Aconteceu
Entre Segredos e Sussurros
O dia seguinte à festa de boas-vindas passou como um borrão de sensações e descobertas. Para Haezel, o Labirinto não parecia mais apenas uma prisão de pedra fria, mas um lugar onde, de alguma forma, o calor de Newt tornava tudo suportável. Durante as horas de sol, eles trocaram olhares furtivos enquanto ela ajudava no jardim, sentindo o peso da proteção dele em cada gesto. Mas a Clareira era um lugar de regras e olhos curiosos, e o que havia começado na noite anterior precisava de sombras para florescer.
Quando a noite finalmente caiu e o silêncio se instalou sobre os acampamentos, Haezel sentiu uma inquietação crescer em seu peito. O dormitório improvisado das garotas parecia apertado demais, e a lembrança do toque de Newt era um chamado constante. Com passos leves, ela se esgueirou pela escuridão, evitando as patrulhas dos Socorristas e o ronco pesado dos rapazes que dormiam ao relento.
Seu destino era a cabana no bosque, o refúgio que Newt chamava de lar. Ao chegar à porta de madeira, ela hesitou por apenas um segundo antes de empurrá-la suavemente. O interior estava iluminado apenas por uma lanterna a óleo baixa, projetando sombras dançantes nas paredes de troncos.
O som de água caindo veio de um pequeno anexo nos fundos. Newt estava tomando banho. Haezel sentou-se na beira da cama, o coração batendo contra as costelas como um pássaro engaiolado. Poucos minutos depois, a cortina improvisada se abriu e ele saiu, secando o cabelo com uma toalha áspera.
Ele estava sem camisa, a pele ainda úmida brilhando sob a luz fraca. As calças estavam frouxas nos quadris, e a visão de sua estrutura magra, porém definida pelos anos de trabalho duro, fez a garganta de Haezel secar. Quando ele a viu, um sorriso surpreso e genuíno iluminou seu rosto cansado.
— Haezel? O que faz aqui a essa hora, pequena? — ele perguntou, a voz rouca e baixa, como se não quisesse quebrar o feitiço do momento.
Sem dizer uma palavra, ela se levantou e caminhou até ele. Haezel envolveu a cintura dele com os braços, escondendo o rosto em seu peito nu, sentindo o cheiro de sabão rústico e o calor que emanava de sua pele. Newt soltou um suspiro longo, soltando a toalha para retribuir o abraço, apertando-a contra si com uma urgência que dizia o quanto ele também sentira sua falta durante o dia.
— Eu não queria ficar sozinha — sussurrou ela contra a pele dele. — Senti que precisava estar aqui.
— Você sempre será bem-vinda aqui — ele respondeu, beijando o topo da cabeça dela. — Sempre.
Ele a conduziu gentilmente até a cama. Haezel deitou-se, e Newt não tardou a se acomodar ao lado dela, apoiando-se em um cotovelo para observá-la. A luz cor de mel dos olhos dela parecia brilhar ainda mais na penumbra. Ele se inclinou, selando seus lábios em um beijo que começou doce e logo se tornou profundo e faminto.
Newt moveu-se com agilidade, ficando por cima dela, mas tomando o cuidado de não depositar todo o seu peso. Seus beijos desceram pela linha do maxilar de Haezel até alcançarem o pescoço, onde ele depositou mordidas leves e sucções que a fizeram arquear as costas.
— Newt... — ela soltou um gemido baixo, sentindo o mundo girar.
A mão dele, calejada e firme, deslizou por debaixo da regata branca dela. O contraste da mão quente contra a pele fria da barriga de Haezel a fez estremecer. Ele subiu lentamente, sentindo cada centímetro dela, até que suas mãos encontraram o tecido do sutiã e a curva de seus seios.
Com um movimento decidido, Newt puxou a blusa dela para cima, descartando-a em algum lugar do chão. Agora, apenas de sutiã, Haezel sentia-se vulnerável e, ao mesmo tempo, incrivelmente poderosa sob o olhar de adoração dele.
— Você é tão linda, Haezel — ele murmurou, a voz carregada de um desejo que ele não tentava mais esconder. — Às vezes eu acho que você é um sonho que a Caixa cuspiu para me impedir de enlouquecer.
Haezel sorriu, sentindo uma coragem nova borbulhar em seu sangue. Ela colocou as mãos nos ombros dele e, com um impulso, inverteu as posições. Agora sentada no colo dele, com as pernas de cada lado de seus quadris, ela sentiu a reação imediata do corpo de Newt ao seu contato.
Ela começou a se movimentar com lentidão, sentindo a fricção e o calor. Newt soltou um rosnado baixo, suas mãos descendo pelas costas nuas dela em um carinho possessivo, até chegarem à sua bunda, onde ele a apertou com força, puxando-a ainda mais para perto.
— É tão bom ver você assim — disse ele, os olhos fixos nos dela. — Saber que você é só minha aqui dentro. Que esses malditos muros não podem tirar isso de nós.
— Eu sou sua, Newt — ela respondeu, inclinando-se para beijá-lo novamente enquanto continuava o movimento rítmico.
As mãos dele subiram novamente, encontrando o fecho do sutiã e, em seguida, explorando a maciez de seus seios com um aperto que a fez soltar o nome dele em um suspiro ofegante. O som ecoou na cabana pequena, uma melodia de entrega e confiança.
Depois de um tempo, o ritmo acelerado deu lugar a uma calma aconchegante. A exaustão do dia e a descarga de adrenalina começaram a pesar. Newt deitou a cabeça no peito dela, ouvindo as batidas aceleradas do coração de Haezel enquanto ela passava os dedos pelos fios loiros dele.
— Você acha que vamos sair daqui algum dia? — ela perguntou baixinho, a voz carregada de uma melancolia súbita.
Newt suspirou, fechando os olhos.
— Eu não sei, pequena. Eu costumava ter esperança. Depois parei de ter. Mas agora que você chegou... eu sinto que, se houver uma saída, eu vou te levar por ela, nem que seja a última coisa que eu faça.
Eles conversaram por algum tempo sobre coisas triviais, sobre a vida antes da Caixa da qual nenhum dos dois lembrava, mas que imaginavam ser cheia de cores e sem muros de pedra. Newt eventualmente se levantou para ir ao banheiro, deixando Haezel sozinha por um instante.
Ela se virou na cama, deitando-se de barriga para baixo e afundando o rosto no travesseiro que tinha o cheiro dele. Sentia-se em paz, algo que parecia impossível naquele lugar. Quando ouviu os passos dele voltando, sentiu um tapa estalado e brincalhão em sua bunda.
— Ei! — ela exclamou, virando-se de frente com um sorriso travesso e o rosto levemente corado.
Newt sentou-se na beira da cama, olhando-a com uma expressão que misturava carinho e uma nova ideia.
— Haezel? — ele chamou, a voz suave.
— Sim?
— Posso te pedir uma coisa? — Ele hesitou por um segundo, parecendo quase tímido, o que era raro para o segundo em comando da Clareira. — Eu queria deitar no seu peito de novo... mas sem nada entre nós. Sem o sutiã. Só sentir você.
Haezel olhou nos olhos dele e viu apenas sinceridade e uma busca por conforto. Ela não hesitou. Com movimentos calmos, ela levou as mãos às costas, soltou o fecho e deslizou as alças pelos ombros, deixando a peça de lado.
Newt aproximou-se e deitou a cabeça entre os seios dela, suspirando ao sentir o contato direto da pele. Haezel o abraçou, sentindo-se completa. O peso da cabeça dele sobre seu corpo era um lembrete constante de que eles estavam vivos, apesar de tudo.
— Obrigado — ele sussurrou.
— Não precisa agradecer — ela respondeu, acariciando os ombros dele.
Ali, na penumbra da cabana, o tempo pareceu parar. Eles continuaram conversando, baixinho, trocando segredos e planos bobos para um futuro incerto. Para o resto da Clareira, eles eram apenas dois sobreviventes em um labirinto mortal. Mas ali, entre os lençóis e o cheiro de madeira, eles eram apenas Newt e Haezel, encontrando a luz em meio à escuridão que o CRUEL havia lhes imposto.