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Amante, Amor, Amiga

Entre a Pele e a Memória

O silêncio do quarto de Alanis não era um vazio, mas uma presença densa, carregada pelo magnetismo que as puxava desde o momento em que a primeira taça de vinho fora servida. Quando os pés de Gabriela tocaram o tapete macio ao lado da cama, ela sentiu que estava deixando para trás não apenas suas roupas, mas todas as camadas de cansaço que a semana em São Paulo havia acumulado em seus ombros.

Alanis a observava com uma intensidade que fazia a pele de Gabi formigar. A luz que vinha do corredor desenhava o contorno dos ombros da loira, destacando a vulnerabilidade e o desejo que lutavam por espaço em seus olhos verdes.

— Você é tão linda, Gabi — sussurrou Alanis, a voz saindo como um veludo arranhado. — Às vezes eu esquecia de respirar quando a gente gravava, só de ter você por perto.

Gabi sorriu, um sorriso que misturava timidez e uma audácia recém-descoberta. Ela deu um passo à frente, diminuindo a distância até que o calor dos corpos se tornasse um só.

— Então respira agora, Lanis — disse Gabi, levando as mãos ao rosto da amiga, os polegares acariciando as maçãs do rosto dela. — Respira o meu cheiro, porque eu não vou a lugar nenhum.

Alanis fechou os olhos, entregando-se ao toque. Ela segurou os pulsos de Gabi e, com uma lentidão torturante, beijou a palma de cada mão, a ponta da língua traçando linhas invisíveis que faziam Gabi estremecer. O contato inicial foi como um fósforo riscado no escuro. Quando Alanis finalmente buscou a boca de Gabi, o beijo não tinha mais a hesitação da sala de estar. Era faminto, urgente, uma conversa sem palavras sobre os anos de espera.

As mãos de Alanis desceram pelas costas de Gabi, sentindo a suavidade da pele ruiva, até encontrarem o fecho da lingerie. Com um movimento ágil, a barreira caiu. Gabi soltou um suspiro contra os lábios de Alanis quando sentiu o contato direto do peito da loira contra o seu. Era uma sensação de pertencimento, um encaixe que parecia ter sido moldado por mãos divinas.

— Minha ruiva... — murmurou Alanis, descendo os beijos pelo pescoço de Gabi, encontrando aquele ponto sensível logo abaixo da orelha que a fazia arquear as costas.

Gabi enterrou os dedos nos cabelos loiros de Alanis, puxando-a para mais perto, querendo fundir-se a ela. Elas tombaram na cama, um emaranhado de pernas e suspiros. Alanis posicionou-se sobre ela, sustentando o peso nos cotovelos para poder admirar o rosto de Gabi sob a penumbra.

— Eu sonhei com isso tantas vezes — confessou Alanis, os olhos brilhando com uma honestidade crua. — Tive medo de que a realidade não chegasse aos pés da minha imaginação.

— E agora? — perguntou Gabi, a respiração errática, as mãos descendo pelas costelas de Alanis até os quadris.

— Agora eu percebo que minha imaginação era limitada demais — respondeu Alanis, antes de baixar o rosto para beijar o vale entre os seios de Gabi.

A língua de Alanis era exploratória, traçando caminhos lentos e úmidos pela pele de Gabi, descendo pelo abdômen, fazendo a ruiva prender o fôlego a cada centímetro conquistado. Gabi sentia-se como um instrumento sendo afinado por mãos maestras. Quando Alanis alcançou a curva de sua coxa, Gabi soltou um gemido baixo, a cabeça jogada para trás nos travesseiros.

— Lanis... por favor — pediu Gabi, as unhas cravando-se levemente nos ombros da loira.

Alanis subiu o olhar, encontrando a entrega total nos olhos castanhos de Gabi. Ela removeu a última peça de roupa que as separava e, com uma delicadeza que beirava a adoração, abriu caminho entre as pernas da ruiva. O toque de Alanis era firme e experiente, mas carregado de uma ternura que só quem ama de verdade consegue imprimir.

Quando os dedos de Alanis a encontraram, Gabi sentiu o mundo desaparecer. Era uma onda de calor que começava no centro de seu ser e se expandia para cada extremidade. Alanis movia-se com um ritmo hipnótico, observando cada reação de Gabi, cada arquejo, cada contração involuntária.

— Você sente o que faz comigo? — sussurrou Alanis, a voz rouca rente à coxa de Gabi, antes de usar a boca para intensificar a sensação.

Gabi não conseguia responder com palavras. Ela apenas puxou o lençol, os nós dos dedos brancos pela força, enquanto seu corpo respondia ao estímulo de Alanis. O prazer era uma nota alta e constante, vibrando em sua espinha. Ela sentia a umidade, o calor e a vibração da voz de Alanis contra sua pele, um combo que a levava para além de qualquer consciência racional.

— Vem para cima, Lanis — pediu Gabi, a voz trêmula. — Eu quero sentir você.

Alanis atendeu ao pedido, subindo pelo corpo de Gabi como uma chama. Elas se beijaram novamente, um beijo profundo que compartilhava o sabor do desejo mútuo. Gabi inverteu as posições com um impulso de energia, ficando por cima, os cabelos ruivos caindo como uma cortina ao redor dos rostos delas.

Agora era a vez de Gabi explorar. Ela conhecia o corpo de Alanis pela memória das cenas gravadas, mas a realidade era infinitamente mais vibrante. Ela beijou as clavículas de Alanis, sentindo o pulsar acelerado da veia em seu pescoço. Suas mãos percorreram as curvas de Alanis com uma reverência nova, descobrindo pequenas marcas, a textura da pele, o calor que emanava da loira.

— Você é perfeita — disse Gabi, olhando nos olhos verdes que agora pareciam escuros de luxúria.

— Eu sou sua — respondeu Alanis, a voz falhando.

Gabi usou as mãos e a boca para levar Alanis ao mesmo estado de êxtase. Ela sentia as reações da loira sob seus dedos, o modo como Alanis prendia a respiração quando Gabi encontrava seus pontos mais sensíveis. O prazer de Alanis era vocal, uma série de gemidos baixos e súplicas que alimentavam o fogo de Gabi.

Quando Alanis envolveu as pernas na cintura de Gabi, puxando-a para um contato ainda mais íntimo, a fricção entre seus corpos tornou-se o centro do universo. Elas se moviam juntas, em uma sincronia que não precisava de ensaio. Era instintivo, ancestral. O suor fazia suas peles deslizarem, e o cheiro de ambas se misturava ao aroma do vinho que ainda pairava no ar.

— Gabi, agora... eu não aguento mais — arquejou Alanis, as mãos puxando Gabi para um beijo desesperado.

Gabi intensificou o ritmo, seus próprios sentidos no limite. Ela sentia o clímax se aproximando como uma tempestade inevitável. Alanis a apertava com força, buscando o máximo de contato possível, as respirações fundidas em um único som descompassado.

O ápice atingiu Gabi primeiro, uma explosão de cores e sensações que a fez gritar o nome de Alanis contra o ombro da loira. O corpo de Gabi tremeu violentamente, as ondas de prazer inundando cada célula. Segundos depois, Alanis seguiu o mesmo caminho, o corpo retesando-se antes de relaxar em uma série de espasmos deliciosos, a cabeça jogada para trás, os olhos revirados em puro deleite.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som das respirações pesadas e pelo bater sincronizado de dois corações que haviam acabado de se reencontrar em um nível espiritual. Alanis puxou Gabi para baixo, aninhando a ruiva em seu peito, os braços envolvendo-a protetoramente.

— Foi... — Gabi tentou falar, mas a voz era apenas um sopro.

— Shhh — Alanis a interrompeu, beijando-lhe a testa. — Não precisa falar nada. Só fica aqui.

Gabi se acomodou, sentindo a pele de Alanis esfriar lentamente contra a sua, mas o calor interno permanecia. Ela traçou círculos imaginários no abdômen de Alanis, sentindo-se mais leve do que em qualquer momento dos últimos anos. O término com Pablo, o cansaço da peça, as incertezas da carreira... tudo parecia insignificante diante daquela conexão.

— Sabe o que eu percebi? — perguntou Gabi, depois de um longo tempo, a voz recuperando a firmeza.

— O quê? — Alanis perguntou, acariciando os cabelos ruivos espalhados por seu peito.

— Que a gente passou tanto tempo interpretando o amor na frente das câmeras, que a gente acabou criando o nosso próprio roteiro aqui fora. E esse roteiro é muito melhor, Lanis.

Alanis sorriu, um sorriso pleno que iluminou seu rosto mesmo na escuridão do quarto. Ela se inclinou e deu um selinho demorado em Gabi.

— O nosso roteiro não tem "corta", Gabi. E não tem ponto final.

— Só reticências... — completou Gabi, fechando os olhos e deixando-se levar pelo sono, protegida pelos braços da mulher que, desde 2019, era a dona silenciosa de seu coração.

Ali, no refúgio daquele quarto, entre lençóis que guardariam o segredo daquela noite, Gabriela Medvedovsky e Alanis Guillen finalmente deixaram de ser apenas colegas ou amigas. Elas tornaram-se o destino uma da outra, selado não por um contrato ou por um roteiro, mas pela verdade nua e crua de dois corpos que se reconheceram no escuro.

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