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Alma gêmea

O Segredo das Marcas e o Peso da Eternidade

A noite na Terra do Nunca não era apenas uma ausência de sol; era uma entidade viva, pulsante, carregada com o perfume de jasmim noturno e o magnetismo que emanava das rochas de pirlimpimpim. Dentro da cabana, o tempo parecia ter se curvado para observar Hanna e Peter. A luz das flores luminescentes banhava a pele de Hanna em um tom perolado, destacando cada curva de seu corpo que, segundo os meninos e o próprio Peter, parecia ter sido esculpido pela própria magia da ilha.

Peter não conseguia manter as mãos longe dela. Ele a beijava com uma urgência que misturava a descoberta de um novo mundo com a possessividade de quem finalmente encontrou sua metade perdida. Cada vez que os lábios dele desciam pelo pescoço de Hanna, ou trilhavam o caminho delicado entre suas costelas, ela soltava um gemido baixo, uma nota de prazer involuntário que ecoava nas paredes de madeira.

— Esse som... — murmurou Peter contra a pele dela, a voz rouca e vibrante. — É a melhor música que já ouvi na Ilha, Hanna. Faz meu coração bater mais rápido do que quando luto com o Gancho.

Hanna revirava os olhos, tentando manter sua fachada de garota brava e racional, mas o modo como o corpo dela reagia ao toque dele entregava a verdade. Ela sentia cada terminação nervosa despertar sob os lábios de Peter. Quando ele desceu o rosto até o seu quadril, contornando com a língua o desenho geométrico de sua tatuagem, Hanna arqueou as costas, perdendo o fôlego por um segundo.

— Você é um convencido, Pan — sussurrou ela, as mãos perdidas nos cabelos castanhos dele.

Peter subiu novamente, cobrindo o corpo de Hanna com o seu. Ele a beijou com paixão, um beijo que prometia aventuras que nenhum mapa poderia descrever. No entanto, o dia longo de batalhas, voos e emoções intensas começou a cobrar seu preço. Peter, que sempre parecia ter uma energia inesgotável, sentiu o peso das pálpebras.

Antes de se entregar ao sono, ele enterrou o rosto no busto de Hanna, deixando um último beijo suave e demorado em seus seios, suspirando contra a pele dela. Ele se acomodou ali mesmo, usando o corpo dela como seu porto seguro.

— Hanna... — murmurou ele, a voz já arrastada pelo cansaço. — Pela primeira vez na vida... eu acho que entendo o que significa a palavra "cansei".

Hanna soltou uma risada curta e cristalina, o som preenchendo o quarto com uma doçura que fez Peter sorrir mesmo de olhos fechados.

— O grande Peter Pan admitindo exaustão? — brincou ela, passando os dedos pelos fios rebeldes do cabelo dele. — O mundo realmente está mudando.

— Só o meu mundo — respondeu ele, num sussurro quase inaudível, antes de cair em um sono profundo e tranquilo.

Hanna ficou em silêncio por um longo tempo, apenas sentindo o peso reconfortante dele sobre ela. A respiração de Peter era rítmica e calma. Com um movimento cuidadoso para não despertá-lo, ela tateou a lateral da cama e alcançou seu caderno de desenhos e a pena improvisada.

Enquanto Peter dormia, Hanna voltou a desenhar. Ela traçava os contornos da baía, mas sua mente estava em outro lugar. Ela pensava na profecia da ilha, nas marcas em sua pele que Peter tanto admirava e na estranha sensação de que sua inteligência, que antes servia para resolver equações e problemas lógicos em Londres, agora era a âncora que mantinha o espírito selvagem de Peter conectado à realidade.

Peter, mesmo dormindo, parecia buscar o contato com ela. Sua mão, grande e quente, movia-se inconscientemente sobre a barriga de Hanna, fazendo carinhos lentos e circulares sobre a pele nua, logo acima da saia branca. Era um gesto de proteção e carinho que fazia Hanna se sentir mais em casa do que em qualquer lugar onde já estivera.

— Você é um mistério, Pan — sussurrou ela para o nada, enquanto sua pena criava sombras no papel. — Um mistério que eu pretendo levar a vida inteira para resolver.

A madrugada avançou, e o silêncio só era quebrado pelo som da pena arranhando o papel e pelo farfalhar das árvores lá fora. Hanna sabia que o dia seguinte traria novos desafios — o Capitão Gancho não desistiria facilmente, e a própria natureza da Terra do Nunca era imprevisível. Mas, enquanto sentia o carinho subconsciente de Peter em sua barriga e observava o rosto sereno do rapaz que era sua alma gêmea, ela sentiu que estava exatamente onde deveria estar.

Ela fechou o caderno quando a primeira luz dourada começou a aparecer no horizonte. Hanna deixou a pena de lado e abraçou Peter com mais força, fechando os olhos e deixando-se levar pelo sono, protegida pelo rei da ilha e pela certeza de que, na Terra do Nunca, o amor era a única coisa que realmente nunca envelhecia.