Alma gêmea
Promessas Sob o Luar de Pirlimpimpim
A penumbra da cabana era cortada apenas pela luminescência azulada das flores que cresciam nas frestas das vigas de madeira, criando um cenário que parecia flutuar entre o sonho e a realidade. O som da respiração de Hanna estava acelerado, um contraste rítmico com o farfalhar das folhas lá fora. Peter, com uma intensidade que parecia consumir o próprio ar ao redor, não era mais apenas o menino travesso que desafiava piratas; ele era uma força da natureza, focado inteiramente nela.
Ele começou uma trilha de beijos lentos e deliberados, partindo da curva sensível de seu pescoço. Hanna inclinou a cabeça para trás, fechando os olhos enquanto sentia o calor dos lábios dele contra sua pele. Peter desceu suavemente, cada beijo sendo uma afirmação de posse e descoberta. Quando ele passou pelos seus seios, contornando a borda do top curto que ela usava, Hanna sentiu um calafrio percorrer sua espinha, culminando em um leve gemido que escapou de seus lábios antes que ela pudesse contê-lo.
— Você é tão perfeita, Hanna — sussurrou ele contra a pele de sua barriga, a voz vibrando de uma forma que a fazia vibrar junto.
Ele continuou a descida, os lábios roçando as linhas pretas de sua tatuagem perto do quadril, como se estivesse selando cada traço geométrico com uma promessa. Hanna enterrou as mãos nos cabelos revoltos de Peter, sentindo a textura macia dos fios entre seus dedos. O toque dele era exploratório, mas carregado de uma urgência que fazia seu coração martelar contra as costelas. Ela era inteligente o suficiente para saber que o que sentia não era apenas química; era a conexão espiritual de duas metades que o destino, em sua infinita estranheza, decidira unir.
Peter voltou a subir, encontrando os lábios dela em um beijo profundo e faminto. Em um movimento ágil e coordenado, ele segurou a cintura de Hanna e trocou suas posições. Em um segundo, Hanna estava sentada no colo dele, com as pernas envolvendo sua cintura, sentindo o calor da pele nua de Peter contra a sua. O contato era elétrico. Ela apoiou as mãos nos ombros firmes dele, olhando-o nos olhos castanhos que agora brilhavam com uma seriedade incomum.
— Hanna — começou ele, a voz mais baixa e rouca, enquanto suas mãos traçavam círculos lentos em suas costas nuas —, eu estive pensando muito desde que você chegou. A ilha mudou. Eu mudei.
Hanna arqueou uma sobrancelha, sua braveza natural dando lugar a uma curiosidade suave.
— O grande Peter Pan pensando? Isso é novidade. E o que exatamente passou por essa sua cabecinha de vento?
Peter deu um sorriso de canto, mas não era o seu sorriso de deboche habitual. Era algo mais maduro, quase solene.
— Eu sempre disse que não queria crescer porque não via sentido nas obrigações dos adultos. Mas com você... eu comecei a imaginar coisas que nunca imaginei antes. Eu imagino a gente aqui, cuidando deste lugar, mas não apenas como capitão e rainha.
Ele fez uma pausa, buscando as palavras certas, algo raro para alguém tão eloquente quanto ele.
— Eu quero ter uma família com você, Hanna. Quero que a gente tenha os nossos próprios pequenos aventureiros correndo por estas florestas.
Hanna congelou por um instante, o impacto das palavras dele atingindo-a em cheio. A ideia de família era algo que ela associara ao mundo que deixara para trás, algo estruturado e, de certa forma, previsível. Mas ouvir aquilo de Peter, no coração da Terra do Nunca, transformava o conceito em algo selvagem, mágico e infinitamente mais atraente. Ela sentiu um sorriso radiante se espalhar por seu rosto, seus olhos brilhando de emoção.
— Uma família? — perguntou ela, a voz doce. — Você percebe que isso envolveria muito mais do que apenas ensinar as crianças a voar, não é? Alguém teria que ser a voz da razão. Provavelmente eu.
Peter riu, aproximando o rosto do dela até que suas testas se encostassem.
— Eu sei que você seria a melhor nisso. Você já coloca ordem nos Meninos Perdidos com um único olhar. Eu só... eu nunca quis um futuro antes de te conhecer. Agora, eu não consigo imaginar a Terra do Nunca sem o som de vozes que tenham o seu tom e o meu brilho nos olhos.
Hanna acariciou o rosto dele com o polegar, admirando a sinceridade que emanava de cada traço de Peter.
— Cedo ou tarde, isso vai acontecer — disse ele, com uma convicção que não admitia dúvidas. — A ilha quer isso. Eu quero isso.
Hanna concordou com a cabeça, sentindo uma paz profunda.
— Eu também quero, Peter. Mas... — Ela deu um beijo casto na ponta do nariz dele, mantendo o tom brincalhão que era sua marca registrada. — Não vai ser agora. Eu ainda tenho muitos mapas para desenhar, muitos piratas para chutar e, principalmente, ainda preciso garantir que você aprenda a se comportar minimamente como um rei antes de ser pai.
Peter soltou uma gargalhada genuína, apertando-a mais contra seu corpo.
— Justo. Muito justo. Eu aceito esperar, desde que a espera seja ao seu lado.
Ele passou a mão pelo corpo dela novamente, apreciando a curva de sua cintura e a firmeza de sua pele. O momento de introspecção deu lugar novamente ao desejo latente que sempre pairava entre eles. Peter a puxou para um novo beijo, um que selava o pacto que acabaram de fazer. Era um compromisso que transcendia papéis e leis; era uma promessa gravada no tempo parado daquela ilha.
— Você é impossível, sabia? — murmurou Hanna entre os beijos, sentindo as mãos dele subirem pelas suas costas.
— E você é a garota mais brava e maravilhosa que o destino já teve a audácia de colocar no meu caminho — retrucou ele.
Lá fora, a Terra do Nunca continuava seu ciclo eterno de magia, mas dentro daquela cabana, Hanna e Peter estavam criando seu próprio universo. Um universo onde a lógica da garota inteligente e a audácia do menino eterno se fundiam em algo novo, algo que nem mesmo o Capitão Gancho ou as sereias mais antigas poderiam compreender. Eles eram o presente, o futuro e a única aventura que realmente importava.