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acidentalmente sexy

Sombras e Segredos no Castelo de Cartas

A luz da manhã em Hometown parecia excessivamente brilhante para Noelle. Cada vez que fechava os olhos, a imagem de Kris — a pele pálida, a cintura fina e aquele volume inegável sob o tecido da cueca — queimava em sua retina como um flash fotográfico. Ela mal conseguira dormir, revirando-se entre os lençóis, sentindo o rosto arder toda vez que a voz rouca dele ecoava em sua memória: "Eu gosto de surpresas".

Quando Kris a abordou no armário da escola, encostado na parede com aquela apatia habitual, Noelle sentiu os joelhos fraquejarem.

— Ei, Noelle — disse ele, a voz baixa. — Vamos ao Mundo das Trevas hoje. O Ralsei sente sua falta. A Susie vai estar lá também.

Noelle aceitou quase instantaneamente. A ideia de estar em um grupo, com a presença barulhenta e protetora de Susie, parecia o escudo perfeito contra a tensão estranha que nascera entre ela e o humano. No entanto, ao cruzarem o limiar da porta do armário e caírem no abismo de escuridão que levava ao Reino das Sombras, a realidade se mostrou diferente.

Assim que seus pés tocaram o chão de cores vibrantes e grama escura do Castelo de Castle Town, Noelle olhou em volta, procurando pela silhueta alta e roxa da amiga.

— Kris... cadê a Susie? — perguntou ela, ajeitando as vestes brancas de sua forma de Dark World.

Kris caminhou à frente dela, sua capa azul ondulando suavemente. Ele não olhou para trás quando respondeu.

— Ela teve um imprevisto. Alphys deu um castigo de última hora por causa de uns gizes desaparecidos. Ela disse para irmos na frente.

Noelle engoliu em seco. A mentira de Kris era perfeita, dita com a neutralidade de quem lê as horas, mas algo no fundo de sua mente gritava que a ausência de Susie fora planejada.

Eles caminharam até a praça central, onde Ralsei os recebeu com a alegria de sempre. O pequeno príncipe das trevas preparou chá e conversou animadamente sobre as novas construções na cidade. Noelle tentou se concentrar na conversa, mas sentia o olhar de Kris sobre ela o tempo todo. Ele não participava muito, apenas observava, com os cabelos castanhos escondendo os olhos, mas Noelle sentia o peso daquela atenção em sua pele.

— Sabe, Ralsei — interrompeu Kris, levantando-se de repente —, eu prometi mostrar o castelo para a Noelle. Os novos quartos.

— Oh, claro! — Ralsei sorriu, ajustando os óculos. — É uma ótima ideia. O quarto da Susie ficou incrível, e o seu também, Kris. Divirtam-se!

Noelle seguiu Kris pelos corredores silenciosos do castelo. O som de seus sapatos contra o chão de pedra ecoava, aumentando sua ansiedade. Ela esperava que ele a levasse para o quarto de Susie, mas Kris passou direto pela porta decorada com espinhos e correntes, parando apenas diante da porta que levava ao seu próprio aposento.

— Entre — convidou ele, abrindo a porta.

O quarto de Kris no Mundo das Trevas era uma versão idealizada e surreal de seu quarto na superfície. Havia uma atmosfera mais limpa, mas ainda carregada daquela energia melancólica. Noelle entrou ingenuamente, admirando a decoração que misturava elementos de sua casa com toques de fantasia.

— É muito bonito, Kris — disse ela, virando-se para ele com um sorriso tímido. — É bem mais organizado do que o seu quarto de verdade.

Kris fechou a porta atrás de si. O clique da fechadura pareceu um tiro no silêncio do cômodo. Ele se encostou na madeira, cruzando os braços sobre o peito.

— Você acha? — perguntou ele. — Talvez aqui eu tenha menos distrações. Ou talvez as surpresas não aconteçam com tanta frequência.

O coração de Noelle deu um salto. Ela sabia exatamente do que ele estava falando. Ela tentou desviar o assunto, caminhando em direção à estante de livros.

— Eu... eu gostei das cores. Combinam com você.

— Noelle — chamou ele, o tom de voz mudando, tornando-se mais profundo, mais presente.

Ela parou, mas não se virou.

— Você ainda está pensando no que viu ontem, não está? — Kris começou a caminhar lentamente em direção a ela. — No meu quarto em Hometown.

— Kris, por favor... — Noelle sentiu as orelhas esquentarem. — Foi um acidente. Eu já pedi desculpas. Eu não deveria ter entrado daquele jeito.

— Mas você entrou — disse ele, agora parando logo atrás dela. Ela podia sentir o calor que emanava dele, mesmo através das roupas. — E você não desviou o olhar. Na verdade, você ficou paralisada.

Noelle finalmente se virou, encontrando o rosto de Kris a poucos centímetros do seu. A apatia dele estava dando lugar a algo mais predatório, um brilho de diversão maliciosa que ela conhecia bem das peças de infância, mas que agora tinha um peso adulto e perturbador.

— Eu fiquei em choque! — justificou ela, a voz subindo uma oitava. — Eu nunca... eu nunca tinha visto...

— Nunca tinha visto o quê, Noelle? — Ele deu mais um passo, forçando-a a recuar até que suas costas batessem contra a parede de pedra fria. — Um garoto? Ou um garoto que claramente estava querendo algo?

Noelle sentiu a respiração falhar. Kris colocou uma mão na parede, ao lado da cabeça dela, encurralando-a. O contraste entre a delicadeza dele e a intensidade da situação era sufocante.

— Me responda uma coisa — sussurrou ele, inclinando-se para que seus lábios ficassem próximos à orelha trêmula da rena. — Você já tinha visto alguém daquele jeito antes? Assim... tão de perto?

— Não — confessou Noelle, fechando os olhos com força. — Nunca.

Kris soltou um riso curto, um som que vibrou no peito dela.

— Então eu fui o primeiro. Que honra.

Ele deslizou a outra mão pela cintura fina de Noelle, sentindo o tecido do vestido branco. A timidez dela era quase palpável, mas Kris sabia que, sob aquela camada de "garota perfeita", havia uma curiosidade que ele adorava provocar. Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela, que se abriram hesitantes.

— Sabe, Noelle — disse ele, a voz carregada de uma promessa perigosa —, aqui no Mundo das Trevas, as coisas são diferentes. O que acontece aqui... nem sempre parece real quando voltamos para lá.

— Onde você quer chegar com isso? — perguntou ela, embora seu corpo estivesse reagindo de formas que ela não conseguia controlar. Suas mãos buscavam apoio nos ombros de Kris, incertas se deveriam empurrá-lo ou puxá-lo para mais perto.

Kris deu um sorriso de canto, aquele sorriso que Noelle sempre associara a problemas.

— Ontem você viu algo que não deveria. Mas você confessou que não conseguia parar de olhar.

Ele se aproximou novamente, colando seu corpo ao dela. Noelle pôde sentir, mesmo através das camadas de suas vestes de batalha, a rigidez que começava a se formar novamente sob as calças dele. O choque da percepção fez um pequeno arquejo escapar dos lábios dela.

— Você quer ver de novo? — perguntou Kris, o desafio brilhando em seus olhos escondidos.

— Kris... a Susie pode chegar... o Ralsei... — Noelle tentou protestar, mas sua voz não tinha convicção.

— A Susie não vem. Eu menti — admitiu ele, sem qualquer remorso. — E o Ralsei é educado demais para nos interromper. Somos só nós dois, Noelle.

Ele pegou a mão dela e a guiou lentamente para baixo, parando pouco antes de tocar o local onde a tensão era mais evidente.

— Você quer ver o que aquela visão de ontem causou? Ou prefere continuar fingindo que é apenas uma boa aluna fazendo um trabalho de ciências?

Noelle olhou para Kris. O humano apático, o amigo de infância, o mestre das travessuras... todos pareciam ter se fundido em algo novo, algo que ela desejava e temia na mesma medida. O silêncio do castelo parecia amplificar as batidas do seu coração, que agora soavam como tambores de guerra.

— Eu... — Noelle começou, a voz trêmula, mas seus dedos se fecharam levemente sobre o tecido da roupa de Kris. — Eu não quero mais fingir.

Kris não precisou de mais nada. O sorriso dele se alargou, não mais apenas travesso, mas intensamente satisfeito. Ele sabia que tinha vencido o jogo, e o prêmio era muito mais interessante do que qualquer doce ou item mágico que o Mundo das Trevas pudesse oferecer.

— Ótimo — murmurou ele, aproximando o rosto do dela até que suas respirações se misturassem. — Porque eu tenho muito mais para te mostrar do que apenas o meu quarto.

Noelle sentiu o mundo girar. Ali, nas sombras do castelo, cercada por cores neon e pelo silêncio cúmplice das trevas, ela percebeu que a "surpresa" de ontem era apenas o começo de algo muito mais profundo e perigoso que Kris estava planejando para os dois.