Acabou
___ Point off view Giovana torres Garcia Cheguei à entrada da fazenda com o coração apertado, e parei de repente ao ver as viaturas da polícia espalhadas pelo caminho. Desci do carro depressa, o ar me faltando no peito. — O que aconteceu aqui?! — gritei, aproximando-me do policial mais próximo. Ele olhou para mim com compaixão, mas firme: — Senhorita Torres… a senhorita Lorena nos ligou. Disse que a senhora precisava de ajuda, pois sua esposa teria fugido da casa. Mas enquanto vínhamos para cá, presenciamos um acidente grave na estrada. E conforme informações de uma das equipes, o veículo envolvido era exatamente o que a senhora Maya usava. Senti o chão desaparecer debaixo dos meus pés. Segurei no capô do carro para não cair, as mãos tremendo tanto que quase não conseguia me segurar. — Não… — sussurrei, a voz quebrando. — Isso não é verdade… me mostrem… eu preciso ver ela… O policial hesitou, baixando o olhar. — O carro pegou fogo, senhora. Tudo ficou destruído. — Não, não, não! — gritei, tentando avançar, mas Lorena me segurou pelos braços com força, e preocupação. — Minha mulher não pode ter morrido! Vocês não entendem? A Manoela nunca iria me deixar! Nós estávamos bem, tudo estava perfeito! — Não foi o que pareceu — Lorena segurou meu rosto, forçando-me a olhar nos olhos dela, com uma tristeza na voz. — Ela entrou no carro com ele, Giovanna. Ela te usou. A Maya sempre foi igual à irmã dela: só querem o que não lhes pertence. — Não! — neguei, balançando a cabeça em desespero. — Sim — insistiu ela, fria. — Não, Lorena! — me soltei dela por um instante, sentindo a raiva e a dor se misturarem. — Ei, é a verdade, não é? — ela voltou a me segurar, apertando mais forte. — Se acalme. Deixe que o doutor Elias termine os exames, ele vai confirmar tudo. Eu fiquei ali, tremendo inteira, as lágrimas queimando os olhos, sem saber em quem acreditar. .... Point off view narradora O tempo parecia não passar. A cada minuto, o silêncio pesava mais sobre a fazenda. Giovanna permanecia sentada no degrau da varanda, completamente perdida, o olhar vazio fixo no horizonte. As mãos tremiam sem parar, e as lágrimas já não caíam com a mesma força; era como se até o corpo tivesse desistido de reagir. Foi então que um carro preto atravessou os portões. Assim que o veículo parou, uma mulher elegante desceu apressada. Os cabelos já denunciavam alguns fios brancos, mas a postura firme continuava a mesma. Clara. Ao receber a ligação, ela viajou às pressas. Nunca havia aprovado o casamento da filha com Maya, sempre acreditando que aquela relação acabaria em sofrimento. Ainda assim, ao ver Giovanna naquele estado, qualquer orgulho desapareceu. Ela caminhou lentamente até a filha. — Giovanna... Ao ouvir aquela voz, Giovanna levantou o rosto. Os olhos vermelhos encontraram os da mãe e, pela primeira vez desde que chegou à fazenda, ela desabou de verdade. — Mãe... — a voz saiu em um choro sufocado. — A Maya... eles disseram que ela morreu... Clara não respondeu de imediato. Apenas puxou a filha para um abraço apertado. Giovanna agarrou a mãe como uma criança assustada, chorando desesperadamente. — Ela não podia me deixar... Clara fechou os olhos. Mesmo nunca tendo aceitado aquele casamento, ver a própria filha destruída fazia qualquer diferença desaparecer. — Calma... eu estou aqui. Você não precisa passar por isso sozinha. Giovanna apenas chorava. Enquanto todos tentavam confortá-la, Lorena observava a cena de longe. Esperou alguns minutos até perceber Clara se afastar para respirar um pouco. Era exatamente a oportunidade que queria. Lorena caminhou até ela. — Dona Clara... podemos conversar? Clara virou-se, séria. — O que foi? Lorena sorriu de canto. — Em particular. As duas caminharam alguns metros, afastando-se dos policiais. Quando teve certeza de que ninguém podia ouvi-las, Lorena mudou completamente a expressão. O sorriso tornou-se frio. — A senhora vai me ajudar a ficar com a Giovanna. Clara franziu a testa. — Você deve estar louca. — Não estou. — Nunca vou deixar minha filha nas mãos de qualquer uma. Lorena deu mais um passo. — Vai, sim. — E por qual motivo eu faria isso? Lorena sorriu. — Porque eu sei de um segredo seu. Clara permaneceu em silêncio. — Eu sei que foi a senhora quem mandou fazer o atentado contra a Giovanna. Pela primeira vez, Clara perdeu a cor do rosto. — Do... do que você está falando? — Não finja. Eu sei de tudo. O silêncio entre as duas tornou-se pesado. Lorena aproximou o rosto do dela. — Se a senhora não me ajudar... eu conto tudo para a Giovanna. Clara engoliu em seco. — Você está blefando. — Tem certeza? Lorena cruzou os braços. — Basta uma palavra minha... e sua filha vai descobrir que a própria mãe esteve por trás do atentado que quase tirou a vida dela. Clara apertou os punhos. — O que você quer? Lorena sorriu, satisfeita. — Quero que faça a Giovanna acreditar que eu sou a única pessoa que realmente está ao lado dela. Ela inclinou levemente a cabeça. — E, quando chegar a hora... quero a Giovanna comigo. Clara a encarou com desprezo. — Você é doente. Lorena deu um sorriso frio. — Talvez. Fez uma breve pausa antes de completar: — Mas agora a decisão é sua. Ou me ajuda... ou sua filha descobre quem a senhora realmente é. Chat clara n queria mata a filha só queria por a culpa em Maya pra desfazer casamento Point off view Malu torres A dor foi a primeira coisa que senti. Era como se cada osso do meu corpo tivesse sido esmagado. Abri os olhos lentamente e encontrei apenas um pedaço do céu entre a fumaça preta que ainda subia do carro destruído. O gosto de sangue invadia minha boca. Respirei fundo, sentindo uma pontada forte nas costelas. — Sarah...? Minha voz saiu fraca. Virei o rosto. Alguns metros adiante, Sarah e Maya estavam caídas na grama, imóveis. Meu coração disparou. Ignorei a dor e me arrastei até elas. — Não... não... por favor... Sacudi primeiro Sarah. Nada. Depois Maya. — Acorda... por favor... vocês precisam acordar... Por alguns segundos achei que tivesse perdido as duas. Então Sarah tossiu. Logo depois Maya soltou um gemido baixo. Quase desabei de alívio. — Luiza...? — Maya murmurou. Sorri entre lágrimas. — Sou eu. Mas agora precisamos sair daqui. A explosão vai chamar atenção. Se a polícia ou os homens da Lorena encontrarem a gente... acabou. Com muita dificuldade conseguimos nos levantar. Cada passo parecia uma tortura. Entramos na mata fechada, caminhando sem direção por horas, apenas tentando nos afastar da estrada. Quando já não tínhamos forças, encontramos uma pequena cabana abandonada escondida entre as árvores. Entramos. Fechei a porta. Só então permiti que meu corpo desabasse. O silêncio permaneceu por vários minutos. Até Maya quebrá-lo. Ela olhava fixamente para Sarah. — Eu conheço você... Sarah ergueu a cabeça. — Conhece. — Você levou a Giovanna bêbada para a fazenda... Meses atrás. Sarah apenas assentiu. Depois Maya voltou os olhos para mim. — E você... Ela respirou fundo. — Quem é você de verdade? Fechei os olhos por alguns segundos. Chegara a hora. — Meu nome não é Luiza. Levantei o olhar. — Eu sou Malu. Vi o choque surgir imediatamente em seu rosto. — Malu... Torres? Assenti. — A irmã da Giovanna... — Sim. Maya parecia incapaz de falar. — Mas disseram que você estava morando fora do país... — Era isso que minha mãe queria que todos acreditassem. Fiquei alguns segundos encarando o chão antes de continuar. — Eu fui embora porque não suportava assistir Clara destruir minha irmã aos poucos. Ela transformou a Giovanna em alguém desconfiada, fria... alguém que já não reconhecia a própria felicidade. Engoli em seco. — Mas nunca deixei de cuidar dela. Olhei para Sarah. Ela apertou minha mão. — Sarah é minha namorada. Maya arregalou ainda mais os olhos. Sarah sorriu discretamente. — Foi a Malu quem me pediu para me aproximar da fazenda. Eu precisava descobrir o que acontecia lá dentro. — Eu precisava proteger a Giovanna — completei. — Mesmo de longe. Maya respirava devagar, tentando juntar todas as peças. — Então vocês sabiam da Lorena? — Sabíamos que ela escondia alguma coisa. Sarah respondeu primeiro. — Mas não imaginávamos que ela chegaria a esse ponto. Fechei os punhos. Toda vez que lembrava daquela mulher, meu sangue fervia. — Lorena não quer dinheiro. Olhei diretamente para Maya. — Ela quer a Giovanna. O silêncio tomou conta da cabana. — Ela é obcecada pela minha irmã desde a adolescência. Minha voz saiu carregada de desprezo. — Tudo o que ela fez durante esses anos teve um único objetivo: afastar qualquer pessoa que pudesse fazer a Giovanna feliz.