que o sangue dos Baskerville é conhecido por ser... excepcionalmente forte — começou Camus, tentando manter o tom casual, embora houvesse uma nota de ansiedade em sua voz.
— Eu conheço minha linhagem — respondeu Vikir de forma direta.
— Pois bem — continuou Camus —, parece que a sua "força" não se limita apenas ao campo de batalha. Eu tenho sentido enjoos matinais há quatro dias. E minha mana... ela está agindo de forma estranha, como se algo estivesse drenando uma parte dela para construir algo novo.
Vikir estreitou os olhos. Ele voltou sua atenção para Dolores.
— E você?
A Santa hesitou, apertando a xícara de chá.
— Eu... eu sinto o mesmo, Vikir. Mas no meu caso, é a luz divina. Eu sinto uma pulsação diferente dentro de mim. É calorosa, mas constante. Eu fiz uma oração de diagnóstico esta manhã e...
— E? — Vikir deu um passo à frente, sua aura pressionando levemente o ambiente.
— Os resultados foram positivos — sussurrou Dolores, finalmente olhando para ele. — Para as duas.
O silêncio que se seguiu foi absoluto. Até Peri parou de se mover, sentindo a mudança drástica no peso da atmosfera. Vikir permaneceu imóvel, processando a informação com a calma analítica que era sua marca registrada. No entanto, internamente, um turbilhão de possibilidades se abria.
Herdeiros. Não apenas um, mas dois. Frutos da união entre o ferro dos Baskerville, o fogo dos Morg e a luz da Santa.
— Gravidez simultânea — murmurou Vikir, mais para si mesmo do que para elas. — Isso é... estatisticamente improvável.
— Estatisticamente improvável? — Camus soltou uma risada nervosa, levantando-se. — Vikir, você nos possuiu como um animal selvagem por noites a fio! O que você esperava? Que o destino simplesmente ignorasse o fato de que o homem mais poderoso desta geração estava semeando as duas linhagens mais influentes do império?
Vikir caminhou até elas, parando entre as duas. Ele colocou uma mão no ombro de Camus e a outra no de Dolores. O toque, embora firme, tinha uma suavidade que ele raramente demonstrava.
— Se isso for verdade — disse ele, a voz baixa e profunda —, o império vai tremer. Meus inimigos tentarão usar isso contra nós. O clã Baskerville tentará reivindicar as crianças. Os Morg e a Igreja farão o mesmo.
— Nós sabemos — disse Dolores, colocando sua mão sobre a de Vikir. — Mas nós decidimos isso juntos, não foi? O relacionamento a três, o pacto de sangue... nós sabíamos que este dia chegaria. Só não esperávamos que fosse tão cedo.
Vikir olhou para o horizonte, onde as montanhas se erguiam como sentinelas de pedra. Ele pensou em seu pai, Hugo van Baskerville, e na frieza com que fora criado. Ele pensou na guerra que se aproximava e nos demônios que ainda precisava caçar.
— Eu não sou Hugo — afirmou Vikir, e pela primeira vez, houve uma nota de emoção real em suas palavras. — Meus filhos não serão apenas ferramentas de guerra. Eles serão o ápice de tudo o que construímos.
Camus sorriu, uma expressão de puro desafio brilhando em seus olhos.
— Então é oficial. O Cão de Caça vai ter filhotes.
— Não chame meus filhos de filhotes, Camus — repreendeu Vikir, embora não houvesse raiva em sua voz.
— Ah, admita, Vikir — provocou ela, recuperando um pouco de sua audácia habitual —, você está aterrorizado. É mais fácil enfrentar um exército de orcs do que duas mulheres grávidas e poderosas ao mesmo tempo, não é?
Vikir não respondeu imediatamente. Ele olhou para Peri, que agora havia saltado do galho e pousado no colo de Dolores, cheirando o ventre da Santa com uma expressão de reconhecimento.
— Eu não conheço o medo — disse Vikir, voltando-se para as duas. — Mas reconheço uma responsabilidade quando a vejo. A partir de hoje, a segurança de vocês é a prioridade absoluta. Ninguém, nem mesmo meu irmão ou meu pai, terá acesso a esta casa sem o meu consentimento.
Dolores sorriu, sentindo-se protegida pela aura de ferro de seu noivo.
— E quanto à academia? As férias vão acabar em algum momento.
— Quando as aulas recomeçarem, o mundo já saberá quem eu sou — declarou Vikir. — Não haverá mais necessidade de disfarces. Se alguém tiver algum problema com o fato de a Santa e a herdeira Morg carregarem o sangue de um Baskerville, eles podem vir discutir isso comigo. Pessoalmente.
Camus riu, encostando a cabeça no ombro de Vikir.
— Eu adoraria ver a cara do Osiris quando ele descobrir. Ele achou que a transmissão dele era a maior bomba do ano. Ele não faz ideia do que está por vir.
Vikir assentiu levemente. Ele sabia que o caminho à frente seria sangrento. A revelação da gravidez aceleraria os planos de seus inimigos e forçaria sua mão em muitas frentes políticas. Mas, enquanto olhava para as duas mulheres ao seu lado, ele sentiu algo que raramente permitia a si mesmo sentir: satisfação.
Ele havia sobrevivido ao inferno, voltado do passado e esculpido um novo destino com suas próprias mãos. E agora, esse destino estava crescendo dentro das duas pessoas que ele havia escolhido para caminhar ao seu lado.
— Vamos entrar — disse Vikir. — Vocês precisam descansar. E eu preciso reforçar as barreiras mágicas da propriedade.
— Você vai ser um pai superprotetor, não vai? — perguntou Dolores com um olhar divertido.
Vikir parou na porta e olhou para trás, seus olhos vermelhos brilhando com uma intensidade letal.
— Eu sou um Cão de Caça, Dolores. E nada é mais perigoso do que um cão protegendo sua matilha.
Enquanto entravam na casa, o sol começava a se pôr, tingindo o céu de um vermelho que lembrava o sangue dos Baskerville. O império ainda não sabia, mas a ordem mundial estava prestes a ser despedaçada. O ferro, a luz e o fogo haviam se unido, e o que nasceria dessa união seria algo que nem mesmo os deuses poderiam controlar.
Vikir van Baskerville tinha um novo objetivo. E ele, como sempre, não falharia.