Ahyeon e James / enimes to lovers
A Doce Melodia do Escândalo
O silêncio nos corredores da YG Entertainment após a coletiva de imprensa era quase ensurdecedor. Ahyeon caminhava ao lado de James, sentindo o peso dos olhares de cada staff e trainee que cruzavam seu caminho. Eles não estavam apenas de mãos dadas; eles estavam unidos por um pacto silencioso que acabara de ser selado diante de centenas de câmeras. O "Casal de Ouro" não era mais uma teoria de fãs no Twitter; era uma realidade que a indústria agora teria que engolir.
— Você está muito quieta — comentou James, quebrando o silêncio enquanto entravam no elevador privativo. — Está arrependida de ter admitido que eu sou o centro do seu universo?
Ahyeon revirou os olhos, mas não soltou a mão dele. A provocação de James era o seu porto seguro, a única coisa que parecia normal em um dia onde tudo havia mudado.
— No seu universo, talvez — rebateu ela, ajeitando uma mecha do cabelo que insistia em cair sobre o rosto. — No meu, você ainda é apenas o idol loiro que não sabe a diferença entre um ensaio técnico e um show de variedades.
James soltou uma risada baixa e a puxou para mais perto, ignorando as câmeras de segurança do elevador.
— Ah, boneca... você mente tão mal quando está corada.
As portas se abriram no andar dos estúdios de gravação. O plano original era que cada um voltasse para seus respectivos dormitórios, mas a adrenalina do Gayo Daejeon ainda corria em suas veias. Eles precisavam de um momento longe do barulho, longe das notificações incessantes em seus celulares que agora vibravam com mensagens de seus managers e colegas de grupo.
James a guiou até uma sala de composição pequena e escura, o tipo de lugar onde as paredes eram forradas com isolamento acústico e o único som era o zumbido dos equipamentos de som. Ele trancou a porta e suspirou, encostando a testa na madeira fria.
— Por um momento, eu achei que o seu manager ia ter um ataque cardíaco ao vivo — confessou ele, virando-se para ela.
— O meu? O seu parecia que ia desmaiar quando você disse que a harmonia era real — Ahyeon riu, sentando-se no sofá de couro gasto que ocupava o canto da sala. — James, o que vamos fazer agora? As ações das empresas estão flutuando, os fãs estão em guerra e nós... nós temos um Special Stage para promover por mais duas semanas.
James caminhou até ela e ajoelhou-se entre suas pernas, apoiando as mãos nos joelhos de Ahyeon. A expressão brincalhona desapareceu, substituída por uma seriedade que sempre fazia o coração dela errar uma batida.
— Nós vamos fazer o que fazemos de melhor — disse ele. — Vamos ser perfeitos. Se o mundo quer um espetáculo, vamos dar a eles. Mas quando as luzes se apagarem, como agora... eu só quero ser o cara que te traz doces e que te irrita até você admitir que me ama.
Ahyeon sentiu a garganta apertar. Ela estendeu a mão e acariciou o rosto dele, sentindo a textura da pele e o calor que emanava de James.
— Você sabe que eu te amo, seu idiota. Eu só não gosto de facilitar as coisas para você.
— Eu não esperaria nada menos da minha menina exigente — James sorriu e selou os lábios nos dela em um beijo calmo, profundo, que carregava todo o alívio de não terem mais que se esconder.
O momento de paz foi interrompido pelo som estridente de um celular. Não era o de James. Ahyeon pegou o aparelho na bolsa e viu o nome de Yang Hyun-suk brilhando na tela. O sangue pareceu fugir de seu rosto.
— É o "Papa YG" — sussurrou ela.
James endureceu a mandíbula, mas assentiu.
— Coloca no viva-voz.
Ahyeon atendeu com a voz trêmula.
— Alô?
— Ahyeon — a voz do outro lado era calma, o que era muito mais aterrorizante do que se ele estivesse gritando. — Espero que você e o rapaz do Cortis estejam satisfeitos com o barulho que causaram. O Twitter caiu, os portais de notícias não param de ligar e eu tenho três reuniões de crise agendadas para amanhã cedo.
— Senhor, nós... — Ahyeon começou, mas foi interrompida.
— Não me dê explicações agora. O que está feito, está feito. Mas escute bem: se vocês querem manter isso, a performance de amanhã no Inkigayo tem que ser impecável. Se houver um erro, um único passo fora do lugar ou uma nota desafinada, eu encerro a colaboração e mando o James de volta para a empresa dele com uma multa por quebra de contrato que vai deixá-lo no vermelho por dez anos. Fui claro?
— Sim, senhor — respondeu Ahyeon, sentindo a pressão esmagadora.
A ligação caiu. O silêncio que se seguiu era gelado. James se levantou, passando a mão pelo cabelo loiro, visivelmente tenso.
— Ele não está brincando — disse James. — Ele quer nos usar para lucrar, mas ao primeiro sinal de fraqueza, ele vai nos destruir para salvar a imagem da empresa.
Ahyeon levantou-se também, a postura voltando a ser a da idol perfeita e exigente que todos conheciam.
— Então não vamos dar a ele esse prazer.
— O que você quer dizer? — perguntou James.
— Vamos ensaiar. Agora. Se ele quer perfeição, ele vai ter algo que vai fazer o Gayo Daejeon parecer um ensaio de jardim de infância. James, se você errar aquele giro sincronizado de novo, eu mesma te mando de volta para a sua empresa.
James olhou para ela e, por um segundo, viu a faísca de competitividade que o fizera se apaixonar por ela anos atrás. Ele sorriu, o desafio aceito.
— É assim que se fala, boneca. Mas antes... — Ele foi até um armário no canto da sala e tirou uma caixa pequena e colorida. — Eu sabia que a noite seria longa.
Ele abriu a caixa e revelou uma seleção de macarons de pistache, morango e chocolate amargo.
— Açúcar primeiro — disse ele, oferecendo um a ela. — Precisamos de energia para sermos as lendas que eles esperam.
Ahyeon pegou o de pistache, sentindo o sabor familiar acalmá-la.
— Você realmente recorda tudo, não é? — perguntou ela, mastigando devagar.
— Eu recordo do dia em que você chorou porque não conseguia acertar uma nota alta em 'Last Goodbye' — disse ele, aproximando-se. — Eu recordo do jeito que você amarra o cabelo quando está nervosa. E eu recordo que, não importa o quanto você tente ser perfeita para o mundo, para mim, você é perfeita justamente quando está brava comigo.
Ahyeon sentiu os olhos marejarem, mas engoliu o choro. Ela não tinha tempo para lágrimas; ela tinha um império para proteger e um namorado para manter ao seu lado.
— Menos conversa, James. Vamos para a sala de dança.
As próximas seis horas foram um borrão de suor, música repetida à exaustão e correções milimétricas. James e Ahyeon não eram mais apenas dois idols apaixonados; eram duas máquinas de precisão. Eles refinaram cada movimento, cada troca de olhar, cada toque. A tensão sexual que antes era uma distração agora era usada como uma ferramenta de performance, uma energia elétrica que preenchia a sala.
— De novo — ordenou Ahyeon, ofegante, limpando o suor da testa com as costas da mão.
— Ahyeon, são quatro da manhã — disse James, embora suas pernas ainda estivessem prontas para continuar. — Nós vamos estar exaustos para o pré-recording se não pararmos agora.
— Só mais uma vez, James. O giro final. Se a gente não estiver em sincronia absoluta, o efeito visual se perde.
James suspirou, mas se posicionou. A música recomeçou. Eles se moveram como um só corpo, as sombras projetadas nos espelhos fundindo-se em uma única silhueta. Quando o giro final aconteceu, eles pararam a milímetros um do outro, os corações batendo no mesmo ritmo frenético.
— Perfeito — sussurrou James, ainda segurando a cintura dela.
— É — admitiu ela, permitindo-se relaxar nos braços dele. — Foi perfeito.
Eles ficaram ali, no meio da sala de dança escura, apenas respirando o mesmo ar. O medo do futuro, das reuniões de crise e do julgamento do público parecia menor agora. Eles tinham um ao outro, e tinham a dança.
— Sabe o que é o mais engraçado? — perguntou James, beijando o topo da cabeça dela.
— O quê?
— Que mesmo com todo esse escândalo, a única coisa que eu consigo pensar é no quanto eu quero te levar para tomar sorvete depois que tudo isso acabar.
Ahyeon riu, uma risada leve que ecoou pelo estúdio vazio.
— Sorvete de pistache?
— De pistache. Com cobertura extra — prometeu ele.
Na manhã seguinte, o Inkigayo estava em estado de sítio. A segurança havia sido triplicada para conter os fãs e os paparazzi. Quando o BABYMONSTER e o Cortis chegaram, o clima era de expectativa absoluta.
Nos bastidores, Ahyeon e James mal se falaram. Eles mantiveram o profissionalismo, mas a conexão entre eles era palpável. Cada vez que seus olhos se cruzavam, havia um entendimento silencioso: "Nós conseguimos".
Quando subiram ao palco para o pré-recording, o silêncio no estúdio era tenso. Yang Hyun-suk estava sentado na área de monitoramento, observando cada movimento.
A música começou.
Foi uma execução impecável. Ahyeon não era apenas uma idol; ela era uma força da natureza. Seus vocais atingiram notas que pareciam impossíveis, e sua presença de palco era magnética. James, por sua vez, era o contraponto perfeito, sua dança poderosa e seu rap preciso criando a moldura ideal para a perfeição de Ahyeon.
No momento do giro final, aquele que eles haviam praticado até a exaustão, o estúdio pareceu prender a respiração. Eles giraram em uma sincronia tão absoluta que parecia um efeito especial. Quando pararam, James inclinou Ahyeon sobre o braço, seus rostos a centímetros de distância. Ele não a beijou — as regras da empresa ainda existiam —, mas o modo como ele a olhou disse tudo o que o mundo precisava saber.
— Corta! — gritou o diretor. — Ficou perfeito. Em um take só.
O staff começou a aplaudir espontaneamente. Ahyeon e James se levantaram, curvando-se para a equipe, mas seus olhos logo buscaram a cabine de monitoramento. Yang Hyun-suk estava de pé, batendo palmas lentamente com um sorriso de satisfação contida. Ele assentiu para eles, o que era o maior elogio que poderiam receber.
Ao voltarem para o camarim, a porta mal se fechou antes de James puxar Ahyeon para um abraço comemorativo.
— Nós conseguimos, boneca! — ele exclamou, girando-a no ar. — Ele não pode nos separar agora. Somos valiosos demais para a marca.
Ahyeon riu, sentindo o peso do mundo sair de seus ombros.
— Você é um manipulador brilhante, James. Usou a nossa própria relação para garantir a nossa segurança.
— Eu apenas usei a verdade — disse ele, colocando-a no chão. — E a verdade é que somos imbatíveis juntos.
Naquela tarde, as redes sociais explodiram novamente. O vídeo da performance no Inkigayo quebrou todos os recordes de visualizações. O ódio inicial de alguns fãs foi substituído por uma admiração pela técnica e pela coragem do casal. Eles haviam transformado um potencial escândalo em uma lição de profissionalismo e amor.
Horas depois, já tarde da noite, James e Ahyeon estavam sentados em um carro com vidros escuros, parados em frente a uma pequena sorveteria de bairro que já estava fechando. James saiu rapidamente e voltou com dois potes grandes de sorvete.
— Promessa é promessa — disse ele, entregando o de pistache para ela.
Eles comeram em silêncio por alguns minutos, observando o movimento calmo da rua. Era o primeiro momento de paz real que tinham em dias.
— James? — chamou Ahyeon, limpando um pouco de sorvete do lábio com o dedo.
— Sim?
— Obrigada. Por me irritar todos esses anos. Se você não tivesse sido tão chato, eu talvez nunca tivesse notado o quanto você se importa.
James sorriu e passou o braço pelos ombros dela, puxando-a para perto.
— Não se acostume com a doçura, Ahyeon. Amanhã de manhã, eu ainda vou te dizer que você errou o tempo daquela transição no terceiro verso.
Ahyeon encostou a cabeça no ombro dele, sentindo-se, pela primeira vez, verdadeiramente completa.
— E eu vou te dizer que você é um loiro convencido que precisa de mais aulas de canto.
— Eu sei — ele sussurrou, beijando a testa dela. — E é por isso que somos perfeitos um para o outro.
A noite em Seul continuava vibrante, cheia de luzes e promessas. Para o resto do mundo, eles eram as estrelas do momento, o casal que desafiou as regras do K-pop. Mas ali, naquele carro, eles eram apenas James e Ahyeon, descobrindo que a harmonia mais difícil de alcançar não era a das notas musicais, mas a de dois corações que decidiram bater no mesmo ritmo, apesar de todos os desafios.
— James? — ela chamou novamente, fechando os olhos.
— Hum?
— Você ainda tem aquele macaron de chocolate amargo?
James soltou uma risada baixa e buscou no bolso da jaqueta, encontrando o último doce da caixa.
— Eu sempre tenho um doce guardado para você, Ahyeon. Sempre.
E assim, entre sorvetes e promessas, eles sabiam que o escândalo era apenas o começo de uma melodia que duraria muito mais do que qualquer temporada de premiações. Eles eram o caos e a ordem, a irritação e o afeto, a perfeição e a realidade. E, acima de tudo, eles eram um do outro.