Aconteceu
O Sussurro das Sombras e a Luz da Memória
A madrugada na Clareira sempre trazia um silêncio pesado, interrompido apenas pelos estalos das paredes de pedra ao longe ou pelo vento que uivava entre as árvores do bosque. Dentro da cabana de Newt, porém, o ar era denso por um motivo diferente. O calor entre os dois corpos era a única coisa que parecia real em um mundo feito de mentiras e concreto. Haezel sentia cada batida do coração de Newt contra o seu seio, um ritmo constante que a ancorava no presente.
Newt parecia mais leve, como se o peso da liderança e as preocupações com o Labirinto tivessem sido deixados na porta da cabana. Ele deslizava a mão preguiçosamente pela barriga de Haezel, um toque suave que subia até encontrar a curva de seu seio. Ele o apertou com uma possessividade carinhosa, inclinando-se para depositar um beijo ali.
— Isso é tão bom — sussurrou ele, a voz vibrando contra a pele dela. — Ter você aqui, sem as regras do Alby, sem os olhos dos outros garotos... É a única coisa que faz sentido, pequena.
Haezel sorriu, passando os dedos pelos cabelos loiros e embaraçados dele. Ela se sentia segura, apesar da incerteza do amanhã. O clima de intimidade os deixou relaxados, e uma conversa boba começou a surgir, uma forma de afastar os fantasmas que rondavam a mente de qualquer um que vivesse naquele lugar.
— Sabe, Newt — começou ela, com um tom brincalhão na voz —, se a gente tivesse que escolher alguém para formar um trisal aqui na Clareira, quem você acha que aguentaria nós dois?
Newt soltou uma risada baixa, uma raridade que aqueceu o peito de Haezel. Ele se apoiou no cotovelo, olhando para ela com diversão brilhando nos olhos claros.
— Um trisal? Mértila, você mal chegou e já quer causar um colapso no sistema da Clareira? — Ele fingiu pensar, correndo a mão novamente pelo corpo dela. — Bom, o Thomas é dedicado demais, provavelmente tentaria mapear o nosso relacionamento como se fosse o Labirinto. O Minho... ele ia fazer piada o tempo todo, não sei se teríamos paz.
— Eu acho que o Minho seria divertido — rebateu Haezel, rindo. — Ele tem aquela pose de durão, mas aposto que é um moleque por dentro. E o Winston? Ele é quieto, talvez desse certo.
— Winston é focado demais nos fatiadores — Newt brincou, descendo os beijos para a barriga dela. — Mas talvez o Chuck. Ele seria o nosso mascote, ia querer dormir no meio da gente só para se sentir seguro.
Eles continuaram o jogo por algum tempo, juntando nomes e imaginando situações absurdas entre os Clareanos. Era uma forma de humanizar aqueles garotos que, muitas vezes, pareciam apenas engrenagens em uma máquina de sobrevivência. Newt parecia genuinamente feliz, o rosto descontraído de uma forma que ela ainda não tinha visto à luz do dia.
No entanto, o silêncio que se seguiu à brincadeira trouxe uma pergunta que pairava no ar desde que ela saíra da Caixa. Newt parou os movimentos da mão e olhou fixamente para o rosto de Haezel, a expressão tornando-se mais séria.
— Haezel — chamou ele suavemente —, você se lembra de alguma coisa? De antes? Antes da Caixa, antes do CRUEL?
A pergunta atingiu Haezel como um balde de água fria, mas ela não se afastou. Ela fechou os olhos por um momento, vasculhando as névoas de sua mente. Fragmentos de imagens surgiam: luzes artificiais, vozes distantes e uma sensação de dor que não vinha de feridas físicas.
— Eu lembro de uma pessoa — confessou ela, a voz falhando levemente. — Eu acho que... eu tinha um namorado. Ou alguém que dizia ser.
Newt tencionou o corpo, o maxilar travando por um instante, mas ele continuou a ouvi-la, incentivando-a com um aperto suave na mão.
— Ele não era como você, Newt — continuou ela, sentindo uma lágrima solitária escapar. — Ele me batia. Lembro de mãos pesadas, de palavras que me faziam sentir pequena. Às vezes, ele me forçava a coisas... me deixava roxa, me usava para se sentir poderoso. Eu era como um objeto para ele.
O silêncio na cabana tornou-se sufocante. Newt sentiu uma onda de fúria protetora percorrer seu sangue. Ele queria encontrar esse homem, queria destruir qualquer um que tivesse ousado tocar em Haezel daquela maneira. Mas, ao olhar para ela, viu que não precisava de violência agora; ela precisava de cura.
— Ei, olhe para mim — pediu Newt, forçando-a gentilmente a encará-lo. — Isso não importa agora. Aquele mértila não está aqui. Ele nunca mais vai encostar em você. Eu estou aqui, e ninguém vai interromper o que temos. Entendeu? Ninguém.
Haezel assentiu, sentindo o peso do passado diminuir diante da determinação dele.
— Eu sei. Eu me sinto diferente com você. Com você, eu não tenho medo.
Newt não respondeu com palavras. Ele a puxou para um beijo intenso, carregado de uma promessa silenciosa de proteção e devoção. O beijo não era apenas desejo; era uma forma de selar o compromisso de que, naquele pedaço de terra cercado por muros, ela era a sua prioridade absoluta.
Ele mudou as posições com agilidade, deitando-se de costas e puxando Haezel para cima dele. Ela se acomodou sobre o corpo dele, sentindo os músculos firmes de Newt sob suas coxas. Com um sorriso tímido, ela começou a se movimentar ritmicamente, observando a reação no rosto dele.
Newt soltou um gemido baixo, os olhos fechando-se enquanto suas mãos subiam para a cintura dela, guiando o movimento.
— Você é incrível — murmurou ele, a voz embargada.
Ele a puxou para baixo para beijar seu pescoço, causando arrepios que percorreram toda a espinha de Haezel. Ela arqueou as costas, sentindo a língua dele traçar um caminho quente pela sua pele, enquanto as mãos de Newt desciam para apertar sua bunda com força, ancorando-a contra ele.
A posição mudou novamente quando o desejo se tornou urgente demais para movimentos lentos. Newt a colocou por baixo dele, mas continuou focado em seu pescoço e ombros, distribuindo beijos e mordidas leves que faziam Haezel revirar os olhos e morder o próprio lábio para conter os gemidos mais altos.
— Newt... por favor — ela pediu, a respiração curta.
Ele subiu o corpo, seus olhos encontrando os dela com uma intensidade que parecia queimar. Ele baixou o rosto até um de seus seios, envolvendo o mamilo com a boca enquanto sua mão massageava e apertava o outro com firmeza. Haezel sentiu uma onda de prazer elétrico percorrer seu corpo, as mãos enterradas nos cabelos loiros dele, puxando-o para mais perto, se é que isso era possível.
Eles ficaram assim por o que pareceram horas, explorando cada centímetro um do outro, transformando a dor das memórias de Haezel em uma nota de rodapé diante da sinfonia de sensações que Newt proporcionava. Ele era cuidadoso, mas firme; doce, mas movido por uma fome que combinava com a dela.
Eventualmente, o cansaço físico começou a superar a adrenalina. Newt parou, deitando o peso do corpo sobre ela por um momento antes de rolar para o lado, puxando-a para o seu abraço. Ambos estavam ofegantes, a pele brilhando de suor sob a luz fraca da lanterna que começava a morrer.
— Melhor agora? — perguntou ele, a voz voltando ao tom calmo de sempre.
— Muito melhor — respondeu ela, aninhando-se no peito dele.
O silêncio voltou a ser confortável. A conversa sobre os trisais da Clareira retornou, desta vez como uma forma de descontrair após a intensidade do que haviam compartilhado.
— Sabe — disse Haezel, traçando círculos imaginários no peito de Newt —, eu acho que o Alby ia odiar a ideia. Ele é todo certinho com as regras.
— Alby ia ter um ataque cardíaco — concordou Newt, rindo baixo. — Mas se fosse para escolher alguém que realmente entendesse de lealdade... talvez o Frypan. Pelo menos a gente nunca ia passar fome.
— Comida e amor? Parece o plano perfeito — ela brincou, bocejando logo em seguida.
Newt a apertou mais forte, beijando sua testa.
— Durma, pequena. O sol vai nascer logo, e temos muito trabalho no jardim amanhã. Mas saiba de uma coisa...
— O quê? — perguntou ela, já fechando os olhos.
— Enquanto eu estiver aqui, o Labirinto pode tentar o que quiser. Mas ele nunca vai tirar você de mim.
Haezel não respondeu, pois o sono já a envolvia, mas o sorriso em seus lábios era a resposta que Newt precisava. Naquela madrugada, entre confissões de um passado sombrio e a leveza de um futuro imaginário, eles criaram seu próprio mundo. Um mundo onde as paredes não eram feitas de pedra, mas de braços que protegiam e corações que, contra todas as probabilidades, haviam aprendido a bater em uníssono.
Lá fora, a Clareira continuava fria e indiferente, mas dentro daquela cabana, o fogo da conexão humana queimava mais forte do que qualquer sol que o CRUEL pudesse projetar no céu artificial. E para Haezel, isso era mais do que suficiente para enfrentar qualquer monstro que vivesse além dos muros.