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Amor

O Eclipse da Aliança Proibida

Cinco meses haviam se passado desde que a primeira barreira entre eles fora derrubada. Cinco meses em que cada missão de Kuro era uma tortura de saudade para Tatsuyo, e cada sessão no Senado era um teste de paciência para o Jedi. O amor deles, antes um sussurro contido, transformara-se em um incêndio devorador que consumia qualquer resquício de hesitação. Eles não eram apenas amantes; eram cúmplices em uma rebelião contra o destino e as leis da galáxia.

O cenário era Naboo, o planeta natal de Tatsuyo. Longe do ruído metálico de Coruscant, o ar cheirava a flores de água e grama fresca. Em uma pequena varanda isolada, de frente para o Lago Varykino, o silêncio era absoluto, exceto pelo som suave das ondas batendo contra as pedras. Não havia convidados, não havia música, e certamente não havia a aprovação do Conselho Jedi ou da Rainha.

Tatsuyo usava um vestido de renda fina que parecia ter sido tecido com a própria luz da lua. Kuro, em uma túnica escura que realçava a brancura de seus cabelos e a força de seus ombros, segurava as mãos dela com uma firmeza que dizia: *eu nunca vou soltar*.

— Eu, Kuro Hatake, aceito você, Tatsuyo Nakamura, como minha esposa perante a Força e tudo o que é sagrado — sussurrou ele, a voz vibrando com uma solenidade que ela nunca o ouvira usar. — Meu sabre é seu para proteger sua vida, e meu coração é seu para guardar sua alma.

Tatsuyo sentiu as lágrimas aquecerem seus olhos pretos. Ela apertou os dedos dele, sentindo os calos de guerreiro na pele branca de Kuro.

— Eu, Tatsuyo Nakamura, aceito você como meu marido. — Sua voz era pequena, mas carregada de uma determinação inabalável. — Não importa o que o Senado diga, ou o que as guerras destruam. Eu sou sua, além deste tempo e desta vida.

Eles trocaram alianças simples, forjadas em segredo, escondendo-as sob as vestes assim que o beijo selou o pacto. Naquele momento, eles deixaram de ser apenas um Jedi e uma Senadora. Eles eram um só.

Horas depois, o isolamento do quarto nupcial tornou-se o santuário deles. A tensão da cerimônia secreta havia se transformado em uma urgência febril. Kuro não perdeu tempo. Com a malícia que lhe era característica, ele a carregou para a cama, seus olhos castanhos devorando cada detalhe da pele parda dela que ele agora podia chamar de sua por direito eterno.

O ato de amor foi intenso, uma celebração de sua nova união. Kuro agia com a fome de quem finalmente conquistara seu maior tesouro, e Tatsuyo respondia com uma entrega que desafiava sua antiga inocência. Não havia mais medo, apenas a busca mútua pelo ápice que os unia.

Quando o fogo finalmente diminuiu, deixando apenas brasas de contentamento, eles ficaram abraçados sob os lençóis de seda fina. Kuro estava deitado de costas, com Tatsuyo aninhada em seu peito musculoso, a cabeça dela descansando exatamente sobre o coração dele, que ainda batia rápido.

Tatsuyo traçava círculos preguiçosos no abdômen definido de Kuro, o silêncio sendo apenas preenchido pelo som da respiração deles. Ela olhou para o próprio corpo e, depois, ergueu o rosto para encarar o marido.

— Kuro... — chamou ela, a voz doce e sonolenta.

— Diga, minha esposa — respondeu ele, a palavra "esposa" saindo com um prazer evidente. Ele passou a mão pelo cabelo preto e ondulado dela, espalhado como seda sobre o travesseiro.

— Agora que estamos casados... e que fizemos isso de novo... — Ela hesitou, o rosto corando levemente sob a pele parda. — Eu ainda fico pensando naquela história que as amas contavam. Eu sei que você disse que a semente era invisível, mas... como ela funciona de verdade? Eu não quero ser uma esposa ignorante. Se um dia a Força nos der um filho, eu quero entender como ele chegou lá.

Kuro soltou um riso baixo, uma vibração que Tatsuyo sentiu contra seu próprio corpo. Ele a apertou um pouco mais, achando adorável que, mesmo após meses de intimidade, ela ainda carregasse resquícios daquela educação protegida de Naboo.

— Você quer a verdade técnica, ou a versão romântica? — perguntou ele, beijando a testa dela.

— A verdade — insistiu ela, sentando-se levemente para olhá-lo nos olhos. — Você sempre diz que eu sou inteligente para a política. Quero ser inteligente para isso também.

Kuro suspirou, dando um sorriso de canto, aquele brilho "tarado" e divertido retornando por um instante antes de ele assumir um tom mais explicativo.

— Tudo bem, Tatsuyo. Esqueça as sementes no umbigo. O que acontece é biologia pura, embora pareça mágica quando é com você. — Ele deslizou a mão pela cintura dela, parando sobre o ventre de Tatsuyo. — Dentro de você, existe um lugar chamado útero. É o berço onde um bebê cresce.

Tatsuyo ouvia atentamente, os olhos arregalados.

— E como a vida começa lá? — perguntou ela.

— Lembra-se de quando eu chego ao meu limite dentro de você? — Ele viu o rubor dela aumentar e sorriu. — Aquele fluido que eu libero... ele contém milhares de pequenas células, que chamamos de espermatozoides. Eles são como pequenos guerreiros, Tatsuyo. Eles nadam para dentro, subindo até encontrarem o que chamamos de óvulo, que é a sua parte da criação.

Tatsuyo franziu a testa, tentando visualizar a cena.

— Então eles lutam? — perguntou ela, genuinamente curiosa.

— Quase isso — riu Kuro. — Eles correm. Apenas um deles, o mais forte ou o mais sortudo, consegue entrar no óvulo. Quando isso acontece, ocorre a fecundação. A vida começa ali, não por uma semente plantada por fora, mas por uma união que acontece lá no fundo, onde ninguém vê.

Tatsuyo ficou em silêncio por um longo momento, processando a informação. Ela tocou o próprio ventre, onde a mão de Kuro ainda descansava.

— Então... toda vez que fazemos isso, um desses "guerreiros" pode vencer a corrida? — perguntou ela, a voz carregada de uma nova compreensão.

— Sim — disse Kuro, sua expressão tornando-se subitamente mais séria e terna. — Pode acontecer. E se acontecer, o bebê cresce ali dentro, alimentado pelo seu sangue e pelo seu amor, até estar pronto para ver a luz de Naboo.

Tatsuyo deitou-se novamente no peito dele, sentindo uma onda de emoção. A realidade era muito mais profunda e conectada do que a fábula infantil que lhe haviam ensinado.

— É muito mais bonito assim — sussurrou ela. — É como se uma parte de você passasse a viver dentro de mim para sempre.

Kuro sentiu um nó na garganta. Ele, o Jedi rebelde que muitas vezes agia por impulso e desejo, sentiu o peso da responsabilidade e do amor que aquela explicação trazia.

— Eu já vivo dentro de você, Tatsuyo — disse ele, a voz rouca. — E você vive em mim. Cada batida do meu coração é um comando seu.

— Você acha que o Conselho sentiria isso? — perguntou ela, um pouco de medo voltando à sua voz. — Essa vida que podemos criar?

Kuro endureceu os músculos por um segundo, mas logo relaxou, recusando-se a deixar que a sombra da Ordem Jedi estragasse sua noite de núpcias.

— O Conselho está cego por regras antigas e medos tolos — afirmou ele com convicção. — Eles temem o amor porque não sabem como controlá-lo. Mas o que temos aqui... isso é mais forte que qualquer código. Se um dia tivermos um filho, ele será a prova de que a luz não vem apenas da disciplina, mas da paixão.

Tatsuyo sorriu, sentindo-se segura nos braços daquele homem musculoso e protetor. Ela sabia que o futuro era incerto, que a guerra estava batendo à porta e que o segredo deles era uma bomba-relógio. Mas, naquela cama, com a explicação de Kuro sobre a vida ainda ecoando em sua mente, ela se sentia invencível.

— Kuro? — chamou ela novamente, agora com um brilho travesso nos olhos pretos.

— Sim, senhora Hatake?

— Já que agora eu entendo como a corrida dos guerreiros funciona... — Ela deslizou a mão pelo peito dele, descendo perigosamente. — O que você acha de darmos a eles outra chance de começar a corrida?

Kuro soltou uma gargalhada rouca e deliciada, virando-a rapidamente e ficando por cima dela, seus olhos castanhos brilhando com a luxúria que ela tanto amava.

— Tatsuyo Nakamura... você está se tornando uma aluna muito dedicada — murmurou ele, antes de tomar os lábios dela em um beijo que prometia outra noite inteira de descobertas.

Ali, sob o luar de Naboo, o segredo deles estava seguro. A semente da rebelião — e talvez algo mais — havia sido plantada, não no umbigo, mas no âmago de duas almas que decidiram que o universo era pequeno demais para conter o que sentiam.

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