Ahyeon e James / enimes to lovers
O Rubro do Ciúme e o Brilho da Noite
O ar na sala de prática da YG parecia ter ficado subitamente mais pesado para Ahyeon. Eles estavam em uma sessão de treinamento conjunta, um ambiente barulhento onde o som de batidas de hip-hop se misturava ao burburinho de vários idols e trainees. James, em um de seus raros momentos de socialização que não envolvia irritá-la diretamente, parou para observar uma das novas trainees que praticava uma linha de rap complexa no canto da sala.
— Uau, nada mal — comentou James, propositalmente alto o suficiente para que Ahyeon ouvisse. Ele se encostou na parede, cruzando os braços e exibindo um sorriso de aprovação que raramente direcionava a alguém que não fosse um espelho. — O fluxo dela é muito natural. Além de ser talentosa, ela tem um visual incrível, não acha, Ahyeon?
Ahyeon sentiu uma pontada aguda no peito, algo que queimava mais que o ácido lático em seus músculos após horas de dança. Ela apertou sua garrafa de água com tanta força que o plástico estalou sob seus dedos finos.
— É, ela é esforçada — respondeu Ahyeon, a voz saindo mais fria do que o gelo de seu café matinal. — Mas técnica não é tudo. Se você está tão impressionado, James, por que não vai dar um workshop particular para ela e nos deixa terminar nossa parte da coreografia?
James virou o rosto lentamente para ela, seus olhos escuros brilhando com uma percepção repentina e deliciosa. Ele viu a mandíbula de Ahyeon travada e o modo como ela evitava olhar na direção da outra menina. Um sorriso vitorioso surgiu em seus lábios. Ele amava irritá-la, mas ver aquele lampejo de posse nos olhos dela era um prêmio muito maior do que ele esperava.
— Você está brava, boneca? — Ele se aproximou, diminuindo o espaço pessoal dela com aquela confiança magnética. — Ou será que é apenas... ciúmes?
— Ciúmes? De você? — Ahyeon soltou uma risada seca, embora seu coração estivesse martelando contra as costelas como um tambor desgovernado. — Não seja ridículo. Eu só prezo pela produtividade. Se você quer perder tempo admirando novatas, o problema é seu. Só não atrase o meu cronograma de perfeição.
— Ah, é ciúmes sim — James sussurrou, inclinando-se para que apenas ela ouvisse. — Eu adoro quando você fica com esse olhar de quem quer me matar. Significa que você finalmente admite que eu ocupo espaço demais na sua cabeça.
— Vá para o inferno, James — ela sibilou, pegando sua toalha e saindo da sala sem olhar para trás, deixando o som da risada dele ecoando em seus ouvidos.
O resto do dia foi um borrão de frustração para Ahyeon. Ela se sentia vulnerável, uma sensação que sua natureza exigente detestava profundamente. Para provar a si mesma — e talvez para o universo — que James não tinha tanto poder sobre seu estado emocional, ela tomou uma decisão impulsiva. Quando algumas amigas de outros grupos mencionaram que iriam a uma balada exclusiva em Gangnam para desestressar, Ahyeon, que normalmente fugia de lugares barulhentos, disse "sim" antes mesmo de pensar nas consequências.
Horas depois, Ahyeon encarava seu reflexo no espelho. Ela havia escolhido um vestido de seda vermelho, curto e justo, que realçava cada curva de seu corpo de forma quase perigosa. O batom combinava perfeitamente com o tecido, e seus cabelos caíam em ondas escuras pelos ombros. Ela parecia uma visão de perfeição, mas por dentro, sentia-se completamente fora de lugar.
A balada estava lotada. O som ensurdecedor da música eletrônica e o cheiro de perfumes caros a faziam querer fugir no primeiro minuto. Ela detestava aquele ambiente, o modo como as pessoas se olhavam, a superficialidade de tudo. Mas o ciúme de James ainda ardia em suas veias, alimentando uma rebeldia silenciosa.
Enquanto tentava atravessar a pista de dança em direção à área VIP, sentindo os olhares cobiçosos de estranhos queimando sua pele, Ahyeon percebeu que tinha cometido um erro. Ela queria esquecer James, mas cada batida da música parecia lembrá-la do ritmo que eles compartilhavam no estúdio.
Decidida a ir embora, ela se apressou em direção à saída. No entanto, a combinação de cansaço, a altura vertiginosa de seus saltos agulha e o chão levemente escorregadio da boate foi fatal. Ao tentar desviar de um grupo de pessoas, seu tornozelo virou bruscamente.
— Ah! — ela soltou um arquejo de dor, fechando os olhos e esperando o impacto humilhante com o chão sujo.
Mas o impacto nunca veio.
Braços fortes e terrivelmente familiares a envolveram pela cintura, puxando-a para cima com uma firmeza que a fez perder o fôlego. O perfume amadeirado, aquele cheiro que ela fingia odiar mas que secretamente buscava em cada ensaio, invadiu seus sentidos.
— Você não consegue ficar longe de confusão por uma única noite, não é? — A voz de James ecoou perto de seu ouvido. Não havia o tom de brincadeira de costume; estava carregada de uma seriedade sombria e protetora.
Ahyeon abriu os olhos e encontrou o olhar intenso dele. James estava usando uma camisa preta com os primeiros botões abertos e uma jaqueta de couro escura. Ele parecia ter saído de um pesadelo elegante, e a expressão em seu rosto era de puro descontentamento.
— James? O que você está fazendo aqui? — ela perguntou, tentando recuperar o equilíbrio, mas ele não a soltou.
— Eu soube que você tinha vindo para cá por meio de um "passarinho" — ele disse, seus olhos descendo pelo vestido vermelho dela com uma intensidade que a fez estremecer. — E considerando o estado em que você saiu da empresa hoje cedo, achei que não seria uma boa ideia te deixar solta por Seul. E eu estava certo. O que é isso, Ahyeon? Você quer causar um colapso em metade da Coreia com esse vestido?
Ahyeon sentiu seu próprio ciúme ser substituído por uma satisfação súbita ao ver a possessividade crua nos olhos dele.
— Eu me visto para mim, James, não para você ou para qualquer outra pessoa — ela rebateu, tentando se soltar, mas uma pontada de dor no tornozelo a fez vacilar novamente.
— Você está machucada — James disse, a voz suavizando instantaneamente. Sem pedir permissão, ele a pegou no colo de repente, ignorando os protestos dela.
— James! Me coloca no chão agora! Todo mundo está olhando, somos idols, isso vai dar problema! — ela exclamou, o rosto ficando da cor do vestido.
— Deixe que olhem — ele disse, caminhando decidido em direção à saída VIP. — Deixe que vejam que você está comigo e que ninguém mais tem o direito de chegar perto.
Ele a levou até o seu carro particular, estacionado em uma área reservada e escura. Com cuidado, ele a colocou no banco do passageiro e deu a volta, assumindo o volante. O silêncio dentro do veículo era um contraste absoluto com o caos da balada que haviam deixado para trás.
— Você é um idiota — Ahyeon disse baixinho, encostando a cabeça no vidro frio. — Você elogia aquela trainee só para me ver sofrer e depois aparece como um cavaleiro de armadura de couro para me resgatar.
James suspirou, ligando o motor, mas não deu partida imediatamente. Ele se virou para ela, o braço apoiado no banco de Ahyeon, cercando-a.
— Eu elogiei ela porque eu sou um imbecil que não sabe como lidar com o fato de que você me ignora metade do tempo — confessou ele, a voz rouca. — Eu passo o dia inteiro tentando chamar sua atenção, Ahyeon. E quando eu vi você saindo da sala daquele jeito, eu me senti péssimo. Mas vê-la naquela balada, com esse vestido... eu quase perdi a cabeça.
Ahyeon virou o rosto para ele, surpresa com a honestidade desarmada.
— Você? Com ciúmes? — ela perguntou, um pequeno sorriso surgindo no canto dos lábios.
— Sim — James admitiu, estendendo a mão para tocar uma mecha do cabelo dela. — Eu odeio a ideia de outros caras olhando para você. Eu odeio que você sinta que precisa fugir para um lugar que detesta só por causa de algo idiota que eu disse.
— Eu não queria fugir — Ahyeon admitiu, a voz falhando. — Eu só queria que parasse de doer. Ver você olhar para outra pessoa com admiração... eu percebi que não suporto a ideia de não ser a única perfeição aos seus olhos.
James sorriu, mas desta vez era um sorriso doce, desprovido de qualquer arrogância.
— Você sempre foi a única, Ahyeon. Desde o primeiro dia de trainee. Todas aquelas provocações, as implicâncias com os doces... era tudo para garantir que você olhasse para mim, mesmo que fosse com raiva.
Ele se inclinou, diminuindo a distância entre eles até que as pontas de seus narizes se tocassem. Ahyeon podia sentir o calor da respiração dele, o cheiro de menta e o perigo iminente de se entregar totalmente.
— Posso te levar para casa agora? — ele sussurrou, a poucos centímetros dos lábios dela. — Ou você prefere que eu continue te lembrando o quanto você fica linda quando está brava comigo?
Ahyeon sentiu um frio na barriga, uma antecipação que nenhuma coreografia jamais proporcionara.
— Me leve para casa, James — ela respondeu, segurando a nuca dele e encurtando o espaço final. — Mas não pense que isso significa que eu te perdoei. Amanhã, no ensaio, eu vou ser duas vezes mais exigente com você.
— Eu não esperaria nada menos da minha garota perfeita — ele murmurou, antes de finalmente selar seus lábios nos dela.
O beijo tinha gosto de redenção e de todas as palavras que eles não tiveram coragem de dizer nos últimos meses. Era intenso, possessivo e, ao mesmo tempo, carregado de uma ternura que James guardava apenas para ela.
James deu partida no carro, mas sua mão direita nunca soltou a de Ahyeon durante todo o trajeto. O vestido vermelho agora não era mais uma armadura de rebeldia, mas o marco da noite em que as máscaras finalmente caíram.
Ao chegarem na frente do dormitório do BABYMONSTER, James desligou o motor e a olhou com uma adoração que não tentava mais esconder.
— Amanhã, às oito? — ele perguntou.
— Às sete e meia — ela corrigiu, recuperando seu tom mandão, mas com um brilho suave nos olhos. — E é bom você levar aqueles macarons de pistache. Eu acho que mereço um suborno depois de hoje.
— Todos os macarons do mundo para você, Ahyeon — James piscou, observando-a sair do carro com a ajuda dele.
Enquanto o elevador subia, Ahyeon tocou os próprios lábios, sentindo o rastro do beijo de James. Ela era talentosa, gentil e exigente. E agora, ela sabia que tinha encontrado alguém que não apenas acompanhava seu ritmo, mas que estava disposto a dançar com ela mesmo quando a música parava. O ódio havia se transformado em algo muito mais doce e, pela primeira vez, Ahyeon não sentia a necessidade de ser perfeita. Ela só precisava ser dele.