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Amor

Entre Tecidos e Batimentos

O portão eletrônico da mansão de Kuro deslizou com um zumbido quase imperceptível, revelando uma propriedade que, embora imensa e luxuosa, parecia solitária demais para alguém com tanta energia. O SUV estacionou na garagem impecável, e o silêncio que se seguiu ao desligar do motor foi preenchido apenas pela respiração dos dois. Tatsuyo olhou pela janela, admirando a arquitetura moderna de linhas retas e grandes painéis de vidro que refletiam o luar de Konoha.

— Bem-vinda ao meu refúgio — disse Kuro, saindo do carro e dando a volta para abrir a porta para ela. — É um pouco grande demais para um cara só, eu sei.

Tatsuyo desceu, ajeitando a jardineira.

— É linda, Kuro. Mas sinto que poderia ter um campeonato de hóquei inteiro aqui dentro sem ninguém se esbarrar.

Kuro riu, guiando-a para a entrada. Ao entrarem, o ambiente era minimalista, mas acolhedor, com luzes automáticas que se acendiam em um tom quente. Ele não perdeu tempo; em poucos minutos, o pedido da pizza já estava feito pelo aplicativo e os dois se viram sozinhos no vasto living.

— Escuta — começou Kuro, passando a mão pelo pescoço, parecendo subitamente um pouco tímido, algo raro para o defensor destemido dos Wolves. — Você deve estar exausta dessa roupa de festa... quer dizer, você está linda, mas sei que quer algo mais relaxado. E eu estou morrendo de vontade de tirar essa camisa social.

— Eu adoraria — admitiu Tatsuyo com um suspiro de alívio. — Adoro minha jardineira, mas o jeans começa a pesar depois de algumas horas de tensão social.

Kuro a levou até o andar de cima. O quarto dele era vasto, com uma cama king-size que parecia uma nuvem e um closet que deixaria qualquer entusiasta de moda com inveja. Ele mexeu em algumas gavetas e puxou uma camiseta de algodão cinza-chumbo, visivelmente macia pelo uso.

— Toma. É a minha favorita para dormir. Acho que vai ficar um pouco grande, mas é confortável.

— Obrigada, Kuro.

Ele indicou o banheiro privativo para ela se trocar e foi para o closet fazer o mesmo. Quando Tatsuyo saiu do banheiro, sentiu-se finalmente em casa. A camiseta de Kuro chegava até o meio de suas coxas, o tecido cheirando levemente ao perfume amadeirado dele misturado com sabão em pó. Por baixo, ela estava apenas com sua lingerie básica, sentindo a liberdade de movimento que tanto prezava. Seus cabelos pretos estavam soltos, caindo de forma natural sobre os ombros pardo-claros.

No quarto, Kuro já a esperava. Tatsuyo sentiu o coração falhar uma batida. Ele estava apenas com uma calça de moletom cinza, que repousava baixa em seus quadris, deixando o elástico da cueca preta levemente à mostra. Sem a camisa, o físico dele era ainda mais impressionante do que nas fotos de jornal. Os músculos do peito eram firmes, o tanquinho perfeitamente definido e os ombros largos mostravam a força necessária para derrubar adversários no gelo. A pele branca dele parecia brilhar sob a luz suave.

Kuro a encarou, e seus olhos castanhos escuros escureceram ainda mais. Ele a achava perfeita. A forma como a camiseta dele ficava larga no corpo dela, revelando as pernas torneadas e a simplicidade de sua beleza natural, o deixava mais fascinado do que qualquer produção de alta costura.

— Você... — Ele pigarreou, tentando manter a voz estável. — Você fica melhor nas minhas roupas do que eu, Tatsuyo.

— É o conforto — ela brincou, sentindo o rosto queimar. — Acho que não devolvo mais.

— Pode ficar com todas, se quiser.

Eles desceram para a sala de cinema privativa assim que a pizza chegou. O sofá era imenso, cheio de almofadas profundas. Kuro colocou a caixa de pizza na mesa de centro e ligou o sistema de som, selecionando o filme que estava estampado na camiseta que ela usara na festa.

O ambiente estava na penumbra, apenas com a luz da tela iluminando seus rostos. Eles comeram entre risadas, comentando sobre as cenas do filme e relembrando momentos engraçados de entrevistas passadas. Aos poucos, a distância entre eles no sofá foi diminuindo.

Tatsuyo, sentindo-se corajosa e acolhida pela atmosfera, deslizou para o lado, acomodando-se contra o corpo quente de Kuro. Ela deitou a cabeça no peitoral dele, sentindo a firmeza dos músculos e o ritmo constante de seu coração. O braço de Kuro envolveu a cintura dela instantaneamente, puxando-a para mais perto, como se temesse que ela pudesse flutuar para longe.

— Está confortável? — perguntou ele, a voz vibrando contra o ouvido dela.

— Muito — sussurrou ela. — É o melhor lugar onde estive em muito tempo.

Kuro começou a fazer um carinho suave no braço dela, seus dedos traçando padrões invisíveis na pele parda. Ele estava em êxtase. Para o mundo, ele era o ídolo inalcançável, o "solteiro de ouro", mas ali, ele era apenas um jovem de vinte anos completamente rendido pela garota que o via de verdade.

— Sabe, Tatsuyo... — Kuro começou, sua voz soando mais séria enquanto o filme passava em segundo plano. — Naquela festa, todo mundo estava tentando ser alguém importante. Eu só conseguia pensar em como eu queria estar exatamente assim. Com você. Sem câmeras, sem expectativas.

Tatsuyo ergueu um pouco o rosto, apoiando o queixo no peito dele para encará-lo. Os olhos pretos dela brilhavam com uma mistura de ternura e desejo.

— Você é muito diferente do que as pessoas escrevem sobre você, Kuro. Eles focam no jogador, no "bad boy" do gelo... mas você é doce.

Kuro deu um sorriso enviesado, aquele que costumava derreter a internet, mas que agora era direcionado apenas a ela.

— Eu só sou assim com você. Você desperta o melhor de mim, Tatsuyo. Ou talvez você seja a única que se deu ao trabalho de procurar o que tem por baixo da armadura de hóquei.

O silêncio que se seguiu não era mais sobre o filme ou sobre a pizza. Era sobre o espaço mínimo que restava entre eles. Kuro desceu a mão da cintura dela para a sua nuca, os dedos se perdendo nos fios pretos e lisos. Ele a puxou levemente, e Tatsuyo correspondeu, erguendo o rosto um pouco mais, o coração martelando contra as costelas.

— Eu posso...? — ele murmurou, a respiração quente roçando os lábios dela.

— Por favor — ela respondeu em um suspiro.

O beijo começou lento, uma exploração cuidadosa de territórios há muito desejados. Os lábios de Kuro eram macios, mas havia uma urgência contida neles, uma fome que ele vinha guardando desde o primeiro dia em que ela o entrevistou na beira do ringue. Tatsuyo suspirou contra a boca dele, passando as mãos pelo abdômen definido dele, sentindo o calor da pele nua sob seus dedos.

Kuro aprofundou o beijo, sua língua pedindo passagem e sendo recebida com entusiasmo. Ele a apertou mais contra si, sentindo a maciez do corpo dela contra a dureza do seu. Era um contraste perfeito, como o gelo e o algodão. A obsessão dele, que antes era apenas admiração à distância, transformou-se em uma chama palpável.

Quando se separaram para buscar ar, as testas continuaram coladas. Kuro mantinha os olhos fechados, processando a sensação.

— Uau — ele soltou, a voz rouca.

Tatsuyo riu baixinho, ainda um pouco tonta.

— "Uau" define bem.

Kuro abriu os olhos, encarando-a com uma intensidade que a fez estremecer.

— Eu não vou deixar você ir embora tão cedo, Tatsuyo. Espero que saiba disso.

— Eu não pretendo ir a lugar nenhum, Kuro. A menos que você queira sua camiseta de volta.

— Fique com ela — ele sorriu, beijando a ponta do nariz dela. — Eu prefiro muito mais ver você nela do que eu mesmo.

Eles voltaram a se aninhar, o filme continuando a rodar sem que nenhum dos dois prestasse atenção. Naquela noite, na casa enorme de Konoha Heights, o jogador cobiçado e a jornalista autêntica descobriram que o verdadeiro jogo só estava começando, e as regras eram ditadas apenas pelo que sentiam um pelo outro.