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Alexjax

Território Marcado e Sangue Frio

O ar no refeitório da universidade estava pesado, saturado com o cheiro de café barato e o burburinho incessante de centenas de estudantes. Para Alex, no entanto, o único som audível era o batimento acelerado de seu próprio coração. Ele tentava manter os olhos fixos no livro de anatomia, mas as letras pareciam dançar fora de foco.

Desde que Elano se transferira para a mesma instituição, há apenas uma semana, a paz de Alex havia evaporado. Elano não era sutil. Ele não aceitava o "não" que Alex lhe dera anos atrás, e muito menos aceitava o fato de que Alex agora pertencia a outra pessoa.

— Você ainda gosta de estudar nos lugares mais barulhentos, não é? — A voz de Elano surgiu como um estalo, vinda de algum lugar logo atrás de Alex.

Alex fechou os olhos por um segundo, respirando fundo antes de se virar. Elano estava lá, com aquele sorriso confiante e atlético, vestindo uma jaqueta de time que parecia gritar por atenção. Ele se sentou na cadeira vazia ao lado de Alex, invadindo seu espaço pessoal sem a menor cerimônia.

— Elano, eu já pedi para você me deixar em paz — disse Alex, a voz saindo mais trêmula do que ele gostaria.

— E eu já disse que não aceito ordens de quem ainda me quer por perto — Elano respondeu, inclinando-se para frente. Ele esticou a mão e tocou uma mecha do cabelo de Alex, enrolando-a nos dedos. — Esse seu namorado novo... o tal do Jax... ele não está aqui agora, está?

— Ele está vindo. E você deveria ir embora antes que ele chegue.

Elano soltou uma risada anasalada, cheia de desdém.

— Aquele esqueleto anêmico? Por favor, Alex. Eu vi como ele caminha, parece que vai desabar a qualquer momento. Você precisa de alguém com vigor, alguém que possa te segurar com força, não de um projeto de cadáver que mal consegue ficar em pé.

— Não fale dele assim — Alex sibilou, puxando a cabeça para trás para se livrar do toque de Elano.

— Eu falo como eu quiser — Elano se levantou subitamente, agarrando o braço de Alex e puxando-o para cima. — Vem comigo. Vamos conversar em um lugar onde aquele esquisito não possa nos interromper.

— Me solta! — Alex tentou resistir, mas a força física de Elano era superior.

Elano o arrastou para fora do refeitório, em direção a um dos corredores laterais que levavam aos depósitos de material esportivo, uma área que ficava deserta durante o horário de almoço. Com um movimento brusco, ele empurrou Alex contra a parede de concreto frio, cercando-o com os dois braços.

— Você sempre foi teimoso — murmurou Elano, aproximando o rosto. — Mas eu sei que você sente falta disso. Sente falta de ter um homem de verdade por perto.

Alex estava encurralado. Ele sentia a pressão do corpo de Elano contra o seu, uma sensação invasiva que o fazia querer gritar.

— Eu amo o Jax — Alex disse, tentando manter a voz firme. — Ele é dez vezes o homem que você jamais será.

Elano rosnou, a expressão escurecendo. Ele apertou os ombros de Alex contra a parede, as unhas cravando levemente no tecido da camiseta.

— Ele é um doente, Alex! Ele é possessivo de um jeito doentio e você sabe disso. Eu estou tentando te salvar dele. Eu vou te fazer meu de novo, nem que seja a última coisa que eu faça.

Elano inclinou-se para beijá-lo à força, mas antes que seus lábios pudessem tocar a pele de Alex, um som seco ecoou pelo corredor.

O som de passos lentos, arrastados, mas carregados de uma intenção mortal.

— Você tem exatamente três segundos para tirar as mãos da minha propriedade antes que eu decida o que fazer com os seus restos.

A voz de Jax não era alta. Era um sussurro rouco, vindo do fundo da garganta, carregado de uma frieza que parecia drenar todo o calor do corredor.

Elano congelou e se virou lentamente. Jax estava parado a poucos metros de distância. Sua figura alta e magra parecia ainda mais imponente sob a luz fluorescente e trêmula. A pele de Jax estava de uma palidez cadavérica, e as olheiras profundas faziam seus olhos parecerem dois buracos negros fixados em Elano. Ele estava ofegante, o esforço físico de procurar por Alex claramente cobrando seu preço de seu corpo anêmico, mas sua postura era a de um predador pronto para o bote.

— Ah, o namoradinho chegou — Elano tentou zombar, mas sua voz falhou levemente. Ele não soltou Alex, querendo manter sua posição de poder. — O que você vai fazer, Jax? Vai tossir em cima de mim até eu morrer de tédio?

Jax não sorriu. Ele não mudou de expressão. Ele simplesmente começou a caminhar em direção a eles. Cada passo parecia um esforço hercúleo para suas pernas finas, mas a determinação em seu rosto era aterrorizante.

— Um... — contou Jax, a voz baixa.

— Solta ele, Elano — pediu Alex, vendo o brilho perigoso nos olhos de Jax. — Por favor, vai embora.

— Dois... — Jax continuou, parando a apenas um braço de distância.

— Você não me assusta, seu esquisito — Elano disse, embora estivesse recuando milímetros, a mão no braço de Alex tremendo levemente. — Ele é meu ex. Temos história. Você é só um passatempo.

— Três.

O movimento de Jax foi rápido demais para alguém que parecia tão frágil. Ele não deu um soco comum; ele avançou com todo o peso de seu corpo alto, agarrando o colarinho da jaqueta de Elano com uma mão e, com a outra, pressionando o antebraço contra a garganta do agressor, substituindo Alex na parede.

A força de Jax era nervosa, alimentada por um ciúme que beirava a psicose. Ele ignorou a própria fraqueza física, a tontura que sempre o acompanhava, e despejou todo o seu ódio no aperto.

— Ouça bem, seu verme — Jax sibilou, o rosto a centímetros do de Elano. — Eu não me importo com quem você foi na vida dele. Para mim, você é apenas um ruído que eu vou silenciar. Se você olhar para ele de novo, se você respirar o mesmo ar que ele sem a minha permissão, eu vou destruir cada osso desse seu corpo atlético que você tanto se orgulha.

Elano tentou empurrar Jax, mas o namorado de Alex estava em um estado de transe possessivo. Jax usou o peso do próprio corpo para manter Elano imobilizado, seus dedos longos e frios apertando a traqueia do outro.

— Jax! — Alex gritou, segurando o braço do namorado. — Solta ele! Você vai se machucar! Jax, olha para mim!

Ao ouvir a voz de Alex, algo nos olhos de Jax mudou. A fúria cega deu lugar a uma necessidade desesperada de reafirmar sua posse. Ele soltou Elano com um empurrão desdenhoso. Elano caiu de joelhos, tossindo e tentando recuperar o fôlego, a mão no pescoço que já exibia marcas vermelhas dos dedos de Jax.

— Saia daqui — ordenou Jax, sem olhar para trás. — Agora.

Elano, percebendo que a loucura de Jax era algo que ele não conseguia enfrentar com força bruta, levantou-se trôpego e saiu quase correndo pelo corredor, sem olhar para trás.

Assim que o silêncio retornou, Jax pareceu perder as forças. Ele se apoiou na parede, a respiração vindo em espasmos curtos, o rosto mais branco do que o normal.

— Jax! — Alex o segurou pela cintura, impedindo-o de escorregar para o chão. — Você está bem? Por que fez isso? Você sabe que seu coração não aguenta esse tipo de estresse.

Jax virou o rosto para Alex, seus olhos negros agora úmidos com uma mistura de exaustão e adoração doentia. Ele esticou a mão trêmula e tocou o rosto de Alex, os dedos gelados traçando o lábio inferior do menor.

— Ele tocou em você — murmurou Jax, a voz falhando. — Ele estava te encurralando. Eu senti... eu senti que ele estava tentando tirar você de mim.

— Ninguém vai me tirar de você, Jax. Eu sou seu. Você sabe disso.

Jax puxou Alex para um abraço desesperado, escondendo o rosto no ombro do namorado. Alex podia sentir o coração de Jax batendo de forma irregular contra seu peito, um ritmo frenético e frágil que o assustava.

— Eu morreria por você, Alex — sussurrou Jax. — Mas eu mataria primeiro. Eu não posso deixar ninguém chegar perto. Você é a única coisa que me faz sentir vivo. Se eu te perder, não sobra nada além desse corpo vazio.

— Você não vai me perder — Alex o apertou mais forte, sentindo a magreza das costas de Jax sob suas mãos. — Mas você precisa se controlar. Eu não quero que você se mate tentando me proteger de idiotas como o Elano.

Jax se afastou um pouco, olhando para Alex com uma intensidade que fazia o ar parecer escasso.

— Ele não vai voltar — disse Jax, com uma certeza sombria. — Eu vi o medo nos olhos dele. Ele sabe agora que eu não sou apenas um "namorado doente". Ele sabe que eu sou o seu dono.

Alex sentiu um arrepio percorrer sua espinha. A possessividade de Jax era, ao mesmo tempo, seu maior conforto e seu maior medo. Ele sabia que Jax o amava de uma forma que poucas pessoas entenderiam — uma forma absoluta, totalitária, onde não havia espaço para mais ninguém.

— Vamos para casa — disse Alex suavemente. — Você precisa descansar. Você está tremendo.

— Só se você prometer que não vai sair do meu lado — exigiu Jax, agarrando o pulso de Alex com firmeza. — Nem por um segundo. Eu quero sentir você comigo o tempo todo hoje.

— Eu prometo, Jax. Só eu e você.

Jax permitiu que Alex o guiasse pelo corredor. Enquanto caminhavam, Jax mantinha um braço em volta dos ombros de Alex, uma reivindicação silenciosa para qualquer um que cruzasse seu caminho. Ele ainda estava pálido, ainda parecia que poderia desmaiar a qualquer momento, mas havia um brilho de vitória em seus olhos.

Ao passarem pelo estacionamento, Jax parou por um momento, olhando para o carro de Elano estacionado ao longe.

— O que foi? — perguntou Alex.

— Nada — respondeu Jax, um pequeno sorriso cruel surgindo em seus lábios. — Só estava pensando que ele teve sorte hoje. Eu estava cansado demais para ser realmente criativo.

Alex não respondeu. Ele apenas segurou a mão de Jax e o conduziu para o carro. Ele sabia que a batalha por sua liberdade contra Elano havia acabado, mas a batalha para manter Jax dentro dos limites da sanidade estava longe de terminar. E, no fundo, Alex não tinha certeza se queria que Jax fosse são. A loucura de Jax era o que o mantinha seguro, o que o fazia se sentir a pessoa mais importante do universo.

Dentro do carro, Jax inclinou o banco e puxou Alex para cima de si, mesmo antes de ligar o motor.

— Diga de novo — ordenou Jax, as mãos descendo pelas costas de Alex.

— Eu sou seu, Jax — repetiu Alex, entregando-se ao beijo possessivo que se seguiu.

— Sim — murmurou Jax contra seus lábios. — E ai de quem tentar provar o contrário.

O motor do carro roncou, e eles deixaram o campus para trás. Nas sombras do banco de trás, as marcas no pescoço de Alex, deixadas por Jax na noite anterior, pareciam brilhar sob a luz do sol que entrava pela janela — um mapa de posse que nenhum ex-namorado jamais seria capaz de apagar. Elano era apenas uma nota de rodapé; Jax era a história inteira, escrita em sangue, suor e uma devoção que não conhecia a palavra "limite".