Ahyeon e James / enimes to lovers
Sinfonia de Pele e Açúcar
O silêncio do apartamento de James era uma melodia rara, muito diferente do caos rítmico das salas de ensaio da YG Entertainment. A iluminação era baixa, composta apenas por algumas fitas de LED em tons de âmbar que contornavam o teto, refletindo-se nas grandes janelas que mostravam o skyline cintilante de Seul.
Ahyeon estava sentada no sofá de couro, as pernas cruzadas de forma elegante, embora seu coração estivesse longe de qualquer postura controlada. Ela usava um moletom oversized que pertencia a James — algo que ela nunca admitiria ter adorado vestir — e segurava uma xícara de chá de camomila, tentando acalmar os nervos que a provocação constante dele sempre deixava à flor da pele.
James saiu da cozinha carregando uma pequena bandeja. Ele estava apenas com uma calça de moletom cinza, o torso nu exibindo a definição muscular que Ahyeon tantas vezes fingira não notar durante as coreografias. O cabelo loiro estava úmido e bagunçado, caindo sobre os olhos escuros que agora a fitavam com uma intensidade devoradora, mas suave.
— Eu disse que recordaria — disse ele, colocando a bandeja na mesa de centro. — Trufas de chocolate amargo com flor de sal. Você mencionou que eram as suas favoritas em uma entrevista de rádio há dois anos, quando ainda era trainee.
Ahyeon sentiu o calor subir pelo pescoço. Ela olhou para os doces e depois para ele, a irritação habitual falhando miseravelmente em aparecer.
— Você é assustador, James — murmurou ela, pegando uma trufa. — Por que guarda essas coisas?
— Porque cada palavra que sai da sua boca é importante para mim, Ahyeon-ah — ele respondeu, sentando-se ao lado dela, tão perto que ela podia sentir o calor emanando de seu corpo. — Mesmo quando você está me mandando ir para o inferno. Especialmente nessas horas.
Ahyeon mordeu o doce, o sabor intenso do chocolate derretendo em sua língua, mas seus olhos não saíram dos dele. A tensão entre eles, que por meses fora alimentada por competição e insultos velados, havia se transformado em algo denso, elétrico e inevitável.
— Você sempre quer ter a última palavra, não é? — perguntou ela, a voz um pouco mais rouca.
— Não — James sussurrou, aproximando-se ainda mais, a mão subindo para acariciar a curva do pescoço dela, onde o pulso de Ahyeon batia freneticamente. — Eu só quero que você saiba que, por trás de toda a provocação, eu nunca desejei mais ninguém além de você.
Ahyeon largou a xícara na mesa com um ruído seco. A "garota perfeita" do K-pop, a idol que sempre tinha uma resposta pronta, estava sem palavras. Ela se virou para ele, suas mãos encontrando o peito largo de James. A pele dele era quente e firme, e o contato fez um estremecimento percorrer a espinha dela.
— Você me irrita tanto, James — sussurrou ela, os olhos brilhando com uma mistura de desejo e rendição.
— Eu sei — ele sorriu de canto, aquele sorriso que costumava deixá-la furiosa, mas que agora a deixava sem fôlego. — E você me ama por isso.
James não esperou por uma resposta verbal. Ele inclinou a cabeça e capturou os lábios dela. O beijo não foi como os anteriores; não havia a urgência desesperada do carro ou o medo de serem descobertos. Era lento, exploratório e carregado de uma promessa que ambos sabiam que seria cumprida naquela noite.
Ahyeon soltou um suspiro baixo contra a boca dele, suas mãos subindo para se enroscar nos fios loiros da nuca de James. Ele a puxou para o seu colo, e ela se sentiu pequena e protegida contra a força dele.
— Tem certeza, boneca? — James murmurou entre beijos, a voz vibrando contra a pele dela. — Eu não quero que você se force a nada por causa do momento. Eu posso esperar mais mil anos se for preciso.
Ahyeon se afastou apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos. Ela viu a vulnerabilidade escondida sob a fachada de idol confiante, o amor que ele tentara disfarçar com piadas e doces.
— Eu estou cansada de esperar, James — ela disse com firmeza. — Eu quero você. Sem câmeras, sem coreografias, sem máscaras. Só nós dois.
James a pegou nos braços com uma facilidade que sempre a impressionava e a carregou até o quarto. O ambiente era minimalista, mas acolhedor. Ele a deitou na cama com uma delicadeza que contrastava com a energia explosiva que ele demonstrava nos palcos.
Cada movimento era uma descoberta. James retirou o moletom dela com as mãos trêmulas, algo raro para alguém tão seguro de si. Quando a viu sob a luz suave do luar que entrava pela janela, ele parou por um segundo, admirando a perfeição das curvas que ele tantas vezes imaginara sob os figurinos de palco.
— Você é magnífica, Ahyeon — ele sussurrou, a voz carregada de adoração.
— Menos conversa, James — ela provocou, embora suas bochechas estivessem coradas. — Mostre-me que você é tão bom nisso quanto diz ser na dança.
James soltou uma risada baixa e mergulhou para beijá-la novamente. Suas mãos percorriam o corpo dela como se estivessem memorizando uma nova música, cada toque despertando uma sensação nova e avassaladora em Ahyeon. Ela, por sua vez, explorava cada centímetro dele, maravilhada com a simetria de seus músculos e a textura de sua pele.
Quando seus corpos finalmente se uniram, o mundo exterior deixou de existir. Não havia YG, não havia fãs, não havia pressões estéticas. Havia apenas o som das respirações sincronizadas e o calor de dois corações que haviam lutado contra o óbvio por tempo demais.
James era intenso, mas incrivelmente atento. Ele buscava os olhos dela a cada movimento, garantindo que ela estivesse ali com ele, em todos os sentidos. Ahyeon, que sempre exigia a perfeição de si mesma, descobriu que a maior perfeição estava na entrega total, no modo como o nome dele escapava de seus lábios como uma prece.
— Ahyeon... — ele murmurou, o rosto enterrado na curva do ombro dela, a voz embargada. — Eu amo você. Eu amo você desde que você era apenas uma menina teimosa que se recusava a errar um passo.
Ahyeon sentiu lágrimas de felicidade picarem seus olhos. Ela o abraçou com mais força, sentindo a conexão profunda que ia muito além do físico.
— Eu também te amo, seu loiro irritante — ela respondeu, rindo baixinho entre os soluços de prazer.
A noite avançou em uma sinfonia de carícias e confissões sussurradas. Eles se amaram com a fome de quem passou anos se escondendo atrás de desculpas. James tratava cada centímetro de Ahyeon como um tesouro, e ela retribuía com uma paixão que o deixava desarmado.
Horas depois, quando a exaustão finalmente os venceu, eles ficaram entrelaçados sob os lençóis de seda. A cabeça de Ahyeon estava apoiada no peito de James, ouvindo o ritmo agora calmo de seu coração.
— Sabe — disse ela, traçando círculos imaginários no abdômen dele —, eu ainda vou te dar bronca se você errar a entrada do segundo refrão amanhã.
James soltou uma gargalhada que vibrou por todo o corpo dela.
— Eu não esperava nada menos de você, boneca — ele disse, beijando o topo da cabeça dela. — Mas agora eu sei como te calar.
— Ah, é? E como? — ela perguntou, levantando a cabeça com um olhar desafiador.
James se inclinou e deu um beijo rápido na ponta do nariz dela.
— Com macarons de pistache e beijos que te deixam sem fôlego. Funciona, não funciona?
Ahyeon bufou, tentando esconder o sorriso, mas falhou.
— Talvez. Mas você ainda vai ter que se esforçar muito.
— Eu vou passar o resto da vida me esforçando por você — ele prometeu, a seriedade voltando aos seus olhos.
Eles adormeceram assim, emaranhados um no outro, enquanto o sol começava a pintar o céu de Seul com tons de rosa e laranja. A colaboração entre Cortis e BABYMONSTER seria um sucesso histórico, o mundo veria a química inegável no palco. Mas o que ninguém saberia era que, por trás das luzes e dos aplausos, a verdadeira música estava acontecendo ali, naquele quarto, onde o inimigo se tornara o amor, e a exigência dera lugar à paz de ser amado exatamente como se é.
Ao acordar na manhã seguinte com o cheiro de café e o som de James cantarolando na cozinha, Ahyeon espreguiçou-se, sentindo cada músculo de seu corpo despertar. Ela olhou para o lado da cama vazio e sorriu. A vida de idol era difícil, cheia de regras e restrições, mas ali, entre aquelas paredes, ela era apenas Ahyeon. E James era o seu porto seguro, o menino loiro que recordava cada doce, cada palavra e, agora, cada centímetro de sua alma.
A perfeição, ela percebeu, não estava em nunca errar um passo. Estava em encontrar alguém que dançasse com você mesmo quando o ritmo ficava confuso. E James, com toda a sua irritação e amor, era o parceiro perfeito.