a vampira e o gorgona
Entre Saias Curtas e Sombras de Almoxarifado
A rotina em Nunca Mais tinha uma maneira peculiar de se tornar quase comum, mesmo quando você era uma vampira namorando um górgona. Alguns dias haviam se passado desde que Ajax e [S/N] tornaram o relacionamento oficial, e a escola parecia ter aceitado a união incomum com uma mistura de fofocas de corredor e a indiferença típica de quem convive com lobisomens e sereias.
Naquela manhã, porém, algo estava sutilmente diferente. [S/N] havia acordado um pouco mais tarde que o habitual, a mente ainda nublada pelos sonhos com o namorado. Ao se vestir, ela pegou a saia do uniforme que estava no topo da pilha. Devido a um erro de lavanderia ou talvez a um encolhimento acidental no feitiço de limpeza, a peça estava um número menor. Ao prendê-la na cintura, ela notou que a barra subira significativamente, ficando bem acima do meio da coxa, mas no apuro para não perder o café da manhã, ela apenas deu de ombros e calçou suas botas de plataforma.
Quando ela encontrou Ajax no pátio, ele parou de falar no meio de uma frase com Xavier. Seus olhos caíram sobre as pernas de [S/N], as pupilas dilatando por trás da touca colorida. Ele sentiu o rosto esquentar instantaneamente.
— Oi, Ajax — disse ela, aproximando-se e depositando um beijo rápido no canto da boca dele. — Vamos para o Catavento antes da aula? Preciso de cafeína pura se quiser sobreviver à Botânica hoje.
Ajax engoliu em seco, tentando desviar o olhar da barra da saia dela que balançava a cada passo.
— Oi... sim, claro. Vamos — ele respondeu, a voz uma oitava mais aguda que o normal.
Ele fingiu não ter notado o ajuste no uniforme, mas durante todo o caminho até Jericho e de volta para a escola, sua mente era um turbilhão. Ajax sempre fora o tipo de garoto que respeitava o espaço dela, mas vê-la daquele jeito, expondo tanta pele de uma forma que ele considerava hipnotizante, estava testando cada grama de seu autocontrole de górgona.
Ao retornarem para Nunca Mais, o sinal para a aula de Botânica Carnívora já ecoava pelas torres de pedra. Eles correram para a estufa, entrando pela porta lateral enquanto a Professora Thornhill (ou quem quer que estivesse substituindo-a naquela semana de transição) já começava a organizar os vasos.
— Como chegamos atrasados, só sobraram aquelas — sussurrou Ajax, apontando para as carteiras de dupla no fundo da sala, escondidas atrás de uma enorme samambaia-vampira que gotejava um néctar pegajoso.
Eles se acomodaram rapidamente. No momento em que [S/N] se sentou no banco alto de madeira, a saia, que já era curta, subiu ainda mais. Ela cruzou as pernas, alheia ao efeito que estava causando, e abriu seu caderno de anotações.
Ajax, sentado ao lado dela, sentiu que o ar na estufa estava ficando rarefeito. Ele tentou focar no diagrama de uma Mandrágora na lousa, mas sua visão periférica era traída constantemente pela visão das coxas alvas de sua namorada, tão próximas que ele podia sentir o frio reconfortante que emanava dela.
A aula seguiu em um ritmo lento. O calor úmido da estufa, combinado com a voz monótona do substituto, fez com que metade da classe começasse a cochilar. Até mesmo Enid, algumas mesas à frente, tinha a cabeça apoiada na mão, os olhos pesados.
— A professora saiu para buscar mais fertilizante orgânico no depósito — observou [S/N] em um sussurro, notando o movimento na porta.
Ajax olhou ao redor. Ninguém estava prestando atenção neles. O fundo da sala era um refúgio de sombras e folhas largas. A coragem, alimentada pela frustração silenciosa de toda a manhã, finalmente floresceu no peito do górgona.
— [S/N]... — ele murmurou, a voz rouca.
Sem aviso, ele deslizou a mão por baixo da mesa, pousando a palma quente sobre a coxa dela. [S/N] soltou um arquejo baixo, a caneta deslizando pelo papel. Ela olhou para ele, os olhos arregalados, encontrando um brilho de desejo que raramente via no namorado normalmente tímido.
— Ajax, aqui não... — ela tentou protestar, mas sua voz não tinha convicção.
— Ninguém está vendo — ele rebateu, aproximando o rosto do dela.
Ele começou a depositar beijos lentos e úmidos na curva do pescoço dela, subindo até a mandíbula. Sua mão subiu pela coxa dela, os dedos roçando a renda da lingerie por baixo da saia curta. [S/N] sentiu um arrepio percorrer sua espinha, o sangue de vampira borbulhando sob a pele. Ela inclinou a cabeça para o lado, dando-lhe mais acesso, e suas mãos encontraram o tecido da blusa de Ajax, puxando-o para mais perto.
— Você está sendo muito mau hoje, Petropolus — ela sussurrou contra os lábios dele, antes de puxá-lo para um beijo profundo e faminto.
Ajax gemeu baixo, a língua explorando a dela com uma urgência que fazia a estufa parecer pequena demais. Ele queria mais; ele queria sentir cada centímetro dela, longe dos olhos de qualquer colega de classe.
Infelizmente, o destino tinha outros planos. O som de passos pesados e o ranger da porta da estufa interromperam o momento.
— Certo, alunos, espero que todos tenham terminado o esquema da raiz! — a professora anunciou, entrando subitamente com um saco de terra nos ombros.
Ajax se afastou bruscamente, quase caindo do banco. Ele ajeitou a touca com as mãos trêmulas e fingiu estar intensamente interessado em um vaso de cactos ao seu lado. [S/N] rapidamente puxou a saia para baixo, embora ela não fosse muito longe, e tentou estabilizar sua respiração, o rosto levemente corado.
— Isso não acabou — Ajax murmurou, sem olhar para ela, mas com uma promessa perigosa na voz.
A aula finalmente terminou, e a transição para o próximo período foi um caos de alunos se acotovelando nos corredores estreitos. [S/N] estava caminhando em direção à sala de História dos Excluídos, sua mente ainda voltada para o toque de Ajax na estufa, quando sentiu uma mão firme envolver seu pulso.
Antes que pudesse gritar ou reagir, ela foi puxada com força para dentro de um cômodo pequeno e escuro à direita. A porta foi fechada e trancada em um movimento contínuo.
Seus instintos de vampira dispararam. Suas presas começaram a descer e seus olhos escureceram, pronta para atacar quem quer que tivesse tido a audácia de emboscá-la. Mas, antes que pudesse desferir um golpe, o cheiro familiar de sândalo e o calor corporal de um górgona a envolveram.
— Sou eu, sou eu! — a voz de Ajax sussurrou na penumbra.
Eles estavam no almoxarifado de limpeza, um espaço apertado cheio de vassouras, baldes e o cheiro forte de desinfetante. [S/N] relaxou, suas presas recolhendo-se enquanto ela soltava uma risada nervosa.
— Ajax! Você quase me matou de susto. Eu poderia ter arrancado sua garganta!
— Valeu o risco — ele disse, prensando-a contra a porta de madeira.
A luz que entrava pela fresta embaixo da porta era suficiente apenas para destacar os contornos do rosto dele. Ajax não estava mais tímido. Ele parecia possuído por uma confiança selvagem que a saia curta de [S/N] havia despertado.
— Eu não conseguia parar de pensar no que começamos na estufa — ele admitiu, as mãos encontrando a cintura dela e puxando-a para cima, fazendo com que ela se sentasse em uma prateleira baixa de suprimentos. — Aquela saia... você fez de propósito, não foi?
— Eu juro que não — ela riu, enrolando as pernas ao redor da cintura dele, sentindo o atrito delicioso. — Mas parece que o resultado foi melhor do que eu esperava.
Ajax não respondeu com palavras. Ele a beijou com uma intensidade que a deixou sem fôlego, suas mãos explorando as pernas dela sem as restrições de uma sala de aula cheia. A pele de [S/N] formigava onde ele tocava, e o espaço apertado do almoxarifado só aumentava a tensão entre eles.
— Ajax, temos aula em cinco minutos — ela conseguiu dizer entre beijos, embora suas mãos estivessem ocupadas tentando tirar a camisa dele de dentro da calça.
— Deixa a aula para lá — ele murmurou contra o decote dela, seus lábios traçando um caminho de fogo pela pele pálida. — Eu ganhei um torneio ontem, mas hoje eu só quero o meu prêmio de verdade.
[S/N] puxou a cabeça dele para cima, olhando-o nos olhos. Ela viu a devoção e o desejo misturados ali, e soube que não havia lugar no mundo onde preferisse estar do que naquele armário de vassouras com o seu górgona.
— Então é melhor você ser rápido, Petropolus — ela desafiou com um sorriso provocante.
O que se seguiu foi um borrão de sussurros abafados, mãos ávidas e a descoberta de novos limites. No pequeno cômodo, cercados por baldes e produtos de limpeza, eles criaram seu próprio universo. Não havia diretora, não havia monstros na floresta e não havia segredos. Havia apenas o ritmo cardíaco acelerado de um garoto que amava demais e a fome eterna de uma garota que encontrara seu lar.
Quando finalmente saíram, um de cada vez e com dez minutos de atraso para a aula seguinte, Ajax tinha um sorriso vitorioso no rosto e a touca levemente desalinhada. [S/N] caminhava com uma nova confiança, a saia curta agora sendo usada com um orgulho desafiador.
Eles se cruzaram no corredor, apenas por um segundo. Ajax piscou para ela, um gesto simples que carregava o peso de mil memórias compartilhadas na última meia hora. [S/N] sorriu de volta, sabendo que, em Nunca Mais, as melhores lições nem sempre eram ensinadas nas salas de aula, mas sim nos momentos roubados entre as sombras.