Alexjax
Sombras do Passado, Garras do Presente
O corredor da universidade estava excepcionalmente movimentado para uma manhã de terça-feira. Alex caminhava apressado, apertando as alças da mochila contra os ombros, sentindo o peso do cansaço da noite anterior. As marcas no seu pescoço, embora escondidas sob a gola alta da blusa, pareciam arder como um lembrete constante da possessividade de Jax. Ele gostava disso, de certa forma; era o selo de segurança que o mantinha ancorado ao namorado.
No entanto, a atmosfera no campus havia mudado. Havia um burburinho novo, um nome que Alex esperava nunca mais ouvir, ecoando pelos armários. Elano.
Elano não era apenas um ex-namorado. Ele era a personificação de uma fase que Alex tentara enterrar. E agora, por algum capricho cruel do destino ou transferência acadêmica, ele estava ali, parado em frente à sala de aula de Alex, encostado na parede com uma arrogância que o tempo não fora capaz de apagar.
— Ora, ora... se não é o meu pequeno Alex — disse Elano, abrindo um sorriso que não chegava aos olhos.
Alex congelou. Ele sentiu o estômago dar um nó. Elano era o oposto de Jax: tinha uma presença solar, atlética e barulhenta, mas carregava um ego que exigia ser o centro de tudo.
— O que você está fazendo aqui, Elano? — perguntou Alex, tentando manter a voz firme, embora suas mãos tremessem levemente.
— Sentiu saudades? — Elano deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. — Eu senti. A faculdade de onde eu vim era um tédio. Decidi que precisava de algo mais... familiar. E você sempre foi a minha parte favorita desta cidade.
— Isso acabou há muito tempo. Eu estou em outra. Eu tenho namorado.
Elano soltou uma risada curta, dando mais um passo, forçando Alex a recuar até que suas costas encontrassem a superfície fria dos armários de metal.
— Eu ouvi falar. Um sujeito estranho, não é? Um tal de Jax. Magrelo, pálido... parece que vai quebrar se bater um vento mais forte. — Elano esticou o braço, apoiando a mão ao lado da cabeça de Alex, encurralando-o. — Você sempre teve um gosto peculiar, Alex, mas vamos ser sinceros: você sente falta de alguém que saiba como te segurar de verdade.
— Me deixa passar, Elano — pediu Alex, a voz baixando para um sussurro tenso.
— Por que a pressa? — Elano se inclinou, o rosto a centímetros do de Alex. Ele exalava um perfume caro e invasivo. — Eu sei que você ainda guarda aquele fogo por mim. Por que não admitimos que esse seu "namoradinho" é apenas um substituto temporário?
Alex tentou empurrá-lo, mas Elano era mais forte e usou seu peso para mantê-lo pressionado contra a parede. A situação estava se tornando sufocante. Alex olhou ao redor, esperando que alguém interviesse, mas os outros estudantes passavam fingindo não ver a tensão.
— Você é meu, Alex. Sempre foi. Eu só deixei você brincar um pouco por aí — murmurou Elano, aproximando os lábios do ouvido de Alex.
De repente, a temperatura no corredor pareceu cair dez graus. Uma sombra longa e desguia se projetou sobre os dois. Antes que Elano pudesse reagir, uma mão pálida, com dedos longos e veias aparentes, agarrou seu ombro com uma força surpreendente para alguém com uma aparência tão frágil.
— Tire as mãos dele. Agora.
A voz de Jax era um sussurro gélido, carregado de uma violência contida que fez os pelos do braço de Alex se arrepiarem. Elano se virou, soltando Alex, e encarou o recém-chegado. Jax estava parado ali, a coluna levemente curvada, os cabelos escuros caindo sobre os olhos que brilhavam com uma fúria febril. Ele parecia um espectro vingativo.
— E você deve ser o Jax — disse Elano, tentando recuperar a compostura e a postura de superioridade. — Estávamos apenas conversando sobre os velhos tempos. Coisas que você não entenderia.
Jax não respondeu com palavras imediatas. Ele deu um passo à frente, ignorando completamente a diferença de porte físico. A palidez de sua pele tornava o escuro de suas olheiras ainda mais sinistro. Ele se colocou entre Alex e Elano, agindo como um escudo humano, uma barreira de ossos e possessividade.
— Eu não me importo com o seu passado — disse Jax, a voz vibrando de ódio. — Mas o presente dele pertence a mim. E se você encostar nele de novo, eu vou garantir que você não tenha um futuro para se preocupar.
Elano soltou uma risada nervosa, olhando para os lados para ver se alguém assistia à humilhação.
— Você está me ameaçando? Olha pra você, cara. Você parece que vai desmaiar se eu te der um empurrão.
Jax inclinou a cabeça para o lado, um sorriso lento e desprovido de qualquer humor surgindo em seus lábios pálidos.
— Tente — desafiou Jax. — Tente me empurrar e veja o que acontece quando alguém que não tem nada a perder decide que você é um problema.
Alex tocou suavemente o braço de Jax, sentindo a tensão nos músculos do namorado. Ele conhecia aquele olhar de Jax; era o olhar de alguém que não conhecia limites quando se tratava de proteger o que considerava seu.
— Jax, vamos embora... não vale a pena — pediu Alex, a voz suave tentando acalmar a fera.
Jax não desviou os olhos de Elano por um segundo sequer. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de uma eletricidade perigosa. Elano, percebendo que a insanidade silenciosa de Jax era muito mais imprevisível do que sua própria força física, deu um passo atrás, levantando as mãos em sinal de rendição falsa.
— Tudo bem, tudo bem. Não precisa ter um ataque cardíaco, esquisito. A gente se vê por aí, Alex. A escola é pequena.
Elano se afastou, caminhando pelo corredor com uma falsa confiança, mas sem olhar para trás.
Assim que ele sumiu de vista, Jax se virou para Alex. A fúria em seus olhos ainda estava lá, mas agora misturada com uma insegurança possessiva que Alex conhecia tão bem. Jax agarrou o rosto de Alex com as duas mãos, examinando cada centímetro, como se procurasse por algum dano invisível causado pelo toque de outro.
— Ele te machucou? — perguntou Jax, os polegares pressionando as bochechas de Alex com uma força que beirava o desconforto.
— Não, Jax. Eu estou bem. Você chegou na hora — respondeu Alex, cobrindo as mãos frias de Jax com as suas.
— Ele tocou em você — rosnou Jax, a respiração ficando curta, um sinal claro de sua saúde frágil reagindo ao estresse. — Eu vi ele prensando você contra a parede. Eu devia ter quebrado os dedos dele.
— Jax, respira. Olha para mim. — Alex puxou Jax para um canto mais reservado do corredor, longe do fluxo de alunos. — Ele é passado. Ele não significa nada.
Jax encostou a testa na de Alex, fechando os olhos. Ele tremia levemente, uma mistura de adrenalina e a exaustão física que sua anemia frequentemente lhe impunha.
— Você é meu, Alex. Só meu. Eu não vou deixar ninguém, muito menos um idiota como aquele, chegar perto do que é meu.
— Eu sou seu — confirmou Alex, sentindo o coração acelerado. — Mas você precisa se acalmar. Você está pálido demais, Jax. Mais do que o normal.
Jax abriu os olhos, a intensidade sombria retornando. Ele puxou Alex para um abraço apertado, quase sufocante, enterrando o rosto no pescoço do menor, exatamente sobre as marcas que havia deixado na noite anterior.
— Eu vou ficar de olho nele — sussurrou Jax contra a pele de Alex. — Se ele respirar perto de você de novo, eu não vou ser tão diplomático.
— Você chama aquilo de diplomacia? — Alex soltou uma risada fraca, tentando aliviar o clima.
— Para os meus padrões, foi um tratado de paz — Jax se afastou o suficiente para olhar nos olhos de Alex. — Vamos sair daqui. Eu não quero você perto dessa sala enquanto ele estiver por perto.
— Jax, eu tenho aula agora...
— Não tem mais — decretou Jax, pegando a mão de Alex e entrelaçando seus dedos com força. — Nós vamos para o meu carro. Agora.
Alex sabia que não adiantava discutir. Quando Jax entrava naquele estado de proteção obsessiva, a única coisa a fazer era ceder. Enquanto caminhavam para a saída, Alex sentiu o olhar de Elano sobre eles de algum lugar do corredor, mas não se virou. Ele sentia a mão fria de Jax apertando a sua, um lembrete constante de que, embora Jax fosse frágil em aparência, sua vontade de possuir e proteger era uma força da natureza que ninguém ousaria desafiar duas vezes.
Ao chegarem ao estacionamento, o ar fresco pareceu ajudar Jax a recuperar um pouco da cor, embora ele ainda parecesse exausto. Ele abriu a porta do passageiro para Alex, esperando que ele entrasse antes de contornar o veículo com passos rápidos.
Dentro do carro, o silêncio durou alguns minutos. Jax segurava o volante com tanta força que os nós de seus dedos estavam brancos.
— Ele acha que pode voltar e simplesmente retomar o que deixou — disse Jax, finalmente, a voz mais controlada, mas ainda sombria. — Ele não entende que eu não divido nada. Especialmente você.
— Jax, ele é apenas um fantasma do passado tentando causar problemas. Não dê a ele o poder de nos afetar assim.
Jax virou-se para Alex, seu olhar percorrendo o corpo do namorado com uma fome possessiva.
— Ele não tem poder nenhum. Todo o poder sobre você está nas minhas mãos. E eu vou garantir que ele saiba disso. Cada vez que ele olhar para você, eu quero que ele veja a minha marca.
Jax inclinou-se sobre o console central, puxando Alex para um beijo que era metade carinho, metade punição. Era um beijo que reivindicava território, que apagava qualquer vestígio da presença de Elano. Alex correspondeu, sentindo a língua fria de Jax explorar sua boca com uma urgência febril.
— Você é meu, Alex — repetiu Jax entre os beijos, como um mantra.
— Sempre, Jax. Só seu — sussurrou Alex, entregando-se completamente àquela obsessão que, apesar de perigosa, era o único lugar onde ele se sentia verdadeiramente desejado.
Jax ligou o motor, mas antes de sair, olhou uma última vez para o prédio da universidade. Um plano já se formava em sua mente. Ele não apenas manteria Elano longe; ele faria com que o outro se arrependesse de ter cruzado seu caminho. Porque para Jax, Alex não era apenas um namorado. Era sua obsessão, seu sol, e ninguém toca no sol sem sair queimado.