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Ahyeon e James / enimes to lovers

O Sussurro das Cortinas e o Pacto de Açúcar

O dia da grande performance no SBS Gayo Daejeon finalmente havia chegado. O backstage era um labirinto de araras de roupas brilhantes, maquiadores correndo com pincéis em punho e o som abafado dos gritos dos fãs que já ecoavam da arena. Para Ahyeon, o caos era um terreno familiar, mas hoje o frio na barriga tinha um motivo diferente de apenas o nervosismo do palco.

Ela estava sentada na cadeira de maquiagem, observando seu reflexo. O conceito para o Special Stage era "Noite Estelar": ela usava um conjunto de cristais que pareciam gotas de orvalho sob o luar, e seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto e impecável. Ela era a personificação da perfeição técnica que a indústria exigia.

A porta do camarim se abriu e, pelo espelho, ela viu a cabeleira loira de James. Ele já estava pronto, vestindo um terno de veludo azul-noite que realçava a largura de seus ombros e a intensidade de seus olhos escuros. Ele não disse nada de imediato, apenas dispensou os assistentes com um gesto educado e fechou a porta atrás de si.

— Você está tentando me distrair antes de subirmos? — perguntou Ahyeon, sem se virar, mas com um sorriso brincando nos lábios. — Porque esse terno deveria ser ilegal.

James caminhou até ela e colocou as mãos sobre os ombros de Ahyeon. O toque dele, embora leve, enviou uma corrente elétrica por sua pele.

— Eu poderia dizer o mesmo sobre esses cristais — ele sussurrou perto do ouvido dela. — Mas não vim aqui para falar de moda. Vim trazer o reforço necessário.

Ele tirou do bolso uma pequena embalagem prateada. Dentro, havia um único macaron de ouro comestível, recheado com creme de avelã e chocolate amargo.

— O último doce antes da batalha — disse James. — Para garantir que sua voz seja tão doce quanto o açúcar, embora eu saiba que você vai querer me morder durante a coreografia.

Ahyeon pegou o doce e o saboreou, fechando os olhos.

— Você é impossível — disse ela, limpando um farelo invisível do canto da boca. — Mas admito que precisava disso. O mundo está esperando para ver se a gente vai se matar ou se vai criar arte lá fora.

James inclinou-se, apoiando os braços na penteadeira, ficando cara a cara com ela.

— Vamos criar algo que eles nunca vão esquecer, Ahyeon. Mas, acima de tudo, vamos dançar um para o outro. Esqueça as câmeras. Esqueça os diretores. Apenas eu e você, como naquelas madrugadas no estúdio.

— James... — Ela hesitou por um segundo, a vulnerabilidade brilhando em seus olhos. — E se algo der errado? E se o público perceber que não somos apenas "colegas"?

James pegou a mão dela e beijou os nós dos dedos com uma solenidade que a desarmou completamente.

— Deixe que percebam. Eu cansei de me esconder atrás de provocações, mesmo que eu ainda ame te irritar. Hoje, eu quero que eles vejam que eu sou o homem mais sortudo daquele palco porque você está ao meu lado.

O anúncio nos alto-falantes interrompeu o momento, convocando os artistas para o palco. James se levantou e estendeu a mão para ela.

— Pronta, boneca?

— Mais do que pronta — respondeu ela, apertando a mão dele com força.

Quando as luzes da arena se apagaram e a introdução orquestral começou, o silêncio do público foi absoluto. Então, um único holofote iluminou Ahyeon no centro do palco. Ela começou a cantar, sua voz límpida e poderosa preenchendo cada espaço do estádio. Segundos depois, James surgiu das sombras, sua voz profunda criando uma harmonia que parecia vibrar nos ossos de todos os presentes.

A coreografia era uma narrativa de atração e repulsa. Eles se aproximavam, quase se tocando, apenas para se afastarem no último segundo. Era um jogo de espelhos, uma dança de poder que refletia exatamente o que haviam vivido nos últimos meses.

No clímax da música, James puxou Ahyeon para um giro que terminou com o corpo dela pressionado contra o dele. O contato físico foi íntimo, as respirações se misturando enquanto eles se encaravam sob as luzes estroboscópicas. Por um breve momento, o tempo parou. James sorriu, aquele sorriso provocador que ela aprendera a amar, e sussurrou algo que os microfones não captaram:

— Você é perfeita, Ahyeon.

A plateia explodiu em um rugido ensurdecedor quando a música terminou com os dois em uma pose que exalava uma química inegável. Eles deixaram o palco sob aplausos que pareciam não ter fim.

Assim que cruzaram a cortina preta dos bastidores, longe dos olhos do público, James não esperou. Ele a puxou para um canto escuro entre as caixas de som e a beijou com uma paixão que estava contida durante toda a performance.

— James! — ela exclamou entre risos, tentando recuperar o fôlego. — Alguém pode ver!

— Deixe que vejam — disse ele, ainda segurando-a pela cintura. — Nós acabamos de entregar a melhor performance do ano. Merecemos um prêmio.

— Você é um convencido — disse ela, passando os braços pelo pescoço dele. — Mas foi incrível. Eu nunca me senti assim em um palco antes.

— Foi porque fomos nós — disse James, a seriedade voltando ao seu tom. — Sem máscaras.

Eles ficaram ali por alguns minutos, apenas aproveitando a adrenalina do pós-show. No entanto, a paz durou pouco. O manager de James apareceu correndo, com o celular na mão e uma expressão de pânico e empolgação.

— Vocês viram? — perguntou o manager, ofegante. — O vídeo de vocês já é o assunto número um no mundo. As pessoas estão obcecadas. Estão chamando vocês de "O Casal de Ouro do K-pop".

Ahyeon e James se olharam. A realidade da fama estava batendo à porta novamente.

— E agora? — perguntou Ahyeon, sentindo um peso no estômago. — A empresa vai nos separar?

James pegou a mão dela e a entrelaçou na sua, olhando diretamente para o manager.

— Eles podem tentar — disse James, a voz firme e decidida. — Mas eu não vou a lugar nenhum sem ela. Se eles querem o "Casal de Ouro", eles vão ter o pacote completo. Mas nos nossos termos.

Ahyeon sentiu uma onda de alívio e orgulho. O menino loiro que costumava irritá-la apenas para chamar sua atenção agora era o homem que a defendia diante do mundo.

— Temos uma coletiva de imprensa em dez minutos — disse o manager, limpando o suor da testa. — O que eu digo a eles?

James olhou para Ahyeon, pedindo silenciosamente sua permissão. Ela sorriu e acenou com a cabeça.

— Diga a eles que a harmonia foi real — disse James. — E que o ensaio acabou. Agora, a história é de verdade.

Enquanto caminhavam em direção à sala de imprensa, Ahyeon sentiu que aquela era a sua performance mais importante. Não pelo talento ou pela técnica, mas pela coragem de ser quem era ao lado de quem amava.

— James? — chamou ela, pouco antes de entrarem sob os flashes dos fotógrafos.

— Sim, boneca?

— Você ainda me deve aqueles macarons de pistache que prometeu se eu não errasse o giro.

James riu, puxando-a para mais perto e beijando o topo de sua cabeça.

— Eu vou comprar a confeitaria inteira para você amanhã. Mas por enquanto... vamos dar a eles o que eles querem.

Eles entraram na sala de mãos dadas, enfrentando a tempestade de flashes com a cabeça erguida. James continuaria irritando Ahyeon todos os dias, e ela continuaria sendo a idol exigente e perfeita, mas agora, o mundo inteiro sabia que, entre doces e desafios, eles haviam encontrado algo muito mais doce do que qualquer açúcar: a verdade de estarem juntos.

A coletiva foi um borrão de perguntas sobre a química e os ensaios, mas para Ahyeon e James, o único som que importava era o batimento sincronizado de seus corações. Eles haviam transformado a rivalidade em romance e o caos em uma sinfonia que, finalmente, todos podiam ouvir.